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Censo dos canaviais: A hegemonia de variedades antigas está com os dias contados

A popular RB867515 reduziu sua participação para 15% na média do Centro Sul; além disso, a relação plantio-cultivo e o estágio médio de corte melhoraram

NovaCana 84 min de leitura

O êxito no setor sucroenergético se manifesta, em grande parte, no campo. Ao mesmo tempo, a maior parte dos custos de produção são com plantio. Cabe aos produtores equilibrarem seus gastos nos canaviais com o caixa disponível para terem a melhor produtividade possível aliando estes dois fatores, operacional e financeiro.

Desde 2016, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo, realiza o Censo Varietal para mensurar a idade dos canaviais do Centro-Sul brasileiro e analisar como os produtores têm renovado – ou não – as suas áreas.

Ainda que haja dificuldade para o aumento de uso de novas variedades e redução da concentração, os dados médios são animadores. “O caixa [das usinas] está elevado e isso tem tudo a ver com o plantio, que é uma das etapas mais caras do processo de produção”, detalha o consultor do IAC, Rubens Braga Junior.

Ele reforça a ideia de que é preciso renovar para ter mais produtividade, mas pondera que o produtor tem que analisar o custo em relação ao retorno. “De todo modo, é preciso plantar. Em determinado momento, o produtor terá uma produtividade muito baixa e não compensaria nem manter”, afirma.

Conforme o estudo mais recente, o cultivar que ocupa a maior parcela de cana-de-açúcar no Centro-Sul, a RB867515 – que tem 36 anos de cruzamento, não é adaptada à mecanização e tem pouco perfilhamento –, perdeu participação na área cultivada, indo de 17% para 15% entre os ciclos 2021/22 e 2022/23. Em 2020/21, ela ocupava 18%; em 2019/20, 21%; e, em 2018/19, 23%.

Além disso, a relação entre plantio e cultivo aumentou no período e o estágio médio de corte reduziu, ambos os fatos considerados benéficos pelo instituto. O índice de atualização varietal, no entanto, ficou estagnado.

A pesquisa foi realizada em 222 unidades, abrangendo 6 milhões de hectares. Os dados de censo varietal e áreas cultivadas são coletados usualmente em maio, já as informações de intenção de plantio, em setembro. Por fim, em novembro, o levantamento de dados é encerrado. Além disso, o IAC também premia as empresas com os melhores índices de qualidade.

Confira, na versão exclusiva para os assinantes do NovaCana, os detalhes sobre o censo dos canaviais brasileiros, com gráficos interativos sobre as principais regiões de plantio.

O êxito no setor sucroenergético se manifesta, em grande parte, no campo. Ao mesmo tempo, a maior parte dos custos de produção são com plantio. Cabe aos produtores equilibrarem seus gastos nos canaviais com o caixa disponível para terem a melhor produtividade possível aliando estes dois fatores, operacional e financeiro.

Desde 2016, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo, realiza o Censo Varietal para mensurar a idade dos canaviais do Centro-Sul brasileiro e analisar como os produtores têm renovado – ou não – as suas áreas.

Ainda que haja dificuldade para o aumento de uso de novas variedades e redução da concentração, os dados médios são animadores. “O caixa [das usinas] está elevado e isso tem tudo a ver com o plantio, que é uma das etapas mais caras do processo de produção”, detalha o consultor do IAC, Rubens Braga Junior.

Ele reforça a ideia de que é preciso renovar para ter mais produtividade, mas pondera que o produtor tem que analisar o custo em relação ao retorno. “De todo modo, é preciso plantar. Em determinado momento, o produtor terá uma produtividade muito baixa e não compensaria nem manter”, afirma.

Conforme o estudo mais recente, o cultivar que ocupa a maior parcela de cana-de-açúcar no Centro-Sul, a RB867515 – que tem 36 anos de cruzamento, não é adaptada à mecanização e tem pouco perfilhamento –, perdeu participação na área cultivada, indo de 17% para 15% entre os ciclos 2021/22 e 2022/23. Em 2020/21, ela ocupava 18%; em 2019/20, 21%; e, em 2018/19, 23%.

