Ranking das principais empresas do setor traz informações de receita, lucro, dívidas e Ebitda; mesmo entre as maiores companhias, disparidade de desempenho é evidente
A evolução dos indicadores de receita, lucro líquido e Ebitda, e a diminuição do endividamento oneroso das principais companhias do setor podem ser uma demonstração de como anda o mercado sucroenergético brasileiro. A média do setor, entretanto, esconde uma concentração de bons resultados entre poucas empresas.
Um levantamento anual realizado pelo Valor Econômico mostrou que, em 2016, as companhias que fazem parte da elite do setor conseguiram aproveitar muito bem os efeitos positivos da melhora nos preços internacionais do açúcar e da vantagem cambial. Entretanto, em 2017, o cenário se reverteu.
A lista das 1000 maiores empresas do país trouxe 36 sucroenergéticas. São duas a mais do que no ano anterior – com 34 – e sete a mais que em 2015, quando 29 companhias entraram no ranking geral.
O setor pode comemorar o fato do conjunto de suas maiores empresas ter registrado lucro, algo que também ocorreu em 2016, mas não acontecia desde 2012. No entanto, a disparidade é grande e muitas empresas continuaram no vermelho.
O maior endividamento de 2017 foi o mesmo que em 2016: Atvos. Ainda assim, os R$ 12,8 bilhões devidos são 9,76% menores do que os R$ 14,25 bilhões do ano anterior.
A média do setor esconde uma concentração de bons resultados entre poucas empresas
Confira uma evolução histórica das 10 maiores empresas do setor e os resultados das 36 principais sucroenergéticas em 2017 nos seguintes indicadores:
- Receita líquida
- Lucro líquido
- Ebitda
- Endividamento oneroso
A evolução dos indicadores de receita, lucro líquido e Ebitda, e a diminuição do endividamento oneroso das principais companhias do setor podem ser uma demonstração de como anda o mercado sucroenergético brasileiro. A média do setor, entretanto, esconde uma concentração de bons resultados entre poucas empresas.
Um levantamento anual realizado pelo Valor Econômico mostrou que, em 2016, as companhias que fazem parte da elite do setor conseguiram aproveitar muito bem os efeitos positivos da melhora nos preços internacionais do açúcar e da vantagem cambial. Entretanto, em 2017, o cenário se reverteu.
A lista das maiores empresas do país, divulgada na revista Valor 1000, trouxe 36 sucroenergéticas. São duas a mais do que no ano anterior – com 34 – e sete a mais que em 2015, quando 29 companhias entraram no ranking geral.
Porém, o aumento no número de empresas não necessariamente indica melhora nos indicadores em si. Em relação à receita líquida, por exemplo, 16 empresas terminaram o ano com um resultado inferior ao anterior – em 2016, apenas uma havia registrado queda. Ainda assim, a variação da média entre os dois anos subiu 0,4%.
A Copersucar, trading que comercializa a produção de 35 usinas pertencentes a 20 grupos, terminou o ano com R$ 28,55 bilhões, valor 1% maior do que os R$ 28,27 de 2016. Com esse resultado, a companhia ocupa o primeiro lugar da lista.
Ainda assim, as maiores variações positivas entre os dois anos são da São Martinho – que ficou em primeiro lugar no ranking de excelência da publicação –, da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) e da Usina Bela Vista, com 31,7%, 23% e 23,9% a mais, respectivamente.

Já as maiores quedas foram para a Companhia Agrícola Colombo, que acabou 2017 com receita líquida de R$ 667,6 milhões, 12,9% a menos que os R$ 745,4 milhões de 2016, e a Ferrari Agroindústria que, com uma queda de 11,8%, terminou o ano com receita líquida de R$ 418,2 milhões.
Sobe e desce
Quando se considera o lucro líquido das empresas do ranking, o cenário fica mais pessimista – o que demonstra que, este ano, uma receita maior não representou bom desempenho econômico.
Em 2016, apenas duas empresas tiveram variações negativas no resultado deste indicador, mas 2017 teve 24 casos. Ainda assim, o número de companhias que efetivamente registraram prejuízo aumentou em apenas uma, passando de quatro para cinco. Dessa forma, o setor pode comemorar o fato do conjunto de suas maiores empresas ter registrado lucro, algo que também ocorreu em 2016, mas não acontecia desde 2012.
Por sua vez, enquanto em 2016 ocorreram variações anuais de mais de 1000% no lucro líquido de algumas empresas, em 2017 as variações foram menores. A média, por sua vez, teve uma variação de 171,1% graças especialmente aos desempenhos da São Martinho – que apresentou lucro líquido de R$ 491,7 milhões, um crescimento de 73,2% em relação a 2016 – e da Atvos (ex-Odebrecht Agroindustrial) – que fechou o ano com R$ 361,1 milhões de lucro, 121,9% a mais que em 2016.
Já as empresas que fecharam o ano com prejuízo foram a Ferrari Agroindústria (R$ 4,7 milhões), a Zilor (R$ 43,7 milhões), a Bevap Bioenergia (R$ 46,5 milhões), a Bunge (R$ 57,6 milhões) e a Biosev (R$ 1,3 bilhão).

