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Cana: Mercado

Arrendar ou produzir, qual a melhor opção para a cana-de-açúcar?


Agroanalysis / Scot Consultoria - 23 mai 2014 - 11:13

Para auxiliar a tomada de decisão do produtor, a Agroanalysis avaliou se é mais rentável arrendar a terra ou produzir cana-de-
açúcar.

Em 2013, o arrendamento para a cana foi mais rentável do que a produção para o fornecimento às usinas sucroalcooleiras. A rentabilidade média, considerando o arrendamento para a cultura, ficou em 7,62% no ano passado, frente a 1,27% para a produção e fornecimento.

O arrendamento em regiões de cana-
de-açúcar ficou atrás apenas dos fundos cambiais, do dólar e da atividade leiteira de alta tecnologia. Valer dizer que muitas usinas estão com dificuldades financeiras devido ao "congelamento" do preço do etanol. Por isso, é mais importante conhecer a situação do arrendatário.

Para calcular a receita, utilizamos a produtividade média, apontada pela Conab, bem como os valores do ATR da União dos Produtores de Bioenergia (Udop) e rendimentos médios e custos de produção da ASSOCANA (Associação Rural dos Fornecedores e Plantadores de Cana da Média Sorocabana).

Com isso, a receita anual foi de R$ 3.724,80 por hectare. Deduzindo os custos de produção, temos um lucro anual de R$ 208,80 por hectare em 2013, no caso da produção e fornecimento às usinas. Dividindo-se o resultado (que já considera a depreciação de máquinas e equipamentos) pelo valor da terra (capital total investido na atividade), obtém-se 1,27% de rentabilidade.

Para o cálculo da rentabilidade do arrendamento, foram considerados o valor médio de R$ 60,34 por tonelada de cana-
de-açúcar e um volume de 21,05 toneladas por hectare (cerca de 50 toneladas por alqueire paulista – 24.200 m2), totalizando uma receita de R$ 1.270,15 por hectare para o arrendamento.

Levando em conta o valor da terra, a rentabilidade média foi de 7,71% em 2013. Neste caso, a rentabilidade foi calculada dividindo-se o valor pago pelo arrendamento pelo valor da terra, que é o capital total investido.

Ressaltamos que existem inúmeros fatores que podem alterar essa análise, como a produtividade de cada corte, o grau de ATR da cana e o próprio preço do ATR.

Nos últimos anos, o arrendamento tem se mostrado mais viável, principalmente em função das altas dos custos de produção, com destaque para os insumos agrícolas (fertilizantes e defensivos) e mão de obra, além das oscilações de preços verificadas na cadeia.

Valer notar que, em algumas regiões paulistas, as usinas chegam a pagar 29 toneladas por hectare (70 t/alqueire), gerando um resultado de R$ 1.780 por hectare, ou seja, 10,6% de rentabilidade. Muito poucos produtores são capazes de ganhar produzindo mais do que arrendando.

Expectativas para 2014/15

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, em abril, o primeiro levantamento da safra brasileira de cana-de-açúcar 2014/15.

A área destinada ao setor sucroalcooleiro está estimada em 9,13 milhões de hectares na temporada atual. São 3,6% ou 318,60 mil a mais na comparação à safra passada (2013/14).

A produção total está estimada em 671,69 milhões de toneladas, 2,0% a mais em relação a 2013/14, quando foram colhidos 658,82 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

O estado de São Paulo segue como o principal produtor nacional, com 57,1% da área ou 4,69 milhões de hectares. Na sequência, aparecem: Goiás (9,3%); Minas Gerais (8,9%); Mato Grosso do Sul (7,4%); e Paraná (6,7%).

A produção brasileira de açúcar está estimada em 39,46 milhões de toneladas em 2014/15, frente aos 37,88 milhões de toneladas na safra passada.

Com relação à produção de etanol, a expectativa é de que sejam produzidos 28,37 bilhões de litros na safra 2014/15 no País, 1,5% a mais do que os 27,96 bilhões de litros produzidos em 2013/14.

A moagem da safra de cana-de-açúcar começou mais tarde neste ano em São Paulo. A falta de chuva e o calor intenso, no primeiro bimestre do ano, atrapalharam o desenvolvimento dos canaviais em boa parte do estado, e a produtividade também deve ser menor. O resultado é que a cana ainda não está no ponto ideal para o corte.

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Considerações finais

Os números da Conab são preliminares e devem ser revisados nos próximos relatórios.

Até a data de edição deste artigo, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) não havia divulgado o seu relatório com as possíveis perdas em 2014/15.

Além do menor volume produzido, o ATR (Açúcar Total Recuperável) também foi afetado pelo clima adverso. Muitas lavouras apresentam um tamanho de planta menor, e, com a estiagem, a concentração de açúcar também ficou menor. Ou seja, caso confirmada a menor produção nesta temporada, podemos ter uma pressão de alta sobre os preços da cana.

Com relação à demanda por terras para arrendamento, não estão previstas mudanças no cenário atual. Os preços em São Paulo giram entre R$ 1.400,00 e R$ 1.900,00 por hectare, dependendo da região. No Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, os negócios ocorrem entre R$ 450,00 e R$ 700,00. Em Goiás, na região sul do estado, o preço de referência está entre R$ 700,00 e R$ 1.000,00 por hectare.

Por fim, a volta das chuvas, em meados de março e abril, melhorou as condições hídricas do solo e proporcionou uma retomada das atividades de plantio, que estavam paralisadas em muitas propriedades, por causa da estiagem.

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Rafael Ribeiro de Lima Filho, Zootecnista da Scot Consultoria;
Gustavo Adolpho Maranhão Aguiar, Zootecnista da Scot Consultoria;
Alcides de Moura Torres Junior, Engenheiro agrônomo da Scot Consultoria

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