Além disso, a relação entre plantio e cultivo aumentou no período e o estágio médio de corte reduziu, ambos os fatos considerados benéficos pelo instituto. O índice de atualização varietal, no entanto, ficou estagnado.

A pesquisa foi realizada em 222 unidades, abrangendo 6 milhões de hectares. Os dados de censo varietal e áreas cultivadas são coletados usualmente em maio, já as informações de intenção de plantio, em setembro. Por fim, em novembro, o levantamento de dados é encerrado. Além disso, o IAC também premia as empresas com os melhores índices de qualidade.

“A safra que acabou e a próxima estão com um preço de açúcar lá no céu. O setor vai passar uma temporada muito boa. Além disso, os demais grandes produtores terão queda. Com isso, o Brasil vai nadar de braçada; será um ano muito bom”, Rubens Braga Junior (IAC)

Resultados favoráveis

Conforme a análise, a área plantada no Centro-Sul aumentou 19,4%, ficando em 1,05 milhões de hectares. Dentre os 14 estados e regiões paulistas, somente dois tiveram redução: Paraná, de 2%, e Espírito Santo, de 21,7%. O restante passou por aumentos entre 4,1% e 46,8%.

Vale destacar que essa área corresponde a que foi recenseada; além disso, se restringe à amostra levantada pelo CTC.

O crescimento da área de cana em cada região depende da recuperação da relação entre o que é plantado e o que é colhido.

A relação média entre plantio e colheita no Centro-Sul foi de 17,4%, apresentando aumento frente aos 15% da análise anterior. Assim, houve uma melhora no indicador.

censo iac plantiocultivo historico

Conforme os dados apresentados, 2007 segue sendo o ano com a relação mais favorável da série histórica, iniciada há 36 anos, com mais plantio do que colheita. Os piores níveis, por sua vez, ocorreram em 1999 e 2006.

Segundo as definições do IAC, um índice de 16,5% significa que a idade do canavial foi mantida. De acordo com Braga, essa conta considera um plantio e cinco cortes, totalizando seis anos de cana-de-açúcar no campo.

Outro dado relevante levantado pelo instituto é o chamado estágio médio de corte (EMC) do canavial, dado pela média ponderada entre os estágios de corte e a área de cada estágio. Diferentemente da relação entre cultivo e plantio, valores menores são mais favoráveis, uma vez que uma lavoura mais jovem é considerada mais produtiva.

No levantamento mais recente, o EMC médio do Centro-Sul foi de 3,5 cortes. Um ano antes, o índice era de 3,7 cortes, apresentando um incremento benéfico. Já a média histórica ficou em 3,38 cortes.

censo iac corte historico produtividade

Conforme Braga, há uma relação direta entre o estágio médio de corte e a produtividade. “A cada ano a mais do EMC, há uma perda de produtividade de 7,5 toneladas por hectare”, esclarece.

Ele ainda completa que, quanto mais baixo for o número, maior é o sinal de que o produtor está plantando mais.

“Os primeiros cortes têm um peso maior no rendimento, mas não dá para colher só o primeiro corte e reformar, pois a conta não fecha”, explica e completa: “O custo para reformar só com dois cortes também é muito alto [em relação ao rendimento financeiro daquela cana]. Tem um valor otimizado de estágio médio de corte em que a usina tem possibilidades boas, com um custo que cabe no caixa”.

Não tão atualizadas, mas menos concentradas

O Índice de Atualização Varietal (IAV), o Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA) e o de maturação varietal são três indicadores relacionados às variedades pesquisadas pelo Censo do IAC.

O IAV demonstra a produtividade dos canaviais, com o uso de cultivares modernos resultando em produtividade. O valor é calculado conforme o número de diferentes canas presentes na lavoura em relação aos seus anos de cruzamento.

