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Cogeração de energia

Mapa da cogeração: 15 usinas estão investindo em projetos de energia com bagaço de cana

Unidades devem entrar em operação até 2023 e sinalizam maior interesse pela geração de energia com biomassa


novaCana.com - 04 dez 2018 - 09:16 - Última atualização em: 06 set 2019 - 08:04

A relevância da cogeração para o setor sucroenergético é inegável. Nos últimos meses, o assunto foi tratado por relevantes nomes do setor, que reiteram a importância do investimento, especialmente tendo em vista a geração de receita em momentos de crise.

O governo, inclusive, no mais recente Plano Decenal de Expansão de Energia, que projeta o análise para o setor ao período até 2027, demonstrou que mantêm um olhar atento à produção de energia por meio do bagaço da cana-de-açúcar, estando otimista em relação aos próximos anos e acreditando em um potencial elevado.

Algumas empresas estão atentas a esse movimento e em condições de investir na cogeração de energia por meio do bagaço. Para acompanhar este cenário, o novaCana faz um mapeamento exclusivo dos projetos de novas usinas termelétricas no país – não só as de cana-de-açúcar –, oferecendo informações sobre o andamento de cada um deles e a expectativa do aumento de potência a nível nacional.

O levantamento foi feito com informações fornecidas em novembro de 2018 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em relatório divulgado pelo órgão consta que, dentre todos os projetos de instalação ou ampliação da capacidade de termelétricas movidas a biomassa que devem estar operando até 2023 – o equivalente a 39 unidades –, 20 envolvem Usinas Termelétricas (UTEs) movidas a bagaço de cana.

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No total, em relação à implementação das 39 usinas previstas, 30 têm maior probabilidade de sair do papel, acrescentando 2,1 GW à capacidade nacional, sendo que 15 têm como matéria-prima a cana-de-açúcar. Dentre elas, seis já estão sendo construídas e outras oito devem começaram o processo de ampliação de capacidade em 2019.

Na comparação com o último acompanhamento, publicado no início de maio, o número de projetos de usinas que produzem energia com biomassa aumentou em 25,8%, enquanto a previsão da potência adicionada mais do que triplicou.

O aumento na quantidade de projetos pode indicar que as empresas estão percebendo o caminho positivo oferecido pela cogeração. O analista de ações do BTG Pactual, Thiago Duarte, afirmou, em palestra durante o NovaCana Ethanol Conference deste ano, que a geração de energia por meio da biomassa pode ter um efeito muito positivo no caixa das usinas.

“A capacidade de exportar eletricidade funciona como um abatedor de custos”, afirma. Ele utiliza como exemplo a Adecoagro, que pode reduzir suas despesas em mais de 2 centavos de dólares por libra-peso na safra 2018/19 graças à cogeração. Isso é possível porque a matéria-prima da bioeletricidade está em um resíduo da usina, que passa a gerar receita e, consequentemente, ajuda a diluir os custos fixos.

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Em relação às UTEs movidas à biomassa de cana-de-açúcar, caso as obras acompanhadas pela Aneel se concretizem, elas devem adicionar 473,5 MW à capacidade de geração de energia nacional até 2023. No último levantamento, a previsão era de que seriam adicionados 457,5 MW e, em 2017, 497 MW.

Já em relação ao número de UTEs a partir de outras biomassas, um total de 16 empreendimentos têm maior viabilidade de sair do papel nos próximos cinco anos. Eles somam uma capacidade de geração de 1,7 MW.

Previsão de funcionamento

A Aneel determina a viabilidade de um projeto de construção ou ampliação de usina termelétrica por meio de três classificações:

  • Alta: As unidades possuem licença ambiental de instalação vigente e suas obras já estão em andamento, sem impedimento para implantação
  • Média: As usinas têm obras não iniciadas ou com o licenciamento ambiental não finalizado, podendo ocorrer impedimentos para a implantação
  • Baixa: As plantas sofreram suspensão do processo de licenciamento ambiental, com um processo de revogação em análise, com demandas judiciais graves ou qualquer outro problema que impeça sua implantação

As usinas que apareceram no mapeamento elaborado pelo novaCana são classificadas como de média e alta viabilidade e já tiveram seus projetos de construção ou ampliação iniciados. A expectativa é que elas entrem em operação até 2023.

Em comparação com o levantamento anterior, não só o número de projetos aumentou, como muitas usinas migraram de viabilidade. Em maio, 18 usinas termelétricas tinham classificação média e, agora, esse número subiu para 24. Além disso, enquanto seis tinham alta chance de se concretizar, agora são 13.

Isso indica que, entre maio e novembro, além de novos projetos terem surgido, as usinas cumpriram melhor com seus compromissos com a Aneel, seja entregando documentos ou seja emitindo as licenças ambientais necessárias. Dessa forma, a agência pode melhorar as classificações de viabilidade das construções e ampliações.

Além disso, há 16 usinas com alta ou média viabilidade, mas que ainda estão aguardando o início das obras, e outras nove que, na análise da Aneel, podem ter seus projetos de operação não concretizados. Muitas ainda não deram início às obras, a maioria não possui previsão de funcionamento e alguns projetos até já entraram em processo de revogação por parte da Aneel.

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Das nove UTEs com baixa viabilidade, cinco são do setor sucroenergético e, se eventualmente passarem a integrar os números nacionais de cogeração, acrescentarão 236,97 MW à capacidade nacional.

Junto a todas as outras propostas de ampliação ou construção que possuem essa classificação, o acréscimo de capacidade seria de 430,57 MW. Mas as perspectivas não são boas, já que algumas estão com o processo de revogação em andamento, enquanto outras tiveram suas obras paralisadas ou sequer foram iniciadas, sem novas previsões.

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Acompanhamento das obras

Mesmo com este cenário, em comparação com o levantamento mais recente realizado pelo novaCana, o número de empreendimentos com baixa viabilidade diminuiu. Isso se deve ao fato de que alguns saíram de vez da lista, tendo sua revogação concluída, mas também caiu o número de usinas que tiveram problemas que inviabilizariam sua implantação.

Cruzando os dados entre os dois levantamentos mais recentes, é possível observar que duas delas – a UTE Lasa e a UTE Colorado, que possuem o bagaço da cana-de-açúcar como matéria-prima – conseguiram cumprir o cronograma e tiveram suas obras de ampliação finalizadas.

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Por outro lado, três projetos acabaram não se concretizando desde maio.

A UTE Sonora pretendia ampliar sua capacidade de produção energética com biomassa – utilizando o bagaço da cana-de-açúcar – e teve sua autorização da Aneel cancelada, continuando a operar com a potência antiga.

Já a UTE Costa Rica I também teve sua autorização revogada e não chegou a ser construída.

Por fim, a UTE BBF Tefé, outro projeto de construção, teve suas obras adiadas indefinidamente devido ao vencimento da licença ambiental e, por não ter previsão, deixou de ser acompanhada.

Rafaella Coury – novaCana.com


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