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Chuvas e recuperação nos canaviais: Perspectivas para o ciclo 2023/24 por 22 empresas [atualizado]

A cana-de-açúcar parece estar a caminho da recuperação nos campos do Centro-Sul. A retomada em 2022/23 deve abrir espaço para uma safra mais próxima à média

NovaCana 20 min de leitura

Atualização (09/02, às 14h25): O texto e os gráficos abaixo foram alterados para atualizar as estimativas do Pecege

(16/02, às 8h50): O texto e os gráficos abaixo foram alterados para atualizar dados corrigidos da Safras & Mercado

A temporada 2023/24 já bate à porta dos produtores de cana-de-açúcar e há quem ache que ela pode superar as 600 milhões de toneladas – visões mais comedidas, por outro lado, ficam na faixa das 560 milhões de toneladas.

No lado dos produtos, o açúcar segue como preferência produtiva, com preços mais favoráveis que o etanol. No entanto, ainda existem indefinições adiante: a questão dos impostos dos combustíveis, ainda em aberto, pode mexer comesse jogo, por exemplo.

Assim, durante o mês de janeiro, o NovaCana reuniu dados de 22 consultorias e empresas especializadas em sua primeira estimativa de safra do ano para o ciclo 2023/24.

Entre as companhias questionadas, 21 esperam que as usinas devam esmagar entre 564,35 milhões e 600 milhões de toneladas no ciclo vindouro. A visão mais baixista é da Canaplan e a mais altista da FG/A, que projeta ganhos de produtividade de 15% ante 2021/22, ainda que haja certa retração de área. Além disso, a empresa afirma que o volume pode até mesmo superar as 600 milhões de toneladas caso as condições climáticas sigam ideais.

O incremento na moagem, ainda conforme a consultoria, deve ser possível também pela redução da idade média do canavial e pelo aumento da área de corte, motivados pela menor taxa de renovação esperada no próximo ciclo de plantio.

Na média, as empresas estimaram uma moagem de 581,93 milhões. O volume é 7,4% superior ao registrado até o momento em 2022/23, de 542,09 milhões de toneladas, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), e 11,2% acima do total moído em 2021/22, de 523,11 milhões de toneladas.

Entretanto, a diferença frente à sondagem de outubro é de somente 0,01%. Na ocasião, alguns números prévios para 2023/24 foram divulgados durante a quinta edição da Conferência NovaCana; seis empresas arriscaram valores de moagem entre 560 milhões de toneladas e 610 milhões de toneladas. Na média, o volume seria de 581,90 milhões de toneladas.

Na versão completa e restrita aos assinantes do NovaCana, você pode conferir gráficos e mais detalhes sobre as expectativas das consultorias para a safra de cana-de-açúcar 2023/24.

As empresas que participaram são:

  • Archer Consulting
  • Bioagência
  • BTG Pactual
  • Canaplan
  • Cepea
  • Cofco
  • Czarnikow
  • Datagro
  • FG/A
  • Fitch Ratings
  • Green Pool
  • hEDGEpoint
  • Itaú BBA
  • Job Economia
  • Pecege
  • Platts
  • Rabobank
  • Safras & Mercado
  • SCA
  • StoneX
  • Tempocampo
  • TRS

Atualização (09/02, às 14h25): O texto e os gráficos abaixo foram alterados para atualizar as estimativas do Pecege

(16/02, às 8h50): O texto e os gráficos abaixo foram alterados para atualizar dados corrigidos da Safras & Mercado

A temporada 2023/24 já bate à porta dos produtores de cana-de-açúcar e há quem ache que ela pode superar as 600 milhões de toneladas – visões mais comedidas, por outro lado, ficam na faixa das 560 milhões de toneladas.

No lado dos produtos, o açúcar segue como preferência produtiva, com preços mais favoráveis que o etanol. No entanto, ainda existem indefinições adiante: a questão dos impostos dos combustíveis, ainda em aberto, pode mexer com esse jogo, por exemplo.

Assim, durante o mês de janeiro, o NovaCana reuniu dados de 22 consultorias e empresas especializadas em sua primeira estimativa de safra do ano para o ciclo 2023/24.

Entre as companhias questionadas, 21 esperam que as usinas devam esmagar entre 564,35 milhões e 600 milhões de toneladas no ciclo vindouro. A visão mais baixista é da Canaplan e a mais altista da FG/A, que projeta ganhos de produtividade de 15% ante 2021/22, ainda que haja certa retração de área. Além disso, a empresa afirma que o volume pode até mesmo superar as 600 milhões de toneladas caso as condições climáticas sigam ideais.

estimativa elasticidade 020223

O incremento na moagem, ainda conforme a consultoria, deve ser possível também pela redução da idade média do canavial e pelo aumento da área de corte, motivados pela menor taxa de renovação esperada no próximo ciclo de plantio.

Na média, as empresas estimaram uma moagem de 581,93 milhões. O volume é 7,4% superior ao registrado até o momento em 2022/23, de 542,09 milhões de toneladas, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), e 11,2% acima do total moído em 2021/22, de 523,11 milhões de toneladas.

Entretanto, a diferença frente à sondagem de outubro é de somente 0,01%. Na ocasião, alguns números prévios para 2023/24 foram divulgados durante a quinta edição da Conferência NovaCana; seis empresas arriscaram valores de moagem entre 560 milhões de toneladas e 610 milhões de toneladas. Na média, o volume seria de 581,90 milhões de toneladas.

estimativa evolucao2 020223

Otimismo na moagem

Apesar das dúvidas em relação ao clima, a hEDGEpoint Global Markets tem uma visão bastante positiva para o desenvolvimento da safra, com 595 milhões de toneladas de cana, o segundo maior valor da análise.

“Olhamos o índice vegetativo de cor da cana e, quando comparamos esse índice com o ano passado, vemos melhora na anomalia”, destaca a analista de açúcar e etanol da empresa, Lívea Coda. A princípio, isso só significa que a cana verde está se desenvolvendo, mas não necessariamente que o seu teor de açúcar será elevado.

“Tem pessoas do setor que estão um pouco mais otimistas do que nós. Vejo casas falando em até 620 milhões de toneladas, mas nós ainda temos um pouco de cautela, pois grande parte do determinante deste resultado vem do clima”, Lívea Coda (hEDGEpoint)

Além do clima, fatores como aumento de áreas de renovação, propiciando uma cana mais jovem, irão favorecer os resultados. “Quando olhamos os índices da Unica, a cana está com a tendência de cortes mais jovens, então, isso também impulsiona a produtividade”, completa a analista.

A perspectiva futura também é de um clima um pouco mais seco em abril e maio, o que é favorável à moagem. “O risco seria termos uma continuidade muito intensa de nuvens nesses meses, reduzindo a incidência solar necessária para o desenvolvimento da planta; e que esse período se estendesse para março, atrasando a moagem das usinas”, explica Coda.

Entretanto, essas são só possibilidades. No momento, a consultoria vê uma antecipação de safra, com um começo em março, algo que não ocorreu na temporada 2022/23.

Conforme a StoneX, os canaviais devem ter bom rendimento: o alto volume de chuvas registrado nos últimos meses favorece o ganho de produtividade das áreas em fase de desenvolvimento. A moagem no Centro-Sul é estimada, portanto, em 588,2 milhões de toneladas pela consultoria, podendo representar aumento anual de 5,5%.

As informações foram divulgadas em relatório, em 31 de janeiro, assinado pelos analistas Filipi Cardoso, Marcelo Di Bonifacio e Rafael Borges.

Uma recuperação do canavial mais intensa no ciclo 2023/24 também é vista pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), segundo relatório lançado em janeiro. O documento fala em incremento na produtividade das operações devido à redução da idade média dos canaviais e à maior qualidade da matéria. O instituto estima uma produção de 592,45 milhões de toneladas de cana para a temporada.