De acordo com o instituto, valores abaixo de cinco são considerados satisfatórios, entre cinco e sete são intermediários e acima de sete não são recomendados. No Centro-Sul, a média ficou em 8,2, portanto, superior ao indicado. Além disso, o índice é o mesmo de um ano antes.

De acordo com Braga Junior, os produtores precisam trocar as variedades de maneira mais rápida. “A velocidade que estamos trocando não consegue fazer o índice baixar. Estamos substituindo variedades – principalmente pela queda da RB867515 –, mas em uma velocidade que não provoca redução no índice”, explica.

Ele ainda acrescenta que a RB867515 segue sendo um dos principais cultivares. A cada ano que ela é replantada, o índice sobe.

“Se não trocar mais rapidamente, não consegue compensar; isso faz com que o índice fique ruim. Em todas as reuniões, destacamos a importância disso, mas não estamos conseguindo convencer o pessoal de trocar mais rapidamente. O setor é conservador e é difícil tomar o risco de novas variedades”, considera Braga Junior.

censo iac atualizacao historico

O ICVA, por sua vez, mensura a segurança genética dos canaviais, verificando o risco ambiental. Neste caso, o IAC considera importante que uma variedade de cana não ocupe uma parcela superior a 15% da área. Assim, se alguma doença ataca um cultivar específico, o canavial só é comprometido parcialmente.

Com este valor, as três principais variedades ocupariam 45% da área, valor considerado ideal. Um índice entre 45% e 75% é intermediário e acima de 75% não é recomendado.

A média do Centro-Sul na pesquisa mais recente foi de 43%, demonstrando melhora no comparativo com o censo anterior, quando o índice era de 49%. Este também é o melhor resultado desde 2007, voltando a ficar na faixa considerada ideal.

De acordo com Braga Junior, este é um indicador que evoluiu bem nos últimos anos e um dos principais fatores para isso é a redução na participação da RB867515.

“A variedade ocupava [uma fatia de] 30% e, hoje, chegou a 15%, o que é um valor bom. Mas ela segue sendo antiga, assim, seria melhor que outra variedade ocupasse esses 15%. De todo modo, como a primeira colocada está dentro de 15%, já chegou na parcela ideal que consideramos em termos de concentração”, diz.

Com isso, conforme o consultor, o risco ambiental diminui. Caso surja uma nova doença que ataque esse cultivar, por exemplo, seria necessário fazer a reforma de 15%, o que está dentro da taxa de reforma usual feita pelos produtores. “Não seria um custo excepcional, por isso ficamos muito felizes com esse índice. Lógico que tem regiões com mais de 15%, pois essa é a média”, complementa.

censo iac concentracao historico

Ainda que o indicador represente melhoria, a RB867515 segue imperando nos canaviais brasileiros, com 36 anos de cruzamento e 25 de liberação comercial. No ciclo 2022/23, a fatia de participação na área cultivada foi de 15%, no limite da faixa considerada favorável para uma única variedade, segundo cálculos do IAC.

Em seguida, ocupando 13% cada na média do Centro-Sul, estiveram a CTC4 e a RB966928. A primeira possui três décadas de cruzamento e 17 anos de uso comercial, enquanto a segunda tem 26 e 12 anos, respectivamente.

Quanto à área plantada durante o ciclo 2022/23, ela foi de 12% para a RB867515, seguida de 11% para a RB966928 e de 10% para a CTC4 – que, um ano antes, havia ficado em primeiro. O cenário demonstra certo equilíbrio dentre as três variedades.

Além disso, apesar da RB867515 apresentar problemas, o CTC4 é considerado um cultivar mais atualizado e com características de variedades modernas, com bom perfilhamento e corte nem sempre totalmente ereto, mas na maioria dos casos sim. Ao mesmo tempo, possui a desvantagem de ser suscetível à ferrugem marrom.

Braga Junior ainda destaca a importância da veterana RB867515, que permitiu a expansão da cana para ambientes mais restritivos. “Devemos muito a ela, mas é uma variedade que foi cruzada em 1986, quando a mecanização nem existia. Essa não era uma preocupação do setor e a variedade não foi feita e nem se adapta para a colheita mecanizada”, explica.

