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Custo de produção cresce e rentabilidade cai em 2021/22; Pecege analisa 75 usinas

O gasto agrícola médio das sucroenergéticas foi de R$ 11.916,86/ha, contra os R$ 9.184,60/ha do ciclo 2020/21, aumento de 29,75%

NovaCana 20 min de leitura

O cerco está se fechando para as margens econômicas das sucroenergéticas. Com os custos de produção em alta – ainda que os preços também estejam elevados –, a rentabilidade das usinas diminuiu em 2021/22 no comparativo com 2020/21, um resultado que deve se intensificar na atual temporada. Pelo menos este é o cenário observado na média setorial levantada pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege).

A amostra do instituto corresponde a 178,2 milhões de toneladas processadas, o equivalente a 34,1% da moagem do Centro-Sul em 2021/22. No total, foram acompanhados 35 grupos econômicos, abrangendo 75 unidades.

Além de observar as margens, o instituto apresentou em seu relatório os indicadores técnicos e os custos agroindustriais do setor sucroenergético (incluindo cana, etanol, açúcar, bioeletricidade e CBios) na região Centro-Sul durante a safra 2021/22. Em junho, o NovaCana já havia publicado os dados parciais da temporada.

O Pecege relembra no relatório que, durante o ciclo, houve uma recuperação do preço do petróleo e uma manutenção da taxa de câmbio elevada, fatores que resultaram em ganhos expressivos para o etanol. A desvalorização cambial também contribuiu para a receita vinda do açúcar, em um cenário de menor disponibilidade de cana-de-açúcar devido às adversidades climáticas. Com isso, as exportações brasileiras do adoçante e a oferta global diminuíram, aumentando as cotações no mercado internacional.

Mas, do lado dos gastos, a queda na produtividade e o aumento dos preços dos insumos pressionaram as margens das sucroenergéticas no comparativo com 2020/21. Afinal, os custos ficaram mais elevados.

Segundo o Pecege, os números foram apurados com base nos gastos durante a entressafra de 2020/21 e amortizados de acordo com a curva de moagem da safra 2021/22, além de considerarem os desembolsos no período de colheita de 2021/22. Já as despesas gerais, administrativas e com vendas, bem como dados relacionados a preços, foram considerados somente de abril de 2021 a março de 2022.

Na reportagem a seguir, o NovaCana traz detalhes da pesquisa realizada pelo instituto com infográficos explicativos. Os dados do levantamento e de acompanhamento de safra feitos pelo Pecege Projetos demonstram uma média dos indicadores da região; também foram feitos comparativos com o fechamento do ciclo 2020/21. Além disso, o texto traz comentários sobre o tema feitos pelo economista Haroldo Torres durante o evento Expedição Custos Cana.

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O cerco está se fechando para as margens econômicas das sucroenergéticas. Com os custos de produção em alta – ainda que os preços também estejam elevados –, a rentabilidade das usinas diminuiu em 2021/22 no comparativo com 2020/21, um resultado que deve se intensificar na atual temporada. Pelo menos este é o cenário observado na média setorial levantada pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege).

A amostra do instituto corresponde a 178,2 milhões de toneladas processadas, o equivalente a 34,1% da moagem do Centro-Sul em 2021/22. No total, foram acompanhados 35 grupos econômicos, abrangendo 75 unidades.

Além de observar as margens, o instituto apresentou em seu relatório os indicadores técnicos e os custos agroindustriais do setor sucroenergético (incluindo cana, etanol, açúcar, bioeletricidade e CBios) na região Centro-Sul durante a safra 2021/22. Em junho, o NovaCana já havia publicado os dados parciais da temporada.

O Pecege relembra no relatório que, durante o ciclo, houve uma recuperação do preço do petróleo e uma manutenção da taxa de câmbio elevada, fatores que resultaram em ganhos expressivos para o etanol. A desvalorização cambial também contribuiu para a receita vinda do açúcar, em um cenário de menor disponibilidade de cana-de-açúcar devido às adversidades climáticas. Com isso, as exportações brasileiras do adoçante e a oferta global diminuíram, aumentando as cotações no mercado internacional.

Mas, do lado dos gastos, a queda na produtividade e o aumento dos preços dos insumos pressionaram as margens das sucroenergéticas no comparativo com 2020/21. Afinal, os custos ficaram mais elevados.

