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Usinas do Grupo Balbo em Sertãozinho veem lucro combinado cair 46% na safra 2013/14

usina grupo balbo 290714As duas principais usinas do grupo conseguiram ampliar a receita, mas viram o custo dos produtos crescer acima das vendas fazendo o lucro cair

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O revés vivido pelo setor sucroalcooleiro atingiu também o tradicional Grupo Balbo que viu os ganhos de suas usinas sediadas em Sertãozinho encolher 46,2% na safra 2013/14. Juntas as usinas São Francisco e Santo Antônio lucraram R$ 24,4 milhões, ante R$ 45,5 milhões obtidos em 2012/13.

A perda foi puxada pela Usina Santo Antônio que teve uma deterioração de 63,8% no lucro líquido, enquanto a Usina São Francisco, caracterizada pela produção de açúcar e etanol orgânicos, foi responsável por segurar a perda do cluster, aumentando seus ganhos em 8%.

Veja a seguir detalhes sobre as receitas da empresa na última safra, o endividamento e perfil dos empréstimos, área colhida, resultado da cogeração e da terceira usina do grupo em MG.

O revés vivido pelo setor sucroalcooleiro atingiu também o tradicional Grupo Balbo que viu os ganhos de suas usinas sediadas em Sertãozinho encolher 46,2% na safra 2013/14. Juntas as usinas São Francisco e Santo Antônio lucraram R$ 24,4 milhões, ante R$ 45,5 milhões obtidos em 2013/13. As informações foram disponibilizadas na sexta-feira (25).

A perda foi puxada pela Usina Santo Antônio que teve uma deterioração de 63,8% no lucro líquido, para R$ 7,6 milhões, ante R$ 31,8 milhões registrado anteriormente. Diluído por ação, o lucro caiu de R$ 15,40 para R$ 3,71 na safra encerrada em 31 de março.

A receita líquida com a venda de açúcar e etanol foi de R$ 379,6 milhões, incremento de apenas 1,5 % na comparação entre safras, enquanto o custo dos produtos encareceu 15,3%, passando de R$ 283,7 milhões para R$ 327,2 milhões. O crescimento desproporcional do custo frente à receita resultou em um lucro bruto 41,7% menor, de somente R$ 52,4 milhões.

A principal fonte de receita (bruta) da Santo Antônio foi o etanol, que contribuiu com RS 177,1 milhão, seguido pela renda de R$ 168,6 milhões do açúcar. A unidade ainda recebeu R$ 34 milhões pela venda de cana-de-açúcar, R$ 5,5 milhões com derivados de levedura e R$ 19,3 milhões com outros produtos.

A dívida líquida da companhia foi aumentada em 15%, de R$ 158,9 para R$ 182,5 milhões. O custo dos empréstimos e financiamentos soma R$ 282,1 milhões, sendo R$ 120,7 milhões no curto prazo e R$ 161,4 milhões no longo prazo. Entre os instrumentos de crédito a usina possui cédulas de exportação (R$ 169, 3 milhões), Finame (R$ 18 milhões) e um financiamento com a Copersucar (R$ 94,7 milhões), de quem é associada com participação de 2,87%.

A Santo Antônio tem capacidade para moer 3 milhões de toneladas e na safra 2013/14 a área estimada de canaviais foi de 14.488 hectares. Aproximadamente 37,21% da cana-de-açúcar processada pela unidade é cultivada em terras próprias e de terceiros. O diferencial da plantação é o cultivo de cana-de-açúcar orgânica, que é parcialmente utilizada na produção própria, e tem uma parcela substancial comercializada, em condições de mercado, para a Usina São Francisco.

São Francisco lucra com orgânicos

Caracterizada pela produção de açúcar e etanol orgânicos, produtos com maior valor agregado, a Usina São Francisco foi responsável por segurar a perda do cluster de Sertãozinho. Na safra 2013/14, a Unidade conseguiu melhorar seu lucro em 8,8%, para R$ 16,7 milhões. Com o resultado, o lucro líquido diluído por ação subiu de R$ 11,94 para R$ 14, 71.