Para a Job Economia, tudo indica que esta será uma safra de maior produção do que a atual. “O clima tem sido mais próximo da normalidade no Centro-Sul e o processo de recuperação do canavial terá continuidade”, afirma. Com isso, a consultoria estima uma produção entre 570 e 580 milhões de toneladas a serem moídas no próximo ciclo.

estimativa moagem2 020223

Também destacando as chuvas favoráveis em 2022, a Czarnikow espera um aumento de 6% na moagem de cana, para 581,2 milhões de toneladas. “Após três anos de chuvas abaixo da média, os canaviais começaram a se recuperar”, diz o relatório de janeiro da empresa, assinado por Ana Zancaner.

A perspectiva é conservadora, mas há um viés de alta para esse número. Ou seja, o valor pode subir dependendo de quão perto da média as chuvas ficarão neste primeiro trimestre, afinal, elas são essenciais para o desenvolvimento da cana.

Chuvas são favoráveis

Com base em dados de órgãos internacionais, como a Tropical Tidbits e outros, a hEDGEpoint enxerga uma previsão favorável para os canaviais.

“Por ora, o clima tem sido positivo. As previsões até fevereiro e março são de chuvas mais intensas do que vimos nos dois anos anteriores, em que não chegamos na média de precipitação”, explica a analista Lívea Coda, que pondera: “A preocupação que fica é se por termos um tempo um pouco mais úmido, a cana vai ter claridade para se desenvolver”.

A analista da consultoria agro do Itaú BBA, Annelise Sakamoto Izumi, completa que isso, na verdade, já tem acontecido em algumas regiões: “Está chovendo muito e faltando um pouco de incidência solar”. Ainda assim, o fenômeno parece ser pontual e a analista ainda aguarda para ver se o clima irá evoluir de forma favorável à cana.

Por enquanto, o quadro vem se apresentando benéfico, com bastantes chuvas nas regiões produtoras, aumentando a produtividade. Conforme Izumi, isso gera crescimento na moagem para a safra 2023/24, estimada em 580 milhões de toneladas pelo banco.

A analista destaca que os três primeiros meses do ano são determinantes para o desenvolvimento da planta que será colhida em abril. “É importante que tenha bastante chuva e que os produtores consigam fazer o plantio da cana de 18 meses, o que também é realizado nesse período”, diz.

“Em 2021/22, tivemos um clima muito seco e com geadas, isso prejudicou bastante a cana. 2022/23 carregou uma herança disso, com falhas de canavial que fizeram com que a planta não viesse em sua produtividade mais alta. Em 2023/24, temos uma renovação do canavial e uma melhoria no clima”, Annelise Sakamoto Izumi (Itaú BBA)

A StoneX também possui uma perspectiva positiva, conforme relatório. Em 2022, as chuvas foram acima da média histórica e o inverno foi mais ameno no comparativo com 2021. “A StoneX estima, para a temporada 2023/24, um crescimento no rendimento de 4,3%, em relação ao valor projetado para 2022/23, alcançando o patamar de 76,2 toneladas por hectare”, detalha.

Considerando um atraso na colheita do ciclo corrente, devido ao excesso de chuvas durante o terceiro trimestre de 2022, a consultoria espera crescimento de 1,9% em relação a 2022/23 na área a ser colhida, totalizando 7,77 milhões de hectares.

“Max sugar” mais uma vez

Até o momento, o açúcar segue sendo prioridade no planejamento das usinas. Uma produção de 39 milhões de toneladas é projetada pela Fitch Ratings, frente a 36 milhões esperadas para o ciclo 2022/23. Porém, é preciso destacar que o número divulgado pela empresa inclui a produção do Norte-Nordeste.

Na média, as consultorias estimam uma produção de 36,56 milhões de toneladas de açúcar no próximo ciclo, representando incremento de 9,2% em relação aos 33,48 milhões de toneladas produzidas de 2022/23, ainda que esses sejam dados parciais da Unica, até 16 de janeiro.

A segunda previsão mais altista, neste caso incluindo somente o Centro-Sul, foi da FG/A, que estima que sejam produzidas 37,73 milhões de toneladas de açúcar. O valor representa um aumento de 3,9 milhões no comparativo com o estimado para 2022/23.

