Companhias apontam para uma moagem de 591,24 milhões de toneladas na atual temporada do Centro-Sul, o que resultaria em uma alta anual de 7,8%
Depois de duas temporadas com resultados distintos, uma de quebra e a seguinte de recuperação, os produtores de cana-de-açúcar do Centro-Sul podem esperar por uma safra mais próxima da “normalidade”. Conforme levantamento realizado pelo NovaCana, o ciclo poderá até mesmo se aproximar das 600 milhões de toneladas.
Em janeiro, consultorias e empresas especializadas ouvidas pelo portal apontavam para um aumento anual do volume de cana processada. Agora, com a temporada já em andamento, o ritmo de moagem demonstra as tendências deste ciclo.
De acordo com a União da Indústria da Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) foram processadas 13,6 milhões de toneladas na primeira quinzena, um acréscimo de 157,3% ante as 5,3 milhões de toneladas moídas no começo da safra 2022/23. O movimento reflete duas questões: o atraso visto na temporada anterior, enquanto produtores aguardavam um maior amadurecimento do plantio, e a estratégia de adiantamento para a atual temporada, especialmente por conta das perspectivas de El Niño.
Com estes primeiros passos, as 20 empresas consultadas pelo NovaCana trazem novas concepções a respeito da temporada. As expectativas continuam sendo de alta para a produção por conta verão chuvoso, que auxiliou no desenvolvimento dos canaviais.
Apesar disso, o clima ainda leva a ponderações. É quase estabelecido que um El Niño apareça com força a partir de julho. O fenômeno climático acontece depois de três ocorrências seguidas de La Niña, que resultaram na quebra histórica vista em 2021/22.
Em seu relatório sobre a próxima safra, a StoneX aponta que a ocorrência de mais chuvas será benéfica para a produtividade dos canaviais, mas poderá gerar atrasos na colheita da cana-de-açúcar.
Desta forma, na média das empresas consultadas, a moagem para a safra 2023/24 no Centro-Sul deve alcançar 591,24 milhões de toneladas, o que representaria um aumento anual de 7,8%. Caso seja concretizado, o volume se aproximaria de bons resultados vistos antes de 2021/22.
Entre as 19 empresas que divulgaram dados para a produção de cana, a perspectiva para o ciclo variou entre 573 milhões e 600 milhões de toneladas.
Os números resultam em uma diferença de 27 milhões de toneladas, um valor abaixo da primeira estimativa realizada pelo NovaCana neste ano, quando a discrepância chegou a 35,65 milhões de toneladas.
Confira na versão completa, exclusiva para assinantes do NovaCana, gráficos e análises sobre as expectativas das companhias para a safra 2023/24.
Empresas participantes:
- Agroconsult
- Archer
- BP Bunge
- Canaplan
- Conab
- CovrigAnalytics
- Czarnikow
- Datagro
- FG/A
- Green Pool
- hEDGEpoint
- Pecege
- Rabobank
- S&P Global Commodity Insights
- Safras & Mercado
- SCA
- StoneX
- TRS
- Unem
- USDA
Depois de duas temporadas com resultados distintos, uma de quebra e a seguinte de recuperação, os produtores de cana-de-açúcar do Centro-Sul podem esperar por uma safra mais próxima da “normalidade”. Conforme levantamento realizado pelo NovaCana, a temporada poderá até mesmo se aproximar das 600 milhões de toneladas.
Em janeiro, consultorias e empresas especializadas ouvidas pelo portal apontavam para um aumento anual do volume de cana processada. Agora, com a temporada já em andamento, o ritmo de moagem demonstra as tendências deste ciclo.
De acordo com a União da Indústria da Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) foram processadas 13,6 milhões de toneladas na primeira quinzena, um acréscimo de 157,3% ante as 5,3 milhões de toneladas moídas no começo da safra 2022/23. O movimento reflete duas questões: o atraso visto na temporada anterior, enquanto produtores aguardavam um maior amadurecimento do plantio, e a estratégia de adiantamento para a atual temporada, especialmente por conta das perspectivas de El Niño.
Com estes primeiros passos, as 20 empresas consultadas pelo NovaCana trazem novas concepções a respeito da temporada. As expectativas continuam sendo de alta para a produção por conta verão chuvoso, que auxiliou no desenvolvimento dos canaviais.
Apesar disso, o clima ainda leva a ponderações. É quase estabelecido que um El Niño apareça com força a partir de julho. O fenômeno climático acontece depois de três ocorrências seguidas de La Niña, que resultaram na quebra histórica vista em 2021/22.
Em seu relatório sobre a próxima safra, a StoneX aponta que a ocorrência de mais chuvas será benéfica para a produtividade dos canaviais, mas poderá gerar atrasos na colheita da cana-de-açúcar.
Desta forma, na média das empresas consultadas, a moagem para a safra 2023/24 no Centro-Sul deve alcançar 591,24 milhões de toneladas, o que representaria um aumento anual de 7,8%. Caso seja concretizado, o volume se aproximaria de bons resultados vistos antes de 2021/22.
A comparação com estimativas anteriores demonstra que há um maior otimismo. Em outubro do ano passado, sete consultorias apontavam que a moagem poderia chegar a 581,88 milhões de toneladas – número que ficou em linha com as perspectivas observadas em levantamento de janeiro. Agora, a média subiu 1,6%.

