O financiamento de longo prazo deve cobrir 55% do total estimado para o projeto. A financiadora assinala que, caso a transação seja aprovada, a companhia brasileira vai se diferenciar de outros players do setor
Tramita junto da International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial, a aprovação de um financiamento para expansão de capacidade moagem e cogeração de uma usina goiana.
O financiamento de longo prazo deve cobrir 55% do total estimado para o projeto, que, segundo a instituição internacional, tem importância econômica, social e ambiental.
A IFC assinala que, caso a transação seja aprovada, a companhia brasileira vai se diferenciar de outros players do setor.
Os detalhes a seguir.
A International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial, analisa atualmente a aprovação de um empréstimo no valor de R$ 150 milhões para um projeto para expansão de moagem e cogeração da Cerradinho Bioenergia. O financiamento equivale a 55% do total previsto para o projeto, cujo custo total gira em torno de R$ 270 milhões. A ampliação ocorrerá na única usina na companhia, localizada em Chapadão do Céu (GO).
Segundo documento publicado pelo IFC, o investimento possui importância ao promover o desenvolvimento econômico nas regiões próximas à usina Cerradinho, tanto por meio do aumento da produção agrícola, quanto pela criação de empregos.
Além disso, segundo a instituição, o projeto se enquadra nas políticas de sustentabilidade da IFC, já que contribui diretamente para a promoção de energias renováveis com impactos facilmente calculados no que se refere às influências nas condições climáticas.
A IFC ainda assinala que, caso a transação seja aprovada, a companhia vai se diferenciar de outros players no setor. Além de ter acesso ao financiamento de longo prazo “que atualmente não é facilmente disponível” no mercado brasileiro, na análise da instituição, a Cerradinho vai receber apoio “na adoção das melhores práticas ambientais e sociais na indústria através da aplicação de Padrões de Desempenho da IFC”.
Essas contrapartidas ainda incluem um “selo” de aprovação fornecido pela companhia de investimentos no que se refere ao atendimento desses padrões estabelecidos e que devem ser monitorados periodicamente após aprovação do financiamento.
Segundo o braço do Banco Mundial, a Cerradinho Bioenergia já concordou em implementar controles adicionais aos existentes, para colocar na sua gestão riscos ambientais e sociais dentro dos padrões internacionais considerados pela International Finance Corporation.
Sobre a Cerradinho
A Cerradinho Bioenergia possui uma usina em Chapadão do Céu (GO) e capacidade de processamento de 4,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. No último balanço divulgado, referente ao trimestre encerrado em 31 de dezembro de 2015, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 8,5 milhões. A expectativa da empresa era encerrar a temporada com uma produção de aproximadamente 403 milhões de litros de etanol e geração de energia de 259,1 GW.
IFC e o setor sucroenergético
A IFC é a maior instituição de desenvolvimento global voltada para o setor privado nos países em desenvolvimento. Os projetos financiados pela instituição geralmente levam em conta seu papel na criação empregos, melhoria na governança corporativa e o desempenho ambiental, além de contribuição para as comunidades locais.
De acordo com um documento da IFC, de 2012, o Brasil é considerado pela entidade financeira um modelo para a produção sustentável de cana-de-açúcar e seus derivados. Para chegar a essa conclusão, especialistas visitaram usinas brasileiras e em diversos países para avaliação dos processos.
No ano passado, a Usina Delta recebeu um investimento de US$ 80 milhões para fortalecer suas iniciativas em sustentabilidade da IFC. O programa de investimentos incluía a expansão de suas operações de cogeração de energia, aumentando a sua capacidade de geração em aproximadamente 250 mil MWh por ano.
Além disso, um ano antes, o braço de investimentos do Banco Mundial fez um aporte de capital de R$ 128 milhões na Biosev. O aporte ocorreu justamente em um momento em que a oferta de crédito às usinas era escassa.
Faz parte dos investimentos no setor ainda, um empréstimo de US$ 35 milhões, liberados em 2007, para financiar a plantação de cana-de-açúcar e parte da Vale do Paraná, do grupo Pantaleon, em Suzanópolis, oeste de São Paulo.
Por Marina Gallucci – NovaCana