O resultado óbvio é a perda considerável de produtividade ao longo do tempo, o que tem feito as empresas a trocarem por outras. “Quanto mais a mecanização entra na região, mais sentem que a RB867515 não está tendo bons resultados”, relata e segue: “Ela tem uma proporção de colheita muito grande e vai demorar para que deixe de ser colhida, até porque o percentual de plantio ainda não é baixo, mas é muito menor do que a proporção de colheita. Isso faz com que ela siga caindo em participação”.

Por sua vez, o índice de maturação varietal mede se as variedades que estão sendo plantadas são precoces ou tardias, o que indica o tempo que elas levarão para chegar a sua maturidade total.

censo iac maturacao

Na média do Centro-Sul, o valor ficou em 6,6 em 2022/23, o mesmo de um ano antes. Quanto mais baixo, mais variedades precoces estão sendo utilizadas.

“Esse é um índice que nos preocupa. O valor está caindo muito rápido, então os produtores estão usando cada vez mais variedades precoces e isso vai contra o que o IAC preconiza”, considera Braga Junior. Por isso, o número ter estabilizado é algo visto como favorável.

Ele explica que os cultivares consideradas precoces são os com menos resistência à seca, pois amadurecem mais rapidamente. “No Brasil, o fator de amadurecimento ocorre quando para a chuva. Se uma variedade amadurece mais rápido, ela é menos resistente à seca. Quanto mais variedades precoces tem no canavial mais suscetível a seca ele fica”, explica.

Ainda que o país viva anos favoráveis, o setor já passou por vários momentos de falta de água. Além disso, o cenário limita a produção de toneladas de cana por hectare. “O IAC é contra ter uma participação superior a 20% de variedades precoces”, recomenda.

Desempenhos estaduais e regionais

Considerando os estados, São Paulo é o único em que a RB867515 não corresponde a maior fatia de área cultivada, com somente 10%. A dianteira é dividida em 15% para cada uma das duas outras variedades que mais aparecem nos canaviais brasileiros: a CTC4 e a RB966928.

As três, no entanto, apresentam tendência de retração na relação plantio colheita. O restante das variedades apresentadas no levantamento ocupa parcelas que variam de 3 a 7% do total analisado.

Tanto a CTC4 quanto a RB966928 são variedades muito mais novas. “Um dos fatores principais na mecanização da colheita é a quantidade de perfilhos. Se o perfilhamento é maior, e essas novas variedades são muito maiores que os da RB867515, mais perfilhos são retirados”, detalha o consultor do IAC.

Ele completa que a colheita mecanizada machuca mais a cana que a manual. Se a cana tem 20 perfilhos e se perdem cinco, ainda sobra uma boa quantidade. Mas, no caso da RB867515, em geral são gerados 12 perfilhos e a perda de cinco deles acarreta uma queda considerável da produtividade.

“Isso faz com que essas duas variedades cresçam mais, especialmente em São Paulo, em que a mecanização veio antes, e isso é distribuído por todas as regiões onde quase 100% tem colheita mecanizada”, explica Braga Junior. Ele relata que a totalidade só não é atingida, pois há uso de meiosi em alguns locais, necessitando de colheita manual na linha mãe.

O IAC faz ainda a avaliação de seis regiões paulistas. Araçatuba, por exemplo, é destaque na relação entre plantio e cultivo com o índice de 19,5%, o mais elevado de todas as regiões analisadas – o ideal é que o indicador esteja acima de 16,5%. O estágio médio de corte também foi o mais favorável da amostra, demonstrando investimento em plantio.

Braga Junior diz que a relação entre o cultivo e o plantio oscila muito, pois é muito dependente de dois fatores. Primeiro, se o produtor renovou muito o seu canavial em um ano, ele não precisará repetir o processo na mesma medida no período seguinte, pois já tem um canavial jovem. O segundo fator é o caixa disponível para renovações.

