Com três usinas em operação no país, a USJ Açúcar a Álcool está começando a superar uma fase complicada na história da empresa
Com três usinas em operação no país, a USJ Açúcar a Álcool está começando a superar uma fase complicada na história da empresa. Por exemplo: por mais que a agência de classificação de risco Fitch tenha apontado uma melhora nos indicadores da companhia, persiste a perspectiva de inadimplência.
Em seus resultados anuais referentes à safra 2016/17, a USJ deixa claro esse momento. A companhia – que reviu alguns números da safra anterior – saiu de um prejuízo de R$ 102,12 milhões em 2015/16 para um lucro de R$ 73,42 milhões. O resultado, ainda que aparentemente animador, ainda é bastante tímido para uma empresa com uma receita que supera os R$ 570 milhões.
Mas, para onde vai o dinheiro da USJ? Os detalhes no texto a seguir.
Com três usinas em operação no país, a USJ Açúcar a Álcool está começando a superar uma fase complicada na história da empresa. Por exemplo: por mais que a agência de classificação de risco Fitch tenha apontado uma melhora nos indicadores da companhia, persiste a perspectiva de inadimplência.
Em seus resultados anuais referentes à safra 2016/17, a USJ deixa claro esse momento. A companhia – que reviu alguns números da safra anterior – saiu de um prejuízo de R$ 102,12 milhões em 2015/16 para um lucro de R$ 73,42 milhões. O resultado, ainda que aparentemente animador, ainda é bastante tímido para uma empresa com uma receita que supera os R$ 570 milhões.

Em grande parte, a empresa está presa a uma alta taxa de custo operacional, superior a 76% da receita líquida obtida com a venda de produtos. No setor sucroenergético, essa taxa costuma ser superior a 70%, mas outros grupos conseguiram resultados melhores, como, por exemplo, a Cerradinho Bioenergia (72%) e, mais especificamente, o Grupo São Martinho (51%).
Ainda assim, a USJ registrou uma melhora nesse índice. Em 2014/15, a relação entre receita operacional líquida e o custo dos produtos vendidos foi de 79%. Já em 2015/16, o índice chegou a 81%.

Dessa forma, o lucro bruto da companhia – que considera ainda mudanças no valor do ativo biológico (cana em pé) – conquistou um crescimento significativo no último ano, indo para R$ 133,22 milhões. O valor é 50,8% superior aos R$ 88,32 milhões vistos na safra 2015/16.

Contudo, o resultado da empresa ainda é negativo devido aos juros pagos ou incorridos, expressos no balanço como despesas financeiras. Na última safra, encerrada em 31 de março de 2017, eles somaram R$ 249,58 milhões – ou R$ 116,36 milhões a mais que o lucro bruto.
A verdade é que o lucro registrado no período só foi possível devido aos ganhos obtidos com aplicações no mercado financeiro. Ou seja, no final das contas, a indústria de açúcar e etanol conseguiu sair do vermelho por causa de investimentos que podem ter sido em títulos públicos, títulos privados, fundos de investimento, outras ações, entre outras possibilidades.

Outro aspecto que também beneficiou a USJ foi a variação cambial líquida, a diferença em moeda nacional resultante das modificações nas taxas de câmbio. Na última safra, essa variação foi positiva em R$ 70,93 milhões, um valor 43,8% superior ao visto no ano anterior.

Perfil da dívida
Os juros pagos pela USJ já indicam que a companhia possui um alto endividamento. Ainda que a posição em 31 de março de 2017 tenha permanecido acima de R$ 1 bilhão, o valor do passivo comprometido com empréstimos e financiamentos é consideravelmente menor na comparação com os outros anos. Em relação a 2015/16, a queda foi de 21,7%.

A maior parte desse valor está concentrada no longo prazo, sendo que R$ 229,54 milhões tinham vencimentos para os 12 meses seguintes à data da posição divulgada. Esse indicador também é menor que o visto no ano anterior, quando os empréstimos e financiamentos de curto prazo somavam R$ 321,99 milhões.

Renata Bossle – NovaCana