Com o mercado de açúcar em alta, as previsões para a produção do adoçante sobem a cada sondagem. A média saiu de 35,55 milhões de toneladas em outubro do ano passado, para 37,05 milhões de toneladas na pesquisa mais recente. Da mesma forma, o mix de produção foi se voltando para o adoçante, com alta de um ponto percentual.
O etanol por outro lado, demonstrou sentimentos mistos entre as consultorias. Entre outubro e janeiro, a perspectiva de produção do biocombustível caiu 29,1%, enquanto entre as duas últimas verificações a média subiu 39,8%, chegando a 31,2 bilhões de litros – já contabilizando com o etanol de milho.
Entre as 19 empresas que divulgaram dados para a produção de cana nesta compilação mais recente, a perspectiva para o ciclo variou entre 573 milhões e 600 milhões de toneladas.
Os números resultam em uma diferença de 27 milhões de toneladas, um valor abaixo da primeira estimativa realizada pelo NovaCana neste ano, quando a discrepância entre os números chegou a 35,65 milhões de toneladas.
No levantamento realizado em junho de 2022, referente ao ciclo passado, a divergência entre os números das consultorias foi de 26,25 milhões de toneladas.

Considerando a série histórica, a maior diferença entre as expectativas para a moagem foi registrada na temporada 2014/15, com 72 milhões de toneladas. Já a menor aconteceu no ano anterior, com uma discrepância de 9,6 milhões de toneladas.
Grandes expectativas para a moagem
Entre as consultorias que disponibilizaram números relativos à moagem, a maior expectativa é da FG/A, que acredita que a temporada do Centro-Sul poderá alcançar as 600 milhões de toneladas. A companhia manteve o valor expresso em janeiro, apontando que os maiores níveis de produtividade podem resultar em um aumento anual de 9,4% no processamento de cana.
Apostando em um acréscimo de 9%, a SCA tem a segunda maior estimativa, com 599,4 milhões de toneladas. Em seguida, a Datagro indica o processamento de 598,5 milhões de toneladas. Por sua vez, tanto a Czarnikow quanto a BP Bunge acreditam que a moagem da região alcance 597 milhões de toneladas.

A StoneX aposta no processamento de 595,9 milhões de toneladas – o que representaria um aumento de 8,7%. A consultoria também ressalta um crescimento de 1,9% na área a ser colhida, totalizando 7,77 milhões de hectares.
Já a Canaplan divulgou duas visões para o processamento de cana. A mais alta, de 595 milhões de toneladas, considera um inverno mais seco, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. O segundo cenário leva em conta chuvas mais intensas na mesma estação, com interrupções na moagem e interferências na qualidade da gramínea, ficando em 593 milhões de toneladas.
Neste caso, o NovaCana fez uma média simples entre os números disponibilizados pela companhia. Assim, nos gráficos e no cálculo das médias, a estimativa de moagem da Canaplan foi considerada como 594 milhões de toneladas.
O valor mais próximo da média geral veio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), que indicou o processamento de 590 milhões de toneladas.

