Usinas

Para FS e Cerradinho, valor agregado de subprodutos é trunfo do etanol de milho

Representantes das empresas analisam cenário do renovável produzido a partir do grão no país


novaCana.com - 01 dez 2020 - 08:38

A produção de etanol de milho tem se destacado cada vez mais no Brasil e os dados mais recentes divulgados pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) são a prova disso. Entre 1º de abril e a primeira quinzena de novembro, o país chegou a um volume acumulado de 1,52 bilhão de litros, 87,4% acima do volume visto no mesmo período da temporada passada.

Para a safra 2021/22, a perspectiva da Datagro, apresentada durante o evento da companhia realizado no final de outubro, é de que sejam produzidos 3,3 bilhões de litros de etanol proveniente do milho. Entretanto, a própria consultoria pontuou que o cenário-base da análise ainda estava sendo questionado por conta da alta nos preços do grão.

“Se [os preços] continuarem elevados, é provável que muitos produtores, principalmente os flex [que produzem etanol a partir das duas matérias-primas], não produzam etanol de milho na mesma intensidade”, disse o presidente da consultoria, Plínio Nastari.

Em painel dedicado ao etanol de milho e sua integração com a cana, ocorrido no mesmo evento, o sócio da Datagro Financial, Ingo Kaldar, questionou dois representantes de usinas sobre a projeção de volume para a próxima temporada e ambos creem que, sim, ela é possível.

O presidente da FS Bioenergia, Rafael Abud, chega a ter uma visão ainda mais otimista. Para ele, é plausível “chegar tranquilamente” neste número.

“A FS vai produzir em torno de 1,5 bilhão de litros e há outro produtor grande no Mato Grosso que deve fazer acima de 1 bilhão”, afirma e detalha: “Só com essas duas companhias, temos 2,5 bilhões. Há outros produtores no estado que já podem complementar os 3,3 bilhões e não estou nem contando Mato Grosso do Sul e Goiás”.

Atualmente, a FS Bioenergia possui duas usinas em Mato Grosso dedicadas somente ao processamento de milho. A unidade em Lucas do Rio Verde opera desde junho de 2017, enquanto a usina de Sorriso foi inaugurada este ano.

Por sua vez, o presidente do conselho de administração do grupo Cerradinho Bioenergia, Luciano Sanches Fernandes, também acredita ser possível chegar aos 3,3 bilhões de litros, mas faz algumas ressalvas. De acordo com ele, a Cerradinho não prevê grande crescimento para a próxima safra, pois questiona a aquisição do milho por parte das usinas.

“O grande crescimento está no Mato Grosso. A única questão é o milho, se as empresas compraram o grão e estão bem posicionadas quanto a isso. Se não estão, vai ficar mais difícil”, disse.

O grupo também agrupa duas unidades. A Neomille, voltada para etanol de milho, começou a operar em novembro de 2019, em Chapadão do Céu (GO), ao lado da CerradinhoBio, planta da companhia que processa cana-de-açúcar.

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