Companhia está ampliando a usina de Chapadão do Céu (GO) e construindo uma nova planta no Mato Grosso do Sul
Diversificar para reduzir o risco. De acordo com o diretor-presidente da CerradinhoBio, Paulo Motta, este é o principal pensamento por trás da decisão da companhia em investir no etanol de milho. “A ideia não é trocar a cana pelo milho”, garantiu ele durante sua apresentação na Conferência NovaCana.
Como um dos palestrantes do painel “Os desafios do etanol de milho”, Motta relatou a experiência da companhia na primeira usina Neomille, em Chapadão do Céu (GO), além de detalhar os novos projetos.
A Neomille foi criada em 2019 para reunir as operações da CerradinhoBio com o grão. Naquele ano, a empresa inaugurava uma planta anexada à sua unidade de cana-de-açúcar. Mas, apesar de estarem próximas, as duas usinas funcionam de forma independente. “Não somos uma usina flex, temos apenas uma operação integrada”, explica Motta.
A planta de milho, aliás, ajudou a ampliar os resultados da Cerradinho na safra 2021/22. No período, a fabricação do etanol hidratado de cana teve uma retração de 6%, totalizando 399 milhões de litros. Já o biocombustível feito com o cereal cresceu 22%, para 186 milhões de litros.
Além de aumentar a produção de biocombustível, a Cerradinho também pôde adentrar novos mercados, afinal, o processamento milho ainda gera dois coprodutos, o DDG e o óleo. O primeiro contém altos níveis de proteínas e é utilizado para rações animais. Já o segundo pode ser usado em indústrias de biodiesel e para alimentação animal e humana.
Atualmente, segundo Motta, a capacidade das duas plantas é equivalente à moagem de 9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Na prática, contudo, 6 milhões de toneladas são realmente de cana, com as 3 milhões restantes sendo representadas por 570 mil toneladas de milho.
A previsão é que, com a finalização dos dois projetos em andamento da Cerradinho – a ampliação da Neomille goiana e a construção de uma nova planta em Maracaju (MS) –, essa capacidade aumente cerca de 44% para o equivalente a 13 milhões de toneladas de cana. Entretanto, todo esse crescimento será feito por meio do milho.
Confira no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, mais detalhes sobre os projetos da Cerradinho e, também, a visão do executivo a respeito dos principais desafios do setor de etanol de milho no Brasil.
Diversificar para reduzir o risco. De acordo com o diretor-presidente da CerradinhoBio, Paulo Motta, este é o principal pensamento por trás da decisão da companhia em investir no etanol de milho. “A ideia não é trocar a cana pelo milho”, garantiu ele durante sua apresentação na Conferência NovaCana.
Como um dos palestrantes do painel “Os desafios do etanol de milho”, Motta relatou a experiência da companhia na primeira usina Neomille, em Chapadão do Céu (GO), além de detalhar os novos projetos.
A Neomille foi criada em 2019 para reunir as operações da CerradinhoBio com o grão. Naquele ano, a empresa inaugurava uma planta anexada à sua unidade de cana-de-açúcar. Mas, apesar de estarem próximas, as duas usinas funcionam de forma independente. “Não somos uma usina flex, temos apenas uma operação integrada”, explica Motta.
A planta de milho, aliás, ajudou a ampliar os resultados da Cerradinho na safra 2021/22. No período, a fabricação do etanol hidratado de cana teve uma retração de 6%, totalizando 399 milhões de litros. Já o biocombustível feito com o cereal cresceu 22%, para 186 milhões de litros.
Além de aumentar a produção de biocombustível, a Cerradinho também pôde adentrar novos mercados, afinal, o processamento milho ainda gera dois coprodutos, o DDG e o óleo. O primeiro contém altos níveis de proteínas e é utilizado para rações animais. Já o segundo pode ser usado em indústrias de biodiesel e para alimentação animal e humana.
Atualmente, segundo Motta, a capacidade das duas plantas é equivalente à moagem de 9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Na prática, contudo, 6 milhões de toneladas são realmente de cana, com as 3 milhões restantes sendo representadas por 570 mil toneladas de milho.
A previsão é que, com a finalização dos dois projetos em andamento da Cerradinho – a ampliação da Neomille goiana e a construção de uma nova planta em Maracaju (MS) –, essa capacidade aumente cerca de 44% para o equivalente a 13 milhões de toneladas de cana. Entretanto, todo esse crescimento será feito por meio do milho.
Expansão em andamento
Motta conta que, já na primeira temporada de operação da Neomille em Chapadão do Céu (GO), o processamento de milho correspondeu a um terço da produção de etanol e da receita líquida. Assim, ao final de 2021, a mesa executiva da companhia decidiu ampliar a planta em 44%.
Hoje, a Neomille tem capacidade para moer 570 mil toneladas de milho e, com a expansão, esse total passará para 820 mil toneladas do grão. Da mesma forma, a produção de etanol vai crescer dos atuais 260 milhões de litros de hidratado ao ano para 375 milhões de litros, adicionando também a produção de anidro.
Já conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a capacidade autorizada diária deve dobrar, passando de 800 milhões de litros para 1,6 milhão de litros. O acompanhamento da ANP, contudo, traz que todo o volume seguirá sendo de hidratado.
Motta conta que o investimento chegou a R$ 287 milhões e que as obras estão correndo dentro do prazo previsto. Ainda de acordo com ele, a estimativa é que, ao final de outubro, a implantação seja finalizada.
