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Cocal vê queda de 23,5% na moagem e finaliza 2021/22 com lucro menor

Resultado líquido do grupo ficou 11,4% abaixo do visto na safra anterior, com R$ 274,09 milhões

NovaCana 7 min de leitura

A Cocal sentiu os efeitos das intempéries da safra 2021/22. A moagem do grupo, que controla as usinas Narandiba e Paraguaçu Paulista, ambas localizadas em São Paulo, foi de 6,6 milhões de toneladas, uma queda de 23,5% em comparação com a temporada anterior, segundo os números do seu balanço financeiro.

Além de enfrentarem geadas e estiagem, as lavouras também foram atingidas por incêndios, o que fez com que a companhia precisasse prorrogar a retomada da moagem, não registrando processamento de cana no último trimestre da temporada.

De acordo com a sucroenergética, a produtividade da safra teve uma queda anual de 9,9%, atingindo 64,9 toneladas de cana por hectare. Já a concentração de açúcar total recuperável (ATR) caiu 1,9%, para 136,5 quilos por tonelada.

“Os impactos estão sendo minimizados por meio de ações de contenção de custos, sem prejudicar o plano de investimentos”, declarou a empresa em seu relatório de resultados. As estratégias adotadas envolvem a renovação e manejo do canavial, prevendo eficiência nos próximos ciclos.

Com a queda na produção e na qualidade da matéria-prima, o lucro da Cocal caiu 11,4% no período, totalizando R$ 274,09 milhões ante os R$ 309,39 milhões da temporada anterior. Mesmo assim, este ainda é um dos melhores resultados na série histórica do grupo, iniciada em 2017/18.

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere:

- Histórico de resultados da Cocal
- Relação entre receitas e custos
- Lucro bruto dos últimos anos
- Posição das dívidas
- Planos para o futuro da companhia

A Cocal sentiu os efeitos das intempéries da safra 2021/22. A moagem do grupo, que controla as usinas Narandiba e Paraguaçu Paulista, ambas localizadas em São Paulo, foi de 6,6 milhões de toneladas, uma queda de 23,5% em comparação com a temporada anterior, segundo os números do seu balanço financeiro.

Além de enfrentarem geadas e estiagem, as lavouras também foram atingidas por incêndios, o que fez com que a companhia precisasse prorrogar a retomada da moagem, não registrando processamento de cana no último trimestre da temporada.

De acordo com a sucroenergética, a produtividade da safra teve uma queda anual de 9,9%, atingindo 64,9 toneladas de cana por hectare. Já a concentração de açúcar total recuperável (ATR) caiu 1,9%, para 136,5 quilos por tonelada.

“Os impactos estão sendo minimizados por meio de ações de contenção de custos, sem prejudicar o plano de investimentos”, declarou a empresa em seu relatório de resultados. As estratégias adotadas envolvem a renovação e manejo do canavial, prevendo eficiência nos próximos ciclos.

Com a queda na produção e na qualidade da matéria-prima, o lucro da Cocal caiu 11,4% no período, totalizando R$ 274,09 milhões ante a temporada anterior. Mesmo assim, este ainda é um dos melhores resultados na série histórica do grupo, iniciada em 2017/18.

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Por enquanto, o recorde no lucro líquido da Cocal aconteceu justamente em 2020/21, quando o grupo teve um resultado positivo de R$ 309,39 milhões.

Resultado operacional

O lucro bruto da companhia também sofreu com o impacto climático e apresentou uma queda. Em 2021/22, a Cocal contabilizou R$ 575 milhões, uma diferença de 19% ante os R$ 709,69 milhões da safra anterior.

Ainda assim, o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) teve um acréscimo de 5,6%, chegando a R$ 1,03 bilhão no período, demonstrando uma melhora neste indicador operacional.

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Da mesma forma, a receita operacional da Cocal aumentou em 4,2%, com R$ 1,71 bilhão. Na temporada 2020/21, o montante foi de R$ 1,64 bilhão. Segundo a empresa, quase metade da renda foi formada pela venda de açúcar, 49% do total, com R$ 838,95 milhões.

