Documentos apresentam nível de viabilidade das obras – número de usinas investindo na energia do bagaço de cana-de-açúcar aumentou
Dadas as constantes oscilações de preço do etanol e do açúcar, a cogeração de energia se tornou um trunfo para muitas usinas. Afinal, a utilização do bagaço de cana-de-açúcar para este fim pode significar estabilidade financeira, sendo a diferença entre um resultado negativo e um positivo nos balanços, conforme destacou o sócio-fundador da consultoria FG/A, Juliano Merlotto, durante o NovaCana Ethanol Conference 2018.
De acordo com ele, a capacidade de gerar energia funciona como uma espécie de ‘abatedor de custos’, gerando caixa ao mesmo tempo em que aproveita um resíduo da indústria. O mesmo argumento foi utilizado pelo analista de ações do BTG Pactual, Thiago Duarte.
Contudo, as empresas precisam de uma estrutura adequada para atingir esses resultados. As companhias que estão em processo de construção ou ampliação de suas unidades de cogeração também sofrem com oscilações de mercado, situação de recuperação financeira e flutuações nos preços, o que pode atrapalhar os investimentos.
No início de dezembro, o NovaCana atualizou o mapa da cogeração com os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre as 27 usinas que estão investindo na produção de energia a partir do bagaço de cana. Com base no acompanhamento do órgão, é possível saber o andamento dos projetos e suas reais possibilidades de saírem do papel.
Para isso, a Aneel se vale de dois critérios principais. O primeiro deles divide os empreendimentos de cogeração em categorias de baixa, média e alta viabilidade de funcionamento. Quando as obras estão atrasadas, os processos foram revogados ou a documentação necessária não foi entregue, é este critério que define e reduz a viabilidade do empreendimento.
Já o outro critério se refere especificamente ao Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia Elétrica (Rapeel), que a usina deve apresentar periodicamente à Aneel, seja para novos empreendimentos ou para ampliações.
A partir destes documentos, a Aneel classifica os empreendimentos de A a D. Na versão mais recente do relatório, 86% das UTEs possuem conceito A enquanto 8,7% possuem conceito D.
Na última análise, publicada em maio pelo NovaCana, 12 empreendimentos geradores de energia por meio da cana-de-açúcar eram acompanhados pela Aneel. Agora, o número subiu para 17, o que representa uma melhora frente às dificuldades encontradas no setor.
Entretanto, quatro empreendimentos receberam a classificação D. No levantamento anterior, apenas dois projetos levaram esta nota.
Além disso, a Aneel já chegou a registrar o acompanhamento de 22 projetos com bagaço de cana, em maio de 2017.
Confira, no conteúdo completo:
- Avaliação da Aneel dos projetos em andamento
- Lista de usinas que deixaram de ser acompanhadas pelo órgão
- Projetos problemáticos
- Exigências da Aneel para novos empreendimentos de cogeração de energia
Dadas as constantes oscilações de preço do etanol e do açúcar, a cogeração de energia se tornou um trunfo para muitas usinas. Afinal, a utilização do bagaço de cana-de-açúcar para este fim pode significar estabilidade financeira, sendo a diferença entre um resultado negativo e um positivo nos balanços, conforme destacou o sócio-fundador da consultoria FG/A, Juliano Merlotto, durante o NovaCana Ethanol Conference 2018.
De acordo com ele, a capacidade de gerar energia funciona como uma espécie de ‘abatedor de custos’, gerando caixa ao mesmo tempo em que aproveita um resíduo da indústria. O mesmo argumento foi utilizado pelo analista de ações do BTG Pactual, Thiago Duarte.
Contudo, as empresas precisam de uma estrutura adequada para atingir esses resultados. As companhias que estão em processo de construção ou ampliação de suas unidades de cogeração também sofrem com oscilações de mercado, situação de recuperação financeira e flutuações nos preços, o que pode atrapalhar os investimentos.
No início de dezembro, o NovaCana atualizou o mapa da cogeração com os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre as 27 usinas que estão investindo na produção de energia a partir do bagaço de cana. Com base no acompanhamento do órgão, é possível saber o andamento dos projetos e suas reais possibilidades de saírem do papel.
Conforme o relatório de acompanhamento mais recente da Aneel, referente ao período de maio a setembro, 552 companhias têm outorga para ampliar ou implantar empreendimentos de cogeração – 38 projetos a menos do que no quadrimestre imediatamente anterior. Destas, 103 são usinas termelétricas (UTEs), 17 a menos que o informado em abril deste ano, sendo que 20 usam o bagaço de cana como matéria-prima da cogeração.

