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Com retração de 13,4%, Melhoramentos apresenta lucro de R$ 293,46 mi em 2022/23

Queda vem depois de dois aumentos seguidos e da aquisição da terceira usina, localizada em Suzanápolis (SP)

NovaCana 7 min de leitura

A Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná (CMNP) divulgou uma queda de 14,3% em seu resultado líquido referente à safra 2022/23. Ainda assim, o lucro de R$ 293,46 milhões manteve a sucroenergética em um patamar elevado ante os desempenhos vistos em anos anteriores.

Segundo o diretor da sucroenergética, Gastão Mesquita Filho, o resultado ficou abaixo do esperado. Entre os fatores que levaram à retração, ele cita o preço de venda do etanol e a menor quantidade de matéria-prima disponível, ainda em decorrência de problemas climáticos enfrentados previamente.

Na temporada 2021/22, a companhia obteve um resultado de R$ 342,62 milhões, atual recorde da série histórica, iniciada em 2017.

Os números da temporada mais recente foram divulgados pela própria companhia, em sua página de relacionamento com investidores.

Conforme os dados, a retração veio depois de dois ciclos consecutivos de aumentos. Os resultados dos últimos anos permitiram até mesmo a compra da terceira usina do grupo, a Vale do Paraná, localizada em Suzanápolis (SP). A aquisição movimentou R$ 124,31 milhões e foi finalizada em 30 de junho de 2022.

De qualquer modo, outros investimentos estão no radar. No final do ano passado, o grupo foi autorizado a emitir debêntures incentivadas. O projeto aprovado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) previa um investimento de R$ 836 milhões direcionado para ampliação, recuperação e manutenção dos canaviais nas unidades de Jussara (PR) e Nova Londrina (PR).

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere mais detalhes a respeito dos resultados da Melhoramentos Norte do Paraná, como a relação entre receitas e custos, o lucro bruto, o balanço financeiro e a posição das dívidas com empréstimos e financiamentos.

A Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná (CMNP) divulgou uma queda de 14,3% em seu resultado líquido referente à safra 2022/23. Ainda assim, o lucro de R$ 293,46 milhões manteve a sucroenergética em um patamar elevado ante os desempenhos vistos em anos anteriores.

Segundo o diretor da sucroenergética, Gastão Mesquita Filho, o resultado ficou abaixo do esperado. Entre os fatores que levaram à retração, ele cita o preço de venda do etanol e a menor quantidade de matéria-prima disponível, ainda em decorrência de problemas climáticos enfrentados previamente.

Na temporada 2021/22, a companhia obteve um resultado de R$ 342,62 milhões, atual recorde da série histórica, iniciada em 2017.

Os números da temporada mais recente foram divulgados pela própria companhia, em sua página de relacionamento com investidores.

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Conforme os dados, a retração veio depois de dois ciclos consecutivos de aumentos. Os resultados dos últimos anos permitiram até mesmo a compra da terceira usina do grupo, a Vale do Paraná, localizada em Suzanápolis (SP). A aquisição movimentou R$ 124,31 milhões e foi finalizada em 30 de junho de 2022.

De acordo com o grupo, caso a unidade tivesse sido consolidada até o início de abril daquele ano, a receita líquida teria alcançado R$ 1,28 bilhão, com um lucro pro forma de R$ 218,92 milhões.

Neste primeiro momento, entretanto, a compra não trouxe uma influência positiva para a companhia. O diretor da Melhoramentos aponta que a aquisição aconteceu no decorrer da temporada e que a Vale do Paraná possui resultados negativos acumulados – os quais foram, inclusive, parcialmente revertidos após a formalização da compra, “por meio de um trabalho intenso de revisão de conceitos de administração, novas práticas agrícolas, de colheita e industriais”.

Mesquita Filho projeta que melhores resultados virão a partir da safra 2023/24, já em andamento.

Em relação a produção na temporada 2022/23, contabilizando as três unidades, a moagem da Melhoramentos totalizou 5,23 milhões de toneladas, com a maior parte deste volume sendo processado na usina de Jussara (PR). A partir disso, o grupo produziu 226,09 milhões de litros de etanol anidro e 125,96 milhões de litros de hidratado.

Segundo Mesquita Filho, a moagem representa um aumento em relação ao ano anterior. Este aumento era previsto pela companhia após os investimentos realizados em expansão e para melhora na produtividade dos canaviais.

