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[Atualizado] 19 empresas especializadas projetam a safra 2018/19 de cana-de-açúcar para o Centro-Sul

A diminuição das chuvas na região Centro-Sul do país, somada ao envelhecimento do canavial percebido em grande parte das plantações, dá o tom do que é esperado para a safra 2018/19

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O clima geral é de cautela. As consultorias relatam estimativas mais baixas do que as das últimas safras para a moagem total desta temporada. O mais recente levantamento do NovaCana, finalizado hoje (dia 04), contou com as perspectivas de 19 empresas especializadas, número recorde de participações.

A perspectiva para a safra que iniciou em 1º de abril segue um movimento de retração, como verificado nas últimas duas safras, porém, desta vez, será um pouco mais intensa.

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Ainda que todas as empresas tenham divulgado um número menor do que o da safra anterior, existem as mais otimistas e pessimistas dentre elas, citando diferentes motivos que podem influenciar o resultado esperado para a atual temporada.

O levantamento do NovaCana ainda reuniu projeções para quantidade total de ATR, qualidade da cana, mix de produção das usinas e produção de açúcar e etanol. Ao todo, são apresentados 10 gráficos e tabelas comparativas com 19 diferentes consultorias e instituições.

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Atualização (08/05, às 10h30): O texto e os gráficos acimas foram alterados para incluir as previsões completas da consultoria F.O. Licht

O clima geral é de cautela. As consultorias relatam estimativas mais baixas do que as das últimas safras para a moagem total desta temporada. O mais recente levantamento do NovaCana, finalizado hoje (dia 04), contou com as perspectivas de 19 empresas especializadas, número recorde de participações.

A perspectiva para a safra que iniciou em 1º de abril segue um movimento de retração, a exemplo das últimas duas safras, porém, desta vez, será um pouco mais intensa. Desde a safra 2015/16, quando a moagem atingiu o recorde histórico para a região Centro-Sul, chegando a 617,65 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, vem sendo observada uma queda neste indicativo. Os números até já caminham para um consenso: em comparação com os últimos levantamentos realizados pelo NovaCana, a variação entre as estimativas para a safra 2018/19 não é tão grande. A diferença entre o pior e o melhor cenário é de 25,4 milhões de cana moída, um número menor do que nas safras anteriores.

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Em comparação com o resultado de 2017/18, nem mesmo a perspectiva mais alta envolve um crescimento de moagem. Assim, no cenário mais otimista, a redução em 2018/19 pode ser de apenas 0,32% – mas, caso se concretize a visão da menor estimativa, ela pode chegar a até 4,57%.

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Ainda que todas as empresas tenham divulgado um número menor do que o da safra anterior, existem as mais otimistas e pessimistas dentre elas, citando diferentes motivos que podem influenciar o resultado esperado para a atual temporada. O levantamento do NovaCana ainda reuniu projeções para quantidade total de ATR, qualidade da cana, mix de produção das usinas e produção de açúcar e etanol.

Evolução das estimativas

Em fevereiro, o NovaCana fez um levantamento de estimativas para a safra 2018/19 e apresentou os números de 11 empresas especializadas. Considerando apenas as cinco companhias com perspectivas mais recentes até então, três mantiveram e duas diminuíram suas estimativas.

Enquanto o Rabobank, a Archer Consulting e a Greenpool mantiveram seus números, com 585 milhões, 580 milhões e 590 milhões de toneladas de cana, respectivamente, a FCStone reduziu sua previsão em 0,3% – de 592,5 milhões para 590,7 milhões de toneladas – e a Agroconsult, em 0,9% – de 600 milhões para 594,4 milhões de toneladas.

De lá para cá, considerando as revisões e os novos números, a média atualizada das estimativas para a moagem no Centro-Sul caiu, passando de 587,58 milhões para 584,01 milhões de toneladas de cana.

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De fevereiro a abril, os indicadores das previsões para a safra 2018/19 tiveram várias mudanças. Enquanto a média da previsão de moagem diminuiu 0,60%, especialmente graças à entrada de estimativas menos otimistas na lista, a conclusão da entressafra mexeu de forma mais efetiva com alguns números.

