Demanda foi maior que a oferta na primeira metade de abril; ao mesmo tempo, biocombustível foi considerado economicamente vantajoso perante a gasolina no Sudeste
Por Phillip Herring*
Impulsionado pela baixa oferta, o mercado de etanol do Centro-Sul voltou a uma fase altista. Este movimento acontece apenas dois meses após o último registro similar de preços elevados.
Ontem, 5, a S&P Global Platts avaliou o etanol hidratado em Ribeirão Preto (SP) a um valor recorde de R$ 3.600 por metro cúbico, alta de R$ 395/m³, ou 12,3%, na semana, incluindo ICMS e PIS/Cofins. No acumulado de 2021 até o momento, o hidratado subiu 45,5% na região.

Temores de uma possível escassez no fornecimento de etanol no curto prazo e uma consequente alta nos preços foram alimentados por relatórios altistas sobre a oferta, com aspectos como o clima seco no Centro-Sul, o alto prêmio nas negociações de açúcar e a relação de valores favorável em relação à gasolina.
“Os preços do etanol aumentaram dramaticamente em um curto período de tempo porque os estoques estão extremamente apertados”, disse um trader de São Paulo. “O tremendo movimento de alta atingirá um valor que efetivamente bloqueia a demanda ou que incentiva as usinas a direcionarem mais cana para a produção de etanol em vez de açúcar”.
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Por Phillip Herring*
Impulsionado pela baixa oferta, o mercado de etanol do Centro-Sul voltou a uma fase altista. Este movimento acontece apenas dois meses após o último registro similar de preços elevados.
Ontem, 5, a S&P Global Platts avaliou o etanol hidratado em Ribeirão Preto (SP) a um valor recorde de R$ 3.600 por metro cúbico, alta de R$ 395/m³, ou 12,3%, na semana, incluindo ICMS e PIS/Cofins. No acumulado de 2021 até o momento, o hidratado subiu 45,5% na região.

Temores de uma possível escassez no fornecimento de etanol no curto prazo e uma consequente alta nos preços foram alimentados por relatórios altistas sobre a oferta, com aspectos como o clima seco no Centro-Sul, o alto prêmio nas negociações de açúcar e a relação de valores favorável em relação à gasolina.
“Os preços do etanol aumentaram dramaticamente em um curto período de tempo porque os estoques estão extremamente apertados”, disse um trader de São Paulo. “O tremendo movimento de alta atingirá um valor que efetivamente bloqueia a demanda ou que incentiva as usinas a direcionarem mais cana para a produção de etanol em vez de açúcar”.
Números do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre os estoques de etanol do Centro-Sul mostraram uma queda de 205 milhões de litros no armazenamento do biocombustível entre o início oficial da safra e 16 de abril.
Além disso, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), as usinas da região venderam mais etanol do que fabricaram na primeira metade de abril, com 730,5 milhões de litros produzidos e 960,75 milhões comercializados.
Considerando o tipo de etanol, a produção de hidratado foi de 626,06 milhões de litros, enquanto a de anidro foi de 104,49 milhões. Por sua vez, a quantidade de hidratado comercializada foi de 650,50 milhões de litros, quantia 14,67% superior na comparação anual. Já o volume de anidro vendido foi de 293 milhões de litros, 47,15% maior no mesmo comparativo.
“As usinas do Centro-Sul têm se concentrado principalmente em maximizar a produção de açúcar. Atrasos na colheita devido ao fraco desenvolvimento da cana e os altos prêmios para a fabricação do adoçante mantiveram a produção de etanol em níveis abaixo do ideal”, disse um trader consultado pela Platts, que resume: “A demanda resiliente por hidratado e anidro está superando a oferta atual de etanol no Centro-Sul”.

Convertido em açúcar bruto equivalente, o valor do hidratado nas usinas da região de Ribeirão Preto (SP) avaliado ontem pela Platts é de 16,55 centavos de dólar por libra-peso. Na mesma data, na bolsa de Nova York, o contrato futuro de açúcar com vencimento em julho fechou a 17,53 centavos de dólar por libra-peso, proporcionando um prêmio de 0,98 centavos ao etanol hidratado.
Clima seco reduz produtividade da cana
O tempo seco contínuo no Centro-Sul fortaleceu as expectativas de redução na produtividade da cana-de-açúcar na safra 2021/22. Este cenário é associado a uma queda na produção de etanol.
De acordo com fontes consultadas pela Platts, a previsão é que as precipitações na primeira quinzena de maio fiquem 93% abaixo da média, com 1 mm em vez de 15 mm. Também são esperadas chuvas 12% abaixo da média na segunda metade do mês, com 44 mm em vez de 50 mm.
“As chuvas na segunda quinzena de maio podem ser um grande alívio para a cana, que sofre com o tempo seco persistente”, disse outro trader de São Paulo, que projeta: “Se as precipitações não chegarem neste período ou se junho apresentar redução, o impacto negativo mais provável será uma menor produtividade nos canaviais, com a moagem caindo para um valor entre 560 milhões e 570 milhões de toneladas na safra 2021/22”.
Etanol competitivo nos postos
Dados semanais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o etanol hidratado é economicamente vantajoso em relação à gasolina para os motoristas do Sudeste.
No período encerrado em 1º de maio, o preço do etanol hidratado na região foi equivalente a 69,18% do valor da gasolina, quase 1% abaixo do limite de 70% que incentiva o consumidor a encher seus tanques com hidratado. Para completar, o diferencial absoluto entre os preços era de R$ 1,70 por litro, um valor bem acima da marca de R$ 1,00/L, o que também estimula o abastecimento com o biocombustível.

“Além da atual relação entre o preço do hidratado e da gasolina estar abaixo de 70%, a diferença absoluta dos valores na maior parte dos postos do Centro-Sul está se aproximando de R$ 2,00/L, o que vai levar os consumidores a abastecerem com o renovável”, afirma um trader carioca.
* Phillip Herring é especialista de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana