O portal NovaCana fez uma compilação inédita e apresenta o que diversas consultorias consideram de fatores altistas e baixistas para o mercado internacional de açúcar
O açúcar é uma das commodities mais voláteis do mundo. Existem diversos fatores capazes de provocar grandes flutuações nos preços, impactando o mercado spot e mudando o tom das negociações entre os traders.
Com menos sete meses pela frente até a nova temporada global, que começa em outubro, ainda há muito para acontecer que pode frustrar ou coroar as expectativas de mais um ano aquecido para os preços da commodity.
Os últimos relatórios de S&P Global Platts, BTG Pactual, Fitch Ratings, F.O. Licht, além de comentários de diversas instituições ligadas ao mercado internacional do açúcar nos últimos meses, trazem os principais fatores altistas e baixistas do mercado internacional de açúcar e como eles devem influenciar o valor da commodity ao longo dos próximos meses.
A partir dessas informações, o NovaCana realizou um levantamento inédito que reúne a posição de diferentes especialistas sobre os fundamentos que devem influenciar o mercado de açúcar.
Confira a seguir os fatores altistas e baixistas que devem afetar as cotações do açúcar em 2017, além de diversos elementos – nacionais e internacionais – que formam o cenário do mercado.
O açúcar é uma das commodities mais voláteis do mundo. Existem diversos fatores capazes de provocar grandes flutuações nos preços, impactando o mercado spot e mudando o tom das negociações entre os traders.
Com menos sete meses pela frente até a nova temporada global, que começa em outubro, ainda há muito para acontecer que pode frustrar ou coroar as expectativas de mais um ano aquecido para os preços da commodity.
Os últimos relatórios de S&P Global Platts, BTG Pactual, Fitch Ratings, F.O. Licht, além de comentários de diversas instituições ligadas ao mercado internacional do açúcar nos últimos meses, trazem os principais fatores altistas e baixistas do mercado internacional de açúcar e como eles devem influenciar o valor da commodity ao longo dos próximos meses.
A partir dessas informações, o NovaCana realizou um levantamento inédito que reúne a posição de diferentes especialistas sobre os fundamentos que devem influenciar o mercado de açúcar.
Confira a seguir os fatores altistas e baixistas que devem afetar as cotações do açúcar em 2017, além de diversos elementos – nacionais e internacionais – que formam o cenário do mercado.
Fatores altistas
Há quem acredite que ainda é muito cedo para contar com um excedente de açúcar na futura temporada mundial 2017/18 (que começa em outubro), o que pode manter a commodity em patamares elevados de preços. Além disso, na atual temporada global 2016/17 é dado como praticamente certo um segundo ano de déficit, que será igual ou menor do que o experimentado no último ciclo.
Segundo a F.O. Licht, por exemplo, as chances de preços mais altos que os atuais não são ruins, mas o aumento pode ser menor do que o observado em 2016. A instituição prevê um déficit de 5,5 milhões na atual temporada e um excedente de 2 milhões de toneladas em 2017/18.
Ainda assim, a definição dos preços ainda depende especialmente do clima e de seu impacto em diversos países produtores de açúcar. Políticas do atual governo norte-americano e a possibilidade do El Niño são perspectivas ainda incertas que podem trazer alta nos preços.