A produção gerada pela São Francisco ofereceu uma receita líquida de R$ 154,9 milhões, variação de 16,3% ante o ciclo anterior. Como associada da Copersucar (0,65% de participação), o açúcar e etanol convencionais feitos na unidade são entregues para a comercialização pela cooperativa, que rateia a receita global entre os cooperados, enquanto a produção feita a partir da cana-de-açúcar orgânica é vendida própria companhia.

O principal produto do período foi o açúcar orgânico, com receita bruta de R$ 137,2 milhões. Em seguida estão o etanol e o açúcar convencionais que resultaram, nessa ordem, vendas de R$ 47,4 milhões e R$ 27,6 milhões. A venda de etanol orgânico, para os setores cosmético e farmacêutico, e outros produtos orgânicos, teve receita de R$ 32,1 milhões e R$ 17,7 milhões.

Já o custo dos produtos vendidos encareceu em 23,8%, alcançando os R$ 184,1 milhões. Assim, o lucro bruto de R$ 70,7 milhões se manteve em linha com o da safra anterior que foi de R$ 70,3 milhões.

O endividamento líquido da São Francisco alcançou R$ 219,8 milhões, agravamento de 34%. A dívida bruta é de R$ 248,9 milhões. Quase metade do passivo, R$ 122,4 milhões, está no curto prazo e a outra parte, R$ 126,5 milhões, tem vencimento programado da safra 2015/16 (R$ 63,6 milhões) até a 2122/23.

Os principais instrumentos utilizados são notas de crédito de exportação (nos valores de R$ 119,6 e R$ 12 milhões), Finame (R$ 29,1 milhões) e certificado de recebíveis agrícolas (R$ 22,7 milhões).

No exercício a área estimada de colheita foi 1 1 .906 hectares de canavial, sendo aproximadamente 47,43% da cana-de-açúcar processada cultivada em terras próprias e de terceiros.

Cogeração lucra R$ 28,4 milhões

A Bioenergia Cogeradora, subsidiária responsável pela produção e comercialização de energia do Grupo Balbo, viu seu lucro saltar de R$ 1,6 milhão para R$ 28,4 milhões entre as duas últimas safras. O forte avanço está relacionado ao investimento na cogeração da filial junto à Usina São Francisco.

A receita líquida teve alta de 56,4% na safra, para R$ 53,214 milhões. Do total de energia elétrica cogerada, 46% é comercializada para as duas usinas do grupo em Sertãozinho e os 54% restantes se destina à exportação.

Do total de energia vendida externamente, 35% foi fornecida para CPFL, conforme contratado no mercado regulado em 2001 (com vigência até 2016), e os 19% restantes foram comercializados no mercado livre.

A empresa de cogeração possui um empréstimo com o Finame que totaliza R$ 37 milhões, sendo que estão no curto prazo R$ 5,8 milhões. Dos R$ 31,2 milhões para liquidação posterior, os pagamentos estão concentrados entre as safras 2015/16 (R$ 5,9 milhões), 2016/17 (R$ 5,9 milhões) e a maior parte, R$ 19,3 milhões, para o período que vai de 2017 a 2022.

Outros resultados

O grupo detém ainda uma terceira unidade, inaugurada em 2008, em parceria com outros grupos. A Usina Uberaba, no município mineiro de mesmo nome, registrou lucro de R$ 6,2 milhões no exercício findo em março deste ano. O resultado é 66% menor em comparação a 2012/13, quando o ganho foi de R$ 18,6 milhões.

Também do Grupo Balbo, a Nova Agro, dedicada à exploração agrícola e pastoril, registrou lucro líquido de R$ 6,1 milhões

Amanda SchArr – NovaCana

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