Estoques apertados e variações na demanda influenciam valor de comercialização
Por Nicolle Monteiro de Castro*
Ontem, 4, a S&P Global Platts calculou o etanol anidro nas usinas de Ribeirão Preto a R$ 3.510/m³, sua maior avaliação. Este valor representa um aumento de 85% no ano e de R$ 150/m³ em relação ao recorde anterior, de 2 de março.
Apesar da safra 2021/22 do Centro-Sul ter iniciado oficialmente em 1º de abril, o que poderia indicar uma queda nos preços, especialmente em meio a um cenário de aumento da oferta e de demanda limitada, o preço do anidro está efetivamente em alta, sustentado por uma combinação de aspectos otimistas.
Os números mais recentes da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) apontam para uma produção total de 731 milhões de litros de etanol nos primeiros 15 dias de moagem, uma queda de 25,92% em relação a 2020/21. Destes, a produção de anidro foi de 104 milhões de litros, queda de 41,47% no mesmo comparativo.
Como há uma mistura obrigatória de anidro na gasolina, qualquer variação na demanda do combustível fóssil desencadeia o mesmo movimento para o renovável. Assim, enquanto as vendas de hidratado caíram 14,6% em 2020, as de gasolina caíram apenas 6,1%, o que amorteceu a redução na comercialização do anidro.
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Por Nicolle Monteiro de Castro*
Ontem, 4, a S&P Global Platts calculou o etanol anidro nas usinas de Ribeirão Preto a R$ 3.510/m³, sua maior avaliação. Este valor representa um aumento de 85% no ano e de R$ 150/m³ em relação ao recorde anterior, de 2 de março.
Apesar da safra 2021/22 do Centro-Sul ter iniciado oficialmente em 1º de abril, o que poderia indicar uma queda nos preços, especialmente em meio a um cenário de aumento da oferta e de demanda limitada, o preço do anidro está efetivamente em alta, sustentado por uma combinação de aspectos otimistas.
Os números mais recentes da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) apontam para uma produção total de 731 milhões de litros de etanol nos primeiros 15 dias de moagem, uma queda de 25,92% em relação a 2020/21. Destes, a produção de anidro foi de 104 milhões de litros, queda de 41,47% no mesmo comparativo.
Como há uma mistura obrigatória de anidro na gasolina, qualquer variação na demanda do combustível fóssil desencadeia o mesmo movimento para o renovável. Assim, enquanto as vendas de hidratado caíram 14,6% em 2020, as de gasolina caíram apenas 6,1%, o que amorteceu a redução na comercialização do anidro.
O consumo menos afetado, combinado com a queda de 2,6% na produção do Centro-Sul em 2020/21 e de 31% nas importações brasileiras em 2020, resultou em estoques acentuadamente menores em 15 de abril, com 715 milhões de litros de anidro, queda de 33,9% no ano. O hidratado, por sua vez, estava em 1,22 bilhão de litros no mesmo dia, queda de 17,4%.
A média dos estoques de anidro em meados de abril nos últimos cinco anos é de 778 milhões de litros, o que sugere que a safra atual do Centro-Sul terá um aperto ainda maior do biocombustível no mercado.
Além da falta de estoques domésticos, a arbitragem de importação do principal parceiro comercial do Brasil, os Estados Unidos, permanece fechada. Pelos cálculos da Platts de 30 de abril, o etanol anidro desembarcaria em Suape a R$ 5.271/m³, incluindo a tarifa de importação de 20%, ficando acima do preço de mercado interno.
Até o momento, no primeiro trimestre de 2021, o Brasil importou 178 milhões de litros de anidro, queda de 70% em relação ao mesmo período de 2020, o que reforça os menores estoques neste início de safra.
Participantes do mercado informaram que, em maio, quase não haverá estoques adicionais sendo registrados, já que a maior parte dos distribuidores de combustível suprirá sua demanda com negócios à vista e os produtores deverão continuar favorecendo a produção de açúcar em detrimento do etanol.
* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana