Em comunicado enviado na manhã desta segunda-feira, 20, a Raízen anunciou a venda da usina Caarapó, localizada no município sul-mato-grossense homônimo, para a Adecoagro. O valor da operação é de R$ 760 milhões e inclui a cessão de cana-de-açúcar própria e os contratos com fornecedores vinculados à unidade.
Conforme documento assinado pelo diretor de relações com investidores da Raízen, Lorival Nogueira Luz, a cana-de-açúcar negociada é equivalente a 3,5 milhões de toneladas de cana. Desta forma, é possível concluir que a negociação foi equivalente a R$ 217,14 por tonelada, ou US$ 42,28/t.
Atualmente, a Adecoagro controla três usinas no Brasil. Dentre elas, duas estão em Mato Grosso do Sul – em Ivinhema e Angélica –, enquanto a terceira está situada em Monte Belo (MG).
Ainda segundo o comunicado da Raízen, o pagamento será realizado à vista na data de conclusão da operação. Por conta disso, o valor está “sujeito a eventuais ajustes usuais para negócios desta natureza”.
“Essa transação está alinhada à estratégia da companhia de otimização de seu portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências, com foco na melhoria da rentabilidade de seu portfólio agroindustrial”, complementa a Raízen, em comunicado.
De acordo com a empresa, após a conclusão da venda, a Raízen passará a operar um portfólio de 23 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 69 milhões de toneladas por safra.
A Raízen reforça que a conclusão da operação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao cumprimento de condições estabelecidas nos contratos.
Em comunicado divulgado separadamente, o vice-presidente de açúcar, etanol e energia da Adecoagro, Renato Junqueira Pereira, comentou a transação. “Encaramos a aquisição da Caarapó como uma extensão natural da nossa atual presença industrial no Mato Grosso do Sul”, disse.
Segundo ele, dada a proximidade geográfica às demais unidades do grupo, a nova usina será integrada à “estratégia de cluster” já adotada pela Adecoagro.
“Isso nos permitirá processar cana-de-açúcar adicional – incluindo o excedente de nossas operações existentes – ao mesmo tempo em que aproveitamos a infraestrutura compartilhada, a gestão e as melhores práticas para replicar nossas vantagens competitivas, reforçar nosso modelo de produção de baixo custo e aumentar significativamente o volume de moagem da Caarapó com investimento incremental limitado”, completa.
Ele ainda afirma acreditar que a compra da unidade “faz sentido estratégico e financeiro”, e que gerará valor a longo prazo para os acionistas da Adecoagro, à medida que a usina for “integrada organicamente” às operações.
“Tendo nos consolidado como um dos produtores de açúcar e etanol de menor custo globalmente, dispomos de um caminho claro e de uma metodologia comprovada para liberar todo o potencial produtivo da Caarapó”, afirma Pereira.
Ele complementa: “Esperamos que o ativo contribua positivamente para o Ebitda ajustado desde o primeiro dia, com ganhos adicionais à medida que capturarmos sinergias operacionais e aplicarmos nosso know-how em um cluster integrado, composto por três usinas localizadas na mesma região”.
Renata Bossle – NovaCana