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Safra de cana 2023/24 terá recuperação no campo e maior diluição de custos, diz Pecege

Analistas esperam uma maior rentabilidade na temporada, com projeção de moagem de 587 milhões de toneladas

NovaCana 14 min de leitura

Com a finalização oficial da safra de cana-de-açúcar 2022/23, é chegado o momento de olhar para trás e analisar os fatores e eventos que marcaram a temporada. A partir deste conhecimento, começam os planejamentos para a produção do ciclo que se inicia em abril.

Foi com essa intenção que um grupo de analistas do Pecege se reuniu para uma apresentação dirigida ao mercado sucroenergético. No encontro, eles discutiram os resultados da safra, com destaque para custos de produção, preços de produtos e de matéria-prima e projeções para a nova temporada.

Além disso, a rentabilidade vista em safras passadas e a expectativa de melhora, faz com que o futuro pareça promissor para as sucroenergéticas. A analista Beatriz Ferreira trouxe quatro casos de grupos que pretendem realizar investimentos nesta temporada, ampliando suas capacidades ou instalando novas unidades.

Já o especialista em gestão de custos de produção no agronegócio, Glauber dos Santos, informa que a projeção do instituto é de que o rendimento dos canaviais aumente cerca de 7,8% nesta nova temporada.

Por sua vez, o analista Raphael Delloiagono declara que o ciclo 2023/24 será uma sequência do anterior. Levando em conta o histórico, ele relembra que o ciclo 2021/22 foi de quebra por conta de intempéries, 2022/23 apresentou alguns passos à frente, e 2023/24 deverá ser de continuidade, em termos dos indicadores do campo.

Em relação aos preços dos produtos, o analista Peterson Arias aponta que o etanol segue uma tendência negativa, enquanto o açúcar continuará interessante ao produtor. Este cenário indica que os produtores continuarão dando preferência à fabricação do adoçante.

Em contrapartida, o clima poderá ser um novo fator preocupante. Os analistas contam que existe uma possibilidade de ocorrer El Niño, o que poderá acarretar chuvas antes do esperado na região Centro-Sul, resultando em um aceleramento da safra e da colheita.

Para completar, os especialistas do Pecege também fizeram um resumo de como foi a safra 2022/23 para os produtores, definindo as principais métricas da temporada. Eles ainda discutiram a rentabilidade, definindo o impacto da desoneração dos impostos e a quebra de expectativa por parte das usinas no decorrer dos meses.

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere mais detalhes sobre:

- Expectativas de produção para 2023/24
- Cenário de custos e preços
- Novos investimentos
- Métricas da safra 2022/23

Com a finalização oficial da safra de cana-de-açúcar 2022/23, é chegado o momento de olhar para trás e analisar os fatores e eventos que marcaram a temporada. A partir deste conhecimento, começam os planejamentos para a produção do ciclo que se inicia em abril.

Foi com essa intenção que um grupo de analistas do Pecege se reuniu para uma apresentação dirigida ao mercado sucroenergético. No encontro, eles discutiram os resultados da safra, com destaque para custos de produção, preços de produtos e de matéria-prima e projeções para a nova temporada.

Além disso, a rentabilidade vista em safras passadas e a expectativa de melhora, faz com que o futuro pareça promissor para as sucroenergéticas. A analista Beatriz Ferreira trouxe quatro casos de grupos que pretendem realizar investimentos nesta temporada, ampliando suas capacidades ou instalando novas unidades.

Já o especialista em gestão de custos de produção no agronegócio, Glauber dos Santos, informa que a projeção do instituto é de que o rendimento dos canaviais aumente cerca de 7,8% nesta nova temporada.

Por sua vez, o analista Raphael Delloiagono declara que o ciclo 2023/24 será uma sequência do anterior. Levando em conta o histórico, ele relembra que o ciclo 2021/22 foi de quebra por conta de intempéries, 2022/23 apresentou alguns passos à frente, e 2023/24 deverá ser de continuidade, em termos dos indicadores do campo.

Em relação aos preços dos produtos, o analista Peterson Arias aponta que o etanol segue uma tendência negativa, enquanto o açúcar continuará interessante ao produtor. Este cenário indica que os produtores continuarão dando preferência à fabricação do adoçante.

