Relatório a investidores aponta as perspectivas do grupo e explica os resultados financeiros
A safra 2015/16 foi novamente ruim para a Tereos Internacional. Pela segunda temporada consecutiva a controladora da Guarani apresentou prejuízo. O tamanho do rombo foi um pouco menor que no ciclo passado, de R$ 127 milhões na safra 2015/16.
Mas essa redução no prejuízo não parece justificar o otimismo esboçado pela diretoria nos comentários em recente relatório aos investidores. As dívidas brutas com financiamentos no fim da safra 2015/16 da Tereos cresceram 15% na comparação com a safra anterior. Além disso, grande parte nos vencimentos expiram no curto e no médio prazo, chegando a 79% do total.
Confira a seguir detalhes sobre a composição da dívida da empresa e os comentários da diretoria da Tereos Internacional.
A safra 2015/16 foi novamente ruim para a Tereos Internacional. Pela segunda temporada consecutiva a controladora da Guarani apresentou prejuízo. O tamanho do rombo foi um pouco menor que no ciclo passado, de R$ 127 milhões na safra 2015/16.
Em relatório a investidores, os comentários da diretoria destacam que o prejuízo registrado na safra 2015/16 aconteceu em razão de oscilações do mercado, especialmente da relação de câmbio entre a moeda e brasileira e o dólar no último ano.
Ressaltam também que “o ambiente de preços do açúcar e do etanol, aliado a volumes estáveis de vendas” beneficiaram a antiga safra e tendem a se manter para a safra 2016/17.
Mesmo com um prejuízo 9% menor, os números da companhia mostram um quadro financeiro um pouco mais preocupante, especialmente em relação às suas dívidas.
As dívidas brutas com financiamentos no fim da safra 2015/16 da Tereos cresceram de 15% na comparação com a safra anterior. No final de março de 2015 a dívida era de R$ 5,3 bilhões e passou para R$ 6,1 bilhões no final de março deste ano.
O documento registra que a maior parte dessa dívida estava denominada em dólares americanos no período, 60% ao todo. A dívida em reais corresponderia a 16%, e em Euro, a 24%.

Curto prazo
Para cumprir os vencimentos em até 12 meses, a Tereos Internacional precisaria de um pouco mais de R$ 1,9 bilhão. A dívida de longo prazo é de mais de R$ 4,2 bilhões.

Vale registrar que o índice de liquidez corrente da companhia atingiu 0,98 frente a 1,00 em 31 de março de 2015. Quando menor que '1', o resultado indica que não haveria disponibilidade suficientes para quitar as obrigações a curto prazo, caso fosse preciso.
Ademais, o lucro bruto da companhia até o fim do exercício em questão foi de R$ 1,8 bilhão.

4,8 bilhões em três anos
Ao se desmembrar o montante da dívida em seus diversos prazos de vencimento, o quadro financeiro da Tereos fica ainda mais nebuloso.
Os débitos que vencem no prazo de um até três anos representam 79% do total devido com financiamentos pela companhia, R$ 4,8 bilhões ao todo.
Já as dívidas com prazo de mais de três anos somam um pouco mais de R$ 1,2 bilhão.

Perspectivas
No relatório, a diretoria da Tereos sugere uma situação de equilíbrio. “Nossa administração acredita que atualmente possuímos todos os recursos necessários para desenvolver nosso plano de negócios e cumprir com todas as nossas obrigações de curto e médio prazo”, destacou o relatório.
De acordo com o balanço, os fluxos de caixa, juntamente com os recursos em caixa e empréstimos futuros seriam suficientes para financiar as necessidades de capital de giro, investimentos de capital e as necessidades de serviço da dívida por no mínimo 12 meses.
Por outro lado, a companhia destaca que “a capacidade de gerar caixa através das operações depende do desempenho operacional futuro, que por sua vez depende de fatores gerais econômicos, financeiros, concorrenciais, de mercado, legislativos, regulatórios, entre outros, muitos dos quais estão além do controle [da mesma]”.
Marina Gallucci – NovaCana