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Depois de dois prejuízos seguidos, GranBio volta a lucrar em 2022

Apesar de perdas na fase operacional, companhia teve um resultado líquido de R$ 26,42 milhões por conta de reestruturação

NovaCana 7 min de leitura

Em 2022, a GranBio registrou o segundo lucro de sua história. Depois de dois anos com perdas na casa dos R$ 170 milhões, a companhia que produz etanol celulósico, ou de segunda geração (E2G), passou por uma reestruturação, negociando ativos e passivos, além de ter realizado aportes, o que ajudou a repor o caixa mesmo após ter prejuízos na fase operacional.

Desta forma, a GranBio conseguiu alcançar o resultado líquido de R$ 26,42 milhões. Antes disso, o último resultado positivo da companhia foi visto em 2019, com R$ 78,57 milhões.

Os números fazem parte da demonstração financeira da empresa referente ao período de janeiro a dezembro de 2022.

O lucro veio mesmo com a usina BioFlex parada. Em entrevista ao NovaCana, o CEO da empresa, Bernardo Gradin, explicou que o foco foi a exportação de energia, gerada a partir da biomassa. De acordo com ele, é necessário ampliar a planta de etanol para aumentar a sua margem de contribuição nos negócios.

Entre as ações de recomposição do caixa, ocorreu a venda de ativos comerciais e de melhoramento da cana-energia, em setembro, para a empresa australiana Nuseed. A parceria pretende acelerar o processo de pesquisa, desenvolvimento e comercialização da variedade geneticamente modificada e que visa ser mais produtiva na fabricação de etanol.

Além disso, a companhia também vendeu, no final do ano, a sua fatia da Companhia Energética de São Miguel (CESM) à Caeté, que já possuía a outra parte da termelétrica. Com isso, a dívida da GranBio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi redirecionada à usina.

“A operação permitirá uma importante desalavancagem financeira, com manutenção de contrato de longo prazo com a CESM para fornecimento de energia e vapor à operação da companhia”, afirma o texto

A administração da empresa afirma que o ano de 2022 foi marcante. De acordo com o documento, além de superar as adversidades de mercado decorrentes da pandemia de covid-19, a GranBio também “consolidou seu acervo tecnológico, tornou-se líder para a cadeia produtiva de SAF [bioquerosene de aviação] e firmou novas alianças estratégicas globais”.

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere mais detalhes sobre os resultados financeiros da GranBio, posição das dívidas e planos para o futuro.

Em 2022, a GranBio registrou o segundo lucro de sua história. Depois de dois anos com perdas na casa dos R$ 170 milhões, a companhia que produz etanol celulósico, ou de segunda geração (E2G), passou por uma reestruturação, negociando ativos e passivos, além de ter realizado aportes, o que ajudou a repor o caixa mesmo após ter prejuízos na fase operacional.

Desta forma, a GranBio conseguiu alcançar o resultado líquido de R$ 26,42 milhões. Antes disso, o último resultado positivo da companhia foi visto em 2019, com R$ 78,57 milhões.

Os números fazem parte da demonstração financeira da empresa referente ao período de janeiro a dezembro de 2022.

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O lucro veio mesmo com a usina BioFlex parada. Em entrevista ao NovaCana, o CEO da empresa, Bernardo Gradin, explicou que o foco foi a exportação de energia, gerada a partir da biomassa. De acordo com ele, é necessário ampliar a planta de etanol para aumentar a sua margem de contribuição nos negócios.

Entre as ações de recomposição do caixa, ocorreu a venda de ativos comerciais e de melhoramento da cana-energia, em setembro, para a empresa australiana Nuseed. A parceria pretende acelerar o processo de pesquisa, desenvolvimento e comercialização da variedade geneticamente modificada e que visa ser mais produtiva na fabricação de etanol.

Além disso, a companhia também vendeu, no final do ano, a sua fatia da Companhia Energética de São Miguel (CESM) à Caeté, que já possuía a outra parte da termelétrica. Com isso, a dívida da GranBio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi redirecionada à usina.

“A operação permitirá uma importante desalavancagem financeira, com manutenção de contrato de longo prazo com a CESM para fornecimento de energia e vapor à operação da companhia”, afirma o texto

A administração da empresa afirma que o ano de 2022 foi marcante. De acordo com o documento, além de superar as adversidades de mercado decorrentes da pandemia de covid-19, a GranBio também “consolidou seu acervo tecnológico, tornou-se líder para a cadeia produtiva de SAF [bioquerosene de aviação] e firmou novas alianças estratégicas globais”.