Segundo o Pecege, os números foram apurados com base nos gastos durante a entressafra de 2020/21 e amortizados de acordo com a curva de moagem da safra 2021/22, além de considerarem os desembolsos no período de colheita de 2021/22. Já as despesas gerais, administrativas e com vendas, bem como dados relacionados a preços, foram considerados somente de abril de 2021 a março de 2022.

Na reportagem a seguir, o NovaCana traz detalhes da pesquisa realizada pelo instituto com infográficos explicativos. Os dados do levantamento e de acompanhamento de safra feitos pelo Pecege Projetos demonstram uma média dos indicadores da região; também foram feitos comparativos com o fechamento do ciclo 2020/21. Além disso, o texto traz comentários sobre o tema feitos pelo economista Haroldo Torres durante o evento Expedição Custos Cana.

Uma tempestade de problemas

De acordo com o Pecege, os gastos com produção da cana-de-açúcar própria das usinas foram de R$ 169,23 por tonelada, incremento de 49,7% no comparativo com os R$ 113,08/t de 2020/21. Para Torres, a variável responsável pela maior parte do aumento do custo de produção foi a quebra de safra, pois ela prejudicou a diluição das despesas fixas.

Considerando o valor por hectare, foram despendidos R$ 11.916,86 em média, aumento de 29,8% no comparativo com o ciclo anterior, quando os gastos foram de R$ 9.184,60/ha. Em 2022/23, de acordo com Torres, os preços de fertilizantes, herbicidas e fungicidas devem elevar ainda mais esse valor, que também será afetado pelos gastos com máquinas, segundo item de maior representatividade no total. Assim, o custo de formação do canavial deve chegar a quase R$ 15 mil/ha.

De acordo com o relatório do instituto, os custos de produção agrícola foram impactados pela junção de quatro fatores principais. O primeiro deles foi justamente a queda de produtividade causada pelas adversidades climáticas, que aumentou o custo médio.

Torres completa que a safra 2021/22 foi marcada por “golpes severos”: a seca e o extremo estresse hídrico, seguidos pelas geadas no segundo semestre. “Os episódios contribuíram para a queda drástica da produtividade, de 81,22 t/ha em 2020/21 para 70,42 em 2022/22”, destaca.

Com isso, ele afirma que houve também uma forte redução em uma das mais importantes variáveis dos canaviais, a quantidade de açúcar total recuperável (ATR) por hectare, que saiu de 11,19 t/ha para 9,57 t/ha. Como a maior parte da estrutura de custos do setor sucroenergético é agrícola e fixa, o economista afirma que este resultado representa uma pior “alavancagem operacional”, ou seja, uma redução na capacidade de diluir os custos. “É um dos menores números dos últimos dez anos”, completa Torres.

Além disso, um segundo baque foi o aumento dos preços dos insumos agrícolas por conta da elevação da demanda e da redução da oferta, vinda de problemas nas cadeias produtivas, do colapso na logística inter¬nacional e de questões geopolíticas. O incremento do preço do diesel foi o terceiro fator que contribuiu para altas nos gastos produtivos, onerando as operações mecanizadas, especialmente de corte, transbordo e transporte (CTT).

Por fim, a alta na remuneração dos produtos do setor gerou um aumento do preço do ATR, que impactou gastos com arrendamentos – a elevação no valor estipulado pelo Consecana-SP foi de 51,5%, recaindo diretamente sobre os aluguéis. Para completar, este gasto também foi pressionado pelo crescimento da competição com grãos.

“A alta rentabilidade nos mercados de soja e milho, ao pressionar o custo de oportunidade da terra, elevou os requisitos de pagamentos em termos de toneladas de cana-de-açúcar por hectare”, detalha o Pecege.

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Em 2022/23, conforme Torres, o impacto será muito maior na ala dos insumos, enquanto os efeitos da quebra de safra e do Consecana serão menores.

Despesas com a cana

Segundo os dados do Pecege, as usinas gastaram R$ 2.302,17/ha com arrendamento, elevação anual de 50,9%. Mas foram os tratos culturais da cana soca que tiveram a maior representatividade nos custos agrícolas da safra 2021/22, com R$ 3.027,92/ha, alta anual de 16,8%.

