Trading de comercialização de açúcar também foi eleita a Empresa de Valor entre as mil maiores de todo o país
Não há como falar sobre o ano de 2020 sem citar a pandemia causada pelo coronavírus que impactou o cenário mundial – da saúde à economia. Todos os setores precisaram se adaptar, inclusive o de açúcar e etanol.
O efeito da covid-19 não alterou somente o planejamento das usinas, mas também o consumo, paralisou exportações e fez fronteiras fecharem. Contudo, mesmo com diversos empecilhos a grande maioria das sucroenergéticas conseguiu uma boa resposta, devido especialmente ao aumento no volume vendido de açúcar, mantendo resultados favoráveis mesmo diante da diminuição da demanda por etanol.
Um exemplo é a Copersucar que aumentou em 43% o volume de açúcar vendido na safra 2020/21, efetivou seu crescimento na receita e se destacou no setor sucroenergético. Contudo, vale ressaltar que o Centro-Sul teve quebra de safra, influenciando nas previsões de déficit global de açúcar nas próximas temporadas e interferindo nos cenários futuros para o produto.
A publicação Valor 1000, realizada pelo Valor Econômico, traz anualmente o desempenho financeiro das mil maiores companhias brasileiras, ranqueadas por sua receita líquida, e que pode refletir este cenário. O levantamento também destaca as dez melhores empresas de diferentes setores com os resultados consolidados de 2020 mais favoráveis a partir de oito critérios avaliados, com pesos diferentes de acordo com sua relevância, chegando a uma nota final.
A receita líquida tem peso de 2,5 pontos, a margem Ebitda de dois pontos (o indicador é calculado pela relação entre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização e a receita líquida) e a rentabilidade do patrimônio (lucro líquido sobre o patrimônio líquido) de 1,5. Os outros três critérios – margem da atividade, liquidez corrente e giro de ativo – contabilizam um ponto cada. Por fim, a cobertura de juros e o crescimento sustentável valem 0,5 ponto cada.
As mais bem posicionadas em cada critério recebem a melhor pontuação. Em um exemplo, no caso da receita líquida, que tem peso de 2,5, a primeira colocada ganha 25 pontos e a última, 2,5 pontos.
Confira na versão completa e restrita para os assinantes do NovaCana detalhes do ranking, além de gráficos sobre as melhores empresas do setor nos oito critérios especificados pela publicação Valor 1000.
Não há como falar sobre o ano de 2020 sem citar a pandemia causada pelo coronavírus que impactou o cenário mundial – da saúde à economia. Todos os setores precisaram se adaptar, inclusive o de açúcar e etanol.
O efeito da covid-19 não alterou somente o planejamento das usinas, mas também o consumo, paralisou exportações e fez fronteiras fecharem. Contudo, mesmo com diversos empecilhos a grande maioria das sucroenergéticas conseguiu uma boa resposta, devido especialmente ao aumento no volume vendido de açúcar, mantendo resultados favoráveis mesmo diante da diminuição da demanda por etanol.
Um exemplo é a Copersucar que aumentou em 43% o volume de açúcar vendido na safra 2020/21, efetivou seu crescimento na receita e se destacou no setor sucroenergético. Contudo, vale ressaltar que o Centro-Sul teve quebra de safra, influenciando nas previsões de déficit global de açúcar nas próximas temporadas e interferindo nos cenários futuros para o produto.
A publicação Valor 1000, realizada pelo Valor Econômico, traz anualmente o desempenho financeiro das mil maiores companhias brasileiras, ranqueadas por sua receita líquida, e que pode refletir este cenário. O levantamento também destaca as dez melhores empresas de diferentes setores com os resultados consolidados de 2020 mais favoráveis a partir de oito critérios avaliados, com pesos diferentes de acordo com sua relevância, chegando a uma nota final.
A receita líquida tem peso de 2,5 pontos, a margem Ebitda de dois pontos (o indicador é calculado pela relação entre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização e a receita líquida) e a rentabilidade do patrimônio (lucro líquido sobre o patrimônio líquido) de 1,5. Os outros três critérios – margem da atividade, liquidez corrente e giro de ativo – contabilizam um ponto cada. Por fim, a cobertura de juros e o crescimento sustentável valem 0,5 ponto cada.