Nova planta
O segundo projeto da Cerradinho é uma usina de etanol de milho na cidade de Maracaju (MS). Motta aponta que o projeto terá duas fases, com a primeira demandando R$ 1,08 bilhão em investimentos.
De acordo com ele, a planta está bem localizada no que diz respeito à biomassa, com 90% da matéria-prima para a segunda fase da construção já assegurada. Motta ainda relata que a Cerradinho também investiu em florestas próprias de eucalipto, que estarão disponíveis para uso em entre seis e sete anos.
Na safra 2026/27, quando a unidade estiver em plena operação, a previsão é uma capacidade de moagem em 608 mil toneladas de milho por ano, com 278 mil toneladas de biomassa.
A usina deverá fabricar anualmente 229 milhões de litros de etanol hidratado e 45 milhões de litros de anidro. De acordo com a ANP, por sua vez, a capacidade diária prevista é de 1,6 bilhão de litros de cada tipo de etanol.
Por fim, também está prevista uma produção anual de 165 mil toneladas de DDG e de 11 mil toneladas de óleo, além da cogeração de 52 gigawatts-hora de energia e da emissão de 135 mil créditos de descarbonização (CBios) no programa RenovaBio.
Para Motta, esta usina representa um “passo muito importante” para a Cerradinho.
Desafios do etanol de milho
O executivo cita o custo e o abastecimento de milho como as primeiras preocupações do setor – mas estas seriam apenas duas entre uma série de desafios para o crescimento do etanol a partir do grão no Brasil. De acordo com ele, o custo varia de acordo com situação de mercado, por se tratar de uma commodity, enquanto o abastecimento depende do volume do grão fabricado no Brasil, que precisa atender demandas internas e externas.
Apesar disso, ele acredita que a produção de milho tem aumentado em conformidade com a necessidade do setor.
A projeção da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) é de que, até 2030, sejam fabricados 9,6 bilhões de litros de etanol de milho, um crescimento de 186% ante os 2,65 bilhões de litros produzidos na safra 2020/21. Com base nisso, o diretor da Cerradinho acredita que é possível manter a fabricação do biocombustível e exportar milho “sem criar estresse”.
Ao mesmo tempo, ele observa que os custos dependem de fatores de mercado. Motta explica que, assim como em uma usina sucroenergética, a operação de milho precisa maximizar os rendimentos e reduzir gastos de produção. “Nós produzimos commodity, que precisa ter custo baixo, o que exige operações e tecnologias ‘first in class’”, afirma.
Ele acredita que, com as tecnologias corretas, é possível aumentar não apenas a fabricação de etanol, mas também dos coprodutos.
“Em muitas situações o etanol paga o milho e o lucro vem dos coprodutos”, Paulo Motta (CerradinhoBio)
O diretor da Cerradinho também observa que o DDG e o óleo de milho podem ser agregadores de valor. Entretanto, pondera que é preciso fidelizar clientes e criar um mercado, para que o DDG continue sendo expedido continuamente e não “se torne um problema”.
Outro ponto de atenção, segundo Motta, é a aquisição de uma biomassa competitiva e sustentável para alimentar as caldeiras da planta que processa milho. Ele explica que regiões abundantes na produção do grão podem não contar com biomassa suficiente, o que gera um custo extra para o produtor.
Além disso, ele também comenta que os maiores mercados consumidores de etanol não estão na mesma região em que o milho é produzido. Então, segundo Motta, é essencial que a logística seja otimizada para que as usinas ganhem competitividade.
Entre projetos de melhoria, o executivo menciona as ferrovias da região Centro-Oeste que, de acordo com ele, são extremamente importantes para a questão logística.
RenovaBio e milho
O último desafio listado por Motta para a produção de etanol de milho é em relação ao programa nacional de descarbonização. Segundo ele, a pegada de carbono do etanol de milho é semelhante à do biocombustível de cana, mas as notas entre as plantas são discrepantes.
Motta conta que, com a Cerradinho e a Neomille já certificadas no RenovaBio, foi verificado que a nota da usina de etanol a base de cana foi seis vezes maior do que a que usa o milho como matéria-prima.
Conforme dados disponibilizados pela ANP, a nota da usina que usa a cana-de-açúcar – 63,8 – é 40% maior que a obtida pela unidade de milho – 45,57. Entretanto, a primeira tem 95,62% de matéria-prima elegível, enquanto a segunda possui apenas 20,78%. Assim, enquanto a usina de cana precisa vender 768,08 litros de hidratado para emitir um CBio, sua contraparte demanda 6,44 vezes mais, com 4.948,26 litros.
“Muito do suprimento de milho vem de cooperativas e traders, e trazer o rastreamento adequado para atender as demandas da RenovaCalc é extremamente difícil, para não dizer impossível”, reitera o diretor.
Ele ainda aponta que o etanol de milho é uma opção clara para aumentar a oferta de CBios, garantindo que haja títulos suficientes para cumprimento das próximas metas do programa. Mas, para isso, seria necessário fazer um ajuste no cálculo da nota.
Motta, contudo, não cita as novas propostas para a cadeia de custódia de grãos, que preveem uma melhoria na rastreabilidade tanto do milho quanto da soja. Os estudos realizados, inclusive, já renderam um informe técnico da ANP.
Segundo ele, é preciso adequar os critérios de certificação no RenovaBio, para “reconhecer a contribuição real do etanol de milho na substituição sustentável dos combustíveis fósseis”.
Giully Regina – NovaCana