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Usinas e produtores adotam lentamente novas variedades de cana-de-açúcar

cana-preto-branco-280513A forma como os produtores enxergam o plantio de novas variedades de cana reflete bem a configuração do mercado
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Quem trabalha com melhoramento genético de cana-de-açúcar já sabe: nada muda muito rapidamente no que diz respeito à adoção de novos tipos da planta. Para se ter uma ideia, a variedade mais plantada no país...

E mais:
- Porque os produtores tendem a se manter com a mesma variedade
- A média da produtividade das variedades atuais X variedades antigas
- As vantagens das variedades antigas
- O participação das variedades de cada empresa no mercado
- As características mais desejadas pelas regiões

Quem trabalha com melhoramento genético de cana-de-açúcar já sabe: nada muda muito rapidamente no que diz respeito à adoção de novos tipos da planta. Para se ter uma ideia, a variedade mais plantada no país, a RB867515, produzida pela Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucronergético (Ridesa), começou a ser cultivada em áreas comerciais em 2000.

"Normalmente, quando uma cultivar é adotada, os produtores aprendem a usá-la e acabam fazendo isso por um longo período, trocando-a apenas quando percebem alguma fragilidade", explica o pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) Marcos Landell.

Essa atitude nem sempre é vista com bons olhos pelas empresas que pesquisam e desenvolvem os tipos de cana. "A falta de ousadia dos produtores na substituição de suas variedades atrapalha a adoção dos novos cultivares", diz o coordenador de planejamento e análise de dados do melhoramento genético do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Rubens Braga Júnior. Segundo ele, há estudos que mostram que os tipos de cana lançados hoje chegam a produzir 25% a mais do que as de cinco anos atrás.

Há, porém, quem diga que a opção dos produtores se justifica. "A elevada performance e a estabilidade na produção dão confiança e segurança no retorno econômico", afirma o pesquisador da Ridesa Edelclaiton Daros. Ele conta ainda que as variedades de maior cultivo do país foram plantadas, em geral, por 20 anos, período equivalente a quatro ciclos de cana. A lavoura de cana permite de três a seis colheitas consecutivas.

Além disso, o tempo pelo qual as cultivares são plantadas é apenas um pouco mais longo do que o de desenvolvimento de novas variedades. "A RB867515 foi cruzada em 1986, selecionada em 1988 e liberada em 1997", exemplifica o pesquisador da Ridesa. E só três anos depois passou a ter uso comercial.

Este costume de manutenção dos tipos plantados se reflete na configuração do mercado. Segundo dados das próprias instituições, 63% da cana cultivada no Brasil é de variedades produzidas pela Ridesa. "Em determinados estados, como o Paraná, mais de 80% do cultivo é de variedades RB", conta Daros.

A porcentagem é quatro pontos maior do que a apresentada no censo da safra 2011 feito pela Rede Interuniversitária. Naquele período, cultivares da Ridesa estavam em 58,9% das lavouras. O restante era dividido entre variedades da Copersucar (32,4%), do CTC (3,4%), do IAC (0,9%) e outros (4,4%). Hoje, a única outra empresa que fala sobre sua participação no mercado é o IAC: "No geral, nossa participação é menor do que 5%, mas há usinas em que ela é significativa, com mais de 50% das áreas cultivadas", diz Landell.

Para cada região, um tipo de cana

Estabilidade, riqueza de açúcares, ampla adaptabilidade, resistência a doenças e tolerância à colheita mecanizada são apenas algumas das características gerais que garantem o sucesso de uma variedade de cana-de-açúcar. A maturação, que pode ser precoce, média ou tardia, é importante também, mas precisa atender a uma particularidade de cada lavoura: o tipo de plantio.

Outra particularidade são os locais de cultivo, que, por possuírem características únicas de solo e clima, requerem das cultivares qualidades específicas para que a produção seja boa. "De uma maneira geral, à medida que você se aproxima das áreas do cerrado, as características mais procuradas são tolerância à seca, associada à capacidade de brotação em épocas secas e capacidade de perfilhamento (soltar brotos)", diz Landell.

Braga Júnior completa: "No Mato Grosso do Sul, em função do clima mais chuvoso, as variedades precisam ter um teor de sacarose mais elevado para que alcancem rapidamente o ponto de maturação". Segundo os pesquisadores, o cerrado é a área com maior expansão do plantio de cana.

Curiosidade

Melhoramento genético pode parecer algo bastante moderno e recente, mas no caso da cana-de-açúcar, pelo menos, não é novidade: data de 1971 o primeiro projeto criado pelo governo para produzir novas variedades da planta, o Programa Nacional de Melhoramento da Cana-de-Açúcar (Planalsucar), que durou até o governo Collor. A herdeira do banco de germoplasma de cana da Planalsucar foi a Ridesa.

A CanaVialis foi procurada mas não concedeu entrevista.



Vivian Faria – NovaCana
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