Enquanto o governo não define uma política para estimular e ampliar o setor, às avessas, as usinas podem se beneficiar da restrição de capacidade instalada
“Estamos em um momento de transição bastante importante com recuperação dos preços de açúcar e etanol e realinhamento dos preços de gasolina e álcool, ao mesmo tempo em que se enfrenta uma recessão no país. São sinais contraditórios.” A afirmação foi feita pelo diretor-executivo da Bioagência, Tarcilio Rodrigues, antes da reunião da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool (CSAA), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Para o diretor da Bioagência o Brasil ainda precisa lidar com uma série de ameaças que criam um ambiente difícil de posicionamento e investimentos. Ele destacou, no entanto, vantagens no cenário atual.
Na reunião também esteve presente o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, que falou sobre a perpcepção do governo sobre a oferta de etanol para a entressafra.
“Estamos em um momento de transição bastante importante com recuperação dos preços de açúcar e etanol e realinhamento dos preços de gasolina e álcool, ao mesmo tempo em que se enfrenta uma recessão no país. São sinais contraditórios”. A afirmação feita pelo diretor-executivo da Bioagência, Tarcilio Rodrigues, antes da reunião da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool (CSAA), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Para o diretor da Bioagência o Brasil ainda precisa lidar com uma série de ameaças que criam um ambiente difícil de posicionamento e investimentos, como países que tem subsídios para o açúcar e os custos financeiros da produção nacional. Ele destacou, no entanto, a vantagem do atual patamar cambial. “Com o posicionamento do câmbio voltamos a ter o açúcar mais barato do mundo em custo de produção. O que nos atrapalha bastante nos dois mercados é o custo financeiro, o custo de carrego dessa dívida toda”, afirma.
Com dinheiro caro consumindo boa parte do caixa das usinas, as possibilidades de expansão em curto prazo são praticamente nulas, apesar do crescimento da demanda tanto de açúcar, quanto de etanol. Consultorias especializadas preveem mais de 3 milhões de toneladas de déficit da commodity para a safra atual e mais de 6 milhões para a próxima. O consumo de combustível renovável, por sua vez, vem batendo recordes consecutivos de consumo no Brasil.
Rodrigues explica que, embora a demanda exista, e os fatos são prova disso, a produção está limitada. “A expansão se dá muito mais a médio e longo prazo. Mesmo assim é limitada porque a situação financeira está apertada”. Segundo ele, a mensagem sobre a limitação da capacidade já foi passada ao governo, que precisa apresentar suas definições para guiar o futuro do setor.
“O governo precisa definir o que quer. Como vai ser a política de preços da Petrobras, a Cide, tudo é importante. O crescimento de curto prazo vai ser bem restrito. Acho que tem mais usinas fechando que abrindo. Mas a médio prazo, havendo uma política clara e boas políticas públicas, investimento vem”, diz.
Entressafra abastecida
Diante de um setor em situação complexa de endividamento, baixa atratividade para investimentos e interferência governamental, a reunião da câmara setorial foi tranquila.
Um dos principais temas abordados, o abastecimento de etanol hidratado e, principalmente, de anidro, que é misturado à gasolina, não traz preocupações para os períodos de entressafra e início da próxima safra. Apesar do consumo aquecido durante os meses anteriores, nos próximos a demanda será freada pelo preço.
O encontro foi marcado pela participação do diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, que demonstrou confiança no abastecimento de etanol para a temporada e reforçou a previsão de queda um pouco mais acentuada no consumo de etanol para os próximos meses, o que deve equilibrar a oferta e demanda do biocombustível.
Momento favorável
Enquanto o governo não define uma política para estimular e ampliar o setor, às avessas, as usinas podem se beneficiar da restrição de capacidade instalada. A demanda acima da oferta, deve manter as posições mais altistas.
A maior demanda por açúcar favorece os preços do produto dada a necessidade de cobrir o buraco no mercado mundial. Enquanto, no cenário nacional, a frota de veículos continua crescendo e puxa o consumo de etanol, tanto anidro, quanto hidratado. Dados do Departamento Nacional de Trânsito mostram que, de janeiro a outubro, o número de automóveis aumentou em 1,3 milhões.
Esses fatores geram uma concorrência natural pelo ATR, matéria-prima para os derivados de cana. O mercado de açúcar quer mais produto e coloca preços que são atrativos para um mix mais açucareiro. Porém, existem limites na quantidade de cana ou na capacidade de processamento.
“Hoje temos mais cana no campo que capacidade de processá-la. Isso também cria uma competição do etanol, que também precisa ser processado”, comenta Rodrigues.
Quem resolve essa competição é o mercado. Diante desse cenário que o produtor vai tomar suas decisões, olhando para a melhor condição de preço. E é aí que o Brasil mostra sua vantagem. O analista aponta que a flexibilidade de produção brasileira é muito favorável para o momento, visto que é possível colocar mais açúcar ou álcool no mercado com facilidade.
“Os demais [produtores mundiais de açúcar] reagem plantando cana que vão colher daqui há um ano, um ano e meio. Quem responde rápido é o Brasil, que tem capacidade instalada e flexibilidade. Nós somos o driver desse mercado”.
A apresentação completa do Diretor da Bioagência pode ser acessada aqui.
Jorge Mariano – NovaCana