Etanol: Preços

Após um mês de alta nos postos, etanol tem pior competitividade desde fevereiro de 2017

Com aumento médio de 6,43% no preço do renovável, relação com o valor da gasolina cresceu para 76,4%; resultado é o pior em quatro anos


NovaCana - 17 mai 2021 - 11:20

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 9 a 15 de maio:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,80% e o do etanol, 6,43%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 76,4% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol é economicamente vantajoso somente em Mato Grosso

  4. O preço do biocombustível subiu nas principais usinas mato-grossenses, goianas e paulistas

  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 217 municípios, dois a menos do que na semana anterior


Os combustíveis completaram um mês de altas de preços nos postos brasileiros e, com os aumentos mais acentuados para o etanol, a relação entre ele e a gasolina ficou desfavorável como não se via há anos: na semana, o renovável custou, em média, 76,4% do valor do fóssil. A última vez em que se registrou a mesma relação foi entre 19 e 25 de fevereiro de 2017.

Com isso, o etanol não é competitivo em praticamente todo o país, ficando somente abaixo da linha dos 70% – limite para ser considerado economicamente vantajoso – em Mato Grosso.

Entre 9 e 15 de maio, o biocombustível custou nas bombas , em média, R$ 4,247 por litro, o que correspondeu a um aumento de 6,43% no comparativo com o período anterior, quando estava em R$ 3,990/L.

A gasolina, por sua vez, aumentou 0,8% no mesmo período, indo de R$ 5,515/L para R$ 5,559/L.

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O movimento pode ser reflexo de ampliações acentuadas dos preços nas usinas na semana anterior, tanto para o etanol anidro quanto para o hidratado. Na análise mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o hidratado subiu 4,85% nas produtoras mato-grossenses e 4,19% nas paulistas. Porém a maior elevação foi nas unidades de Goiás, saindo de R$ 2,871/L para R$ 3,066/L – crescimento de 6,78%.

É importante reiterar que todas essas comparações de preços nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento da ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 217 municípios, dois a menos que os do período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Na semana de 9 a 15 de maio, os preços do etanol nos postos subiram na média de 25 estados do país e caíram apenas no Distrito Federal e no Amapá. Já a gasolina apresentou aumento na média de 19 estados.

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São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, teve um preço médio de R$ 4,080/L, aumento de 8,11% no comparativo semanal, o maior dentre todos os estados. Já a gasolina subiu somente 0,47%.

Com isso, a relação entre os preços aumentou para 76,7%, acima do limite comercialmente estabelecido em 70% e desfavorecendo o renovável. A pesquisa foi feita em 75 cidades paulistas incluindo a capital, duas a menos do que na semana anterior.

Já Minas Gerais teve a segunda maior ampliação semanal média para o etanol, de 8,06%. Enquanto isso, a gasolina cresceu 1,09%, fazendo com que a relação entre ambos fosse para 74,5%. O valor está acima do considerado favorável para o biocombustível, que estava competitivo no estado até a semana anterior. A pesquisa foi feita em 24 municípios mineiros, dois a mais no comparativo semanal.

O único estado com relação entre os preços favorável ao etanol na semana é Mato Grosso, com 69,2%, ainda que o indicador esteja um pouco acima do que no período anterior. O estado também teve o menor valor médio do renovável, de R$ 3,873/L. Ainda assim, o valor sofreu um aumento de 3,61% no comparativo semanal.

Enquanto isso, a gasolina no estado aumentou 2,64%, menos do que o renovável, mas ainda deixando o mercado mais favorável ao etanol. A quantidade de cidades participantes do levantamento permaneceu em quatro.

Goiás, por sua vez, registrou o aumento de 4,38% no preço médio do etanol e de 1,35% no da gasolina. O renovável, que custou médios R$ 4,455/L, passou a corresponder a 75,1% do valor do seu concorrente fóssil, ainda mais desfavorável para o primeiro do que na semana anterior. Foram pesquisadas cinco cidades goianas, mais uma vez.

Mato Grosso do Sul registrou o acréscimo de 4,24% no preço do etanol, que chegou aos R$ 4,305/L. Já a gasolina subiu 0,95%, o que fez a relação entre os preços subir para 76,6%, ainda acima do limite estabelecido em 70% e maior do que a da semana anterior. No estado, a pesquisa novamente foi realizada na capital Campo Grande e em Dourados.

Já o Paraná apresentou o terceiro maior aumento para o renovável da análise, de 7,29%, ficando em R$ 4,269/L. Como a gasolina subiu somente 0,64%, a relação entre os valores aumentou para 80,3%, acima do limite comercialmente estabelecido como vantajoso. No estado, o número de cidades pesquisadas se manteve em 15.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 9 e 15 de maio, 217 cidades foram pesquisadas, duas a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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