Sucroenergéticas despacharam 25,55 milhões de toneladas via porão de navio no ano passado, alta de 2,3% na comparação anual
Em 2022, a palavra-chave para as empresas de açúcar e etanol foi “recuperação”. Após uma quebra de safra, as companhias se concentraram em cuidar dos canaviais, elevando a moagem e, consequentemente, a produção. Entretanto, com a falta de competitividade do etanol e o bom momento dos preços do açúcar no mercado externo, a preferência das sucroenergéticas pendeu – mais uma vez – para o adoçante.
Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil fabricou 36,34 milhões de toneladas de açúcar no último ano, alta de 3,5% na comparação com 2021. Ainda assim, as exportações da commodity subiram apenas 0,1%, para 27,29 milhões de toneladas, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Fazenda.
Este volume ultrapassa as 25,55 milhões de toneladas registradas pela agência marítima Williams. A divergência é justificada pelas metodologias utilizadas, uma vez que a Williams considera apenas as exportações por porão de navio e contabiliza os valores declarados nos portos.
De acordo com os números da agência marítima, a exportação nacional de açúcar subiu 2,3% no ano, ante as 24,98 milhões de toneladas registradas em 2021. Já o número de empresas que fizeram despachos ficou estável, com 128.
Além disso, a tendência vista na primeira metade do ano se manteve, com a Copersucar na liderança entre as maiores exportadoras de açúcar do país. A companhia, que atualmente comercializa a produção de 34 usinas, de 20 diferentes grupos, já havia ocupado essa posição no ranking de 2021.
De janeiro a dezembro, a Copersucar despachou 2,98 milhões de toneladas, alta de 5,1% na comparação anual. Este volume também representa 11,7% do total registrado pelo Brasil em 2022.

Confira na versão completa (exclusiva para assinantes):
- As 50 maiores exportadoras de açúcar em 2021 e a variação em relação a 2021
- Histórico e detalhamento das exportações das cinco maiores empresas
- Exportação do adoçante por porto
- Principais destinos do açúcar brasileiro
Em 2022, a palavra-chave para as empresas de açúcar e etanol foi “recuperação”. Após uma quebra de safra, as companhias se concentraram em cuidar dos canaviais, elevando a moagem e, consequentemente, a produção. Entretanto, com a falta de competitividade do etanol e o bom momento dos preços do açúcar no mercado externo, a preferência das sucroenergéticas pendeu – mais uma vez – para o adoçante.
Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil fabricou 36,34 milhões de toneladas de açúcar no último ano, alta de 3,5% na comparação com 2021. Ainda assim, as exportações da commodity subiram apenas 0,1%, para 27,29 milhões de toneladas, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Fazenda.
Este volume ultrapassa as 25,55 milhões de toneladas registradas pela agência marítima Williams. A divergência é justificada pelas metodologias utilizadas, uma vez que a Williams considera apenas as exportações por porão de navio e contabiliza os valores declarados nos portos.
De acordo com os números da agência marítima, a exportação nacional de açúcar subiu 2,3% no ano, ante as 24,98 milhões de toneladas registradas em 2021. Já o número de empresas que fizeram despachos ficou estável, com 128.

Em 2022, a maior parte das exportações acompanhadas pela Williams aconteceu no segundo semestre, com 16,21 milhões de toneladas, o equivalente a 63,4% do total. De janeiro a junho, por sua vez, os despachos somaram 9,34 milhões de toneladas.
As maiores exportadoras de açúcar
Apesar do crescimento dos envios no segundo semestre, a tendência vista na primeira metade do ano se manteve, com a Copersucar na liderança entre as maiores exportadoras de açúcar do país. A companhia, que atualmente comercializa a produção de 34 usinas, de 20 diferentes grupos, já havia ocupado essa posição no ranking de 2021.
De janeiro a dezembro, a Copersucar despachou 2,98 milhões de toneladas, alta de 5,1% na comparação anual. Este volume também representa 11,7% do total registrado pelo Brasil em 2022.
Entre 2013 e 2020, contudo, a dianteira pertencia à Raízen. A gigante sucroenergética, que atualmente possui 34 usinas, comercializou 2,73 milhões de toneladas de açúcar em 2022, alta anual de 7,7%.
Além delas, apenas a Cofco registrou exportações na casa dos sete dígitos, chegando a 1,15 milhão de toneladas em 2022. Em comparação com 2021, a empresa teve uma elevação de 5,3% no volume despachado ao exterior; com isso, ela subiu da quinta para a terceira posição no ranking.
A relação das cinco maiores exportadoras é composta ainda por Tereos, com 919,42 mil toneladas (+12,9%), e São Martinho, com 906,98 mil toneladas (-22,6%). Enquanto a multinacional francesa subiu da sexta posição para a quarta, a São Martinho caiu do quarto para o quinto lugar.

