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Venda da Rumo pode aliviar dívida da Cosan, calcula Citi

Segundo o banco, operação também poderia cortar as despesas financeiras da Cosan

O Estado de S. Paulo 3 min de leitura

O Citi avalia que uma eventual venda de cerca de 15% da participação da Cosan na Rumo, por aproximadamente R$ 5 bilhões, seria positiva para a tese de desalavancagem da holding, ao reforçar o caixa para redução de dívida em um cenário de juros elevados. Segundo o banco, a operação também poderia cortar as despesas financeiras da Cosan em cerca de R$ 0,8 bilhão ao ano.

Os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Pedro Ferreira de Mello citam a notícia dada pela Coluna do Broadcast, a qual informa que a venda estaria na fase final, com propostas vinculantes recebidas para a fatia da Cosan.

De acordo com as informações, o negócio avaliaria a Rumo em R$ 33 bilhões e implicaria prêmio de 30% sobre o valor de mercado atual. Os interessados que permaneceriam no processo seriam o Grupo México e a Cofco (em proposta conjunta com a Bunge), enquanto Ultrapar e Inpasa teriam deixado a disputa.

Para o Citi, se a transação ocorrer em termos próximos aos reportados, a Cosan reduziria sua participação na Rumo para cerca de 5%, lembrando que a empresa já vendeu aproximadamente 10% no fim de 2025.

O banco vê a possível alienação como um passo importante na trajetória de alavancagem, com melhora relevante do índice de cobertura da dívida, mas ressalta que o nível ainda alto de juros no Brasil segue como obstáculo para a geração recorrente de caixa.

Do lado da Ultrapar, o Citi afirma ver como positivo o fato de a companhia ter desistido de comprar participação na Rumo, por reduzir preocupações de investidores com uma eventual alta de alavancagem e maior complexidade na tese, além de preservar o foco em dividendos.

O relatório também comenta que o Grupo México tem avaliado investimentos em ferrovias no Brasil e na Argentina e que uma aquisição envolvendo a Rumo pode avançar mais rapidamente no Brasil.

O Citi estima que, apesar do prêmio, o múltiplo implícito de cerca de 6 vezes valor da firma sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estaria em linha com a média histórica da Rumo e abaixo de transações recentes do setor de infraestrutura no país.

O banco tem recomendação neutra com alto risco para a ação da Cosan, com preço-alvo de R$ 4,50 e potencial de alta de 33,5% ante o fechamento de ontem, 23.

Luísa Laval

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