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Usinas brasileiras produziram 34,94 kWh para cada tonelada de cana moída em 2019/20

Em um setor marcado por grande heterogeneidade, eficiência da cogeração com biomassa tem aumentado ao longo dos anos, ainda que lentamente

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Embora o açúcar e o etanol sejam os principais produtos do setor sucroenergético brasileiro, a cogeração de eletricidade por meio da queima do bagaço de cana não pode ser deixada de lado. Nos últimos anos, as unidades com maior capacidade de aproveitar os resíduos do processo produtivo conseguiram, assim, ampliar seus rendimentos por tonelada de cana moída.

Segundo cálculos da consultoria FG/A referentes à safra 2018/19, a companhia que teve as maiores geração e exportação de energia na temporada teria um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em torno de R$ 73,7 por tonelada. O valor considera um Ebitda médio de R$ 56,4/t e um incremento de R$ 17,3/t possibilitado pela venda de energia.

Para um resultado como este, a usina precisaria comercializar sua eletricidade a um preço médio de R$ 200/kWh e, principalmente, atingir uma eficiência de quase 96 kWh/t. Mas este número é para poucos.

Na safra 2019/20, as usinas brasileiras cogeraram, em média, 34,94 kWh/t. Ou seja, o equivalente a 36,4% do recomendado pela FGA.

Ainda assim, o montante representa um crescimento de 0,53% ante o desempenho do ano anterior, que foi a menor taxa registrada nos últimos anos. De maneira geral, o panorama tem sido de uma crescente elevação na eficiência, com um aumento médio de 3,16% ao ano nas últimas cinco safras.

Um dos melhores resultados foi registrado pela Cerradinho, com 87,92 kWh/t. Na safra 2019/20, a usina localizada em Chapadão do Céu (GO) moeu 5,22 milhões de toneladas de cana e exportou 458,78 GWh de eletricidade, o maior montante entre as usinas de cana-de-açúcar.

Mas o grupo que atingiu a maior eficiência com cogeração na safra 2019/20 foi a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial). A companhia registrou uma moagem de 26,9 milhões de toneladas em suas nove usinas, com a geração de 2,8 TWh. Assim, seu rendimento médio foi de 104 kWh/t.

Saiba mais:

- Eficiência da cogeração em grupos sucroenergéticos selecionados
- Disparidade entre as regiões Centro-Sul e Norte-Nordeste
- Desempenho dos oito maiores estados produtores de cana-de-açúcar
- Investimentos na área

Embora o açúcar e o etanol sejam os principais produtos do setor sucroenergético brasileiro, a cogeração de eletricidade por meio da queima do bagaço de cana não pode ser deixada de lado. Nos últimos anos, as unidades com maior capacidade de aproveitar os resíduos do processo produtivo conseguiram, assim, ampliar seus rendimentos por tonelada de cana moída.

Segundo cálculos da consultoria FG/A referentes à safra 2018/19, a companhia que teve as maiores geração e exportação de energia na temporada teria um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em torno de R$ 73,7 por tonelada. O valor considera um Ebitda médio de R$ 56,4/t e um incremento de R$ 17,3/t possibilitado pela venda de energia.

Para um resultado como este, a usina precisaria comercializar sua eletricidade a um preço médio de R$ 200/kWh e, principalmente, atingir uma eficiência de quase 96 kWh/t. Mas este número é para poucos.

Na safra 2019/20, as usinas brasileiras cogeraram, em média, 34,94 kWh/t. Ou seja, o equivalente a 36,4% do resultado recomendado pela FGA.

Ainda assim, o montante representa um crescimento de 0,53% ante o desempenho do ano anterior, que a menor taxa registrada nos últimos anos. De maneira geral, o panorama tem sido de uma crescente elevação na eficiência, com um aumento médio de 3,16% ao ano nas últimas cinco safras.

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Um dos melhores resultados foi registrado pela Cerradinho, com 87,92 kWh/t. Na safra 2019/20, a usina localizada em Chapadão do Céu (GO) moeu 5,22 milhões de toneladas de cana e exportou 458,78 GWh de eletricidade, o maior valor entre as usinas de cana-de-açúcar.

Para chegar a esta eficiência, a companhia fez diversos investimentos na área e, em 2017, inaugurou uma nova caldeira, capaz de absorver mais resíduos do que a própria usina poderia produzir. Em entrevista realizada na ocasião ao NovaCana, o presidente da companhia, Paulo Motta, afirmou que cerca de 80% da energia a ser gerada pela usina já estaria comprometida com leilões de longo prazo, ou seja, em negociações livres das flutuações do mercado.