Em contrapartida, o clima poderá ser um novo fator preocupante. Os analistas contam que existe uma possibilidade de ocorrer El Niño, o que poderá acarretar chuvas antes do esperado na região Centro-Sul, resultando em um aceleramento da safra e da colheita.

Para completar, os especialistas do Pecege também fizeram um resumo de como foi a safra 2022/23 para os produtores, definindo as principais métricas da temporada. Eles ainda discutiram a rentabilidade, definindo o impacto da desoneração dos impostos e a quebra de expectativa por parte das usinas no decorrer dos meses.

O que esperar da temporada 2023/24

A princípio, a moagem esperada pelo Pecege para a safra é de 587 milhões de toneladas, demonstrando uma recuperação mais robusta em comparação com a temporada anterior, conta Delloiagono.

No que se refere à produtividade, Santos alerta para a quantidade de chuvas. Em dezembro, janeiro e fevereiro houve muita precipitação e, segundo ele – ainda que haja um lado positivo, pois é um período de pleno desenvolvimento da cana –, isso dificulta o plantio.

Delloiagono aponta que água, luz e calor são essenciais para que a cana chegue saudável e com um bom nível de produtividade no pico da safra, entre junho e julho. Mas as chuvas vistas em março deixam o solo úmido, o que pode ser um ponto negativo para a qualidade da gramínea, especialmente nos primeiros cortes da temporada.

“Tem um efeito sazonal, com [o rendimento] sendo mais baixo no começo da safra por conta do excesso de chuvas que estamos vendo agora”, explica o analista.

Ele também destaca o risco de ocorrência do El Niño, fenômeno climático que poderá antecipar as chuvas no Centro-Sul e dificultar as operações no campo entre os meses de agosto e outubro. Uma possibilidade, segundo Delloiagono, seria acelerar a safra e “colher a maior quantidade possível antes do início das chuvas”.

Ao mesmo tempo, o analista explica que essa ação terá impacto na qualidade da cana, que ainda não terá atingido o seu nível de maturação pleno. As chuvas em excesso também podem aumentar as chances de uma parcela da plantação continuar no campo, aguardando a próxima safra.

Mas Ferreira pondera que ainda há incertezas a respeito do El Niño e do consequente encurtamento da safra: “Vamos tentar ser positivos e pensar que haverá uma diminuição do custo e um aumento da rentabilidade”.

Preço e custos de produção

Quanto aos custos de produção para esta nova temporada, Arias acredita que existem fatores que poderão ser revertidos. O preço dos fertilizantes, por exemplo, teve um movimento descendente. Da mesma maneira, o diesel está sendo impactado pelas quedas do petróleo.

“Contando com o ganho de produtividade, vemos um cenário bem positivo em termos de custo”, declara.

Ferreira corrobora com essa percepção: “O custo médio pode reduzir entre 7% e 8%, uma queda significativa. É uma reversão de tendência na qual eu vou ter diminuição do custo nominal, o que não era visto há muito tempo”.

Já em termos de preço, Arias aponta que o etanol segue uma tendência negativa, enquanto o açúcar continua interessante ao produtor. Ele define que esse contexto acaba sendo parecido com o do ano anterior, mas a possibilidade de menores custos tornaria o cenário positivo.

Por conta disso, Delloiagono aposta que as usinas manterão a preferência para a produção de açúcar, uma tendência vista desde 2020, com a chegada da pandemia de covid-19. Ele pondera que, mesmo com a volta dos tributos sobre combustíveis, o etanol deve permanecer com um preço abaixo do adoçante. Assim, segundo o analista, é possível que a fabricação de biocombustível demande 53% da matéria-prima em 2023/24.

Mas Ferreira ressalta que, apesar da alta no mercado de açúcar, boa parte das usinas já fixou contratos futuros em um preço médio de 18 centavos de dólar por libra-peso. “[Essas companhias] não vão sentir essa elevação tão significativa na receita”, analisa.

Próximos investimentos

Com a melhora na rentabilidade vista nas últimas safras, Ferreira contabiliza que pelo menos quatro grupos sucroenergéticos devem aumentar a capacidade de moagem ou investir em novas unidades.

Ela cita a Nardini, que vai inaugurar uma usina em Goiás, em um projeto que ficou parado por algum tempo. A analista também menciona a Cerradinho, que está construindo uma planta de etanol de milho no Mato Grosso do Sul, a qual deve ficar pronta ainda este ano.