Além disso, o resultado do Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) demonstra que o desempenho operacional das empresas piorou bastante em 2017. Isso indica uma deterioração no setor em geral, corroborando com a crise econômica que se intensificou no país no ano passado.
Nesse caso, a variação média é negativa, assim como a de 23 empresas que aparecem no ranking. Ainda assim, a São Martinho se destaca novamente pelo resultado positivo – um Ebitda de R$ 1,7 bilhões, 39,7% a mais que os R$ 1,2 bilhões de 2016.
Neste indicador, a Copersucar, que liderou o ranking de receita, cai para a nona posição, com R$ 460,6 milhões e uma variação de 28,7% em relação a 2016, quando estava em oitavo lugar.

A maior variação positiva – 90,6% – fica por conta da CMAA que, com R$ 395,7 milhões de lucro, subiu da 29ª posição para a 12ª. Já a maior queda foi da Companhia Agrícola Colombo, que terminou 2017 com Ebitda negativo de R$ 0,3 milhões, uma variação negativa de 100,2% em relação a 2016.
Dívidas maiores
Na análise do endividamento oneroso das companhias, que é referente às dívidas que geram despesas financeiras, como empréstimos, financiamentos e debêntures, o resultado é positivo em relação a 2016.
Das 32 empresas analisadas, oito demonstraram quedas no indicador, enquanto 17 tiveram aumento (outras sete não divulgaram o resultado referente a 2016). Na média, o endividamento oneroso do setor diminuiu entre os dois anos, o que demonstra uma melhora, mesmo que pequena.

O maior endividamento de 2017 foi o mesmo que em 2016: Atvos. Ainda assim, os R$ 12,8 bilhões devidos são 9,76% menores do que os R$ 14,25 bilhões do ano anterior. A Biosev também se manteve na mesma posição que em 2016, o segundo lugar, mesmo com uma melhora de 15,23% nos valores entre os dois anos.
A melhor recuperação foi a Adecoagro, cuja variação entre os dois anos foi de 66,84%, diminuindo sua dívida de R$ 1,78 bilhões em 2016 para R$ 590,8 milhões em 2017.
Desempenho dos principais grupos
Em um panorama mais fechado das dez empresas com as maiores receitas líquidas em 2017, é possível observar como os destaques do setor sucroenergético têm lidado com as dificuldades dos últimos anos.

Em relação à receita líquida em si, tanto a Adecoagro quanto a Zilor demonstraram quedas em 2017, comparando com o ano anterior. Por outro lado, a São Martinho e a Santa Terezinha vêm demonstrando um crescimento constante desde 2011 – a primeira, inclusive, foi o destaque da publicação neste ano. A Biosev também demonstra uma tendência de crescimento na receita, porém mais tímida.
A Atvos e a Copersucar, por outro lado, mesmo com boas receitas, apresentaram algumas quedas no período analisado, demonstrando serem mais afetadas em momentos de crise. Isso se reflete nos seus lucros líquidos nos últimos anos, que também variam entre números baixos ou até mesmo negativos.
Cenário pior demonstra a Biosev, que tem um histórico totalmente negativo de lucro líquido, registrando prejuízos desde 2012 – aliás, mesmo ano em que a Zilor obteve saldo positivo. Das companhias analisadas, a São Martinho e a Adecoagro são as únicas que registraram apenas lucros no período – a Santa Terezinha apresentou prejuízo em 2015.
Por outro lado, em relação ao Ebitda, as sucroenergéticas demonstram variações maiores nos últimos anos – o que representa desafios para a análise de seus desempenhos financeiros. Em 2017, todas as principais empresas do setor, de acordo com o ranking da publicação, tiveram Ebitdas menores que os de 2016, exceto a São Martinho.
O grupo apresentou um crescimento de 39,7% no Ebitda em comparação ao ano anterior. Nos últimos anos, o indicador da empresa apresentou bons crescimentos, exceto em 2015, quando caiu 0,6%. O recorde foi entre 2013 e 2014, com um aumento de 6,3%.
Mesmo com bons números, a São Martinho apresentou um aumento no seu endividamento oneroso entre os dois últimos anos, seguindo a tendência de crescimento no indicador para o período analisado. Além dela, mais uma companhia que demonstrou aumento foi a Zilor.
As outras cinco companhias registraram quedas na comparação ano a ano, mas fecharam 2017 com valores altos de dívidas – exceto a Adecoagro, que registrou R$ 590,8 milhões. A Atvos, que possui o maior valor, manteve seu endividamento alto nos últimos anos, sempre acima dos R$ 10 bilhões.
Raízen afetada
A Raízen, controladora de 26 usinas de sucroenergéticas e maior exportadora individual de açúcar do mundo, não é computada dentre as empresas do setor pelo Valor Econômico desde 2014. Todas as companhias do grupo são consideradas de forma agrupada e, por incluírem atuação no setor de distribuição de combustíveis, são colocadas como Raízen na classificação dentro do setor de Petróleo e Gás.
Ainda assim, a evolução dos seus indicadores merece menção por também sofrer das influências do setor sucroenergético. Em 2017, a companhia registrou crescimento de 8,9% na receita líquida (R$ 86,26 bilhões) e de 15,7% no endividamento oneroso (R$ 13,86 bilhões).
Já o lucro líquido e o Ebitda demonstraram quedas de 24,5% e 6,7% respectivamente, o que demonstra que mesmo um grande grupo como a Raízen está à mercê das consequências da crise do setor.
Rafaella Coury – NovaCana