As mais bem posicionadas em cada critério recebem a melhor pontuação. Em um exemplo, no caso da receita líquida, que tem peso de 2,5, a primeira colocada ganha 25 pontos e a última, 2,5 pontos.
Copersucar é a vencedora
Considerando os critérios adotados pela publicação, a Copersucar ficou em primeiro lugar no ranking do setor de açúcar e álcool em 2020. A cooperativa somou 40 pontos repetindo a colocação vista em 2018 e liderando o ranking pela terceira vez, considerando o início das publicações. Em 2019, a companhia havia caído três posições, perdendo para a São Martinho, Adecoagro e Santa Isabel, respectivamente.
O sucesso da Copersucar, segundo o CEO da usina, João Teixeira, se deve principalmente a reação “descabida” e “muito radical” que a empresa apresentou durante a pandemia, ao investir sua maior ação em açúcares, subindo a receita em 29%. O volume do adoçante vendido aumentou 43%, compensando a queda de 19% em 2019.
Assim, a solução encontrada foi minimizar a produção de etanol. Dessa forma, a Copersucar se manteve como a maior do setor, apresentando uma receita líquida de R$ 40 bilhões no período analisado. A empresa também teve o melhor desempenho sustentável, segundo o Valor.
Considerando o ranking geral das melhores empresas, com todos os setores, a Copersucar subiu da 25ª para a 17ª posição entre 2019 e 2020.
Na publicação mais recente, a São Martinho ficou em segundo lugar, com 38,5 pontos. A companhia está entre os maiores grupos sucroenergéticos do Brasil, com capacidade aproximada de moagem de 22 milhões de toneladas de cana, tendo quatro usinas em operação. Já a sua receita líquida foi de R$ 4,3 bilhões no período analisado, ficando na quarta posição neste indicador.
Ainda no ranking setorial, a Adecoagro caiu três posições; em 2019, ela ocupava o segundo o lugar e neste ano passou para o quinto. Já a Jalles Machado subiu cinco colocações, saindo da oitava posição para a terceira. A Tereos, por sua vez, continuou perdendo lugar no ranking. Em 2019, ela já havia caído para quinto lugar e na avaliação de 2020 ocupou o décimo.

Nenhuma empresa manteve sua posição entre os anos de 2019 e 2020. Além disso, quatro novas sucroenergéticas passaram a compor o ranking, sendo elas Biosev, Melhoramentos, Lins e Nardini, na sexta, sétima, oitava e nona posições, respectivamente.
No ano anterior, considerando o ranking que agrega todos os setores, a Biosev detinha resultados negativos, sendo a oitava colocada entre os maiores prejuízos líquidos, com R$ 1,55 bilhão; também ficou no oitavo lugar dentre os menores patrimônios líquidos; e no 14º em relação às empresas com menores margens líquidas. Em 2020, a empresa inverteu seus resultados, estando não só na sexta posição da classificação final de açúcar e álcool, mas também na terceira de receita líquida e giro do ativo.
Vale lembrar que as usinas da empresa foram vendidas para a Raízen, tendo o processo sido aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em março deste ano.
Detalhes nos indicadores
A nona posição na classificação do ranking geral ficou com a usina Nardini. Isto ocorreu, pois a colocação mais alta da sucroenergética foi no indicador de crescimento sustentável, no qual ficou na terceira, com 1,02 pontos.
Já no quesito receita líquida – o de maior peso na classificação entre as maiores do setor e o mesmo para o critério de ranqueamento das mil maiores empresas brasileiras – quem teve o melhor desempenho foi a Copersucar, liderando novamente. Foram R$ 40,03 bilhões em 2020, um aumento de 33,8% no comparativo anual. É importante ressaltar que a companhia é uma trading que comercializa a produção de 35 diferentes usinas, contudo não possui fabricação própria.
A São Martinho, que ocupava o quarto lugar no ano anterior, manteve sua posição, mesmo com um aumento na receita líquida que passou de R$ 3,7 bilhões para R$ 4,3 bilhões entre 2019 e 2020. O crescimento no indicador foi de 16,2%.
