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Após S&P, Fitch Ratings também rebaixa nota da USJ Açúcar e Álcool

Segundo agência de classificação de risco, sucroenergética agora está a apenas um degrau da inadimplência

NovaCana 5 min de leitura

Na sequência do rebaixamento realizado pela S&P Global Ratings, a Fitch Ratings também diminuiu a classificação dada para a USJ Açúcar e Álcool. O motivo é o mesmo: o anúncio feito pela própria sucroenergética de uma oferta de troca privada para notas seniores sem garantias, com vencimento em 2019 e 2021.

Nesse caso, no entanto, a companhia sucroenergética saiu de CC para C – ante uma queda de CCC- para CC na classificação da S&P –, ficando a um patamar do chamado default, que caracteriza situação de inadimplência. A Fitch ainda repete a nova nota tanto no rating de longo prazo para moeda estrangeira quanto no rating nacional de longo prazo e no próprio rating das notas seniores.

Segundo relatório da Fitch assinado pelo analista Claudio Miori, a USJ pode ser rebaixada – entrando em default – assim que a oferta de troca for aprovada, se a companhia ficar inadimplente em sua amortização programada ou se deixar de realizar os pagamentos de juros. “Após um novo rebaixamento, uma elevação para a categoria CC ou CCC seria possível como consequência de melhorias na posição de liquidez da companhia”, pondera.

Leia mais:

- Informações sobre as notas que receberam oferta de troca
- Comparativo entre a USJ e outras empresas do setor: Jalles Machado, Usina Santo Ângelo e Biosev
- Estimativas de resultado para 2019 e 2020

Na sequência do rebaixamento realizado pela S&P Global Ratings, a Fitch Ratings também diminuiu a classificação dada para a USJ Açúcar e Álcool. O motivo é o mesmo: o anúncio feito pela própria sucroenergética de uma oferta de troca privada para notas seniores sem garantias, com vencimento em 2019 e 2021.

Nesse caso, no entanto, a companhia sucroenergética saiu de CC para C – ante uma queda de CCC- para CC na classificação da S&P –, ficando a um patamar do chamado default, que caracteriza situação de inadimplência. A Fitch ainda repete a nova nota tanto no rating de longo prazo para moeda estrangeira quanto no rating nacional de longo prazo e no próprio rating das notas seniores.

Segundo relatório da Fitch assinado pelo analista Claudio Miori, a USJ pode ser rebaixada – entrando em default – assim que a oferta de troca for aprovada, se a companhia ficar inadimplente em sua amortização programada ou se deixar de realizar os pagamentos de juros. “Após um novo rebaixamento, uma elevação para a categoria CC ou CCC seria possível como consequência de melhorias na posição de liquidez da companhia”, pondera.

O valor das notas em questão soma US$ 226 milhões, com US$ 29 milhões tendo vencimento em 2019 e US$ 197 milhões em 2021. Conforme a Fitch, a USJ solicitou permissão para eliminar todas as cláusulas restritivas, além de alguns eventos de inadimplência e provisões relacionadas. A sucroenergética também teria solicitado a rescisão de contratos de garantia e a liberação dos direitos de garantia nos colaterais das notas de 2021.

De acordo com a metodologia da Fitch, essa proposta é vista como “uma troca de dívida em situação crítica”, pois enfraquece as condições originais para os detentores de títulos, enquanto a companhia tenta evitar uma situação de inadimplência.

Ainda segundo a agência de classificação de risco, a conclusão da oferta está condicionada à aceitação de, pelo menos, 67% do valor principal das notas de 2019 e de 95% do valor das notas com vencimento em 2021.

Comparativo com outras companhias do setor

Conforme a Fitch, a nota da USJ reflete uma liquidez e uma estrutura de capital bem mais fracas do que as da Jalles Machado (BB-) e da Usina Santo Ângelo (A-(bra)), por exemplo. As duas companhias citadas têm perspectiva estável, ou seja, a agência espera que elas mantenham o rating em uma nova avaliação. De acordo com o relatório, as empresas possuem índices de cobertura de caixa sobre dívida de curto prazo acima de 1,0 vez e alavancagens líquidas ajustadas, abaixo de 2,0 vezes.

rating Fitch USJ 29032019

O relatório ainda aponta que a USJ não possui os mesmos pontos fortes que as outras companhias, como os altos rendimentos e baixa estrutura de custos da Santo Ângelo. A Jalles, por sua vez, possui um mix de produtos mais flexível que o da USJ, resultados agrícolas acima da média e presença de produtos de alto valor agregado. “O grande foco da USJ no açúcar representa uma desvantagem em tempos de preços reduzidos da commodity”, afirma.

A comparação com a Biosev (B+) também desfavorece a USJ. De acordo com o documento da Fitch, a companhia controlada pela Louis Dreyfus melhorou sua liquidez e reduziu a alavancagem para 2,9 vezes no exercício fiscal de 2018, após receber aporte de capital de R$ 3,5 bilhões. A USJ, em contrapartida, não possui a escala da Biosev e também não conta com a presença de um grande acionista.

“Com a dívida em dólares respondendo por 80% da dívida total ajustada e com foco no mercado doméstico, a USJ também está mais exposta a riscos cambiais que os demais pares classificados pela Fitch”, complementa.

A expectativa da agência, é que a USJ tenha uma moagem de 3,4 milhões de toneladas no ano fiscal de 2019 e de 3,5 milhões em 2020. Além disso, o preço de açúcar projetado é de US$ 0,13/libra-peso para 2019, US$ 0,134/lb para 2020 e US$ 0,142/lb para 2021. Ao mesmo tempo, a estimativa de aumento de custos é de 5% ao ano, com investimentos de R$ 110 milhões em 2019 e de R$ 120 milhões nos anos seguintes.

Renata Bossle – NovaCana

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