Dados de produção, área e rendimento comparam municípios e estados que registraram as maiores moagens de cana-de-açúcar
Nos últimos anos, a quantidade de cana-de-açúcar produzida nacionalmente vem caindo – principalmente após o recorde de 768,56 milhões de toneladas registrado em 2016. Ainda assim, a pequena diferença entre os valores demonstra certa estabilidade na moagem, o que corrobora com a visão de especialistas do setor.
De 2016 para 2017, a queda na moagem foi de apenas 1,3%, correspondendo a 10 milhões de toneladas. Já entre 2017 e 2018, que terminou com 746,83 milhões de toneladas, a diferença foi de 11,72 milhões de toneladas, equivalentes a 1,55%.
Estes valores, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são diferentes dos apresentados pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) e pelo Ministério da Agricultura (Mapa), pois dizem respeito ao período de janeiro a dezembro e incluem a produção de cana para qualquer finalidade, não somente para as usinas de açúcar e etanol.
Além dos dados nacionais, o destaque fica com a produção individual das cidades, especialmente as paulistas. Morro Agudo produziu 8,1 milhões de toneladas em 2018 e foi a maior produtora do país. Municípios de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais vêm logo em seguida, com a produção de Rio Brilhante e Uberaba, respectivamente. No total, são mais de 3.300 cidades que possuem canaviais.
Junto a Goiás, estes estados são os que mais produzem cana-de-açúcar no Brasil desde 2016, mesmo que existam variações na quantidade, na área colhida e, consequentemente, nos rendimentos.

Confira, na versão completa, dados de área e quantidade de cana moída no país e nos principais estados produtores, as 100 cidades que mais produziram em 2018 e a relevância dos canaviais nos municípios do país.
Nos últimos anos, a quantidade de cana-de-açúcar produzida nacionalmente vem caindo – principalmente após o recorde de 768,56 milhões de toneladas registrado em 2016. Ainda assim, a pequena diferença entre os valores demonstra certa estabilidade na moagem, o que corrobora com a visão de especialistas do setor.
De 2016 para 2017, a queda na moagem foi de apenas 1,3%, correspondendo a 10 milhões de toneladas. Já entre 2017 e 2018, que terminou com 746,83 milhões de toneladas, a diferença foi de 11,72 milhões de toneladas, equivalentes a 1,55%.
Estes valores, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são diferentes dos apresentados pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) e pelo Ministério da Agricultura (Mapa), pois dizem respeito ao período de janeiro a dezembro e incluem a produção de cana para qualquer finalidade, não somente para as usinas de açúcar e etanol.
Outro dado divulgado pelo instituto corresponde à área que foi colhida no período que, assim como a moagem, caiu em relação a 2017. Em 2018, ela ficou em 10,04 milhões de hectares, contra 10,18 milhões no ano anterior.
Por sua vez, a relação entre a área e a quantidade moída, ou seja, o rendimento médio dos canaviais brasileiros, ficou em 74,37 t/ha. O valor é menor que nos dois anos anteriores, mas é o terceiro maior desde 2014 – de maneira geral, o indicador tem demonstrado uma tendência de queda desde o pico de 80,26 t/ha registrado em 2009.

No total, a área colhida de cana-de-açúcar em 2018 correspondeu a 1,18% da área total do país, valor muito similar ao observado no ano anterior. O mesmo cálculo foi feito a nível municipal: o NovaCana cruzou os dados de área plantada nas cidades brasileiras com suas áreas totais, também divulgadas pelo IBGE, para verificar a representatividade da cana em cada município.
Assim, a cidade que apresenta a maior área colhida de cana, em relação à área total, é Orindiúva, em São Paulo, com uma relação de 98,32% – são 24,32 mil hectares colhidos em 24,73 mil hectares de área. Com uma produção de 1,49 milhões de toneladas em 2018, ela ocupa a 151ª posição no ranking de produção.

Em seguida, Santa Lúcia, Areiópolis, Pitangueiras e Jaboticabal, todas paulistas, possuem entre 80% e 90% da área ocupada com plantação de cana-de-açúcar. Respectivamente, as três primeiras correspondem às 220ª, 386ª e 39ª posições no ranking.
Já Jaboticabal figura no oitavo lugar, tendo produzido 4,9 milhões de toneladas em 2018 – valor similar ao do ano passado, quando estava no nono lugar.
Das cidades brasileiras que possuem cana plantada, 16 dedicam de 70% a 80% de sua área para a cultura, 33 dedicam de 60% a 70%, e 53, de 50% a 60%. No total, existem mais municípios brasileiros que possuem alguma parte da área dedicada à cultura – mesmo que seja apenas 1% – do que os que não possuem.
As cidades que mais produzem
Antes de Jaboticabal, outras sete cidades se destacaram em 2018 pela sua produção de cana. O primeiro lugar, assim como em 2017, foi ocupado por Morro Agudo (SP), com 8,1 milhões de toneladas produzidas, número bem similar ao do ano anterior. Além disso, a cidade possui os mesmos 71,32% da sua área dedicada à cana.
Os segundo e terceiro lugares também se mantiveram, com Rio Brilhante (MS) e Uberaba (MG), porém com variações entre os dois últimos anos. A primeira teve um acréscimo de 4% na produção, chegando a 7,8 milhões de toneladas em uma área de cana que ocupa 24,58% da extensão da cidade – um aumento de pouco mais de dois pontos percentuais.
Já a segunda chegou a 6,8 milhões de toneladas produzidas, 0,5% a mais do que em 2017, em uma área também dois pontos percentuais maior: 18,57% em 2018, contra 16,62%.

