Açúcar: Mercado

Preço do açúcar em Nova York deve continuar firme pelos próximos meses, diz Itaú BBA


Agência Estado - 06 jan 2021 - 14:04

Os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) devem continuar firmes nos próximos meses, projeta o Itaú BBA. Em relatório mensal sobre commodities, o banco diz que a perspectiva para a safra global 2020/21, que começou em 1º de outubro, é de déficit de oferta por causa das produções menores da Europa e da Tailândia.

“Com isso, o mercado global já começa a sinalizar a necessidade do açúcar indiano”, diz o boletim, que afirma que a alta em Nova York foi suficiente para tornar a paridade favorável à exportação do adoçante da Índia – o banco estima esta relação em torno de 15,5 centavos a 16,3 centavos de dólar por libra peso, enquanto o contrato futuro mais líquido em Nova York, com vencimento em março, já supera os 16 centavos. “Com a redução de produção da Tailândia e a entressafra brasileira o produto indiano deve apresentar vantagem comercial até meados de março de 2021”, completa.

Pelo lado do consumo, o banco destaca que, nos últimos meses, a demanda chinesa foi forte, já que o país recompôs estoques do produto, enquanto diminuiu a tarifa de importação. Em novembro do ano passado, o país importou 710 mil toneladas de açúcar, alta de 115% na comparação com o mesmo mês de 2019. No entanto, os altos volumes de compras chinesas podem não se repetir em 2021.

O Itaú BBA aponta ainda que, apesar do cenário positivo, há possíveis problemas no horizonte. O primeiro deles é a aposta expressiva na alta por fundos especulativos, que até 29 de dezembro tinham saldo líquido comprado de 209.828 lotes. “Caso essa posição seja reduzida as cotações do demerara poderão ser afetadas negativamente”, afirma o relatório.

Outro fator que pode pressionar os preços para baixo são os lockdowns. Se eles forem adotados em muitos países – a Europa já tem aumentado as restrições –, o consumo do adoçante e do petróleo podem cair. O recuo do petróleo torna o etanol menos competitivo e pode deixar o mix brasileiro ainda mais voltado para o açúcar.

Augusto Decker