- Mudanças substanciais na capacidade da União Europeia e deficiências de produção relacionadas com o clima na maioria dos países produtores de cana, que contribuíram para uma queda importante da produção, devem estar estabilizadas na atual temporada global, mas não o suficiente para equilibrar o mercado e, como resultado, haverá um déficit global pelo segundo ano consecutivo (F.O. Licht, fev/17)
- Há a possibilidade de um persistente déficit mundial de açúcar em 2017 e 2018, mesmo que a produção de açúcar nos principais países produtores se expanda em condições climáticas normalizadas – caso da Índia e da Tailândia – e o mix de açúcar seja maximizado. (BTG, fev/2017)
- Apesar do ritmo mais rápido de aumento na produção na safra brasileira 2017/18, o mercado de açúcar deve continuar em déficit, estimado em 462 mil toneladas (veja gráfico). (INTL FCStone, fev/17)

- Existe um potencial limitado de crescimento para a capacidade produção de açúcar no médio prazo, fazendo com que os preços se mantenham altos. (BTG, fev/2017)
- Com a demanda crescendo em aproximadamente 3 milhões de toneladas por ano e uma carência de grandes projetos de expansão de capacidade para o curto prazo, os estoques disponíveis para consumo devem continuar a cair, elevando os preços. (BTG, fev/2017)
- O consumo de açúcar na Ásia deve continuar superando a oferta e não há capacidade de produção para fazer frente à demanda, que vai continuar crescendo. (LMC International, fev/2017)

- Com uma demanda crescente, outro país que deve registrar queda da produção é a Tailândia, segunda maior exportadora de açúcar do mundo. (Fitch, fev/2017)
- Os estoques globais do adoçante devem cair para 63,1 milhões de toneladas no final da safra 2017/18, o menor nível desde a safra 2011/12. (INTL FCStone, fev/17)
- A relação estoques-uso deve cair para 33,8%, o menor índice desde o ciclo 2010/11, quando o preço do contrato contínuo na ICE/NY registrou média de US¢28/lb (INTL FCStone, fev/17)
- O El Niño pode ressurgir no segundo semestre de 2017. Para a produção asiática se normalizar este ano, os países dependem das monções. Esse também é um ponto crucial para a produção de açúcar e para a transição de um saldo neutro a um excedente na temporada 2017/18. Em resumo, com o retorno no fenômeno, a produção asiática ficaria novamente ameaçada, atrapalhando as perspectivas de um excedente. (JPMorgan, fev/17)
- Os negociadores de açúcar também estão preocupados com as incertezas geradas pelas políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A principal delas envolve a revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), buscada pelo novo presidente norte-americano. O acordo facilita a entrada do açúcar mexicano nos Estados Unidos. A longo prazo, essa incerteza pode reduzir os incentivos para que os produtores mexicanos invistam na produção de açúcar. Mais uma vez, esse é um elemento que pode reduzir os níveis mundiais de produção, atrapalhando a expectativa de um excedente. (Bloomberg, fev/17)
Fatores baixistas
Como visto acima, muitos analistas passaram a prever um excedente de produção em 2017/18 e um déficit menor na atual temporada global. Essa perspectiva baixista para os preços ganha reforços diante da possibilidade de uma boa produção de açúcar no Brasil e de uma alta na produção de União Europeia, Tailândia e Índia. Além disso, espera-se um arrefecimento na demanda pelo adoçante, o que deve contribuir para um equilíbrio global.
- Se a produção de açúcar no Brasil for muito boa, os ganhos adicionais nos preços de referência do açúcar bruto na ICE Futures EUA podem ficar limitados. (Reuters, fev/17)
- Espera-se uma maior produção na Europa (UE28 e CIS) e no Brasil, bem como a recuperação significativa na produção da Índia e da Tailândia, onde se observam melhores condições climáticas. (S&P Global Platts, fev/17 e F.O. Licht, fev/17)
- O fim do sistema de cotas de produção na União Europeia, que acaba em 30 de setembro, pode trazer um aumento de 14% na produção, atingindo 19,3 milhões de toneladas. O fato de os preços terem subido 28% em Nova York no ano passado – atingindo os maiores níveis desde 2009 – incentiva essa perspectiva de que produtores aumentarão o plantio. (Kingsman, fev/17)
- O ritmo de crescimento da demanda deve continuar caindo, uma vez que os maiores preços internacionais tendem a impactar o consumo nos países emergentes e o consumo per capita na maioria dos países desenvolvidos vem apresentando trajetória estável ou decrescente. (INTL FCStone, fev/17)
- O crescimento do consumo deverá estagnar em torno de 1%, um índice inferior à média dos últimos 10 anos (1,8%) e do recente recorde de 2,75% em 2012/13. Isto é devido aos preços mais elevados do açúcar e à competição da isoglucose (ou xarope de milho com alto teor de frutose), que agora está mais barato que o açúcar. (S&P Global Platts, fev/17)

Brasil: O que deve tornar a produção de açúcar menos ou mais vantajosa
Conforme apontado em fevereiro pela Copersucar, a alta dos preços do açúcar deve incentivar os usineiros brasileiros a transformarem mais cana no adoçante, o que significa que a produção da principal região de cultivo do país poderá subir neste ano, mesmo com uma safra de cana menor.