A menor estimativa da sondagem veio da Safras & Mercado, com 573 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume representaria um acréscimo anual de 4,5% em relação às 548,28 milhões de toneladas da temporada anterior.
Isso demonstra que, mesmo que existam variações nos números, a expectativa geral é de que a safra 2023/24 será mais robusta, com uma maior produção ante a vista em 2022/23.
El Niño à vista
Desde os primeiros momentos da temporada 2023/24 do Centro-Sul, os olhos se voltaram para o clima. Este é um fator de peso para saber se esta será realmente uma safra de normalidade, ou se poderá ocorrer uma nova quebra.
Nos três últimos anos, as safras foram afetadas pelo La Niña, que traz um menor volume de chuvas para algumas regiões do Brasil, como o Sul e o Sudeste. Isso resultou na quebra histórica vista em 2021/22, mas a expectativa é de que as chuvas voltem – só que talvez em um nível mais forte do que o almejado.
Em seu relatório de estimativa de safra, a consultoria StoneX relembra que, com a redução do La Niña, as condições climáticas começaram a melhorar para os canaviais, com um aumento de chuvas entre o final de 2021 e boa parte do ano seguinte. Este quadro permitiu um incremento da moagem já em 2022/23.
Até agora, o clima tem se mostrado próximo da normalidade, mas a perspectiva é de um El Niño forte já a partir de julho. De acordo com a StoneX, o cenário é positivo para a produtividade, mas pode gerar atrasos na colheita – algo já vivenciado em agosto do ano passado pelos produtores.
O Pecege corrobora com esta visão e afirma que, para os próximos meses, espera-se uma neutralidade climática, com o El Niño ganhando força a partir do segundo semestre. Assim, a região Centro-Sul poderá registrar maiores temperaturas. De forma geral, o fenômeno resulta em um clima mais seco para o Centro-Oeste e chuvas acima da média para o Sul.
O USDA, por sua vez, vê o cenário como favorável para o Centro-Sul, apontando que o aumento de chuvas será benéfico para os canaviais.
Mix de produção
Em relação ao mix de produção, a StoneX ressalta que a preferência para a fabricação de açúcar deve se manter. A justificativa, segundo a consultoria, está no mercado internacional, que vem registrando constantes altas e ampliando a vantagem do adoçante em relação ao etanol no que diz respeito à remuneração dos produtores.
Ainda assim, a StoneX acredita que o etanol deverá recuperar sua competitividade em relação à gasolina já neste segundo trimestre, com a retomada da cobrança dos impostos federais. Por conta disso, neste ciclo, a consultoria espera que 47% da matéria-prima seja destinada à fabricação de açúcar, e 53% à de etanol.
O USDA também aponta que, com os preços favoráveis para o adoçante, o mix será açucareiro – mesmo com a perspectiva de que o consumo de etanol cresça cerca de 5% neste ano. Desta forma, o adido norte-americano definiu o mix de produção em 47,8% voltado para a produção de açúcar, alta de dois pontos percentuais entre uma safra e outra.
Mas cinco companhias acreditam que a porcentagem de cana-de-açúcar a ser destinada à fabricação de açúcar será igual ou maior que 48%: Safras & Mercado, BP Bunge, hEDGEpoint, FG/A e Datagro.

Em contrapartida, a visão mais baixa para o açúcar veio da Agroconsult, que aponta para 46,1% para o açúcar e 53,9% para o etanol. Já a Green Pool estima 53,4% para o biocombustível e 46,6% para o adoçante.
Contando com os dados das 16 companhias que disponibilizaram esta métrica ao NovaCana, a média do mix de produção para o açúcar seria 47,4%, com os 52,6% restantes voltados ao etanol.
Caso se concretize, esse cenário representaria um aumento de 1,5 ponto percentual no direcionamento de matéria-prima para o açúcar. O mix foi de 45,9% na temporada anterior, de acordo com a Unica.
Produção máxima de açúcar
Os números para o mix já apontam que a produção de açúcar segue em evidência. A média das 19 companhias que forneceram estimativas para a fabricação da commodity traz um volume esperado de 37,05 milhões de toneladas. O montante representa uma alta de 9,8% em relação às 33,73 milhões da temporada passada.
Considerando todas as regiões produtoras do país, a Conab aponta que esta safra pode trazer o segundo maior volume de açúcar de sua série histórica. A entidade aponta que o Centro-Sul, em específico, deve produzir 35,15 milhões de toneladas da commodity – uma das menores estimativas coletadas pelo NovaCana, à frente apenas das 34,6 milhões de toneladas indicadas pela TRS.