Inclusive, no final do ano passado, o grupo foi autorizado a emitir debêntures incentivadas. O projeto aprovado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) previa um investimento de R$ 836 milhões direcionado para ampliação, recuperação e manutenção dos canaviais nas unidades de Jussara (PR) e Nova Londrina (PR).

A pretensão, segundo Mesquita Filho, é aumentar a processamento em 30%, alcançando as 6,8 milhões de toneladas. “Manteremos os investimentos para chegar em março de 2025 com moagem de 7,5 milhões de toneladas”, explica. Ele também aponta que, após esses dois anos de investimentos, o terceiro trará uma redução significativa do endividamento da companhia.

Receitas e custos

Em 2022/23, a Melhoramentos atingiu uma receita de R$ 1,22 bilhão, um acréscimo anual de 11,7%. Esta é a segunda vez que a companhia consegue ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em receita líquida.

Os custos, por sua vez, subiram 67,5%, totalizando R$ 863,18 milhões – na safra anterior os gastos com os produtos vendidos foram de R$ 515,19 milhões.

De acordo com o diretor da companhia, 37% do aumento é referente à aquisição da Vale do Paraná, um valor que não constava no comparativo anterior. Além disso, ele ressalta que os demais custos foram direcionados a investimentos em ampliação, renovação e tratos culturais do canavial.

O acréscimo também foi relativo ao incremento no preço do diesel e dos insumos utilizados para trato cultural e plantio. Outro fator que levou ao aumento foi a inflação.

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Desta forma, os custos representaram o equivalente a 70,8% da receita da companhia, um crescimento de 23,6 pontos percentuais na comparação anual.

Já o lucro bruto caiu 39,3% no período. Na contabilização da Melhoramentos, este índice também considera a desvalorização do seu ativo biológico (cana em pé), que no período foi de R$ 13,79 milhões.

Assim, o resultado operacional foi de R$ 342,61 milhões. Na safra 2021/22, o lucro bruto da companhia chegou a R$ 564,1 milhões.

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Resultado financeiro

Entre 2021/22 e 2022/23, as despesas financeiras da Melhoramentos mais que dobraram, ficando em R$ 290,82 milhões na temporada mais recente. Desta forma, o resultado financeiro da empresa também caiu.

De acordo com a companhia, essas despesas abrangem empréstimos, variações no valor justo e reduções no valor de ativos financeiros. “Custos de empréstimo que não são diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável são mensurados no resultado através do método de juros efetivos”, completa.

Já as receitas financeiras, referentes aos juros recebidos sobre aplicações, totalizaram R$ 58,28 milhões na temporada – alta anual de 41,7%.

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Considerando os dois valores, o resultado financeiro da Melhoramentos foi uma perda de R$ 232,54 milhões – o maior prejuízo de toda a série histórica. O montante também representa um aumento de 148,2% em relação às perdas de R$ 93,71 milhões vistas da safra passada.

Endividamento

Em 31 de março de 2023, os débitos da companhia com empréstimos e financiamentos somavam R$ 1,93 bilhão. O valor supera em 100,5% as dívidas vistas no ano anterior, de R$ 964,43 milhões.

Mesquita Filho aponta que a compra da nova unidade foi um dos principais fatores para o aumento das dívidas da Melhoramentos. Ele reforça que também foram registrados investimentos em reforma e expansão dos canaviais, assim como na troca de maquinários que estavam obsoletos.

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A maior parte do montante, R$ 1,53 bilhão, refere-se a débitos com vencimento em longo prazo, alta anual de 119,5% ante a posição de um ano antes. Destes gastos, R$ 498,58 milhões são referentes a debêntures e R$ 988,84 milhões a capital de giro.

Por fim, a Melhoramentos ainda tem R$ 37,95 milhões comprometidos com um empréstimo feito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio do Fundo de Financiamento para Aquisição de Máquinas e Equipamentos Industriais (Finame).

Já os débitos com vencimento ao longo de 2023/24 eram de R$ 407,95 milhões; em relação à posição comprometida no curto prazo um ano antes, o acréscimo é de 51,3%. Em 31 de março de 2022, estes débitos somavam R$ 269,6 milhões.

Giully Regina – NovaCana

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