Juntas, estas companhias foram responsáveis por 34% do total de açúcar enviado para fora do país, totalizando 8,69 milhões de toneladas. Desta forma, fica mantida uma tendência de queda na participação de mercado das líderes. Em 2021, as cinco maiores representavam 35,6% do volume; no ano anterior, este índice era de 40%.
Além disso, entre 2019 e 2021, a lista incluía a Biosev na terceira colocação. A sucroenergética foi comprada pela Raízen, mas ainda consta no ranking geral, ocupando a 11ª posição, com 663,36 milhões de toneladas. Somadas, as exportações de ambas totalizaram 3,81 milhões de toneladas em 2021 e 3,39 milhões de toneladas em 2022, o que representa uma queda anual de 12,3%.
Considerando as 50 maiores exportadoras de açúcar do país em 2022, 28 registraram um volume menor que o contabilizado no ano anterior, enquanto 22 tiveram alta.
Entre os crescimentos mais significativos está o da Viterra Bioenergia, com 400,5%, para 825,99 milhões de toneladas. Entretanto, é preciso considerar que a relação de 2021 incluía tanto a Viterra quanto a Glencane, sua antiga denominação. Se os volumes forem somados, as exportações de 2021 sobem para 548,49 milhões de toneladas, diminuindo este crescimento para 50,6% – ainda assim, um incremento significativo.
Outras usinas que tiveram altas de destaque nos envios foram: São José (117,6%), Moema (97,6%), Vertente (87,8%), Colombo (56,7%) e Caçu (50,9%).
Por sua vez, as maiores quedas entre as 50 maiores exportadoras de 2022 foram vistas nas seguintes companhias: Tropical (-51,9%), ED&F Man (-49,6%), Biosev (-48%) e Adecoagro (-41,9%).
Além disso, cresceu o número de despachos sem a identificação de empresas. Em 2022, 2,66 milhões de toneladas de açúcar partiram de fornecedores desconhecidos pela Williams. Um ano antes, este número era de 537,29 mil toneladas.
Para quem as usinas venderam?
Segundo os dados da agência marítima, a Copersucar vendeu 2,98 milhões de toneladas de açúcar por meio de 17 tradings e empresas especializadas. Quase metade do total, ou 1,43 milhão de toneladas, foram comercializadas pela Alvean – a companhia, aliás, deixou de ser uma joint venture entre Copersucar e Cargill em 2021, passando a ser totalmente controlada pela cooperativa.
Entre as demais tradings que participaram do comércio do açúcar da Copersucar no ano passado estão: Copa Shipping (393,82 mil t), Nom UK (285,84 mil t), ED&F Man (147,84 mil t) e Sucden (138,9 mil t).
Além disso, o adoçante da Copersucar chegou a 31 países em 2022. Os principais destinos foram: China (506,48 mil t), Nigéria (414,14 mil t), Emirados Árabes Unidos (359,97 mil t), Arábia Saudita (326,5 mil t) e Egito (264,39 mil t).


