Os investimentos sucroenergéticos devem ser comedidos na próxima safra, que se inicia oficialmente em abril. Uma pesquisa do Pecege Consultoria e Projetos apontou uma maioria de respostas negativas, indicando que as usinas consultadas não devem realizar muitos aportes nas áreas questionadas.
“De uma maneira geral, o setor está trabalhando com uma expectativa de redução de receitas, refletida pelo menor nível do preço do ATR [açúcar total recuperável] projetado”, disse o Pecege em seu relatório de entressafra, enviado aos clientes em janeiro. “Tal movimento deve ocasionar um estreitamento das margens do setor e desestimular investimentos em novas tecnologias durante esse próximo ciclo”.
Conforme o levantamento, a área que mais deve receber atenção das usinas é a de irrigação: das 55 empresas consultadas, 25 afirmaram que já possuem projetos e que planejam expandir; além disso, 11 não possuem investimentos prévios, mas querem fazer aportes em 2023/24. Em contrapartida, nenhuma das companhias ouvidas pretende aplicar recursos em biogás.
“Irrigação segue sendo a bola da vez. Porém, percebe mais valor na tecnologia quem já faz uso. Afinal, metade da amostra já possui e vai expandir na próxima safra”, relata o professor e gestor de projetos do Pecege, João Rosa, em suas redes sociais.

Ele também destaca a vinhaça concentrada, que recebeu oito respostas positivas de usinas, todas de quem já possui investimentos na área. Assim, nenhum interesse novo foi registrado.
“[A vinhaça concentrada] dominou os eventos técnicos no ano passado. Aparentemente, o receio de investimentos e a redução do preço do adubo vem segurando o direcionamento de recursos e decisões neste sentido”, analisa.
As demais áreas consultadas foram: fábrica de biológicos, secagem de levedura, biodigestor e biometano.
A amostra presente no levantamento envolve 26 grupos sucroenergéticos, que controlam 55 unidades. Estas companhias estão presentes em seis estados e moeram 130,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2022/23, volume equivalente a 24,1% das 543,89 milhões de toneladas moídas pelo Centro-Sul até 16 de março de 2023.
Renata Bossle – NovaCana
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