Dessa forma, de maneira geral, o cenário é positivo para as companhias brasileiras. A F.O. Licht, entretanto, ressalta que as empresas com melhores posições de caixa são as que tendem a priorizar o açúcar, aproveitando as melhores margens dessa commodity. Ou seja, a recuperação financeira da indústria de açúcar e etanol no Brasil não será uniforme em 2017/18.
Além disso, em seu relatório, a S&P Global Platts levantou muitas dúvidas a respeito da indústria sucroenergética brasileira que podem afetar o mercado de açúcar e etanol – dentro e fora do país.
“Será que, se a chuva continuar na nova temporada, ela dificultará a obtenção de uma mistura de açúcar mais elevada? Quantas usinas têm dinheiro atado e preferem produzir etanol para vendê-lo rapidamente no mercado interno? Quanto etanol ainda será necessário internamente com o fim da incidência do imposto PIS/Cofins? Quão barato o etanol americano ainda será? Qual será o preço mundial da gasolina?”, enumera o documento.
Além disso, com a Petrobras fazendo alterações periódicas no preço da gasolina como parte de sua nova política de preços, há maiores dificuldades para a previsão de preços dos combustíveis neste ano. Para completar, novas diretrizes estão em elaboração pelo governo com o RenovaBio e elas podem consolidar a importância do etanol na matriz energética. Se der certo, isso pode significar um incentivo para a cadeia de etanol, mas a médio e longo prazo.
- A curto prazo, a tendência de priorizar açúcar pode causar forte pressão descendente sobre os preços do etanol hidratado, que compete diretamente com a gasolina na bomba. (F.O. Licht, fev/17)
- Uma redução contínua nos preços da gasolina pela Petrobras pode pressionar o etanol, acelerando uma queda de margem para os produtores. Preço internacional da gasolina e o câmbio serão determinantes. (Fitch, fev/2017)
- As margens robustas do negócio de açúcar compensarão a queda da rentabilidade do etanol esperada para a próxima safra. O etanol deve gerar retornos mais baixos, devido ao fim da isenção de cobrança do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). (Fitch, fev/2017)
- O mix de açúcar continua sendo uma grande questão. Por um lado, nesta temporada, as usinas têm demonstrado sua capacidade de aumentar a participação do açúcar quando o adoçante paga mais que o etanol. Em pouco tempo, o mix de açúcar aumentou quase 5,8 pontos percentuais no ano, indo para 46,42%. A questão, agora, é o quão alto ele pode ir na próxima temporada. (S&P Global Platts, fev/17)
- O cenário em 2017 para o açúcar é encorajador, com maior produção, maior rentabilidade e aumento das exportações, mas a perspectiva de que a safra de cana-de-açúcar permanecerá em grande parte inalterada pode resultar em uma produção moderadamente maior do adoçante. (F.O. Licht, fev/17)
- O real está ficando mais forte, o que reduz potencialmente o incentivo das usinas para a venda do açúcar. A preocupação internacional é que, com a menor vantagem em relação ao dólar, os níveis de preços passem a favorecer o etanol. (JPMorgan, fev/17)
Países: O que pode aumentar ou baixar a produção nos principais produtores
Ainda que os fatores altistas e baixistas já tenham abordado de maneira geral os principais países para o mercado de açúcar, as dinâmicas do segmento podem ser mais complexas. A seguir, foram compilados fatores que podem afetar a produção e o consumo mundial do adoçante a partir da realidade de cada nação.
