Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 14 a 20 de agosto:

Os preços do etanol subiram somente Roraima, já os da gasolina tiveram alta em dois estados e no Distrito Federal
O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso apenas em Mato Grosso
O valor do hidratado teve redução nas usinas paulistas, mato-grossenses e goianas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 430 municípios, sete a menos do que na última semana e dez a menos em comparação com o levantamento anterior divulgado pela ANP
Os preços do etanol e da gasolina seguiram em queda na média nacional na última semana. Esta é a 16ª baixa consecutiva para o renovável e a oitava redução seguida para o combustível fóssil.
Entre 14 e 20 de agosto, o biocombustível passou de R$ 4,05 por litro para R$ 3,98/L, queda de 1,73%. Já a gasolina foi de R$ 5,50/L para R$ 5,40/L, uma diminuição de 1,82%.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que voltou a ser apresentado na última sexta-feira, 19, após duas semanas de pausa. Os sistemas da agência ficaram temporariamente fora do ar devido a uma tentativa de ataque por hackers.
Entre o último levantamento divulgado, referente à semana de 24 a 30 de julho, e o atual, a queda acumulada no preço médio do biocombustível chega a 5,46%.
De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 73,7%. O valor não apresentou muitas oscilações entre as últimas semanas, pois tanto a gasolina, quanto o etanol, tiveram quedas relevantes no período.
Assim, o preço do renovável segue acima de 70% do valor da gasolina, ultrapassando a faixa em que é tido como economicamente vantajoso para os consumidores. Nas médias estaduais, por sua vez, o renovável só se manteve competitivo em Mato Grosso.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,8049/L para R$ 2,5902/L, queda de 7,65%, a terceira consecutiva no mês de agosto, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.
Da mesma forma, houve uma retração de 9,69% nas produtoras goianas e de 4,81% nas mato-grossenses.
A queda atual dos preços pode ser justificada pelos cortes realizados pela Petrobras. Em 28 de julho, a estatal reduziu o preço da gasolina em 3,9%, e na última terça-feira, 16, aplicou uma nova queda nas refinarias, de 4,8%.
Ainda assim, a Associação Brasileira dos Importadores de Biocombustíveis (Abicom) considera que a retração poderia ser ainda maior para atingir a paridade de importação. De acordo com o relatório da entidade, logo após o corte na Petrobras, o preço médio da gasolina no Brasil estava 10% acima do valor praticado no Golfo do México, mercado utilizado como parâmetro internacional, o equivalente a R$ 0,27.
O presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, afirmou na semana passada que espera que os preços da gasolina continuem em queda, a ponto do combustível brasileiro se tornar um dos mais baratos do mundo.
Em relação ao etanol, o Rabobank aponta que, com a aproximação da entressafra de cana-de-açúcar, o preço deve voltar a subir, especialmente no último trimestre do ano. O analista do banco, Andy Duff, reforça que as reduções nos postos foram maiores para a gasolina, refletindo na perda de competitividade para o renovável.
Segundo a ANP, de 14 a 20 de agosto, os preços do etanol caíram em 25 unidades da federação, subiram em Roraima e não foram divulgados no Amapá. Já os da gasolina tiveram redução em 24 estados.
Entretanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram obtidos dados de 430 municípios, sete a menos do que no período anterior, também divulgado na última sexta-feira, 19.

Em São Paulo, maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um decréscimo de 1,3%, custando R$ 3,78/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,30/L, redução de 1,9%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 71,3%, acima do índice de uma semana antes, de 70,9%, quando o etanol voltou a ser economicamente desfavorável no estado. A pesquisa foi feita em 107 cidades, mesma quantidade do último levantamento.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,80/L na média da semana analisada, queda de 2,8%. Enquanto isso, a gasolina caiu 1,9%, para R$ 5,17/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 73,5%, abaixo do índice de 74,2% da semana anterior e sem vantagem para o etanol. Segundo a ANP, 17 cidades goianas foram consideradas, mesmo número da semana anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou um decréscimo de 1,24% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 3,97/L. A gasolina passou por uma retração de 1,1% e foi negociada a R$ 5,34/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 74,3% do preço do combustível fóssil, inferior aos 74,4% vistos na semana anterior, mas com o etanol sem competitividade na média do estado. No total, 57 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantia de uma semana antes.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma retração de 1,36%, indo para R$ 3,63/L, menor valor entre todas as unidades da federação. Na semana, a gasolina teve uma redução de 2,52%, passando a custar R$ 5,41/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 67,1%, superior aos 66,3% de uma semana antes e com o etanol ainda economicamente vantajoso ao consumidor. Esta também é a menor relação de preços entre os combustíveis dentre todos os estados. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, um a menos do que o total registrado no levantamento anterior.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 1,65%, ficando em R$ 4,17/L. A gasolina, por sua vez, teve uma baixa de 1,52%, para R$ 5,18/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 80,5% do preço de seu concorrente fóssil, abaixo dos 80,6% de uma semana antes e ainda a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 78,8% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma queda de 1,83%, sendo vendido por R$ 4,30/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina baixou 1,09%, indo para R$ 5,46/L. No total, 28 cidades foram pesquisadas no estado, mesma quantidade da semana anterior.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 14 a 20 de agosto, 430 cidades foram pesquisadas, sete a menos do que no período anterior e dez a menos do que a última divulgação antes da paralisação dos sistemas devido a um ataque hacker. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Giully Regina – NovaCana