No caso da Raízen, as tradings envolvidas somam 24 companhias, com a maior parte do volume concentrado em Wilmar (462,75 mil t), Redpath (398,17 mil t), Tate & Lyle (342,85 mil t), Sucden (281,42 mil t) e na própria Raízen (278,4 mil t). Já os destinos estão em 34 países, com destaque para Canadá (377,8 mil t), China (337,56 mil t), Irã (271,87 mil t), Reino Unido (269 mil t) e Marrocos (202,45 mil t) – entretanto, 14,56 mil toneladas não tiveram destinos revelados.
A Cofco, por sua vez, exportou por meio de 12 trandings, com os maiores volumes recaindo sobre a Wilmar (234,28 mil t) e a própria Cofco (201,64 mil t). Com isso, alcançou 17 países – a China, onde está a sede da companhia, concentrou 306,5 mil toneladas. Na sequência, aparecem Irã (144,45 mil t), Malásia (92,2 mil t), Marrocos (83,83 mil t) e Arábia Saudita (80,66 mil t).
Já a Tereos comercializou açúcar via 11 empresas, com destaque para a também francesa Sucden, com 478,49 mil toneladas. Considerando todas as tradings, o açúcar da companhia também chegou a 17 países. Neste caso, os principais destinos foram: China (187,55 mil t), Nigéria (155,34 mil t), Marrocos (127,88 mil t), Argélia (109,72 mil t) e Rússia (91,61 mil t).
Por fim, a São Martinho vendeu com o apoio de 14 tradings, como Wilmar (332,72 mil t), Sucden (241,74 mil t) e Louis Dreyfus (102,88 mil t). Além disso, a commodity alcançou 23 países, incluindo Marrocos (159,63 mil t), China (141,22 mil t), Nigéria (128,79 mil t), Índia (107,58 mil t) e Argélia (78,27 mil t).
Portos e destinos
Em 2022, a maior parte do açúcar exportado via porão de navio saiu do país pelo porto de Santos (SP), que somou 18,45 milhões de toneladas – ligeiro recuo de 0,1% ante as 18,47 milhões de toneladas vistas no ano anterior. Este volume equivale a 72,2% do total.

Na sequência, o porto de Paranaguá (PR) correspondeu a 20,2% das exportações, com 5,17 milhões de toneladas. Neste caso, houve um avanço de 5,6% no montante despachado na comparação anual. Já Maceió (AL) escoou 1,28 milhão de toneladas, ou 5% do total, com um avanço de 16,7% em relação a 2021.
Os demais portos somam 2,6% das exportações do ano. Recife (PE) registrou 338,33 mil toneladas (+13,6% ante 2021), enquanto Suape (PE) contabilizou 154,02 mil toneladas (-0,3%). Os demais portos não enviaram açúcar no ano anterior: São Sebastião (SP) escoou 147,46 mil toneladas em 2022; São Francisco do Sul (SC), 6,8 mil toneladas; e Rio Grande (RS), 6,64 mil toneladas.
Com isso, o açúcar brasileiro chegou a 64 países ou localidades. Destas, oito receberam mais de um milhão de toneladas: China (4,28 mi t), Nigéria (2,04 mi t), Argélia (1,97 mi t), Marrocos (1,56 mi t), Indonésia (1,25 mi t), Canadá (1,23 mi t), Egito (1,14 mi t) e Bangladesh (1,13 mi t).
No caso da China, o país asiático repete pela terceira vez consecutiva a posição de maior recebedor de açúcar brasileiro. Ainda assim, houve uma redução de 5,1% no volume despachado em comparação com as 4,51 milhões de toneladas de 2021 – no ano anterior, o montante foi ainda maior, com 4,61 milhões de toneladas.
Por sua vez, Nigéria e Argélia inverteram posições em relação ao ranking do ano anterior. Enquanto a primeira teve um crescimento de 9,7% no volume recebido do Brasil, a segunda teve uma retração de 18,7%.
Os demais países ocupavam posições diversas no ranking que 2021. Marrocos estava na oitava posição; Indonésia, na 11ª; Canadá, na sétima; Egito, na décima; e Bangladesh, na quarta.
NovaCana DATA
Renata Bossle – NovaCana



