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Venda de usina é positiva para a Raízen, mas não basta para reduzir dívida, diz Citi

Com a aquisição, Adecoagro deve ampliar capacidade de moagem em 24%


Money Times - Publicado: 21 Jul 2026 - 08:38

A venda da usina Caarapó para a Adecoagro representa mais um passo da Raízen na estratégia de simplificar seu portfólio de ativos, mas o impacto financeiro da operação ainda está longe de resolver o principal desafio da companhia: a elevada alavancagem.

É o que avalia o Citi em relatório divulgado nesta segunda-feira, 20, após a Adecoagro anunciar a compra da unidade localizada em Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões, valor que inclui os ativos da usina e os contratos de fornecimento de cana-de-açúcar. O pagamento será feito integralmente em dinheiro na conclusão da transação.

Na visão dos analistas, a entrada de caixa é positiva por contribuir para a otimização do portfólio da Raízen. Com a venda, a companhia deixará de operar usinas em Mato Grosso do Sul e passará a contar com 23 unidades, com capacidade de moagem de aproximadamente 69 milhões de toneladas de cana por safra.

Apesar disso, o Citi pondera que o montante levantado é insuficiente para promover uma desalavancagem relevante ou reequilibrar a estrutura de capital da empresa.

“A venda é positiva, mas insuficiente para ajudar a companhia a desalavancar e ajustar sua estrutura de capital”, resumem os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama.

Para a Adecoagro, por outro lado, o banco vê a aquisição como uma oportunidade atrativa de crescimento. A usina Caarapó moeu cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 e está localizada a cerca de 100 quilômetros das usinas de Angélica e Ivinhema, já pertencentes à companhia.

Com a incorporação do ativo, a capacidade de moagem da Adecoagro deverá crescer 24%, alcançando aproximadamente 17,7 milhões de toneladas de cana por safra.

Segundo o Citi, a operação foi fechada a um múltiplo considerado atrativo, de cerca de US$ 42 por tonelada de capacidade de moagem, abaixo do observado nas transações mais recentes do setor.

Mas, embora enxergue valor estratégico na aquisição, o Citi mantém uma visão cautelosa para o setor de açúcar e etanol.

Os analistas destacam que o aumento da produção doméstica de etanol pressiona os fundamentos do mercado, enquanto os preços do açúcar podem encontrar suporte caso um evento de El Niño reduza a produção global.

O banco ainda ressalta que o crescimento da demanda por açúcar pode perder força com o avanço dos medicamentos para perda de peso, fator que tende a limitar parte do potencial de alta da commodity.

Pasquale Augusto