Em relação às variedades presentes em solo araçatubense, a CTC4 é a que esteve mais evidente, com 21% do total cultivado; ela também foi a com maior área plantada em 2022/23.

Já em Assis, a RB966928 ocupa a maior área cultivada e a RB867515 foi a mais plantada no último ciclo. Jaú, por sua vez, teve a RB966928 como a mais representativa na área de cultivo, porém a mais plantada em 2022/23 foi a RB867515.

Piracicaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, por outro lado, não tiveram a RB867515 como a mais cultivada em seus canaviais. A dianteira ficou ou com a CTC4 ou com a RB966928.

Centro-Sul

São Paulo

'

Em Minas Gerais, a tríade RB867515, CTC4 e RB966928 ocupou a maior parte da área cultivada no estado, também estando dentre as mais plantadas em 2022/23. Ainda que a variedade antiga lidere, ela ocupa menos de 15% da área, algo favorável aos canaviais. Além disso, a RB975242, mais nova e adaptada, foi a com maior tendência de crescimento no estado.

Goiás segue com a hegemonia da RB867515, que possui a maior participação na área cultivada. Além disso, ela também foi a mais plantada no estado em 2022/23, ainda que tenha reduzido a sua relação plantio e colheita em 0,6%.

A CTC4, por sua vez, correspondeu a uma parcela de 14% no total cultivado no estado e foi a segunda mais plantada em 2022/23, ainda que tenha reduzido a relação entre plantio e colheita em 3,4%. Já a variedade que mais ampliou tal relação foi a RB975242 que, de acordo com a Ridesa, tem um desenvolvimento médio, com colmos de fácil despalha.

De acordo com Braga Junior, a RB975242 está crescendo rapidamente em boa parte das regiões estudadas. “É uma variedade que aumentou bastante na última safra. Na diferença da proporção de plantio e de colheita, quando mais positiva, mais rápido foi o crescimento; quando mais negativa, mais rapidamente a variedade está sendo abandonada”, explica e completa: “Ela cresceu muito em Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Nas sub-regiões, obviamente, acaba aparecendo mais”.

Em Mato Grosso do Sul, a RB867515 foi igualmente a mais plantada em 2022/23 e ocupou a maior fatia de área cultivada nos canaviais. Apesar disso, a CTC9002, variedade de somente dez anos de liberação comercial, foi a com maior tendência de crescimento considerando a relação entre o plantio e cultivo.

Já em Mato Grosso, a área plantada teve um aumento considerável de 20,61 mil hectares, para 30,25 mil hectares (+46,8%), com a supremacia da RB867515, que foi a mais plantada durante o ciclo no estado. Ainda assim, ela também apresentou a maior tendência de queda na relação entre plantio e colheita. De todo modo, a variedade segue ocupando 32% na participação total de área cultivada.

Além disso, Mato Grosso apresentou a segunda pior relação entre plantio e cultivo dentre os estados analisados, assim como o mais elevado estágio médio de corte de toda a pesquisa, o que é considerado negativo. O IAV também foi alto, evidenciando um canavial mais envelhecido.

No Paraná, além de Bahia e Tocantins – apresentados de forma conjunta – a RB867515 também seguiu como a com maior participação na área cultivada; em ambos os casos, a fatia foi de 32%. A diferença é que, no estado paranaense, a variedade apresentou tendência de baixa, enquanto Bahia e Tocantins viram um crescimento.

No Espírito Santo, a RB867515 ocupou 67% do total cultivado, algo que não é considerado saudável para os canaviais, ainda que haja uma tendência de queda na variedade considerando a relação plantio e cultivo. Além disso, esse é o caso em que uma única variedade mais ocupa espaço nos canaviais verificados. Em seguida, a RB108519 foi a mais plantada no estado em 2022/23.

Espírito Santo também teve desempenhos ruins em outros indicadores. Por exemplo, no estágio médio de corte, o valor foi o mais baixo dentre todos os avaliados. O índice de atualização varietal, por sua vez, foi o mais alto demostrando envelhecimento dos canaviais capixabas.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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