Desempenho operacional

A nível operacional, a GranBio segue apresentando resultados negativos, apesar de ter diminuído a diferença entre um ano e outro. Em 2022, o prejuízo bruto da companhia foi de R$ 11,71 milhões, uma retração de 58,1% ante as perdas de R$ 27,97 milhões vistas em 2021.

A última vez que a empresa apresentou um lucro bruto foi em 2018, com R$ 4,97 milhões. No ano seguinte, entretanto, o prejuízo chegou a R$ 28,16 milhões.

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Os custos dos produtos e serviços prestados pela GranBio caíram 43,7% no ano passado, totalizando R$ 34,68 milhões. A receita, por sua vez foi de R$ 22,97 milhões, uma queda de 31,7%.

Desta forma, a relação entre as receitas e custos da companhia chegou a 151%. Apesar de o índice estar menor do que o visto nos últimos três anos, ele reforça o prejuízo já na fase operacional.

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A última vez que as receitas da GranBio superaram os custos operacionais foi em 2018, quando a relação entre valores era de 79,5%.

Perfil das dívidas

Ao final de 2022, as dívidas brutas da GranBio com empréstimos e financiamentos somavam R$ 342,25 milhões, um decréscimo de 37,9% em relação aos R$ 551,02 milhões devidos no ano anterior. A companhia afirma que a pandemia de covid-19 restringiu o consumo de combustíveis e atrasou “a estratégia de licenciamento tecnológico do E2G e a produção da Bioflex”.

Além de ser a segunda queda consecutiva nos débitos, este valor é o menor registrado na série histórica iniciada em 2014.

granbio dividas 200323

A retração se concentrou nas dívidas de curto prazo. A posição em 31 de dezembro saiu dos R$ 248,72 milhões vistos em 2021 para R$ 44,15 milhões no último balanço, uma variação de 82,5%.

Já os débitos com maior tempo de vencimento subiram 11,9%, para R$ 298,10 milhões. Segundo reportagem do Valor Econômico, a companhia aumentou o prazo médio de suas dívidas para 4,9 anos.

Segundo a GranBio, no último ano, a reestruturação de capital ocorreu a partir de duas operações de fusões e aquisições – os ativos de cana-energia, que passaram para a Nuseed, e a venda da fatia da CESM para a Caeté – resultando na entrada de R$ 354 milhões. A este montante foram somados R$ 60 milhões vindos de novos aportes do acionista GranInvestimentos, como adiantamento para futuro aumento de capital.

A GranBio afirma que esses montantes auxiliaram na redução do seu endividamento líquido para R$ 270 milhões, resultando em um “perfil confortável de longo prazo e liquidez corrente igual a 1”.

Planos para o futuro

Em sua demonstração de resultados, a GranBio detalhou que, para este ano, o objetivo é ampliar suas unidades de negócios. No ano passado, atuavam a Biovertis, de operações logísticas e pré-industriais; a Bioflex, que produz biocombustíveis, bioquímicos e bioenergia; e por fim, a Biotech, que opera o programa de pesquisa e desenvolvimento da companhia.

Esta última será dividida em três vertentes em 2023, separando as operações de bioquerosene de aviação (SAF) e de nanocelulose.

Em relação ao SAF, a GranBio recebeu uma subvenção do governo dos Estados Unidos, no valor de US$ 80 milhões, para construir uma planta de demonstração. Segundo Gradin, a usina em escala intermediária poderá produzir entre 6 e 8 milhões de litros por ano. A partir destas primeiras fabricações será possível partir para uma escala comercial.

De acordo com o documento de resultados financeiros, a companhia acredita que os mandatos iniciais de SAF indicam um consumo equivalente a 1,25 milhão de barris por dia até 2050.

O presidente da GranBio também explica que é possível, no futuro, converter a Bioflex, localizada em São Miguel dos Campos (AL). Afinal, o SAF é produzido a partir do E2G. “Mas hoje o foco [da Bioflex] é etanol celulósico. Vai depender do mercado”, afirma.

Por enquanto, para esta planta, a expectativa do CEO da empresa é ampliar a capacidade produtiva para 50 milhões de litros de E2G por ano, visando exportações. O principal mercado seria a Europa.

Giully Regina – NovaCana

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