A maior aposta para a fabricação de açúcar veio da FG/A, que projeta um volume de 38,4 milhões de toneladas, equivalente a uma alta anual de 13,9%. Em seguida, a Datagro estima uma produção semelhante, com 38,3 milhões de toneladas, enquanto o USDA indica 38 milhões de toneladas.
O fato é que o mercado do adoçante vive um momento de alta, impulsionado pela baixa oferta de países como Índia, Tailândia e Austrália. Além disso, a perspectiva de uma maior competitividade do etanol no Brasil também é um fator altista para os preços.
“Nos últimos meses, o mercado de açúcar passou por um reordenamento nas expectativas de curto e longo prazo, com a valorização das cotações por toda a curva futura”, explica a StoneX.
A Conab ressalta que Índia e Tailândia devem apresentar uma relação de oferta e demanda apertada, refletindo no mercado global. Segundo a entidade, no ano passado, as condições climáticas já prejudicaram a fabricação do adoçante indiano, o que favoreceu as exportações do Brasil.
As negociações de açúcar na Índia, por sua vez, caíram 45% em relação ao ciclo anterior, segundo a Conab.
Etanol em segundo plano
Para a safra 2023/24, a visão também é de alta para o etanol de cana-de-açúcar, graças à maior disponibilidade de matéria-prima. Na média, as 17 empresas ouvidas pelo NovaCana acreditam na fabricação de 25,6 bilhões de litros de etanol nesta safra, o que seria um crescimento de 4,6% em comparação com os 24,78 bilhões de litros de 2022/23.
Além disso, 18 das consultadas acreditam que o milho deverá produzir 5,62 bilhões de litros, em uma alta de 26,4%.
Desta forma, ao todo, o volume de biocombustível da região Centro-Sul poderá chegar em 31,2 bilhões de litros. O montante representaria uma elevação de 7,9% ante os 28,91 bilhões de litros fabricados em 2022/23.
A maior estimativa para a produção total de etanol veio da Canaplan, com 32 bilhões de litros. A previsão da consultoria considera que o biocombustível a partir da cana pode variar entre 25,7 bilhões de litros e 25,8 bilhões de litros, enquanto a estimativa para o etanol de milho é uma só: 6,2 bilhões de litros.
Em seguida, a Archer prevê 31,83 bilhões de litros de etanol total na temporada. Do total, 6 bilhões de litros seriam do biocombustível de milho (+35,4%) e 25,83 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar (+5,5%).
A Conab reitera que o grão será o grande responsável pelo aumento do volume de etanol a ser produzido nesta safra. Segundo a companhia, o biocombustível a base do grão deverá crescer 42% entre um ciclo e outro. “A expectativa é para mais um recorde na produção do biocombustível, estimada em 5,64 bilhões de litros”, afirma.

Na outra ponta da lista, a menor perspectiva para a produção de etanol veio da hEDGEpoint, com 29,9 bilhões de litros. Destes, 24,9 bilhões de litros viriam da cana (+1,7%), e 5 bilhões do milho (+12,8%).
Estas variações positivas são justificadas porque, apesar dos olhares seguirem voltados para o mercado de açúcar, o etanol pode reconquistar parte da competitividade que perdeu nos últimos anos.
O Pecege acredita que a alteração anunciada para o cálculo do ICMS deve levar a um aumento no preço da gasolina, tornando o etanol mais competitivo, principalmente no estado de São Paulo, que já é o maior estado consumidor do biocombustível. Isoladamente, o instituto calcula que a alteração resulta em um aumento médio de R$ 0,14 por litro na safra. Além disso, a valorização do petróleo também pode favorecer o etanol durante 2023.
Com esta mudança na precificação, o relatório da StoneX aponta para um crescimento de 0,5% no consumo de combustíveis do ciclo Otto. Considerando uma recuperação na competitividade do etanol, a consultoria estima que a participação do hidratado no mercado chegue a 26,5% no decorrer da temporada. Apesar da expectativa de recuperação, o texto ressalta que o índice permanece menor em relação à média dos últimos cinco anos.

