Projeto prevê investimento de cerca de R$ 1,7 bilhão na construção da planta, que terá capacidade para processar 1,7 mil toneladas de milho por dia
As obras da nova usina de etanol de milho da Coamo, em Campo Mourão (PR), avançam e entram em uma fase decisiva de execução. O empreendimento, considerado um dos maiores investimentos recentes da cooperativa no setor de agroindústria, representa um passo estratégico na verticalização da produção agrícola e na ampliação da capacidade de processamento de milho.
O projeto prevê investimento de cerca de R$ 1,7 bilhão na construção da planta industrial, que terá capacidade para processar 1,7 mil toneladas de milho por dia e produzir aproximadamente 765 mil litros de etanol diariamente, além de coprodutos como farelo proteico (DDGS) e óleo de milho.
A indústria está sendo instalada no parque industrial da cooperativa em Campo Mourão e integra a estratégia da Coamo de agregar valor à produção dos cooperados por meio da transformação de grãos em biocombustíveis e derivados industriais.
Em entrevista à Tribuna do Interior, o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, afirmou que o empreendimento entrou na etapa mais intensa da construção. “A parte de engenharia está totalmente resolvida e praticamente todos os equipamentos já estão negociados. Agora é a execução propriamente dita da obra”, explicou.
Segundo ele, o cronograma inicial previa a inauguração ainda neste ano, mas ajustes no projeto e dificuldades com fornecedores acabaram prorrogando a previsão de início das operações. “Tínhamos uma expectativa de inaugurar até o final do ano. Está um pouco apertado. Tivemos alguns problemas com fornecedores e acredito que a operação deve ficar para o começo do ano que vem, entre janeiro e fevereiro”, revelou.
De acordo com Galinari, a dimensão do projeto também chama atenção pelo volume de obras civis. “É uma obra grande. É a maior movimentação de terra em terraplanagem que a Coamo já fez. São cerca de três milhões de metros cúbicos de terra. É praticamente uma cidade sendo construída”, comparou.
Durante a execução do projeto, informou o presidente executivo, a cooperativa também decidiu adaptar a estrutura para permitir a expansão futura da capacidade produtiva. As alterações exigiram mudanças no cronograma, mas, segundo Galinari, devem reduzir custos e tempo em uma eventual ampliação.
“Nós já estamos preparando 100% da indústria para uma duplicação da capacidade. Os espaços e a infraestrutura ficam prontos desde agora para uma segunda fase”, explicou.
Impacto na comercialização do milho
Na primeira etapa, a usina deve consumir entre 600 mil e 650 mil toneladas de milho por ano, volume que representa apenas uma parte da produção recebida pela cooperativa. Galinari informou que a Coamo recebe anualmente cerca de 3 milhões de toneladas do cereal, o que mostra o potencial de expansão da nova indústria.
Segundo o presidente, ampliar o processamento interno do grão é uma estratégia para melhorar a remuneração dos produtores. “Com essa primeira fase, vamos usar algo em torno de 600 a 650 mil toneladas de milho por ano. Ainda é pouco diante do volume que recebemos, então avançar na industrialização ajuda na precificação do milho para o produtor”, enfatizou.
Ele lembrou que a cooperativa disputa mercado com grandes grupos especializados na produção de etanol de milho, que destinam toda a produção ao biocombustível. “Nossos concorrentes em algumas regiões são indústrias que trabalham 100% com etanol. Como a rentabilidade desse setor tem sido muito boa, isso aumenta a competitividade e exige que avancemos também na verticalização”, disse.
Galinari comentou que a usina de etanol de milho faz parte de um conjunto mais amplo de investimentos da cooperativa em agroindústria e biocombustíveis. Além do etanol de milho, a cooperativa também avança em outro projeto industrial: a construção de uma nova planta de biodiesel no litoral do Paraná.
“Estamos avançando muito forte também na indústria de biodiesel em Paranaguá. A parte de engenharia já está bastante resolvida e o canteiro de obras deve ser montado agora em abril, no máximo em maio”, disse. A expectativa é que a unidade entre em operação em meados do próximo ano, ampliando a cadeia de processamento da soja dentro da cooperativa.
Segundo o presidente executivo, os investimentos seguem uma estratégia de longo prazo voltada à agregação de valor às commodities produzidas pelos cooperados. “Estamos ampliando a verticalização na soja e no milho. Já temos gorduras, margarinas, óleo refinado e farelos especiais. Agora teremos também dois biocombustíveis: etanol e biodiesel”, destacou.
Para Galinari, a expansão industrial permite que o produtor rural participe de mercados que dificilmente acessaria individualmente. “O objetivo é remunerar melhor aquilo que o nosso produtor produz. A soja, o milho e o trigo passam a ser transformados em novos produtos e novos mercados que o cooperado, sozinho, dificilmente conseguiria acessar”, observou.
Ele ainda acrescentou que, com o avanço das obras e a preparação da estrutura para futuras ampliações, a usina de etanol deve se tornar um dos principais marcos da expansão agroindustrial da cooperativa nos próximos anos.
Walter Pereira