“Os tratos culturais começam a ganhar protagonismo. Nós vínhamos com maior preponderância do CTT, mas ele começou a ganhar eficiência ao longo dos últimos anos, seja em melhoria de processo, melhoria de gestão das frotas e manutenção do processo como um todo”, explica Torres.

Os gastos foram pressionados especialmente pelo crescimento do preço do diesel e das peças de manutenção, pela alta dos insumos e pelo aumento marginal da folha de pagamento. “Destaca-se o incremento do dispêndio com royalties, derivado dos mecanismos de correção dos contratos e da própria expansão da área ocupada por variedades protegidas”, expressa o relatório.

Os insumos, que estão dentro da categoria de tratos culturais de cana soca, foram os principais gastos da etapa. Com ele, as usinas despenderam em média R$ 1.681,41/ha, alta de 11,8% ante o ciclo anterior.

O Pecege relembra que os insumos adquiridos para uso em 2020/21 foram comprados a custos baixos devido ao desaquecimento do seu mercado global. Em contrapartida, os referentes a 2021/22 incorporaram desvalorização cambial, efeitos da pandemia e o início da recuperação dos preços globais.

“Esse aumento de custo foi particularmente sentido no caso dos fertilizantes que, além de se caracterizarem como commodity e repassarem rapidamente choques externos para seus preços no mercado nacional, são a principal classe de insumos na composição do custo de produção da cana-de-açúcar”, complementa a análise.

Com isso, os fertilizantes foram os que tiveram o aumento mais relevante dentro dos insumos agrícolas. O Pecege ainda complementa que essa alta incentivou os produtores a buscarem alternativas de nutrição dos canaviais economicamente mais viáveis.

“O uso de vinhaça enriquecida e de adubos de origem biológica (como esterco bovino e cama de frango) tem ganhado importância no setor desde a primeira onda de elevação no custo dos fertilizantes em meados de 2020”, aponta o documento.

Além disso, o instituto acredita que essas iniciativas devem seguir em alta em 2022/23 devido à lentidão na normalização dos preços, mesmo com os desafios técnicos envolvidos na implementação das alternativas.

O economista do Pecege dá destaque para os dispêndios com fungicidas. “Há dez anos, o gasto com fungicidas era muito baixo ou quase desprezível e, hoje, lidera os dispêndios com herbicidas e fertilizantes”, compara.

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Enquanto isso, na categoria de formação do canavial, as sucroenergéticas gastaram em média R$ 2.200,19/ha, aumento anual de 18,5%. Nesta ala, de acordo com o economista do Pecege, o número está diluído pela produtividade média e pelo número típico de cortes.

Além disso, o instituto divide a formação em três etapas: plantio, preparo e tratos culturais. Especificamente, o plantio foi impactado pelo aumento do diesel e pelo custo de oportunidade da muda, devido à recuperação do preço da matéria-prima. As altas, entretanto, incentivaram o aumento do cultivo de meiosi, alternativa que diminui o uso de máquinas e a dose média de rebolo, mas intensificam os gastos com mão de obra. Na média, as usinas gastaram R$ 1.183,72/ha, incremento ano a ano de 22,6%.

Com isso, na etapa de preparo do solo, foram despendidos R$ 549,59/ha, alta de 9%. O impacto majoritário foi a elevação do preço do diesel, uma vez que a etapa inclui grande participação de maquinários pesados.

Nos tratos culturais da cana planta, por sua vez, as cifras cresceram puxadas pelo incremento no valor dos insumos agrícolas, especialmente os fertilizantes. “Tal alta ocorreu a despeito de as aquisições desses insumos terem se concentrado entre o fim de 2020 e início de 2021, não incorporando os movimentos observados posteriormente – que, em última instância, devem pressionar os custos da próxima safra”, completa o relatório. Nessa fatia, os dispêndios chegaram a R$ 466,88/ha, alta anual de 20,7%.

Ainda de acordo com Torres, as unidades estão caminhando para uma distribuição mais homogênea da participação de cada estágio nos custos de produção.