Para controlar o andamento dos processos, a Aneel se vale de dois critérios principais. O primeiro deles divide os empreendimentos de cogeração em categorias de baixa, média e alta viabilidade de funcionamento. Quando as obras estão atrasadas, os processos foram revogados ou a documentação necessária não foi entregue, é este critério que define e reduz a viabilidade do empreendimento.
Já o outro critério se refere especificamente ao Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia Elétrica (Rapeel), que a usina deve apresentar periodicamente à Aneel, seja para novos empreendimentos ou para ampliações.
A partir destes documentos, a Aneel classifica os empreendimentos de A a D. Na versão mais recente do relatório, 86% das UTEs possuem conceito A enquanto 8,7% possuem conceito D.
Na última análise, publicada em maio pelo NovaCana, 12 empreendimentos geradores de energia por meio da cana-de-açúcar eram acompanhados pela Aneel. Agora, o número subiu para 17, o que representa uma melhora frente às dificuldades encontradas no setor.
Entretanto, quatro empreendimentos receberam a classificação D. No levantamento anterior, apenas dois projetos levaram esta nota.
Além disso, a Aneel já chegou a registrar o acompanhamento de 22 projetos com bagaço de cana, em maio de 2017.
Empreendimentos com entraves
No mais recente Rapeel, quatro usinas receberam avaliação D: a Alcon, da Companhia de Álcool Conceição da Barra (Conceição da Barra-ES); a Bioenergética Aroeira 2, do grupo de mesmo nome (Tupaciguara-MG); a Cruz Alta, do grupo Tereos (Olímpia-SP); e a Triunfo, da Copertrading (Boca da Mata-AL).

Apesar disso, a Alcon e a Cruz Alta foram classificadas no acompanhamento mensal da Aneel, referente a outubro, com viabilidade alta e obras em andamento. As previsões de finalização são, respectivamente, 31 de janeiro de 2019 e 23 de fevereiro de 2021. Isso significa que as companhias podem ter perdido ou descumprido o prazo para a entrega dos documentos.
Por sua vez, a Bioenergética Aroeira 2 tem média viabilidade. Neste caso, as obras ainda não foram iniciadas e a data para o início das operações é 1º de janeiro de 2023.
Já a ampliação da usina Triunfo possui baixa viabilidade segundo a Aneel, e seu processo de construção está paralisado. Conforme o documento, a execução do cronograma está em atraso e não há previsão de início das obras.
Projetos em revogação
Além disso, três usinas estão com proposta de revogação ou extinção em andamento. Elas ainda aparecem na lista completa das 20 usinas que investem na geração de energia por meio do bagaço da cana.
A UTE Eldorado Nova Andradina saiu do Rapeel, não dispondo de nota neste quesito. Segundo o documento, a usina está com o cronograma de execução atrasado e não possui licença ambiental.
Já a Cerona, também em Nova Andradina (MS), está em processo de revogação e enfrenta uma situação bastante semelhante. Para a Aneel, como a UTE está com cronograma de viabilidade atrasado e sem licença ambiental, a continuidade do empreendimento fica comprometida.
A terceira UTE em processo de revogação é a São Miguel, localizada em Tabaporã (MT). A unidade de cogeração do grupo J.A. Konzen possui licença ambiental e execução normal no cronograma de viabilidade, mas algumas obrigações não foram cumpridas pela empresa.
Projetos finalizados
Além disso, outras duas usinas saíram da lista de acompanhamento da Aneel no comparativo com maio. Essas, entretanto, tiveram seus projetos finalizados.
A unidade Lasa, do grupo Linhares Agroindustrial, teve as obras terminadas e obteve autorização de início de operação comercial em 9 de julho de 2018. A usina está localizada em Linhares (ES).
Por fim, a UTE Colorado, de Guaíra (SP), entrou em operação com sua nova capacidade em maio deste ano.

O que a Aneel exige
Os documentos enviados para a Aneel são utilizados para definir estratégias de fiscalização e garantir que as unidades com outorga para geração de energia o façam dentro do prazo combinado. Entre eles estão: progresso do cronograma de implantação, licenças ambientais, contratação de serviços e relatório fotográfico demonstrando o progresso da obra.
O conceito de A a D é lançado a cada quatro meses e se baseia em duas etapas de fiscalização. Na primeira, a Aneel monitora as usinas e qualifica a empresa quanto às entregas do Rapeel no período. A segunda fase é de verificação dos empreendimentos com potencial de não conformidade e que serão monitoradas a distância.
As unidades que ficam com conceito C e D podem regularizar a situação para aprimorar a nota na próxima entrega.
Já as análises do monitoramento são feitas com base em três parâmetros. O primeiro deles é o ambiente de contratação, ou seja, se os empreendimentos comercializaram energia no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) ou fora dele. Em seguida, é observada a periodicidade de entrega do Rapeel, que é mensal para aqueles que comercializam no ACR ou estão com obras em andamento ou quadrimestral para os que estão fora do ACR ou não começaram as obras. O terceiro parâmetro é com base no tipo de geração, neste caso, termelétrica.
As multas por descumprimento da entrega do Rapeel variam de R$ 15 mil a R$ 150 mil, dependendo do tamanho do empreendimento e de outras sanções existentes contra a empresa.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana