Atualização (17/04, às 09h13): O texto abaixo foi alterado para incluir informações divulgadas pelo CTC após a inauguração da planta.
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) irá realizar a inauguração de sua fábrica de sementes sintéticas de cana-de-açúcar nesta quinta-feira, 16. A informação foi confirmada pelo diretor comercial da companhia, Luiz Antônio Dias Paes, durante o evento Cana Summit, em Ribeirão Preto (SP).
Conforme o CTC, foram investidos mais de R$ 100 milhões na construção e nas tecnologias aplicadas. Para isso, o empreendimento teve uma parceria estratégica com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A companhia ainda afirma que, desde 2023, já aportou aproximadamente R$ 1 bilhão no projeto, que atualmente envolve uma equipe de 150 especialistas.
Desenvolvida ao longo de 15 meses, a estrutura possui 10 mil m² e capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano operando em um turno, com potencial de expansão.
De acordo com Paes, este é um momento-chave da iniciativa iniciada há 13 anos. “O projeto objetiva mudar totalmente a forma de se plantar cana. Ele vai além de plantar o colmo e até de plantar a MPB [muda pré-brotada]. A semente entrega algo novo. Nós desenvolvemos uma nova tecnologia para plantar comercialmente. Não vamos mais fazer viveiros”, celebra.
O diretor explica que a inauguração é de uma planta demonstrativa e que os trâmites de pesquisa e desenvolvimento irão continuar. Segundo ele, a nova escala de produção deve permitir que o CTC faça novos experimentos voltados ao plantio, à automação e à qualidade e uniformidade dos processos.
“Vamos usar equipamentos de outras culturas, de parceiros, de tecnologia do ponta, para que o produtor possa, principalmente, ter escala. Então, [a nova fábrica] é uma etapa importantíssima para que possamos ir para a próxima etapa, que é uma planta comercial. Aí, sim, já a semente estará mais próximo do cliente”, complementa.
Ele ainda relata que, na safra 2025/26, foi realizado o plantio em algumas usinas parceiras e em polos fora do CTC. Agora, a companhia está terminando de plantar 20 hectares de plantio mecanizado de semente.
Entre os próximos desafios, Paes cita questões logísticas relacionadas ao produto e o aperfeiçoamento de maquinários. No momento, o CTC está trabalhando nessa segunda questão por meio de parcerias com empresas como a John Deere, TT e Tatu Marchesan. “Amanhã, na inauguração da fábrica, eles vão apresentar a versão 2.0 dessas máquinas”, promete.
Conforme o diretor, o CTC “sonha alto” e tem ambições significativas para as sementes sintéticas de cana. “Além de ocupar um espaço de plantio em larga escala, queremos que esse plantio tenha rendimento, que ele seja mais simples, mais leve, mais rápido e com mais eficiência”, enumera.
Segundo ele, enquanto um plantio mecanizado rende, atualmente, em torno de 10 hectares por dia, a nova tecnologia deve permitir 50 hectares – ou até 100 hectares. “Para isso, estamos contando com os parceiros”, completa.
Presente no mesmo painel do evento, o consultor Nilceu Cardoso, da Canaplan, ressaltou que a semente sintética pode ter um papel importante ao garantir uma origem sadia para a formação do canavial.
“Quando falamos das sementes, do plantio, automaticamente vem à mente a expectativa de uma redução de custos”, comenta e segue: “Mas a questão da fitossanidade é muito importante. Tem muita gente plantando cana de terceiro ou quarto corte. Para não ter problemas com gemas danificadas é preciso ter uma origem sadia”.
O diretor do CTC concorda. “O cuidado com relação ao plantio é chave para a formação de um canavial que vai ficar no campo por cerca de cinco anos. Além de escolher a genética certa e produzir corretamente, por enquanto, atentar à qualidade do viveiro e da muda é essencial”, afirma.
Para o CTC, a introdução das sementes sintéticas promove uma mudança estrutural no sistema produtivo da cana-de-açúcar. Segundo a companhia, o volume de material necessário para o plantio de um hectare é reduzido de cerca de 16 toneladas de cana para aproximadamente 400 kg de sementes, com impacto direto na eficiência logística e operacional.
Já com a eliminação dos viveiros, a estimativa da empresa é que as usinas possam liberar até 5% da área agrícola atualmente destinada à produção de mudas, o equivalente a cerca de 500 mil hectares.
Além disso, o CTC defende que o novo sistema reduz o risco de disseminação de pragas e doenças, melhora a uniformidade dos plantios e acelera a adoção de novas variedades, contribuindo diretamente para o aumento da produtividade.
Do ponto de vista ambiental, o centro argumenta que a tecnologia diminui o consumo de diesel, reduz a compactação do solo e contribui para a redução da pegada de carbono da produção.
“Ao transformar o modelo de plantio, estamos abrindo caminho para uma nova lógica de produção agrícola no Brasil. Isso amplia a competitividade do setor, fortalece a posição do país em bioenergia e mostra como inovação pode gerar impacto econômico e ambiental ao mesmo tempo”, afirma o CEO do CTC, Cesar Barros.
Renata Bossle – NovaCana