Tailândia
- Especialistas da indústria não acreditam na concretização dos 25 projetos para implementação de novas usinas de açúcar ou expansão de plantas na Tailândia. (Khonburi Sugar, fev/17)
- Na Tailândia, também se espera que parte da queda observada nos últimos anos seja revertida no próximo ciclo, principalmente considerando que, ao contrário do que ocorreu na Índia, a área plantada no país continuou crescendo de maneira contínua. Nos dois casos, entretanto, a recuperação ainda depende de bons resultados na temporada chuvosa. (INTL FCStone, fev/17)
- Na sequência de condições climáticas desfavoráveis, a produção em 2016/17 não deverá aumentar muito, mesmo que os agricultores continuem a expandir a área de cana-de-açúcar. (F.O. Licht, fev/17)
Índia
- A atual temporada foi marcada por uma série de adversidades climáticas, que comprometeram a produtividade dos canaviais indianos. Dessa maneira, a produção indiana deve recuar para 21,2 milhões de toneladas em 2016/17, 22% inferior à de 27,3 milhões de toneladas observada em 2015/16 (Banco Pine, mar/17)
- O governo da Índia vai rever sua posição e reduzir a tarifa de importação de açúcar, que atualmente é de 40%. Objetivo é estimular as compras externas e garantir o abastecimento interno. (Banco ING, fev/17)
- A Índia precisará importar mais 500 mil toneladas, além das compras de 1,5 milhão de toneladas já previstas, para que os estoques finais permaneçam em torno de 7 milhões de toneladas (OIA, mar/17)
- Os estoques de açúcar na Índia devem cair 54% e atingir 4,2 milhões de toneladas ao término da safra 2016/17 (Banco Pine, mar/17)
- As monções da Índia poderão escapar dos efeitos de um possível retorno do fenômeno El Niño, que provoca clima seco no país e prejudica a safra de cana-de-açúcar. Como é provável que o El Niño se desenvolva só no fim deste ano, ele não deve causar impactos na estação de chuvas. (Departamento de Meteorologia da Índia, mar/17)
União Europeia
- Com o fim das cotas de produção, dada a perspectiva de preços mais baixos no mercado doméstico, o risco de um agricultor mudar da beterraba para outro cultivo se tornou maior. A cultura da beterraba já não será mais e isso introduz um elemento de incerteza que aumentará o nível de volatilidade. (F.O. Licht, fev/17)
- Embora o plantio de beterraba esteja a alguns meses de distância, o clima permanece muito seco em toda a Europa e isso poderia ter um impacto sobre a área plantada em geral. A safra do continente está sujeita a muitos riscos climáticos, sendo que alguns produtores já têm indicado preocupação com a baixa umidade dos solos. (S&P Global Platts, fev/17)
- Mesmo diante dos riscos climáticos a que a UE está sujeita, espera-se que a produção do bloco aumente em mais de 15%, uma vez que muitas usinas são competitivas para a exportação considerando o nível atual de preços. (INTL FCStone, fev/17)
- Para esse ano, a maioria dos produtores de açúcar de beterraba pediu aos seus agricultores para expandir a tonelagem contratada em uma média de cerca de 20%, a fim de melhor utilizar as capacidades existentes e reduzir o custo de produção. A maioria dos agricultores respondeu positivamente. (F.O. Licht, fev/17)
- A necessidade das usinas de maximizar as taxas de utilização, a fim de reduzir os custos por unidade, fará com que os operadores tenham que investir muito mais em pesquisa de mercado do que até o momento, redirecionando os investimentos. Com isso, a beterraba vai se tornar menos atraente do que costumava ser para os produtores e é provável que os pequenos agricultores fiquem de fora do mercado, especialmente se todos os planos de expansão se concretizarem, o que exerceria uma pressão considerável sobre os preços do açúcar e, portanto, da beterraba. (F.O. Licht, fev/17)
China
- Os analistas preveem um salto significativo na produção de açúcar da China nesta temporada, que começou em novembro, graças a padrões de chuvas mais normais nas regiões de cana do sul em comparação com o ano passado. (Reuters, jan/17)
- Os próximos passos da China são uma incógnita. As importações chinesas podem ter um aumento surpreendente. A nação já espantou os negociadores no ano passado, adquirindo 3,7 milhões de toneladas de açúcar branco, mesmo com seus estoques elevados. (RCMA Commoditites, fev/17).
- As dúvidas sobre o posicionamento da China em relação às importações são constantes. Em tempos de aumento dos preços, os altos requisitos chineses fornecem muito mais do que apenas apoio psicológico para o mercado. No mundo volátil do açúcar, eles poderiam fornecer uma âncora muito necessária de estabilidade. (F.O. Licht, fev/17)
Marina Gallucci - NovaCana