Mas o grupo que atingiu a maior eficiência com cogeração na safra 2019/20 foi a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial). A companhia registrou uma moagem de 26,9 milhões de toneladas em suas nove usinas, com a geração de 2,8 TWh. Assim, seu rendimento médio foi de 104 kWh/t.

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Para efeitos de comparação, o maior grupo sucroenergético do país, a Raízen – com 26 usinas – teve uma eficiência de 35,99 kWh/t na safra passada, o que está em linha com a média nacional, mas abaixo do resultado médio da região Centro-Sul.

Centro-Sul x Norte-Nordeste

A disparidade na geração de energia em relação à moagem fica ainda mais evidente em um comparativo entre as regiões Centro-Sul e Norte-Nordeste. Inclusive, o constante crescimento na eficiência registrado na média nacional pode ser atribuído em grande parte ao desempenho das unidades do Centro-Sul, que alcançaram uma média de 36,87 kWh/t em 2019/20.

No Norte-Nordeste, por sua vez, o rendimento tem registrado flutuações. O valor mais elevado das últimas cinco safras foi em 2015/16, com 15,92 kWh/t, enquanto o mais baixo ocorreu justamente em 2019/20, com 12,96 kWh/t.

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Este baixo aproveitamento de matéria-prima também fica claro quando o número de usinas termelétricas que utilizam bagaço de cana-de-açúcar é comparado com o total de cada região.

No Centro-Sul, as listagens do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reúnem um total de 283 usinas, enquanto a relação da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aponta que há 200 UTEs na região. Assim, aproximadamente 70,7% das usinas tem UTEs.

No Norte-Nordeste, em contrapartida, há 64 usinas e 30 UTEs. Desta forma, a relação passa a ser de 46,9%.

Além disso, nos últimos dez anos, apenas quatro companhias da região contrataram financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para aplicação em cogeração.

Em 2010, a usina Boa Esperança, em Roraima, financiou R$ 1,99 bilhão, enquanto a usina Coruripe, de Alagoas, emprestou R$ 3,12 bilhões. Dois anos depois, a Boa Esperança registrou um novo financiamento, de R$ 3,5 bilhões. Também em 2012, a Iolando Leite, de Sergipe, financiou R$ 2,22 bilhões e a Comvap, unidade piauiense do grupo Olho D’Água, contratou R$ 126 mil.

Para efeitos de comparação, entre 2010 e 2019, as usinas do Centro-Sul firmaram 114 contratos junto ao BNDES para investimentos em cogeração. Somados, eles chegam a R$ 1,95 bilhão. O total obtido pelas usinas do Norte-Nordeste no período equivale a apenas 0,56% deste montante.

O panorama dos financiamentos do setor sucroenergético via BNDES está disponível no NovaCana DATA (acesso exclusivo para assinantes).

Desempenho nos estados

Entre os maiores estados produtores de cana-de-açúcar, apenas três registraram rendimentos com cogeração superiores à média nacional em 2019/20: Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Este último, aliás, apresentou o maior resultado, com 51,48 kWh/t.

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O estado, porém, tem visto uma queda na cogeração de eletricidade e na sua eficiência nas últimas safras. Em 2015/16, por exemplo, Mato Grosso do Sul registrou um aproveitamento de 61,51 kWh/t, com a produção de 3,05 TWh de energia elétrica. Na safra mais recente, porém, a cogeração total foi de 2,09 TWh, com um rendimento de 43,85 kWh/t.

Em São Paulo, maior estado produtor de cana-de-açúcar do país, a eficiência média da cogeração foi de 32,22 kWh/t em 2019/20 – o melhor resultado desde os 33,03 kWh/t registrados em 2016/17. A cogeração total, porém, está em queda. Na safra passada, foram 11,02 TWh, ante 11,11 TWh em 2018/19 e 11,53 TWh em 2017/18 e 2016/17.

Sozinho, o estado de São Paulo correspondeu a 49,2% da geração de energia com bagaço de cana registrada pelo país em 2019/20. Observando os resultados dos últimos dez anos, esta foi a única vez em que a participação do estado ficou abaixo de 50%.

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Por sua vez, entre os maiores estados produtores de cana-de-açúcar da região Norte-Nordeste, Alagoas apresentou um rendimento de 9,06 kWh/t em 2019/20 enquanto Pernambuco obteve 16,02 kWh/t. Para permitir a comparação com os resultados do Centro-Sul, em ambos os casos foi considerado o período de abril a março.

Para Alagoas, isso representa uma queda de 32,1% ante os 13,34 kWh/t registrados na safra anterior. Já em Pernambuco, o resultado foi recorde, com um crescimento de 11,1% ante 2018/19.

Renata Bossle – NovaCana

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