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Unica reclama da falta de políticas públicas em balanço do ano

unica coletiva 181214Maior parte dos pleitos do setor ainda depende de um aval do Governo Federal para serem colocados em prática

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O ano de 2014 chega ao fim como um dos mais críticos para o setor sucroenergético. Além de passar pela maior crise de sua história, com o fechamento de dezenas de usinas e outra série de unidades em recuperação judicial ou enfrentando um crescente endividamento, os produtores de cana-de-açúcar da região Centro-Sul ainda sofreram o impacto da forte estiagem que atingiu a região.

Esse panorama adverso somado ao posicionamento do Governo Federal em relação ao setor sucroenergético e às políticas adotadas para os combustíveis no País, como o subsídio de preços e a eliminação da CIDE sobre o combustível fóssil, eliminaram a competitividade do etanol hidratado na bomba e impediram o desenvolvimento e expansão do setor.

Ao longo do ano, medidas governamentais anunciadas prometiam trazer um alívio ainda que parcial para os produtores. “As discussões em torno do aumento da mistura para 27,5% de etanol anidro à gasolina, a inclusão do açúcar e etanol no REINTEGRA, as políticas de financiamentos para construção de armazéns de açúcar, os programas ProRenova-Rural e ProRenova-Industrial, destinados à renovação dos canaviais e ampliação da área plantada, e o Inovar-Auto, tiveram andamento por iniciativa do Legislativo e, em particular da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, e da ação das entidades representativas do setor. Persiste, entretanto, a necessidade de se concluir a implementação dessas ações e avançarmos com medidas de longo prazo que permitam às empresas ter previsibilidade para planejar o futuro e retomar os investimentos em ampliação da produção,” afirma a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina.

Farina acrescenta que “sempre tivemos uma interlocução com diferentes ministérios e continuamos apostando no diálogo direto com o Governo e, principalmente com a Presidente Dilma Rousseff, mas ainda aguardamos uma mudança em relação à política energética do País, em particular para o etanol e a bioeletricidade. Embora anunciadas, a maior parte das medidas ainda depende de um aval do Governo Federal para serem colocadas em prática”, diz Farina.

Para o setor, a bioletricidade teve um papel importante ao longo de 2014. A fonte biomassa, incluindo bagaço e palha da cana, até novembro deste ano gerou 17% a mais comparado ao mesmo período do ano anterior motivada sobremaneira pelos preços aquecidos no mercado de curto prazo.

As principais medidas em curso

A discussão sobre o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 25% para 27,5%, foi um dos fatos mais importantes para o setor, que conseguiu alterar a legislação. A aprovação de emenda na MP 647/14, que dispõe sobre a adição de biodiesel ao óleo diesel, estabeleceu também o aumento do percentual do etanol no combustível fóssil. A medida foi sancionada pela Presidência da República e a UNICA aguarda a decisão oficial o mais breve possível.

A entidade atuou intensamente pela inclusão do açúcar no programa de financiamento do BNDES para construção de armazéns do produto e também pleiteou a inserção do setor no REINTEGRA, programa que visa a desoneração das exportações, devolvendo ao exportador uma porcentagem do valor exportado.

Ambas as medidas foram anunciadas em setembro pelo Ministério da Fazenda. Sobre o armazenamento de açúcar, espera-se que o tema seja regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para ser colocado em prática. Já com relação ao REINTEGRA, que beneficiará os exportadores de açúcar e etanol com uma alíquota de 3%, o setor aguarda a assinatura do decreto pela Presidente da República e a instrução normativa da Receita Federal para a regulamentação e operacionalização da medida.

Outra demanda da UNICA foi a alteração nas normas dos programas ProRenova-Rural e ProRenova-Industrial. Porém, para que tais medidas sejam operacionalizadas, é preciso ainda a publicação de portaria do Ministério da Fazenda.

A alteração do Programa Inovar-Auto, autorizando o estabelecimento de alíquotas de IPI menores para os veículos que adotarem motores flex, cuja relação de consumo entre etanol hidratado e gasolina seja superior a 75%, sem prejuízo de eficiência energética da gasolina, foi convertida em lei no mês de junho. A conquista foi resultado do trabalho da UNICA junto à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do MDIC, e ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). A entidade continua trabalhando para garantir a sua regulamentação.

Biomassa, incluindo bagaço e palha da cana, até novembro deste ano gerou 17% a mais comparado ao mesmo período do ano anterior motivada sobremaneira pelos preços aquecidos no mercado de curto prazo.

Nos âmbitos estaduais

A UNICA vem atuando fortemente na defesa de uma clara regulamentação do Programa de Regularização Ambiental (PRA) no Estado de São Paulo, garantindo recuperação ambiental e manutenção das áreas voltadas para o uso agrícola, além de manter um intenso contato com a fiscalização ambiental paulista com o objetivo de definir critérios claros para a definição dos casos de incêndios criminosos e acidentais em áreas canavieiras e evitar a imposição de multas.

Com relação ao ICMS, Minas Gerais aprovou esta semana um projeto de lei que prevê a redução desse imposto sobre o etanol hidratado, de 19% para 14%. Em contrapartida, a mesma taxa sobre a gasolina subiu de 27% para 29%. O projeto precisa ser aprovado pelo Executivo e entrará em vigor em 90 dias após a sanção pelo governador. No Paraná, o imposto subiu de 28% para 29%, na gasolina, e se manteve em 18% no etanol.

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