Saindo do campo

Em 2021/22, as operações de CTT foram oneradas em grande parte pelo aumento do diesel, especialmente no período de safra. Na etapa de corte, o Pecege relata que houve pressão extra da queda na produtividade agrícola. De acordo com os dados de custo de produção da cana, a etapa gerou gastos para as usinas de R$ 2.809,40/ha, aumento ano a ano de 24,8%.

Além de detalhar as despesas médias das usinas avaliadas, o Pecege também dividiu a amostra em grupos de desempenho, a fim de visualizar o quanto os custos poderiam variar dentro de cada etapa. O grupo “A” é o das usinas mais eficientes e, portanto, o que alocou menos capital na etapa em questão; já o “D” é o das companhias menos eficientes.

Torres explica que, mesmo dentro de uma mesma cultura, há uma estrutura de custos muito diferente. “Isso tem se refletido em uma produtividade e desempenho econômico e financeiro muito heterogêneo”, complementa.

Na etapa de corte, por exemplo, os gastos variaram entre R$ 7,43/t (no grupo A, de melhor desempenho) e R$ 22,41/t (no grupo D). “A dispersão observada nos custos de corte foi, em grande medida, explicada pela variação da produtividade e do rendimento das colhedoras – fator dependente do esquema de sistematização (uma ou duas linhas), da eficiência da manutenção, das características do terreno e do próprio parque de colhedoras (idade, eficiência, consumo)”, destaca o documento.

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Já o custo de transbordo teve um impacto positivo devido à estiagem, que favoreceu o ritmo das operações e também agiu como atenuante dos gastos gerais. Neste caso, os gastos oscilaram de R$ 3,95/t (A) e R$ 15,31/t (D). “A heterogeneidade dos dispêndios com transbordo reflete, entre outros fatores, o dimensionamento de colhedora ou transbordo, assim como as características do trator”, complementa o estudo.

Por fim, na etapa de transporte, fatores como elevação da manutenção – pneus, peças e componentes – e do diesel foram as principais variáveis. De acordo com o relatório, a grande variação identificada nos custos entre as usinas da amostra é explicada pelos diferentes raios médios, pelas condições das estradas, por limitações legais de carga de transporte, pelo volume transportado e pelos equipamentos utilizados.

Neste caso, os gastos oscilaram de R$ 4,83/t (A) a R$ 21/t (D). Entretanto, de forma geral, o Pecege observa que a redução do raio médio da amostra atenuou a alta dessa etapa.

Segundo Torres, olhando para a ala de apoio, como caminhões prancha, veículos de combate aos incêndios e caminhões oficina, houve um aumento de gastos, pois a estrutura de logística mudou em função das geadas e incêndios. “O planejamento de colheita foi alterado e perdemos o efeito de escala nos momentos em que tivemos que atender a todas as atividades fora do planejado”, relata.

Além disso, na estrutura de colheita, o gasto de combustível é igual, independentemente da quantidade de matéria-prima transportada. “A mesma situação se deu com transbordo e transporte vindo de duas variáveis: do diesel e da redução de carga e densidade, afinal, algumas usinas recolheram a palha integralmente, aproveitando os preços recordes de energia que tivemos na safra passada”, destaca.

Custo industrial

Com a redução da produtividade no campo, caiu o total de cana processada pela indústria. Consequentemente, o nível de utilização da capacidade instalada teve uma redução de 17,16 pontos percentuais no comparativo safra conta safra, saindo de 90,5% para 73,3%.

Considerando o nível de uso do ciclo passado, Torres, vê que o setor teria condições de aumentar em 10% a oferta de produtos sem construções de novas usinas, apenas incrementando a produtividade e/ou a área plantada. “Dada a menor moagem, a capacidade de diluição dos elevados custos fixos das usinas sucroenergéticas foi limitada, majorando o custo médio, especialmente mão de obra e manutenção”, completa o relatório.

O economista reforça que, em 2021/22, o maior impacto foi em mão de obra devido ao maior dissídio e à inflação elevada; já o segundo efeito foi derivado da quebra de safra e do nível de ociosidade. Por fim, ele ainda cita o impacto dos insumos industriais, com destaque para os químicos.

Com isso, de acordo com o levantamento do Pecege, as usinas tiveram gastos de R$ 32,24/t no processamento industrial. O valor representou elevação de 49,5% no comparativo os R$ 21,57/t de 2020/21. A etapa de operação, a que mais demanda na operação agroindustrial, registrou despesas de R$ 20,79/t, incremento safra a safra de 39,8%.