A Raízen, por sua vez, tem aplicado fortemente no etanol de segunda geração (E2G), com planos de alcançar 20 plantas até 2030. Ferreira ressalta que esta produção não requer aumento da área plantada e resulta em um melhor aproveitamento agrícola.

Arias complementa que o E2G envolve uma forma de comercialização diferente do etanol tradicional: “É um mercado externo. Não se trata apenas de recurso financeiro, pois exige um conhecimento para sua expansão”. Ele ainda chama atenção para o fato de que os investimentos foram focados no mercado de etanol, que ainda sofre com oscilações.

Neste quesito, Ferreira cita a Coruripe, que está expandindo a planta de Limeira do Oeste (MG) ao utilizar os ativos industriais de uma usina do Paraná, adquirida pelo grupo. Ela destaca que a planta, que fabricava apenas etanol, agora também vai iniciar a produção do açúcar VHP, para exportação.

“O cenário é de uma usina se protegendo dessa possível volatilidade do preço do etanol, diversificando o mix dentro de uma unidade vigente”, explica a analista.

Delloiagono ainda comenta a pesquisa do Pecege sobre intenção de investimento. Ele aponta que mais da metade das usinas respondentes afirmaram que querem expandir seus projetos de irrigação. Além disso 6% não possuem estrutura na área, mas pretendem adquirir.

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Um resumo da safra 2022/23

Olhando para trás, Arias pondera sobre o preço do etanol. De acordo com ele, este foi o produto que mais oscilou em 2022/23 e acabou por determinar parte da dinâmica do mercado. “No começo da safra, o preço [do etanol] estava alto e todo mundo esperava um mix alcooleiro”, lembra.

Porém, com o início da guerra no Leste Europeu e o aumento expressivo dos valores do petróleo, começaram a ser discutidas as revisões de tributação, visando abaixar o preço dos combustíveis – o que acabou afetando o etanol. “Quando foi efetivada a desoneração, os preços do etanol e da gasolina caíram muito e as expectativas acabaram se invertendo”, explica.

O açúcar, por outro lado, manteve-se estável e até mesmo registrou uma tendência de alta, como esclarece o analista Raphael Delloiagono. Ele também aponta que a saca de 50 quilos do produto não ficou abaixo dos R$ 100 em São Paulo, o que foi importante para equilibrar os preços do setor.

Os especialistas do Pecege mencionam que essa variação de preços entre os produtos sucroenergéticos refletiu no valor da cana, calculado por açúcar total recuperável (ATR). “O preço da matéria-prima foi semelhante ao visto na safra passada, cerca de R$ 1,17 por quilo de ATR, o que não é de todo ruim”, afirma Delloiagono.

Aria lembra que esse valor serve como uma referência para a receita do setor e que, mesmo com as oscilações, ele repetiu a média do ano anterior.

Santos ainda explica que os custos de produção subiram em uma margem de quase 15% em 2022/23, saindo de R$ 145 por tonelada de cana-de-açúcar no ciclo anterior, para R$ 168/t. Já Ferreira destaca que os dois principais “vilões” para o aumento destes valores foram os insumos químicos e o diesel.

No caso dos fertilizantes, Ferreira exemplifica que, na amostra de usinas do Pecege, eles correspondem a 50% das compras de insumos e representam em torno de 15% do custo total da cana. “Com qualquer variação no preço dos fertilizantes, o custo da cana vai ser fortemente afetado”, sustenta.

A analista expõe que os preços destes produtos já seguiam uma tendência de alta no início de 2021, mas que a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro do ano seguinte, fez os valores escalonaram. Os insumos nitrogenados, por sua vez, sentiram o impacto da crise no fornecimento de gás natural da Europa, também derivada da guerra.

Já a alta do preço do petróleo refletiu nos valores pagos pelo diesel utilizado nas usinas. “As operações que se concentraram principalmente no começo da safra e da entressafra sofreram com esse aumento”, afirma Ferreira.

Arias complementa que, no caso do diesel, é complexo planejar períodos de aquisição porque é um insumo muito usado nas operações do campo.

Apesar disso, Ferreira observa que o cenário geral de custos manteve-se estável em comparação com o ciclo 2021/22, uma vez que alguns efeitos foram neutros ou até mesmo atenuaram as pressões altistas desses dois componentes – fertilizantes e diesel.