A partir do quarto lugar do ranking, os municípios e os números passam a mudar mais na comparação com o ano passado. Nova Alvorada do Sul (MS) passou da sexta para a quarta colocação, mantendo praticamente a mesma proporção de área colhida e tendo um aumento de apenas 1,4% na produção, chegando a 5,9 milhões de toneladas.
A mudança se deveu mais às iguais quedas de 7,7% na produção de Quirinópolis (GO) e Barretos (SP), que perderam uma posição cada, ficando em quinto e sexto lugares, respectivamente, com moagens de 5,6 milhões e 5,4 milhões de toneladas. Em relação às áreas, os municípios não apresentaram mudanças significativas na comparação anual.
Outra redução de destaque ficou com a produção de Frutal (MG), que moeu 4,4 milhões de toneladas em 2018, uma queda de 12,7% entre os dois anos, chegando à nona posição.
Após ela, em décimo lugar, aparece a cidade sul mato grossense de Ivinhema, que ano passado estava em 28º. O aumento da produção foi de 25,5%, passando de 3,4 milhões para 4,2 milhões de toneladas.

Outras cidades que ficaram entre as 20 maiores produções em 2018, mas não em 2017, foram Paraguaçu Paulista (SP), Angélica (MS), Conceição das Alagoas (MG), Edéia (GO), Costa Rica (MS) e Denise (MT). Todas tiveram crescimento acima de 13% na produção, com o destaque para Denise, com 31,4%.
Assim, Araraquara (34º), Rancharia (68º), Guaraci (31º), Olímpia (28º), Novo Horizonte (32º) e Altair (21º), todas paulistas, e Itumbiara (25º), em Goiás, saíram do ranking das 20 maiores produções. As reduções na produção variaram entre 8,8%, no caso de Olímpia, e 40,8%, de Rancharia.
Rancharia, inclusive, registrou a maior redução na produção no ranking das 100 maiores de 2018, passando de 4,2 milhões para 2,5 milhões de toneladas. Em seguida vem Palestina (SP), com a queda de 38%.

No todo, foram 29 companhias que apresentaram queda na produção, 21 que apresentaram valor similar a 2017 e 50 que apresentaram crescimento. O destaque ficou com Jacarezinho (PR) que, em 93º lugar no ranking, aumentou sua produção em 94,3%, passando de 1,04 milhões para 2,03 milhões de toneladas entre 2017 e 2018.
Esta é a única cidade paranaense que aparece no ranking das 100 que mais produziram cana. Tocantins e Alagoas também só possuem um representante na lista. Já São Paulo aparece 61 vezes, Goiás aparece 12, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul aparecem dez cada, e Mato Grosso aparece quatro.
Os dados completos sobre a produção, por estado e por município, além de informações de área, rendimento e preço médio da cana-de-açúcar estão disponíveis no NovaCana DATA.
Desempenho estadual
Com tantos representantes na lista dos maiores produtores de 2018, não é de se espantar que São Paulo siga como o estado que mais produziu cana-de-açúcar no ano – assim como observado em toda a série histórica, com uma diferença de mais de 350 milhões de toneladas para o segundo lugar.
Das 746,83 milhões de toneladas colhidas em 2018, 57,99% vieram do estado paulista, mesmo com a queda de 3,86% na produção anual. Suas 433,06 milhões de toneladas foram produzidas em uma área de 5,55 milhões de hectares, também menor que a observada em 2017 (-2,29%).

Este é o primeiro ano desde 2014 em que a produção paulista cai. A quantia ainda é a quarta maior desde 2009, mas a redução quebra uma tendência recente.
Por outro lado, Goiás, o segundo maior produtor do país, apresentou crescimento tanto na quantidade de cana quanto na área colhida: 73,76 milhões de toneladas (+3,32%) em 948,1 milhões de hectares (+2,74%). Com o maior aumento para o primeiro indicador do que para o segundo, o rendimento goiano também cresceu, mesmo que pouco, passando de 77,4 t/ha para 77,8 t/ha.
Minas Gerais segue em terceiro lugar após o crescimento de 1,58% na produção anual, passando de 69,7 milhões para 70,8 milhões de toneladas em uma área 1,25% maior que a observada em 2017.
Em 2015, o estado goiano ultrapassou o mineiro na quantidade de cana produzida anualmente. A diferença registrada em 2018 é a segunda maior desde então.

Porém, o destaque fica com Mato Grosso do Sul, quarto lugar no ranking, Mato Grosso, sexto lugar, e Paraíba, nono lugar, que tiveram os maiores crescimentos na produção entre os dez principais estados canavieiros de 2018: 6,10%, 6,26% e 9,37%, respectivamente.
A Paraíba também foi o estado com o maior aumento na área colhida, 5,41%. Com essas diferentes variações positivas, seu rendimento foi de 53,5 t/ha em 2017 para 55,5 t/ha em 2018.
Por outro lado, Alagoas, que ficou em sétimo lugar entre os dez maiores estados produtores, apresentou a maior queda na área: 13,20%, chegando a 279,5 mil hectares. Sua produção também teve a maior queda dos dez, de 7,68%, passando de 17,49 milhões para 16,15 milhões de toneladas.
Na comparação da produção entre 2009 e 2018, Mato Grosso do Sul se destaca com o maior aumento dentre os dez estados, 97,39%, seguido de Goiás, com 68,92%. Já o Paraná foi o único que apresentou queda entre os dois anos, de 25,38%.
Em relação a todos os estados brasileiros, Santa Catarina, Rondônia, Acre, Distrito Federal e Roraima apresentaram grandes quedas na produção entre 2017 e 2018, todas acima de 40%. O pior deles foi Rondônia, que produziu 69,60% menos do que o visto no ano anterior. Já o maior aumento ficou com o Amapá, de 31,32%.
NovaCana DATA
Rafaella Coury – NovaCana