Dentro da operação, a média de gasto com mão de obra foi de R$ 8,29/t, crescimento anual de 62,2%, o mais relevante da etapa.

Já nos gastos com insumos industriais, os químicos tiveram valores mais altos devido às dificuldades nas cadeias globais de produção e logística, em especial na China. Com isso, foram empregados R$ 4,98/t na etapa, alta anual de 62,2% de acordo com o relatório.

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Energia mais cara

A parte de cogeração das usinas também sentiu o baque da queda na moagem. Conforme o Pecege, alguns produtores compraram biomassa de terceiros e expandiram o recolhimento da palha no campo, a fim de manter o nível de exportação de energia.

Com isso, o custo de geração de bioeletricidade aumentou em 56,2%, para R$ 7,20/t. Inclusive, os gastos com biomassa subiram 133,3%, para R$ 0,21/t. Outras contribuições foram as elevações dos insumos químicos (+112,5%) e da manutenção das caldeiras (+148,5%).

Por outro lado, os preços médios da energia também cresceram, superando o aumento de custos e resultando em ganho de rentabilidade na comercialização de bioeletricidade.

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De acordo com o Pecege, o preço médio de comercialização subiu 49,9%, para R$ 17,51/t. O incremento ficou um pouco abaixo do ocorrido nos gastos, porém, a margem ainda foi favorável às usinas, atingindo R$ 10,31/t, ante os R$ 7,07/t de um ano antes.

Para Torres, houve um efeito positivo na cogeração, com as usinas comprando bagaço das unidades com capacidade de produção limitada ou adquirindo outras biomassas para tentar alavancar a rentabilidade. “Tivemos um aumento de 2,4% na exportação de energia mesmo com quebra de safra”, destaca.

Gastos com frete, mas renda com CBios

Na ala de despesas gerais, administrativas e com vendas (SG&A), o Pecege destacou o aumento de gastos com vendas, especificamente com logística internacional. Isso se deu por conta dos maiores preços dos fretes (+62,5%) e dos custos para embarque nos portos (+172%). Outros fatores de destaque, ainda que em menor medida, foram os dispêndios com mão de obra administrativa (4,9%) e com serviços terceirizados (6,6%).

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Com isso, no total, as usinas gastaram R$ 22,36/t com SG&A, representando um aumento anual de 34,78%.

Enquanto isso, o mercado de CBios se consolidou em 2021/22 e a receita bruta unitária aumentou no comparativo com o ciclo anterior, saindo de R$ 42,82 para R$ 52,28 por crédito (+22,1%). Ao mesmo tempo, os custos associados ao programa caíram 10,5%, incrementando a margem líquida das unidades com a comercialização dos créditos. Entre os gastos, o que teve a maior redução foi o com a Plataforma CBio, caindo 46,4%, saindo de R$ 0,28 para R$ 0,15 por CBio, de acordo com o instituto.

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Desse modo, o lucro líquido com os títulos foi de R$ 35,89 por CBio ou R$ 2,12/t, alta anual de 24,9% e 8,2%, respectivamente.

Torres destaca a valorização dos preços dos créditos. “Um CBio na casa de R$ 140 para as usinas com melhores notas, ou seja, que precisam de somente 600 litros de etanol para gerar um CBio, já representa em termos brutos algo como R$ 0,17/L de remuneração incremental no etanol, R$ 170 por metro cúbico”, calcula.

Já usinas com baixo nível de eficiência, que precisam de 1,1 mil litros do biocombustível para gerar um CBio, teriam uma receita inferior a R$ 0,10/L com o mesmo preço por crédito.

Margens apertadas

Ainda que os custos de produção tenham aumentado, as margens econômicas foram positivas de acordo com o instituto, ainda que abaixo do ciclo 2020/21. “A redução da rentabilidade era esperada, em alguma medida, dadas as condições vigentes nos mercados globais de insumos agrícolas e petróleo já no início de 2021, mas foi acentuada pela redução da produtividade agrícola em meio à estiagem, geadas e incêndios que limitou a diluição de custos fixos”, explica o documento.

Além disso, questões macroeconômicas, como a elevação da inflação, demandaram ajustes de salário, gerando um crescimento do custo com mão de obra em todas as etapas agroindustriais.

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Dentre os principais produtos comercializados pelas usinas, o etanol anidro foi o que representou os maiores gastos e as maiores receitas. O preço atingiu R$ 3.460,90/m³ enquanto os custos foram de R$ 2.154,88/m³. Entram na conta a depreciação e a remuneração de capital fixo que, juntas, somaram R$ 523,05/m³. Com isso, a margem de rendimento do produto foi de 22,6%. Já o etanol hidratado teve uma margem inferior, de 15,3%.

No caso do açúcar, os chamados “outros açúcares” foram os que apresentaram a maior margem do custo total, de 31,6%. O cristal, por sua vez, atingiu a relação de 22,7%, enquanto o VHP contabilizou 7,9%.

Em um resumo apresentado durante o evento Expedição Custos Cana, Torres trouxe a relação média de gastos e receitas das usinas. Mas ele reforça que a taxa de variação da receita foi muito maior do que a do custo: “Isso trouxe margens bastante positivas e expressivas para o setor”.

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De acordo com ele, as sucroenergéticas tiveram dispêndios de R$ 227,50/t, sendo a matéria-prima o item mais oneroso, com R$ 162,70/t. Já os ganhos somaram R$ 273,57/t, vindos especialmente do etanol, com R$ 147,50/t. Com isso, a margem econômica foi de quase 18% no período de safra de 2021/22.

E para a próxima temporada?

Para o Pecege, a safra 2022/23 deve dar prosseguimento às pressões nos custos, principalmente na área agrícola, com forte elevação nos preços dos fertilizantes. “Quanto à produtividade, mantém-se incertezas em relação aos resultados da safra em andamento, com grande diversidade de projeções nos ganhos de rendimento [em toneladas de cana por hectare], o que adiciona risco ao resultado econômico a ser observado”, detalha o relatório.

Além disso, o instituto acrescenta que as modificações na tributação dos combustíveis têm efeitos ambíguos no setor: de um lado, elas reduzem o impacto da alta de custos vinda da utilização de maquinário; de outro, limitam ganhos nos preços do etanol e do açúcar.

“Não podemos incorrer nos erros das safras passadas cortando investimento em manejo, pois isso gera uma redução de produtividade e uma diluição menor do custo fixo, espremendo as margens e entrando no círculo vicioso pelo qual o setor já passou”, Haroldo Torres (Pecege)

Com isso, o cenário para a próxima safra é mais desafiador, sendo estimada uma segunda temporada consecutiva de redução de margens. “Os resultados discutidos correspondem a médias setoriais, não sendo possível generalizá-los”, pondera o documento.

Mas Torres relembra que, nos últimos três anos, o setor teve uma excelente geração de caixa. “Isso contribuiu para abrir espaço para investir e ampliar o portfólio com outros produtos como biogás, levedura, CO2 ou até processos na área agrícola, com aplicação de vinhaça localizada, investimentos no campo e melhoria do manejo”, pontua.

A parte negativa é justamente o aumento dos gastos. “Começaremos a observar uma redução de margens para 2022/23, imaginando que tenhamos um aumento de somente 10% no custo total de produção agroindustrial. Se tivermos um ganho de 10% de produtividade, precisaremos de um ATR acima de R$ 1,20/kg para ter a mesma rentabilidade que tivemos na safra passada, mas temos um ATR menor projetado para essa temporada”, considera.

Portanto, mesmo em um cenário de aumento de custos, não será possível entregar a mesma margem do que na safra passada, conforme o economista do Pecege. “Exceto se as usinas consigam suavizar os impactos de insumos, seja com adubação orgânica, insumos biológicos ou aplicação de vinhaça. Há uma discussão de melhoria muito forte de processos, levando a uma inovação para redução de custos”, pondera.

Por isso, Torres defende a necessidade de aproveitar a boa rentabilidade e geração de caixa das últimas safras para conversão em novos projetos, principalmente a fim de suavizar a visão de impacto de custos.

Para ele, a diversificação dos produtos finais e a busca por insumos alternativos se tornam ainda mais fundamentais à competitividade, afinal, a inflação vivida não só aumenta os custos como as taxas de juros, dificultando financiamentos.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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