É natural que os estoques de etanol das usinas do Centro-Sul iniciem uma curva de aumento após o início de safra devido à maior intensidade de produção. Entretanto, fatores como atrasos no início da moagem, alta demanda por açúcar e menor consumo de etanol, por exemplo, fizeram com que esta ampliação esteja sendo menor no ciclo 2021/22.
Na quinzena encerrada em 1º de maio, o crescimento do volume armazenado no comparativo com a anterior foi de 138,68 milhões de litros, ou 7,8%. Entretanto, no mesmo comparativo das temporadas anteriores, os aumentos foram superiores, de 613,43 milhões em 2020/21 (+26,3%), 201,31 milhões em 2019/20 (+17,1%) e 691,13 milhões em 2018/19 (+47,5%).
De todo modo, o cenário se inverteu em relação à quinzena anterior, de 1º a 16 de abril deste ano, quando houve uma redução de 205,1 milhões de litros na quantidade estocada. O atual aumento também condiz com o fato de que as usinas produziram mais etanol (1,28 bilhão) do que comercializaram (1,16 bilhão), conforme dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).
Além disso, em 1º de maio, o volume de etanol estocado pelas usinas do Centro-Sul do país estava 34,6% menor do que no mesmo período da temporada passada. Um mês após o início oficial da safra, os tanques armazenavam 1,92 bilhão de litros, contra os 2,94 bilhões de um ano antes. Os dados são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Apesar da queda no comparativo anual, é preciso considerar que os estoques estavam particularmente cheios no início da safra 2020/21, após uma temporada de produção recorde do biocombustível e o choque de queda na demanda causado pela pandemia de covid-19. Em comparação com o mesmo período de 2019/20, por exemplo, o atual volume está 39,9% acima.
Do total estocado em 1º de maio, 1,28 bilhão de litros são de etanol hidratado, com retração anual de 28,34% no comparativo com os 1,79 bilhão de litros da safra passada.
Assim como vem ocorrendo nas últimas quinzenas, a redução anual para o anidro foi maior, de 44,4%, indo de 1,15 bilhão para 638,8 milhões de litros. Isto ocorre por conta do maior consumo de gasolina – que leva 27% de anidro na mistura – do que de etanol hidratado.
Nos primeiros três meses de 2021, a queda anual no consumo de combustíveis do ciclo Otto foi de 2,9%. Porém, considerando apenas o hidratado, a retração no mesmo comparativo foi de 4,6%; para a gasolina C, o índice foi de 2,1%.
A maior preferência pelo combustível fóssil também fica clara na análise de preços nos postos, uma vez que o etanol vem perdendo competitividade.
A maior parcela do volume guardado estava nas unidades de São Paulo, totalizando 1,08 bilhão de litros em 1º de maio – redução anual de 43,95%. Dessa quantidade, 733 milhões de litros são de hidratado (-28,7%) e outros 346 milhões, de anidro (-61,45%).






Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
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