Captação, que tem vencimento em 2025, foi analisada pela agência de classificação de risco Fitch Ratings
Inicialmente prevista para setembro do ano passado, a emissão de “títulos verdes” da FS Agrisolutions precisou ser suspensa e reajustada, antes de ser novamente lançada ao mercado, em dezembro. Agora, a empresa afirma que realizou uma emissão adicional de títulos, no valor de US$ 50 milhões.
Segundo nota divulgada pela companhia, os papéis estão de acordo com os princípios de green bonds e foram avaliados pela Sitawi, empresa especializada em financiamentos sustentáveis. Ainda conforme a FS Bioenergia, o valor será utilizado para refinanciamento de capital de giro.
A oferta foi coordenada pelo banco Morgan Stanley e, de acordo com a FS, teve demanda de quase seis vezes o valor pretendido, ou seja, cerca de US$ 300 milhões. “A nossa primeira emissão internacional, em dezembro do ano passado, foi muito bem-sucedida e, por isso, decidimos realizar essa reabertura, que foi novamente bem aceita pelos investidores”, afirma o CEO da FS Bioenergia, Rafael Abud.
De acordo com a companhia, os títulos têm vencimento em cinco anos após a data da emissão original. “Isso é reflexo da melhor percepção de crédito da FS no mercado, além da melhora do cenário macroeconômico global. Precificamos a reabertura do bond em US$ 106,50, que implicou em um rendimento de cerca de 8%, versus os 10% da primeira emissão”, completa Abud.
Na segunda-feira, 11, a agência de classificação de riscos Fitch Ratings analisou os papéis da emissão original da FS, que receberam a nota BB- e uma perspectiva estável. Ou seja, os títulos foram colocados dentro da faixa especulativa, onde há vulnerabilidade para os credores, mas a flexibilidade dos negócios é capaz de dar suporte aos investimentos.
Leia mais sobre a análise da Fitch Ratings e suas perspectivas para a FS Agrisolutions no texto completo (exclusivo para assinantes).
Inicialmente prevista para setembro do ano passado, a emissão de “títulos verdes” da FS Agrisolutions precisou ser suspensa e reajustada, antes de ser novamente lançada ao mercado, em dezembro. Agora, a empresa afirma que realizou uma emissão adicional de títulos, no valor de US$ 50 milhões.
Segundo nota divulgada pela companhia, os papéis estão de acordo com os princípios de green bonds e foram avaliados pela Sitawi, empresa especializada em financiamentos sustentáveis. Ainda conforme a FS Bioenergia, o valor será utilizado para refinanciamento de capital de giro.
A oferta foi coordenada pelo banco Morgan Stanley e, de acordo com a FS, teve demanda de quase seis vezes o valor pretendido, ou seja, cerca de US$ 300 milhões. “A nossa primeira emissão internacional, em dezembro do ano passado, foi muito bem-sucedida e, por isso, decidimos realizar essa reabertura, que foi novamente bem aceita pelos investidores”, afirma o CEO da FS Bioenergia, Rafael Abud.
De acordo com a companhia, os títulos têm vencimento em cinco anos após a data da emissão original. “Isso é reflexo da melhor percepção de crédito da FS no mercado, além da melhora do cenário macroeconômico global. Precificamos a reabertura do bond em US$ 106,50, que implicou em um rendimento de cerca de 8%, versus os 10% da primeira emissão”, completa Abud.
Avaliação em faixa especulativa
Na segunda-feira, 11, a agência de classificação de riscos Fitch Ratings analisou os papéis da emissão original da FS, que receberam a nota BB- e uma perspectiva estável. Ou seja, os títulos foram colocados dentro da faixa especulativa, onde há vulnerabilidade para os credores, mas a flexibilidade dos negócios é capaz de dar suporte aos investimentos.
A captação está vinculada à subsidiária FS Luxembourg, mas é garantida pela holding FS Agrisolutions. O vencimento das notas será em 2015.
“Os ratings incorporam as operações de larga escala da FS e o baixo custo caixa de produção na volátil indústria brasileira de etanol”, resume a Fitch. Segundo a agência, tanto a matéria-prima quanto o principal produto da companhia – milho e etanol, respectivamente – possuem preços altamente variáveis. Como também não existe uma correlação clara entre estes valores, a lucratividade e o fluxo de caixa da FS podem estar em risco.