Além da receita líquida, a São Martinho também ficou na quarta posição do setor no quesito margem Ebitda – calculado pela relação entre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização e a receita líquida –, decaindo dois lugares, e entrou no ranking de crescimento sustentável.
A Adecoagro esteve dentre as dez maiores do setor em quatro dos oito critérios adotados: receita líquida, margem Ebitda, margem da atividade e liquidez corrente. No ano anterior, a sucroenergética também esteve entre as melhores no quesito crescimento sustentável, porém, não conseguiu pontuar o suficiente em 2020.
A sua melhor posição foi referente a margem Ebitda, indicador no qual conseguiu figurar na segunda colocação, com margem de 75,4%; no ano anterior, a empresa obteve a primeira colocação neste quesito. Por sua vez, a Jalles Machado, que estava em terceiro no ranking anterior, ficou em primeiro na publicação mais recente, com margem Ebitda de 82,7%.
Em relação ao crescimento sustentável, indicador dado pela relação entre a variação da receita líquida e o patrimônio ajustado, a Copersucar ocupou a primeira posição, seguida pela Colombo que subiu uma colocação. A Nardini, que ocupava a décima posição em 2019, teve um salto chegando ao terceiro lugar no ranking em 2020.
O indicador de rentabilidade, calculado pelo lucro sobre o patrimônio líquido, teve a sucroenergética Batatais na dianteira, com desempenho de 211,6%. A empresa, não apareceu no ranking de um ano antes e quem liderava era a Santa Isabel, com um desemprenho de 29,1%.
Já no quesito liquidez corrente, representado pelo ativo sobre o passivo circulantes, o grupo Olho D'Água ficou na primeira colocação, subindo no ranking, sendo seguido pelos grupos Bazan e a Jalles Machado, respectivamente.
No giro de ativo, que compara a receita líquida com o ativo total, quem liderou foi a Copersucar por mais um ano consecutivo. Já no critério de cobertura de juros, expresso pelo Ebitda sobre despesas financeiras, a dianteira foi do grupo Maringá que ocupava a sétima colocação no ranqueamento de 2019.
Copersucar ganha prêmio Empresa de Valor
Além de ser a melhor empresa do setor de açúcar e álcool, a Copersucar foi eleita como a Empresa de Valor entre as mil maiores de todo o país. Além dos números apresentados nos rankings, a companhia reportou bons resultados operacionais e cuidados com a pandemia que motivaram o destaque.
Além disso, em 2020, a Copersucar também foi a maior emissora de créditos no programa RenovaBio no Brasil, com cerca de quatro milhões de CBios. Este total, correspondeu a quase 25% do montante de créditos negociados na B3 no período.
A companhia também conseguiu avançar no quesito sustentabilidade, com créditos de descarbonização totalizando R$ 3,1 milhões, o que representa 18% do valor de créditos emitidos no país. A empresa ainda apresentou projetos de responsabilidade social, como o Programa Conecta Copersucar, que atua diretamente em comunidades nas cidades de Santos, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, em São Paulo.
Raízen: segue como destaque no setor de petróleo e gás
Mesmo a Raízen Energia sendo a maior sucroenergética do país, a empresa não figura no ranking dos dez melhores desempenhos do setor de açúcar e álcool. O motivo é a metodologia adotada pelo Valor 1000, na qual as empresas do grupo foram reunidas e classificadas dentro do setor de petróleo e gás, pois a companhia atua na distribuição de combustíveis.
Em 2020, a Raízen ocupou a nona classificação no ranking final, mantendo a posição de 2019. Porém, conseguiu ficar em segundo lugar em relação a receita líquida, com o valor de R$ 114,6 bilhões; no ano anterior, a empresa ocupava a quarta colocação, assim como em 2018.
Este resultado foi o que fez com que o grupo obtivesse o nono lugar dentre as dez melhores do setor de petróleo e gás, com 22,5 pontos, uma vez que não conseguiu entrar no ranking dos outros sete indicadores.
Lucas Vasconcelos – NovaCana