Um pouco abaixo, está a visão da Czarnikow, que espera uma produção de 36,3 milhões de toneladas, com o país retomando o título de maior produtor de açúcar frente a Índia após dois anos. “Com uma disponibilidade de açúcar bruto apertada ao longo de 2023 e futuros próximos a 20 centavos de dólar por libra-peso, o desempenho do Brasil será acompanhado de perto este ano”, complementa o relatório da empresa.

estimativa acucar2 020223

Já a S&P Global Platts projeta 36,38 milhões de toneladas de açúcar, com uma alocação máxima da matéria-prima para a commodity. “Continuamos monitorando o clima para uma possível maior disponibilidade de cana”, complementa a entidade.

O Itaú BBA, que estima uma produção de 35,2 milhões de toneladas, a mais baixa da amostra, também segue com a perspectiva de maximização de produção de açúcar, algo muito parecido com o visto na safra 2022/23 em função dos preços elevados no mercado internacional.

“Quando olhamos os preços de Nova York e o valor do dólar, e comparamos com o preço do etanol no mercado interno, o açúcar traz uma remuneração melhor para as usinas. A cotação do etanol acabou subindo um pouco nesses últimos meses, mas a do adoçante ainda tem subido um pouco mais”, completa Izumi.

Etanol segue coadjuvante

Na média, as consultorias estimam uma produção de etanol de 31,33 bilhões de litros – o volume é a soma da média das estimativas para etanol de milho e de cana. Especificamente, espera-se que sejam fabricados, em média, 25,97 bilhões de litros do renovável vindo da planta e outros 5,36 bilhões de litros provenientes do grão.

estimativa etanoltotal2 020223

Algo que pode estimular a produção de etanol é uma recuperação da demanda por combustíveis no Brasil, conforme prevê a hEDGE. O retorno dos impostos federais é outro elemento que pode gerar uma necessidade maior de produção de etanol hidratado.

Em termos de ciclo Otto, a consultoria possui uma perspectiva positiva tanto para essa safra que está acabando quanto para a 2023/24, o que impulsionaria a produção do renovável.

Por outro lado, há risco de a competitividade do biocombustível ser prejudicada na bomba, com o anidro tendo uma participação maior que o hidratado na produção. “Esse é o mesmo comportamento que a gente viu na safra 2022/23. A parcela do anidro, em 2019/20, era de 31%; em 2020/21, 33%; chegou a 42% em 2021/22; e foi para 44% em 2022/23. Vemos a manutenção dessa mesma média em 2023/24”, completa Coda.

Segundo ela, se o hidratado seguir com pouca competitividade na bomba, o consumidor vai manter a opção pelo seu concorrente fóssil. “A gasolina tem 27% de anidro, então, pede-se mais produção de anidro. Como o consumo de gasolina não implica em uma produção de 100% de anidro, isso também deixa um excedente para o açúcar. Por isso, o mix fica tão mais alto”, explica.

O Itaú BBA vê um aumento natural da produção de etanol, estimada em um total de 31,4 bilhões de litros, por conta do maior volume de cana. Além disso, há a expectativa que o consumo seja um pouco maior do que no ano passado, quando caiu de forma considerável. “Ainda estamos aguardando, pois há muitas incertezas em relação à desoneração dos impostos dos combustíveis”, complementa a analista do banco.

A produção de etanol de cana é estimada em 26 bilhões de litros pela StoneX. Especificamente, a fabricação de hidratado é projetada em 15,9 bilhões de litros, representando um avanço safra-a-safra de 7,9%, enquanto 10,1 bilhões de litros de anidro devem ser produzidos.

Já o etanol de milho deve seguir ganhando espaço no mercado de etanol e apresentar crescimento anual de 22,2%, ainda de acordo com a consultoria, totalizando 5,5 bilhões de litros.

“A destilação do etanol pelo grão vem crescendo exponencialmente no Centro-Oeste e deve ganhar cada vez mais espaço no mercado. Se concretizada a estimativa, o etanol produzido a partir do milho terá uma participação de 17,5% no total, cerca de 2,3 pontos percentuais acima do projetado para 2022/23”, Filipi Cardoso, Marcelo Di Bonifacio e Rafael Borges (StoneX)

A hEDGE, por sua vez, faz uma modelagem em relação à produção total do grão, analisando os estoques de milho, a demanda para exportação e outros dados, como o preços do milho. É a partir disso que a consultoria calcula o quanto de matéria-prima estaria disponível para a produção de etanol.

