Sucroenergética contabilizou um resultado líquido de R$ 334,32 milhões na temporada, mas desempenho bruto teve queda de 2,2%
Assim como muitas empresas do setor de açúcar e etanol, a Clealco foi afetada pela estiagem e pelas geadas vistas na safra 2021/22 e registrou uma queda significativa em sua moagem de cana. De acordo com o balanço de resultados da companhia, a retração ante a temporada anterior foi de 15,8%, saindo de 5,7 milhões de toneladas para 4,8 milhões.
No período, a sucroenergética produziu 433 mil toneladas de açúcar VHP (-17,7%) e 132,5 milhões de litros de etanol (-12,6%), além de ter comercializado 57 mil créditos de descarbonização (CBios). Os menores volumes fabricados, entretanto, não impediram que o grupo – que controla três usinas em São Paulo – registrasse uma elevação em seu faturamento.
“Apesar da redução da moagem, os incrementos nas receitas de açúcar e etanol, em razão do aumento de preços realizados em 13% e 65%, respectivamente, foram suficientes para absorver a menor produção do exercício”, detalhou a empresa em publicação no jornal Gazeta de São Paulo.
Em 2021/22, o lucro líquido da Clealco foi de R$ 334,32 milhões, um aumento de 382% ante os R$ 69,36 milhões da temporada anterior. Além disso, este foi o segundo resultado positivo em sequência da empresa, após sete safras de prejuízos.
De acordo com a companhia, grande parte desse avanço se deve a descontos de juros e multas obtidos para regularização da dívida tributária no âmbito federal. Para completar, a Clealco também renegociou débitos bancários e reduziu suas obrigações fixadas em dólar.
Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):
- Histórico de resultados da Clealco
- Redução no lucro bruto
- Receitas e custos
- Impacto do parcelamento de débitos
- Perfil da dívida da companhia
Assim como muitas empresas do setor de açúcar e etanol, a Clealco foi afetada pela estiagem e pelas geadas vistas na safra 2021/22 e registrou uma queda significativa em sua moagem de cana. De acordo com o balanço de resultados da companhia, a retração ante a temporada anterior foi de 15,8%, saindo de 5,7 milhões de toneladas para 4,8 milhões.
No período, a sucroenergética produziu 433 mil toneladas de açúcar VHP (-17,7%) e 132,5 milhões de litros de etanol (-12,6%), além de ter comercializado 57 mil créditos de descarbonização (CBios). Os menores volumes fabricados, entretanto, não impediram que o grupo – que controla três usinas em São Paulo – registrasse uma elevação em seu faturamento.
“Apesar da redução da moagem, os incrementos nas receitas de açúcar e etanol, em razão do aumento de preços realizados em 13% e 65%, respectivamente, foram suficientes para absorver a menor produção do exercício”, detalhou a empresa em publicação no jornal Gazeta de São Paulo.
Em 2021/22, o lucro líquido da Clealco foi de R$ 334,32 milhões, um aumento de 382% ante os R$ 69,36 milhões da temporada anterior. Além disso, este foi o segundo resultado positivo em sequência da empresa, após sete safras de prejuízos.

De acordo com a companhia, grande parte desse avanço se deve a descontos de juros e multas obtidos para regularização da dívida tributária no âmbito federal. Para completar, a Clealco também renegociou débitos bancários e reduziu suas obrigações fixadas em dólar.
Em recuperação judicial desde 2018, o grupo enfrentou dificuldades em suas tentativas de vender unidades e aprovou mudanças em seu plano em 2020. Conforme o documento, a empresa tem até 2025 para quitar a maior parte de seus débitos; além disso, os acionistas ganharam a opção de poder vender a usina Queiroz, seguindo o previsto inicialmente, ou a Clementina.
Menor lucro bruto
Apesar do avanço em seu resultado líquido, a Clealco registrou uma queda de 2,2% em seu lucro bruto na comparação entre as duas últimas safras. Em 2021/22, o resultado foi positivo em R$ 305,55 milhões.

Isso aconteceu porque os custos com os produtos vendidos subiram mais que as receitas. De acordo com o balanço financeiro da companhia, a Clealco gastou R$ 858,37 milhões em sua fase operacional, alta de 18,9% na comparação anual.
Por sua vez, as receitas subiram R$ 12,5%, para R$ 1,16 bilhão. Com isso, os custos foram equivalentes a 73,7% dos ganhos, o que representa uma margem menor ante o resultado de 69,8% obtido em 2020/21.

Segundo a Clealco, o produto com maior participação na receita bruta da companhia foi o açúcar, com R$ 735,52 milhões. Embora o valor represente uma queda de 1,1% ante a temporada anterior, ele equivale a 57,6% do total. Na sequência, as vendas de etanol hidratado somaram R$ 455,37 milhões, avanço anual de 44,3%.
Além disso, a companhia também contabilizou vendas de energia (R$ 41,78 mi), de diesel (R$ 24,35 mi), de bagaço de cana (R$ 9,5 mi), de CBios (R$ 2,54 mi), de cana-de-açúcar (R$ 2,41 mi) e de produtos não especificados (R$ 4,94 mi).
Outros ganhos
Com o menor resultado no lado operacional da companhia, o avanço visto no lucro líquido de 2021/22 deriva, em grande parte, de aspectos financeiros. Segundo a Clealco, as receitas e despesas da safra neste quesito geraram um saldo de R$ 225,89 milhões – considerando a série histórica iniciada em 2012/13, esta é a primeira vez em que este número é positivo.
De acordo com o balanço da companhia, os gastos com juros e tributos totalizaram R$ 87,33 milhões, queda anual de 5,8%. Já as receitas com ajustes, variações monetárias, juros recebidos e descontos somaram R$ 171,72 milhões, alta de 252,3% na mesma comparação. Neste caso, um dos fatores mais significativos foi o desconto de multas e juros obtidos com a adesão ao parcelamento dos débitos federais previdenciários, que resultou na contabilização de R$ 123,83 milhões.

Além disso, a Clealco também registrou uma variação cambial positiva no valor de R$ 141,5 milhões. A última vez que a sucroenergética havia obtido lucro com transações em moedas estrangeiras havia sido em 2016/17, com R$ 76,92 milhões.
Alongamento da dívida
Em 31 de março de 2022, a dívida bruta da Clealco com empréstimos e financiamentos somava R$ 1,03 bilhão, queda de 18,3% ante a posição de um ano antes, de R$ 1,26 bilhão. Além da retração no montante total, a companhia também registrou uma menor concentração de débitos comprometidos no curto prazo.

Conforme os números apresentados, a dívida da companhia com vencimento ao longo da safra 2022/23 era de R$ 86,51 milhões no encerramento da temporada passada. O valor implica uma queda de 42,1% frente à dívida de curto prazo contabilizada um ano antes, além de representar 8,4% do endividamento total.
Por sua vez, os débitos comprometidos em médio e longo prazos somavam R$ 944,18 milhões, uma diminuição de 15,1% na comparação anual. Ao final da temporada, este tipo de dívida era equivalente a 91,6% do total; um ano antes, esta relação era de 88,2%.
Renata Bossle – NovaCana