Entre os fundamentos estão o excedente de açúcar esperado a nível global e a queda no preço da commodity. Cada vez mais as estimativas indicam uma redução na produção nacional de açúcar, o que se reflete no aumento da produção de etanol – especialmente o hidratado. O mix de produção das usinas, assim, está muito mais alcooleiro.

O sócio-analista da Agroconsult, Fabio Meneghin, explica que geralmente é o mercado que determina o mix das usinas: “A sobra de açúcar da safra passada, naturalmente, leva a um mix mais alcooleiro”. Além disso, ele espera que a safra se mantenha favorável ao biocombustível mesmo em um segundo momento, pois os preços do etanol estão compensando para as empresas.

Na opinião da Greenpool, representada pelo analista de commodities sênior Eder Vieito, não há muito o que fazer globalmente em relação à sobreoferta de açúcar. Mas o Brasil, diferentemente de outros grandes países produtores, tem o etanol como uma alternativa que, inclusive, “tem remunerado muito melhor do que o adoçante”. Assim, o biocombustível “se torna uma forma menos custosa de enxugar um pouco desse excesso de sacarose do mercado”, afirma.

O resultado da entressafra

As novas estimativas, em geral, foram bastante influenciadas pelo que foi observado durante a entressafra, especialmente em relação às mudanças climáticas.

O clima no primeiro trimestre do ano, correspondente aos três meses da entressafra da cultura de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, é importante para o desenvolvimento da cultura, pois é nele que se define o potencial da massa de matéria-prima por hectare. João Rissi, da consultoria FG/A, aposta que o clima mais seco de abril terá grande influência na produção total da safra 2018/19.

Por outro lado, Meneghin afirma que, por mais que tenha chovido pouco na entressafra, a chuva ocorreu no lugar certo. “A quantidade de chuvas no Paraná surpreendeu e em São Paulo também, exceto por alguns bolsões em março”, explica. “Nossa observação por satélite demonstra 4% a mais de vegetação em São Paulo em comparação ao mesmo período do ano passado e dos últimos cinco anos”. Com base nestes dados, a Agroconsult tem a estimativa mais otimista dentre as empresas consultadas.

O Rabobank também acredita que as chuvas na região Centro-Sul durante a entressafra foram boas. Para o banco, o fator que teve maior influência negativa nas estimativas para a temporada atual é a idade média dos canaviais.

Previsão de moagem

Dentre as 19 empresas consultadas pelo NovaCana, a que prevê a maior moagem para a safra 2018/19 é a Agroconsult, com 594,40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Fabio Meneghin explica que, além da questão das chuvas na medida certa, eles observaram um aumento nas vendas de fertilizantes e uma maior quantidade de adubos colocada nas soqueiras – assim, a expectativa de crescimento e rendimento é boa.

“Essa previsão de 594,40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar que serão moídos no fim da safra atual pode até ser conservadora, pois acreditamos que o canavial esteja realmente bom. A moagem de 2017/18 já foi uma surpresa, então, esperamos o mesmo para a de 2018/19”, conclui.

Por outro lado, a Canaplan tem a menor previsão de moagem para a temporada atual: 569 milhões de toneladas de cana, uma diminuição de 4,57% em relação ao resultado da última safra. Ao divulgar essas estimativas em um evento em Ribeirão Preto (SP), na última semana de abril, o sócio e diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, afirmou que, além da falta de chuva nas regiões produtoras entre fevereiro e março, o cenário de baixa renovação e de canavial envelhecido vai reduzir a oferta.

“O nível de envelhecimento do canavial é preocupante, a renovação anual está em 13%, o que é muito abaixo do que esperávamos ver”, afirmou Carvalho. A Canaplan estima que 54% do canavial disponível para a colheita já tenha mais de três cortes, ou seja, resultará em menor produtividade. O índice era de 43% na safra passada.

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Por sua vez, o presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, estima que serão moídas 585 milhões de toneladas de cana nesta safra. “Sem expansão da área plantada e com a renovação abaixo do necessário, a idade média do canavial vem aumentando, prejudicando a produtividade”, concorda.