“A nossa primeira estimativa tinha sido em torno de 6 a 6,2 bilhões de litros, mas toda essa situação com os preços do etanol nos leva a crer que não vai ter um redirecionamento total dessa capacidade”, explica Coda. Com isso, a expectativa é uma produção de 5 bilhões de litros do etanol vindo do grão.

Na média das estimativas, são esperados 3,37 bilhões de litros de etanol hidratado de milho e outros 1,94 bilhão de litros de anidro. Neste caso, 12 empresas apresentaram a divisão específica para o produto.

estimativa cana milho2 020223

Já as 13 empresas que estimaram volumes específicos para o etanol da cana espera, em média, 15,76 bilhões de litros de hidratado e outros 10,29 bilhões de litros de anidro.

Vantagem para o açúcar

A Fitch Ratings afirmou, em relatório divulgado em janeiro, que a rentabilidade do açúcar é superior à do etanol para os produtores brasileiros. Com isso, o mix da safra deve permanecer em 45% de açúcar e 55% de etanol, praticamente em linha com o que ocorre desde 2020.

Por sua vez, Coda, da hEDGEpoint, enxerga alguns riscos políticos, como decisões do governo em relação ao preço dos combustíveis, que podem mudar o cenário. “Hoje, dados os pronunciamentos que vimos e o histórico que temos do posicionamento deste governo, entendemos que o preço do etanol vai ser artificialmente levado para baixo”, afirma.

Mas ela reforça que, embora esta questão não esteja confirmada, a perspectiva é que o preço do açúcar continue superior ao do etanol. Com isso, as usinas devem manter uma maximização em relação ao adoçante.

Para a hEDGE, como haverá mais cana disponível, o mix de produção pode chegar a 46,9% para o açúcar, voltando para patamares dos ciclos 2016/17 e 2017/18. “Depende um pouco de como vai ficar toda a situação dos impostos federais e, também, a metodologia de precificação da Petrobras”, complementa a analista.

A StoneX, por sua vez, estima que 46% do volume de biomassa processada deverá ser destinado à produção de açúcar. “O mix produtivo para a próxima temporada, assim como no início do ciclo atual, permanece rodeado de incertezas”, diz.

Depois de quebra no processamento da cana durante o ciclo 2021/22, provocando forte escalada nos preços do etanol no primeiro trimestre de 2022, o produto passou a ter quedas constantes devido ao aumento da oferta, propiciando uma perda considerável de competitividade do hidratado em relação à gasolina.

“Com o etanol permanecendo menos atrativo que o fóssil por quase todo o ano de 2022, os preços não encontraram suporte para retomar a um nível competitivo em relação ao açúcar, tendo o adoçante para exportação se mantido com um prêmio bem acima de 200 pontos frente ao hidratado ao longo dos últimos meses”, destaca o relatório da StoneX.

A consultoria vê que, em 2023/24, a safra apresenta a tendência de crescimento no mix de açúcar. Ainda assim, ela deverá ser mais voltada para a produção de etanol ante a anterior, uma vez que, com a possibilidade de retomada da cobrança de impostos a partir de março deste ano, o biocombustível tende a recuperar parte da sua competitividade.

estimativa mix2 020223

“A precificação do açúcar tende a permanecer em um cenário mais baixista, já que as expectativas para o saldo global 2022/23 (outubro a setembro) trazem um superavit de 5 milhões de toneladas”, afirmam os analistas, que completam: “Pelo menos até o início da colheita dos canaviais para o ciclo 2023/24 no Centro-Sul, o adoçante deve permanecer vantajoso sobre o biocombustível”.

