A Tonon Bioenergia registrou uma devastadora piora de seu prejuízo líquido na safra 2014/15
Após a Tonon Bioenergia registrar uma devastadora piora de seu prejuízo líquido na safra 2014/15, agravada em 269%, de R$ 175,4 milhões para R$ 647,6 milhões, a sucroenergética conseguiu renegociar a dívida e obter novo crédito para pagamentos de curto prazo e investimento nas operações. Com a reestruturação, a companhia escapou da recuperação judicial e recebeu um novo voto de confiança do mercado. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) elevou na sexta-feira (17) seus ratings de crédito corporativos atribuídos à companhia, de ‘SD’ para ‘CCC-'
Veja a seguir os fatos recentes que afetaram a empresa e a situação atual da Tonon.
Após a Tonon Bioenergia registrar uma devastadora piora de seu prejuízo líquido na safra 2014/15, agravada em 269%, de R$ 175,4 milhões para R$ 647,6 milhões, a sucroenergética conseguiu renegociar a dívida e obter novo crédito para pagamentos de curto prazo e investimento nas operações. Com a reestruturação, a companhia escapou da recuperação judicial e recebeu um novo voto de confiança do mercado. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) elevou na sexta-feira (17) seus ratings de crédito corporativos atribuídos à companhia, de ‘SD’ para ‘CCC-'.
"Há uma possibilidade de elevação dos ratings da Tonon agora que a empresa refinanciou grande parte de seus vencimentos de curto prazo e aliviou uma parcela significativa de suas pressões de liquidez com o novo empréstimo de US$70 milhões, concedido pelo Gramercy Funds Management LLC, e também com suas economias anuais de aproximadamente US$30 milhões resultantes da redução nos pagamentos de juros. A capacidade da empresa para diferir pagamentos de juros de sua nova nota nos próximos dois anos também melhora sua flexibilidade financeira", detalhou a análise da S&P. Dois meses antes a agência havia rebaixado a empresa.
O resultado negativo da última safra é pouco inferior à receita do período, que totalizou R$ 731,8 milhões, valor 13,4% menor que o obtido um ano antes. A queda nas vendas foi agravada pelo aumento dos custos em 34%, para R$ 736,6 milhões ante R$ 549,5 milhões.
Sem o impacto financeiro, o resultado operacional da companhia foi positivo em R$ 16,2 milhões, 83% abaixo dos R$ 97,9 milhões registrados anteriormente. No entanto, o que selou o destino da safra passada foi o pagamento de juros e as rendimentos financeiros, ambos concentrados em dólar.
As despesas financeiras no período foram quadruplicadas, atingindo R$ 2,253 bilhões em comparação aos R$ 597,6 milhões registrados na safra passada. O dispêndio foi parcialmente compensado por receitas financeiras da ordem de R$ 1,355 bilhão, 368% superior aos R$ R$ 289,3 milhões do ciclo 2013/14.
Dívida de R$ 2,1 bilhões e reestruturação
A companhia anunciou nesta quinta-feira (16) que sua subsidiária Tonon Luxembourg concluiu com sucesso a liquidação de novas notas seniores no valor de US$ 300 milhões, que convertem a dívida antiga, no mesmo valor, em nova, mas com juros inferiores aos originais.
No encerramento da safra 2014/15 o endividamento da companhia totalizou R$ 2,115 bilhões, sendo R$ 303,1 milhões com vencimento no custo prazo. No longo prazo, a maior parte, 90% dos R$ 1,811 bilhão devidos, está atrelado aos bônus de dívida emitidos no mercado internacional e ora renegociados.
Os títulos novos expiram igualmente em 2020, mas vão garantir uma economia de 2 pontos percentuais à Tonon que pagará 7,25% ao ano até 2017 e, após esse período, voltará ao patamar de 9,25%.
Na data final de liquidação, foram convertidos US$ 289,16 milhões dólares, 96,4% do total. A companhia também completou um novo financiamento de US$ 70 milhões que será destinado para o pagamento de dívidas de curto prazo e usos corporativos.
“A conclusão bem-sucedida desta reestruturação da dívida estabiliza a nossa estrutura de capital e fornece-nos a liquidez necessária para mover nossa empresa adiante. A reestruturação também demonstra a confiança contínua de sofisticados investidores institucionais na equipa de gestão e no modelo de negócio da Tonon”, disse em comunicado o CEO da Tonon, Rodrigo Caldas de Toledo Aguiar.
Amanda SchArr – NovaCana