O sócio e CEO da Job Economia, Julio Borges, aponta outra razão para a moagem da safra atual ser ainda menor que as últimas, indicando um resultado de 585 milhões de toneladas: a área de cana está em “franco declínio”. “No Centro-Sul, observamos pela primeira vez, nos últimos nove anos, uma redução de 3,5% na área de cana disponível para corte, alcançando 7,85 milhões de hectares”, explica. Assim, para ele, é natural que a moagem seja menor. A Job é uma das poucas empresas com coragem para informar valores de área. No entanto, os números da Job são diferentes dos informados pela Conab. A empresa pública, vinculada ao Ministério da Agricultura, estimou ontem (03) que a área total de cana disponível na região será de 7,719 milhões de hectares, contra 7,837 milhões da safra anterior. Uma redução de 1,5% na área de cana.

Já a Greenpool estima que a moagem no fim da safra 2018/19 será de 590 milhões de toneladas, uma das maiores entre as 19 empresas consultadas. Eder Vieito afirma que o esperado para esta safra é uma continuidade, com algum agravamento, dos problemas que já vêm afetando a região Centro-Sul há anos.

“Estes problemas já estão, em grande medida, refletidos no ponto de partida da safra. Hoje não vemos nenhuma grande ruptura capaz de reduzir a safra em mais de 20 ou 30 milhões de toneladas em relação a 2017/18 – para isso, precisaríamos de um fato novo, como um evento climático desfavorável, dentre outras coisas”, relata.

O preço e o mix de açúcar

No início da safra passada (2017/18), a previsão é que as usinas maximizassem a produção de açúcar. À época, os preços internacionais do produto o tornavam mais competitivo do que o etanol e a expectativa era de um mix bastante açucareiro. Para a safra que está começando, a perspectiva é oposta.

O relatório lançado pela Platts Kingsman afirma que esta safra começa com uma perspectiva de um mix alcooleiro. O índice de matéria-prima destinada ao açúcar, inclusive, aproxima-se do mínimo histórico, segundo a companhia.

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“Desde agosto de 2017, o etanol tem pagado melhor do que o açúcar, além da demanda nas bombas seguir alta”, explica o relatório. A expectativa da consultoria é que 42% do mix seja destinado ao adoçante, enquanto 58% irá para o biocombustível.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) acrescenta que essa diminuição também se deve ao excedente de açúcar esperado para a safra global 2018/19, que fez os preços diminuírem internacionalmente. Sua previsão para a safra brasileira é de um mix 42,2% açucareiro, ante 46,4% na safra passada.

Ainda assim, para a Platts, a queda na produção de açúcar no Brasil não vai ser suficiente para mudar a estimativa global.

João Paulo Botelho, da INTL FCStone – que espera um mix 41,5% açucareiro –, afirma que o único motivo pelo qual o superávit global de açúcar não vai superar as máximas históricas é justamente a redução da produção brasileira.

“A região ainda deve continuar exportando mais do que qualquer outro país do mundo e grande parte deste volume ainda não foi negociado nos mercados físico ou futuro”, complementa. E alerta: “Desta forma, o timing dessas vendas será importante tanto para o resultado das usinas, como para o direcionamento do mercado de açúcar”.

“O timing dessas vendas [de açúcar] será importante tanto para o resultado das usinas, como para o direcionamento do mercado de açúcar”.

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Também há a perspectiva de que pode haver mudanças conforme a safra for avançando. Para Julio Borges, da Job Economia, que espera um mix 42,2% para o adoçante, a perspectiva de queda na exportação de açúcar pode impactar positivamente os preços e modificar a estimativa de produção. “Notícias de clima desfavorável à produção no mundo açucareiro podem mudar a condição atual e criar um ambiente para preços em alta”, afirma.

Etanol em alta

Já as previsões para a produção de etanol demonstram uma tendência de aproveitamento da onda de bons preços, consumo em alta e valorização em relação à gasolina – que é padrão no início da safra.

O relatório do Rabobank, que espera uma produção de 26,9 bilhões de litros de etanol, afirma que o mercado local parece promissor, pois os preços da gasolina continuam firmes mesmo com a eleição se aproximando (e as incertezas que ela envolve). Assim, um aumento na produção é natural.

“Na entressafra, o preço do etanol compensou perante a gasolina, especialmente em comparação ao ano anterior. Assim os consumidores não ‘migraram para fora do biocombustível’ como aconteceu no ano passado e o consumo não será tão impactado”, determina o texto.