O Itaú BBA não aponta para tantas mudanças no mix, pois o preço do açúcar pode ser fixado e, com as cotações atuais, o banco enxerga que o produtor continuará firmando contratos. “Uma mudança muito brusca no mix é difícil de acontecer. Tem alguma margem que pode ser mudada para o etanol, dependendo de preço e competitividade entre os produtos, mas a safra está se desenhando açucareira”, conclui a analista do banco.

Preços firmes para o adoçante

De acordo com o Pecege, as quedas nos preços do açúcar são esperadas somente para meados de 2023, quando deve ocorrer uma recuperação do superávit global.

Para a Fitch, os produtores devem continuar se beneficiando dos altos preços do açúcar em 2023, uma vez que posições atrativas de cotações em reais já foram fixadas. Além disso, a companhia espera fundamentos positivos para os preços do etanol no mercado brasileiro devido à alta correlação com os preços do petróleo.

“Os efeitos do aumento dos custos de produção e das despesas financeiras durante 2022 devem limitar melhorias materiais para o setor em 2023”, pondera a agência de classificação de risco.

Por sua vez, a Czarnikow aponta que, diferentemente do que ocorreu no ciclo 2022/23, o açúcar deve seguir oferecendo melhores retornos que o etanol quando a safra iniciar, no mês de abril.

estimativa preços 020223

A consultoria destaca que, no ano passado, as cotações do renovável ficaram acima ou próximas do adoçante até meados de junho. “Consequentemente, as usinas priorizaram a produção de etanol em detrimento do açúcar pela primeira vez desde 2019”, completa o documento.

Já em 2023, é esperado que as usinas privilegiem a produção de açúcar, com 2,2 milhões de toneladas a mais de sendo fabricadas no segundo trimestre de 2023 no comparativo com o mesmo período do ano anterior.

Indo pelo mesmo caminho, a hEDGEpoint acredita que, em um contexto global, o Brasil deverá entregar muito açúcar. Desta forma, o país dará conforto para o fluxo comercial, principalmente a partir maio e junho, período em que o produto começa a sair com mais força do mercado brasileiro.

Mais umidade e menos ATR

Quando a cana sofre um estresse hídrico, a concentração de açúcar nos seus colmos tende a se elevar. Como as perspectivas para o ciclo 2023/24 são de chuvas consideráveis, isso acaba reduzindo a densidade de açúcar total recuperável (ATR) na planta.

No atual levantamento, a perspectiva mais baixa para o ATR é da Czarnikow, com 138,1 quilos por tonelada, seguida pelos 138,2 kg/t esperados pela hEDGEpoint. O número, segundo a consultoria, está mais próximo da média do setor. “Estamos voltando um pouco para antes da seca de 2020/21 e 2021/22, que foi determinante para uma concentração maior de açúcar”, explica a analista.

estimativa atr3 020223

Já a StoneX crê que a redução no parâmetro qualitativo dos canaviais é semelhante à observada em 2022/23. “Em meio às expectativas climáticas que devem registrar um volume significativo de chuvas no decorrer dos próximos meses, estima-se que o ATR médio das lavouras apresente uma ligeira retração frente ao estimado para a temporada 2022/23, na ordem de 1%, totalizando 139,6 kg/t”, completa.

Na média da análise, são estimados 140,35 kg/t – o valor está somente 0,57% abaixo da parcial 2022/23, de 141,15 kg/t. Assim, a perspectiva para a próxima temporada está em linha com o ciclo em vias de acabar, considerando a diferença de disponibilidade hídrica de ambos.

No caso do ATR total, os números oscilaram entre 79,10 milhões de toneladas e 84,13 milhões de toneladas, nas visões de  Safras & Mercado e FG/A, respectivamente. Na média, o valor foi de 81,72 milhões de toneladas, 6,8% acima do número parcial de 76,51 milhões de toneladas, referente a 2022/23 até 16 de janeiro.

estimativa acucarequivalente3 020223

Já em termos de produtividade, a hEDGE visualiza uma recuperação de 7%, para um patamar de 78 a 78,5 toneladas por hectare. “Isso considera uma pequena recuperação de área, de 0,5%; pode ser até um pouco maior, mas está constante o que vimos anteriormente porque tem renovação”, completa Coda.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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