Levando em conta o tipo de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar, a média das estimativas aponta para uma produção de 10,16 bilhões de litros de anidro. O volume representaria uma retração de -3,4% em relação aos 10,52 bilhões de litros fabricados na safra anterior.
Já o biocombustível usado para abastecer diretamente os veículos está estimado em 15,54 bilhões de litros, que seria uma alta anual de 11,3%. Em 2022/23 foram produzidos 13,96 bilhões de litros de hidratado a partir da cana.
No que se refere ao etanol de milho, estão previstos 2,19 bilhões de litros de anidro (+24,4%) e 3,43 bilhões de litros de hidratado (+27,6%).
Baixas expectativas para o ATR
De acordo com números da Unica, a safra 2022/23 alcançou uma concentração de açúcares totais recuperáveis (ATR) de 140,8 quilos por tonelada, uma queda anual de 1,5%. E a perspectiva é que a qualidade da cana-de-açúcar continue caindo em 2023/24.
Na média, as empresas consultadas pelo NovaCana esperam 139,96 kg/t. Isso representaria uma retração de 0,6% entre uma temporada e outra. Porém, dentro das estimativas individuais, há certa discrepância entre os números.
A perspectiva mais altista é da Archer, que acredita que a concentração de ATR nos canaviais do Centro-Sul pode chegar a 144 kg/t. Se alcançado, o índice teria uma melhora anual de 2,3%.
A Safras & Mercado tem uma visão semelhante, apontando para 143 kg/t. Além destas duas consultorias, a única entidade que apresentou uma estimativa de aumento para o ATR foi o USDA, com 141,2 kg/t. No caso do departamento agrícola norte-americano, o número considera condições climáticas dentro da normalidade durante a safra.

As outras 12 empresas esperam baixas para o ATR dos canaviais no Centro-Sul. Isso pode ser justificado por uma alta no volume de chuvas, que é aguardada para a região no decorrer da temporada.
A StoneX, por exemplo, analisa que o ATR médio apresente uma retração de cerca de 1%, para 139,3 kg/t. De acordo com a consultoria, esta queda acompanha os resultados da safra 2022/23: “Com condições de precipitação favoráveis ao desenvolvimento das áreas cultivadas, a cana sofre um menor estresse hídrico, diminuindo assim, o acúmulo de sacarose em seus colmos”.
Seguindo por esta linha, quatro companhias acreditam que o índice deve ficar abaixo dos 139 kg/t: Pecege, BP Bunge, SCA e hEDGEpoint. Esta última, inclusive, trouxe a perspectiva mais baixa para o índice, com 138 kg/t, o que resultaria em uma retração de 2%.
Em relação à quantidade total de ATR, as respostas das consultorias se alinharam. A média foi de 82,58 milhões de toneladas, considerando empresas que forneceram o dado e, também, as que apresentaram números para a moagem e a concentração de ATR. Neste caso, o valor representaria um crescimento de 7% ante as 77,2 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A FG/A trouxe a perspectiva mais alta, com 83,79 milhões de toneladas. Caso se concretize, o valor significaria um aumento de 8,5% em comparação com o resultado da safra passada. Além disso, outras seis companhias acreditam que o ATR total deve ultrapassar as 83 milhões de toneladas: StoneX, SCA, S&P Global Commodity Insights, Czarnikow, USDA e TRS.
O valor mais baixo, de 78,86 milhões de toneladas, foi indicado pelo Pecege. Ainda assim, ele representa um aumento anual de 2,2% por conta da maior moagem.
Giully Regina – NovaCana