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Tonon amarga prejuízo de R$ 647 milhões na safra 2014/15

tonon logoBalanço da empresa aponta dívidas de R$ 2,1 bilhões em empréstimos e financiamentos

NovaCana 4 min de leitura

A Tonon Bioenergia, grupo sucroalcooleiro dono de três usinas, teve prejuízo de R$ 647 milhões segundo o balanço das atividades referente à safra 2014/15, finalizada em 31 de março. Trata-se de quase o quádruplo da perda obtida pela empresa no ano anterior, de R$ 175,4 milhões.

As receitas da empresa foram 9% menores, atingindo R$ 731,8 milhões no período, ante R$ 804,5 milhões no exercício anterior. Como agravante, o custo dos produtos vendidos aumentou 8,5%, para R$ 736,5 milhões, e a companhia só escapou de um prejuízo bruto devido ao impacto positivo da variação do valor justo dos canaviais, de R$ 110 milhões.

Outro ponto precário é o alto endividamento da Tonon, que contraiu ao todo R$ 2,1 bilhões em empréstimos e financiamentos, somando as dívidas de curto e longo prazos.

Auditado pela consultoria KPMG, o balanço da Tonon traz ainda um alerta dos contadores:

A Tonon Bioenergia, grupo sucroalcooleiro dono de três usinas, teve prejuízo de R$ 647 milhões segundo o balanço das atividades referente à safra 2014/15, finalizada em 31 de março. Trata-se de quase o quádruplo da perda obtida pela empresa no ano anterior, de R$ 175,4 milhões.

As receitas da empresa foram 9% menores, atingindo R$ 731,8 milhões no período, ante R$ 804,5 milhões no exercício anterior. Como agravante, o custo dos produtos vendidos aumentou 8,5%, para R$ 736,5 milhões, e a companhia só escapou de um prejuízo bruto devido ao impacto positivo da variação do valor justo dos canaviais, de R$ 110 milhões.

Outro ponto precário é o alto endividamento da Tonon, que contraiu ao todo R$ 2,1 bilhões em empréstimos e financiamentos, somando as dívidas de curto e longo prazos. Do total de R$ 303 milhões dos empréstimos de curto prazo, R$ 101 milhões são para capital de giro; R$ 94,6 milhões de adiantamento de contrato de câmbio (ACC); R$ 88,8 milhões de pré-pagamento à exportação (PPE); e R$ 17 milhões em bonds.

As dívidas que vencem após março de 2015 somam o R$ 1,8 bilhão, distribuídas entre R$ 1,63 bilhão em bonds; R$ 106 milhões em PPE; R$ 48 milhões de ACC; além de R$ 21,8 milhões para capital de giro. A maior parte da dívida – R$ 1,65 bilhão em bonds – está programada para vencer em 2019 e 2020.

Esse grau de endividamento levou a Tonon a buscar uma reestruturação financeira com a conversão dos títulos sêniores atuais por novos com juros menores. A saída a que a empresa chegou para o aperto é uma proposta em que pagaria 7,25% por ano até 2017 e, após isso, voltaria ao patamar de 9,25% anuais de hoje. O acordo precisa de adesão de 95% dos donos desses papéis até 13 de julho.

Auditado pela consultoria KPMG, o balanço da Tonon traz um alerta dos contadores: “essas condições [de caixa] indicam a existência de incerteza significativa que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia.”

Mais área e menos produtividade

De acordo com as premissas utilizadas para determinar a variação do valor justo do ativo biológico, na safra 2014/15, a área de colheita cresceu 18%, para 96,6 mil hectares, enquanto a produtividade caiu 2,8%, para 78,56 toneladas de cana por hectares.

A qualidade da cana também foi reduzida, com a queda da quantidade de ATR (kg/ton) que passou de 140 para 137,69 kg/ton, enquanto preço médio do ATR sofreu uma valorização de 7 centavos, passando de R$ 0,49 para R$ 0,56, na comparação entre safras.

S&P atribui observação negativa para ratings da Tonon

Enquanto isso, a agência de ratings Standard & Poor’s (S&P) anunciou que, a despeito de a Tonon ter pago os juros referentes ao seu senior secured bonds de US$ 230 milhões, que estavam inadimplentes, vai manter o ranting ‘CC’ atribuído à companhia e listagem em observação negativa. Esse rating é sete graus abaixo do nível de investimento.

A Tonon efetuou o pagamento dos juros no último dia do período de cura, que tem prazo de 60 dias. No entanto, a S&P afirmou considerar a proposta de reestruturação de dívida anunciada pela Tonon “um default seletivo com base no nosso critério ‘Implicações de Exchange Offers e Reestruturações Similares nos Ratings’”.

Até o dia 13 de julho, quando vence o prazo para os detentores dos títulos aceitarem a proposta, a agência de ratings vai analisar se mantém a observação negativa da companhia.

Felipe Vanini Bruning – NovaCana

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