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O USDA concorda ao afirmar que o crescimento estável nos preços da gasolina nos últimos meses acaba atraindo uma maior produção do etanol devido ao preço competitivo. Botelho, da INTL FCStone, ainda cita que o consumo de etanol em janeiro e fevereiro de 2018 ficou 49,3% acima do mesmo período no ano passado, incentivando a produção. A expectativa da consultoria é que a produção de etanol chegue aos 28,2 bilhões de litros.

Já a Conab, que teve a maior previsão de produção de açúcar dentre as consultorias (32,84 milhões de toneladas), explica que esse interesse no início da safra tem a ver com o melhor fluxo de comercialização que o etanol tem frente ao adoçante. “O biocombustível permite que a unidade de produção aumente o fluxo de caixa com maior rapidez, uma vez que a comercialização é praticamente instantânea. O pagamento é realizado tão logo o combustível é entregue na distribuidora”, esclarece, indicando um maior interesse pela produção em um primeiro momento.

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Em contrapartida, Borges, da Job Economia, prevê uma produção de 28 bilhões de litros e espera que a diminuição no valor do etanol nas usinas seja de curto prazo. “A queda de preços [do etanol] observada no momento na região Centro-Sul decorre da pressão de oferta da nova safra e do fato do biocombustível estar remunerando o produtor melhor do que o açúcar. Ainda assim, essa queda pode ter vida curta”, determina.

Qualidade do canavial

A média das estimativas em relação à quantidade do açúcar total recuperado (ATR) em 2018/19 ficou em 134,79 quilos por tonelada de cana-de-açúcar, 1,33% a menos do que na safra passada. Já o ATR total deve alcançar 78,50 milhões de toneladas de acordo com a média das projeções, 3,63% a menos do que em 2017/18.

Eder Vieito, da Greenpool, afirma que o rendimento da safra 2017/18 foi o mais alto em três anos e acima do que era esperado inicialmente, como uma consequência da extensão do clima seco e da diminuição das chuvas em outubro.

“Partindo da premissa de que o clima em 2018/19 será mais perto do normal, com chuvas em setembro e durante o inverno, nós estamos estimando que a safra terá um ATR mais baixo, de 134 quilos por tonelada, um rendimento normal para as condições que esperamos do canavial do Centro-Sul e para os níveis de mecanização atuais”, completa.

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Para a maioria das consultorias, essa diminuição na produtividade se deve à situação do canavial e à área plantada, especialmente. Vieito acrescenta que a área com cana-de-açúcar no Centro-Sul se mantém praticamente estagnada e que há uma perda na produtividade agrícola, “que continua muito aquém do potencial da região – cujo rendimento médio dos últimos 10 anos foi próximo de 79 milhões de toneladas por hectare”.

O relatório da Conab vai na mesma linha: “A área de cana-de-açúcar a ser colhida na safra 2018/19 deverá atingir 8,6 milhões de hectares, representando uma redução de 1,3% em relação ao ano anterior. Se confirmada, será a segunda queda consecutiva na área a ser colhida”.

A companhia também afirma que o envelhecimento das plantações, a baixa taxa de renovação, a falta de investimentos e a redução da inserção de novas tecnologias têm mantido a produtividade média dos canaviais brasileiros inferior a 80 milhões de toneladas por hectare.

O sentimento é compartilhado por Julio Borges, da Job Economia, que afirma: “O canavial no Brasil envelhece. A dificuldade econômica, sem cobertura dos custos de produção, pelo que passa o setor desde a safra 2012/13, ajuda a estender esta situação”. Para ele, é por este motivo que o rendimento agrícola do Centro-Sul tem estado em nível relativamente baixo nos últimos anos.

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O USDA concorda, prevendo um total de 78 milhões de toneladas por hectare no fim da safra. “Esse número se deve principalmente à gestão de culturas abaixo da média e ao desenvolvimento de estoques mais lento por causa do tempo seco entre julho e setembro”, afirma e completa: “As restrições financeiras também limitaram o investimento no manejo de culturas, resultando em pressões mais altas de pragas e ervas daninhas. Além disso, vários campos de cana-de-açúcar renovados mostram falhas de brotação, que não foram adequadamente substituídas devido a restrições de custo”.

Rafaella Coury – NovaCana

Atualização (08/05, às 10h30): O texto e os gráficos acimas foram alterados para incluir as previsões completas da consultoria F.O. Licht

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