Diferença nas notas, ainda que compensada pelo volume produzido, gerou uma variação de R$ 3 milhões nas projeções de rendimento das unidades com a venda de CBios
Como parte do processo para ingressar no RenovaBio, as usinas de biocombustíveis precisam entrar em uma consulta pública de 30 dias. Durante esse período, os dados da companhia e os cálculos de sua nota de eficiência energético-ambiental ficam disponíveis para contestação.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atualmente, oito usinas de etanol estão passando por esse processo. Entre elas estão as unidades Matriz e Otávio Lage, ambas localizadas em Goiás e pertencentes ao grupo Jalles Machado – elas poderão receber comentários até 16 de agosto.
Conforme os documentos disponibilizados pela SGS do Brasil, firma inspetora responsável pela apresentação dos dados da usina, há um contraste grande entre a eficiência energético-ambiental das duas unidades. Enquanto a unidade Matriz, localizada em Goianésia (GO), recebeu as maiores notas já vistas para o programa até agora – 68,3 gCO2/MJ para o anidro e 68,0 gCO2/MJ para o hidratado –, a usina Otávio Lage teve a nota mais baixa, com o etanol hidratado minimizando emissões de 56,0 gCO2/MJ.
Considerando também a participação da produção que é elegível para o programa – 99% para a Matriz e 92,09% para a Otávio Lage – esta distância se intensifica. Enquanto a primeira usina precisa comercializar 661,8 litros de etanol anidro ou 695,9 litros de hidratado para emitir um crédito de descarbonização (CBio), a segunda precisa de 908,3 litros de hidratado para gerar um único título. Ou seja, 30,5% a mais.
Leia mais:
- Motivos que levaram à diferença nas notas
- Projeção de rendimento por usina
- Comparativo com demais unidades em consulta pública
Como parte do processo para ingressar no RenovaBio, as usinas de biocombustíveis precisam entrar em uma consulta pública de 30 dias. Durante esse período, os dados da companhia e os cálculos de sua nota de eficiência energético-ambiental ficam disponíveis para contestação.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atualmente, oito usinas de etanol estão passando por esse processo. Entre elas estão as unidades Matriz e Otávio Lage, ambas localizadas em Goiás e pertencentes ao grupo Jalles Machado – elas poderão receber comentários até 16 de agosto.
Conforme os documentos disponibilizados pela SGS do Brasil, firma inspetora responsável pela apresentação dos dados da usina, há um contraste grande entre a eficiência energético-ambiental das duas unidades. Enquanto a unidade Matriz, localizada em Goianésia (GO), recebeu as maiores notas já vistas para o programa até agora – 68,3 gCO2/MJ para o anidro e 68,0 gCO2/MJ para o hidratado –, a usina Otávio Lage teve a nota mais baixa, com seu etanol hidratado minimizando emissões de 56,0 gCO2/MJ.
Considerando também a participação da produção que é elegível para o programa – 99% para a Matriz e 92,09% para a Otávio Lage – esta distância se intensifica. Enquanto a primeira usina precisa comercializar 661,8 litros de etanol anidro ou 695,9 litros de hidratado para emitir um crédito de descarbonização (CBio), a segunda precisa de 908,3 litros de hidratado para gerar um único título. Ou seja, 30,5% a mais.
A diferença está no campo
As principais discrepâncias entre os resultados das unidades da Jalles Machado estão na fase agrícola da produção. Ao tempo em que os canaviais da unidade Matriz emitem o equivalente a 15,7 gCO2/MJ (para efeitos de comparação, foram considerados os cálculos da nota de etanol hidratado), a cana da usina Otávio Lage é responsável por 27,2 gCO2/MJ.
Vale acrescentar que, embora o maior valor seja positivo para a nota final, neste caso, o que conta é o oposto. Isso acontece porque, pela metodologia adotada pelo programa, todas as emissões do processo produtivo do biocombustível são somadas. A nota, porém, é referente às emissões minimizadas no comparativo com a gasolina.
Por exemplo: as emissões totais do etanol produzido na Otávio Lage são de 31,4 gCO2/MJ. Como as emissões da gasolina são de 87,4 gCO2/MJ (valor fixo estabelecido pelo programa), a nota final é a diferença entre esses dois valores, ou seja, 56 gCO2/MJ.
Conforme os documentos apresentados, a Otávio Lage optou por utilizar dados próprios de seus fornecedores para o cálculo da nota, evitando a possível penalização que aconteceria com o preenchimento por meio de dados padrões. Ainda assim, a utilização de corretivos e fertilizantes sintéticos foi um dos principais motivos para a elevação na nota.
Assim, se a unidade alterasse suas aplicações de fosfato monoamônico para os mesmos níveis da matriz do grupo, sua nota subiria em 8,7 pontos, chegando a 64,7 gCO2/MJ. Calcário dolomítico, gesso, ureia, nitrato de amônio e cloreto de potássio são outros produtos que afetaram o resultado.
Perspectivas para o mercado de CBios
A diferença entre as notas das usinas também se reflete nas projeções de ganhos no mercado de crédito de descarbonização.
Considerando a projeção de preço de R$ 34 por CBio, conforme divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a Jalles Machado pode ter uma receita adicional de 3,74 centavos para cada litro de etanol hidratado produzido na usina Otávio Lage. Para a unidade Matriz, esse valor passa a ser de 4,89 centavos para o litro de hidratado e 5,14 centavos para o litro de anidro.
Especificamente, a Otávio Lage possui autorização da ANP para fabricar 900 mil litros de etanol por dia. Em uma safra de 180 dias, isso resultaria em uma produção de 162 milhões de litros. Assim, se a nota da companhia da companhia for certificada pela ANP, ela será capaz de emitir em torno de 178,36 mil CBios em uma safra.
Em um cenário de preço médio do CBio, a unidade obteria uma receita adicional de R$ 6 milhões. Por sua vez, considerando um cenário pessimista (R$ 17/CBio) e um otimista (R$ 146/CBio), há um intervalo de R$ 3 milhões a R$ 26 milhões.
Por sua vez, a unidade Matriz está autorizada a produzir, diariamente, 400 mil litros de anidro e 600 mil litros de hidratado. Em uma safra de 180 dias, isso significaria uma produção de 72 milhões de litros e 108 milhões de litros, respectivamente. Com esses volumes, a empresa poderia emitir um total de 263,99 mil CBios.
A partir dessa quantidade de títulos, a usina teria uma receita adicional de R$ 9 milhões dentro do cenário considerado realista pelo MME. Por sua vez, no intervalo entre os cenários pessimista e otimista, esse rendimento varia de R$ 4,5 milhões a R$ 38,5 milhões.

Esta projeção de renda para a Matriz é similar a que foi calculada pelo NovaCana para a usina Iracema, do Grupo São Martinho. Porém, ela pode ser obtida com uma produção 48,7% inferior. Isso ocorre porque a nota da unidade paulista é inferior e porque apenas 55% da produção da usina foi considerada elegível para o RenovaBio.
Somadas, as unidades da Jalles Machado podem receber em torno de R$ 15 milhões com a venda de CBios, podendo variar de R$ 7,5 milhões a R$ 64,6 milhões em diferentes cenários.
Renata Bossle – NovaCana