O volume vendido do adoçante, entretanto, teve uma queda de 29,5%, totalizando 536 milhões de toneladas. A retração, no entanto, foi minimizada pelo maior preço médio, que subiu 16,1%, de R$ 1.348,2/t para R$ 1.565/t.

Em seguida o etanol, anidro e hidratado, foi responsável por adicionar R$ 741,92 milhões ao caixa da Cocal, 43,3% do montante. No caso do biocombustível a ser utilizado diretamente para abastecer os veículos a quantidade vendida caiu 22,3%, com 73 milhões de litros ao final da temporada, e o preço médio subiu 65%, para R$ 3.072,1 por metro cúbico. Já o etanol a ser adicionado à gasolina teve uma queda no volume de 6%, totalizando 150 milhões de litros, mas uma elevação de 66,8% no preço médio, para R$ 3.444,5/m³.

Também foram contabilizadas as receitas com a venda de energia, somando R$ 90,17 milhões (+5,3%) e outros produtos, R$ 90,17 milhões (+2,4%).

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Na safra, os custos da Cocal subiram 8,6%, indo de R$ 1,06 bilhão no ciclo anterior para R$ 1,16 bilhão em 2021/22.

“O cenário econômico de alta de inflação, que elevou substancialmente o preço da cana e do diesel, além do menor volume de produção devido aos efeitos climáticos, levando à menor diluição dos custos fixos, são os principais fatores que explicam o desempenho”, justifica a empresa.

Com isso, os gastos representaram o equivalente a 67,9% das receitas do grupo, um acréscimo de cinco pontos percentuais em relação ao índice da temporada anterior. Mas, apesar do aumento, a relação entre custos e receitas ainda permite lucro bruto para a Cocal.

Posição das dívidas

Os débitos da Cocal também fecharam a safra em ritmo de queda. A dívida bruta da companhia com empréstimos e financiamentos somava R$ 2,21 bilhões ao final de março de 2022, um decréscimo de 18% em comparação com a posição do mesmo período do ciclo passado.

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A maior parte do valor engloba operações com vencimento acima de doze meses, totalizando R$ 1,69 bilhão, 5% abaixo do valor visto um ano antes, R$ 1,78 bilhão.

O restante era formado por débitos que vencem ao longo da safra 2022/23, com R$ 525,58 milhões. O valor representa uma queda de 43,1% nas dívidas desta categoria.

Segundo o relatório, as estratégias da companhia seguem voltadas à melhoria do seu perfil de endividamento, reduzindo o custo e alongando seus débitos.

Desta forma, com uma dívida líquida de R$ 1,13 bilhão, e um Ebitda ajustado de R$ 1,03 bilhão, o índice de alavancagem da Cocal chegou a 1,1 vez ao final da temporada 2021/22. O resultado representa um leve crescimento em relação ao índice da safra passada, que foi de 1,05 vez.

Investimentos

Em relação aos investimentos, a empresa relata que segue focada em processos de recuperação dos canaviais, especialmente com renovação e manejo.

No âmbito financeiro, o grupo fez uma captação de R$ 369 milhões por meio de um sindicato formado pelos bancos IFC, Itaú e Rabobank, que permitirá “novos investimentos focados na diversificação dos produtos e sustentabilidade”.

Para as próximas temporadas, o empresa já fixou os preços do açúcar no mercado internacional. De acordo com o relatório da Cocal, em 31 de março de 2022, um volume de 434,56 mil toneladas de açúcar foi negociado a um preço médio de R$ 2.043/t.

Além disso, a Cocal relata que já começou a planejar a expansão na atuação no mercado de biogás e biometano. A planta de biogás, inclusive, começou a operar no início de 2022 na unidade Narandiba.

Com a parte do biogás que é transformada em energia, o plano é integrar os resultados no próximo balanço financeiro. Já o biometano deve ser voltado às unidades do grupo, diminuindo o consumo de diesel – a intenção é aumentar esse consumo para 3,6 mil m³ ao dia.

Ainda na área de energia, a companhia também já fechou uma parceria com a Raízen para a operação de uma nova unidade. O modelo será voltado para consumidores da geração distribuída e poderá gerar uma receita de até R$ 20 milhões por safra, dependendo do volume e público atingidos.

Giully Regina – NovaCana

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