Além disso, a expectativa é de que a queda no consumo de combustíveis no Brasil fique entre 10% a 15% em 2020. Considerando também uma perspectiva de preço de petróleo brent em US$ 41/barril, o valor do etanol deve ficar limitado no período de entressafra da cana-de-açúcar, quando era esperada uma alta.
No ano fiscal de 2020/21, a Fitch calcula que o preço médio do etanol ficará em R$ 1,7/L, enquanto a saca do milho custará R$ 26. Ambos os valores representam uma desvantagem para a FS no comparativo com 2019/20, quando o etanol foi vendido, em média, a R$ 1,8/L e a saca do milho foi comprada por R$ 22.
Entretanto, a Fitch pondera que esse quadro é mitigado pelo modelo de negócios da empresa, que possui uma capacidade de armazenamento de milho suficiente para dois anos de produção, além de acordos comerciais bem estabelecidos com produtores e preços fixados em real. “Isso permite que a empresa fixe os preços do milho com antecedência, reduzindo a exposição da empresa à volatilidade do preço à vista”, complementa.
Conforme a agência, toda a demanda de milho até maio deste ano já foi comprada e mais de 50% das necessidades da companhia para 2021/22 também está negociada. Pelos cálculos da Fitch, isso mitiga em 70% a alta nos preços à vista de milho observada em Mato Grosso ao longo de 2020.
Outro aspecto considerado é a fabricação de produtos de nutrição animal de alto valor agregado, com preços que tendem a se mover de acordo com o valor do milho, o que reduz a exposição da empresa e aumenta a estabilidade da geração de Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e do fluxo de caixa operacional.
“A localização das duas fábricas da empresa no Estado de Mato Grosso garante abastecimento suficiente de milho de baixo custo e diminui a distância e custos de transporte para seus clientes de nutrição animal”, assegura a Fitch.
Para o ano fiscal 2020/21, a expectativa da agência é de um Ebitda de R$ 969 milhões em 2020/21 e de aproximadamente R$ 1,2 bilhões no ano seguinte. Ainda assim, o fluxo de caixa livre deve ficar negativo em 339 milhões na atual temporada, só registrando resultados positivos a partir de 2021/22, quando as expansões forem concluídas e entrarem em operação.
Segundo a Fitch, a capacidade de produção de 1,4 bilhões de litros de etanol de milho por ano – prevista para março de 2021 – permitirá uma rápida desalavancagem nos próximos três anos, melhorando a liquidez e alongando o perfil de vencimento da dívida. O indicador, calculado pela relação entre a dívida e o Ebitda, deve cair das 5,5 vezes registradas em 31 de março de 2020 para 3 vezes em 2021 e 1,8 vezes em 2022.
“A empresa também se beneficia de uma estrutura de custo de caixa que está em linha com alguns dos produtores de cana-de-açúcar mais eficientes”, afirma e complementa: “O desempenho operacional da FS é capaz de entregar um rendimento de 430 litros de etanol por tonelada de milho processado”.
Para 2020/21, é esperado um fluxo de caixa operacional de 700 milhões e um fluxo de caixa livre de R$ 600 milhões; no ano seguinte, ambos os valores devem ser de R$ 1 bilhões.
Ainda conforme a agência, a grande exposição cambial da FS – que possui apenas 50% do valor principal das notas protegidos –, foi incorporada na análise. Em setembro de 2020, cerca de 77% do endividamento da companhia estava em dólar.
Títulos verdes
Em nota enviada à imprensa, a FS Bioenergia lembra que esta não é a primeira vez que a companhia realiza emissões “verdes”. Em 2020, a empresa captou R$ 530 milhões no Brasil junto a duas instituições financeiras: Santander e Credit Suisse.
De acordo com a companhia, o primeiro passo foi dado em fevereiro, com a emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) no valor de R$ 210 milhões, pelo Credit Suisse. Em junho, por sua vez, a FS realizou a emissão de R$ 140 milhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), também com o Credit Suisse. Por fim, a empresa contratou um empréstimo bilateral com o Santander no valor de R$ 180 milhões.
Segundo a FS Bioenergia, os dois últimos financiamentos possuem juros atrelados a metas sustentáveis, em um modelo considerado pioneiro no Brasil.
As metas estabelecidas foram: permanecer entre as 10 usinas com melhor nota de etanol anidro no RenovaBio; aumentar a transparência da divulgação de informações, por meio da obtenção do selo Global Reporting Initiative (GRI); e a certificação das emissões com base nos padrões do Climate Bonds Initiative (CBI).
Renata Bossle – NovaCana