Santos analisa o quadro por outro ângulo. Segundo ele, a alta dos fertilizantes acabou afetando outras pontas de tecnologia do setor sucroenergético, como o uso de vinhaça localizada, que passou por uma alta adesão no período.

Entretanto, ele aponta que, na mais recente pesquisa de intenção de investimentos pelas usinas, realizada pelo Pecege, a resposta em relação ao uso da vinhaça não foi tão alta quanto o esperado pelos analistas.

“O setor é de momento, concentra esforços no que precisa ser feito agora e, depois, vê qual será a dor maior”, desenvolve Santos. Mas os especialistas consideram que, com o Brasil sendo importador de fertilizantes, o aumento no uso da vinhaça poderia reduzir a volatilidade desse mercado.

Além disso, Ferreira complementa que o custo industrial também sofreu aumentos importantes com mão-de-obra e manutenção, valores que acabaram não sendo compensados pela alta da moagem. Segundo ela, no recorte da amostra do Pecege, o custo industrial total teve um acréscimo de 20%, considerando depreciação e remuneração de capital fixo.

Rentabilidade da última temporada

Os gastos agrícolas, por outro lado, foram diluídos pela retomada da produtividade, conta Ferreira: “Ainda que [os valores absolutos estejam] em patamares historicamente baixos, na nossa amostra, houve um aumento em torno de 6% no TCH [toneladas de cana por hectare]”.

Ela afirma que, sem esse incremento, o custo-caixa das usinas teria sido mais alto. Ferreira também considera que, em reais por hectare, o aumento do custo-caixa foi de 18%, mas a variação vai a 12% quando o indicador é calculado em reais por tonelada.

“Se não fosse esse aumento de produtividade, a situação seria muito mais complicada no campo e na indústria”, declara.

A analista destaca que, com o preço de ATR estável, tanto o custo de produção quanto o custo dos produtos vendidos foram pressionados. Em consequência, segundo ela, há uma menor geração de caixa.

“Se ocorre essa menor geração operacional de caixa é muito provável que a gente veja uma margem Ebitda ajustada pelo capex, e até um fluxo de caixa livre da empresa sobre a despesa financeira, muito menor do que em 2021/22”, coloca.

Assim, Ferreira resume a safra 2022/23 como um período de recuperação parcial da produtividade, com preços quase constantes e custos pressionados. Ela ainda afirma que a rentabilidade foi decrescente, mas ainda positiva, podendo gerar caixa o suficiente para destravar alguns investimentos travados no setor.

Arias corrobora com o argumento, alegando que o efeito da produtividade foi um fator que auxiliou para que a temporada não decaísse tanto. Ele ainda destaca que essa ajuda foi um tanto artificial, uma vez que a base anterior, a safra 2021/22, foi de quebra.

Impacto da desoneração dos impostos

Delloiagono também relata que a desoneração tributária afetou o preço do etanol nas usinas em cerca de R$ 0,15 por litro. Segundo ele, considerando que a temporada deve encerrar com um valor médio para o biocombustível entre R$ 2,80/L e R$ 2,90/L, o preço do renovável poderia ter ficar ficado acima de R$ 3/L, “se não fossem essas complicações tributárias”.

No mesmo contexto, ele afirma que os impostos, na média do período, poderiam acrescentar cerca de R$ 0,02 ao preço da matéria-prima. “São dois centavos no preço do quilo, mas se multiplicamos pela quantidade total produzida ao longo da safra, resulta em cifras absurdas”, ressalta.

Por sua vez, Santos afirma que as alternâncias do mercado são um ponto de atenção para os produtores. “As usinas fazem uma organização e, no meio do caminho – e nesse caso por questões políticas –, é preciso mudar todo o planejamento orçamentário”, destaca.

Para exemplificar tal descompasso, Ferreira conta que, no começo de 2022, em uma visita a uma destilaria, o diretor comercial foi informado no meio da reunião de que a expectativa receita da companhia tinha caído em vários milhões e que o orçamento teria que ser ajustado.

“Isso é muito ilustrativo. As dificuldades que o setor enfrentou em 2022/23, continuarão para 2023/24”, afirma e completa: “É preciso aprender a lidar com as adversidades e inconstâncias que o setor vem vivendo nos últimos anos”.

Giully Regina – NovaCana

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