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Safra do ano que vem (2016/17) será afetada pelo envelhecimento e baixa renovação dos canaviais

canavial 140515O consenso entre os agentes do setor é que o arroxo do crédito às usinas e a consequente redução nos investimentos em replantio trarão efeitos adversos à safra canavieira do Centro-Sul

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Se por um lado a expectativa de um clima “melhor” refletiu em projeções mais otimistas para a moagem de cana-de-açúcar do Centro-Sul na atual safra, por outro, a baixa taxa das de renovação e o envelhecimento das lavouras pode resultar numa redução do processamento da matéria-prima em 2016/17.

Em relatório divulgado esta semana, a consultoria Platts Kingsman fez suas primeiras apostas para a próxima safra canavieira.

Se por um lado a expectativa de um clima “melhor” refletiu em projeções mais otimistas para a moagem de cana-de-açúcar do Centro-Sul na atual safra, por outro, a baixa taxa das de renovação e o envelhecimento das lavouras pode resultar numa redução do processamento da matéria-prima em 2016/17.

Em relatório divulgado esta semana, a consultoria Platts Kingsman fez suas primeiras apostas para a próxima safra canavieira. Pessimista, a empresa projeta uma moagem de 570 milhões de toneladas de cana em 2016/17, uma redução de 15 milhões de toneladas em relação ao estimado pela consultoria para a safra atual.

O resultado seria praticamente o mesmo obtido na safra anterior (2014/15), mas ficaria bem abaixo da moagem recorde de 597 milhões de toneladas alcançada em 2013/14.

“A medida em que a idade dos canaviais está aumentando, como resultado das baixas taxas de renovação, acreditamos que haverá um impacto [disso] na safra do ano que vem. Portanto, mesmo que as condições climáticas se provem boas, nós esperamos uma moagem de 570 milhões de toneladas”, disse a empresa. O número inclui 10 milhões de toneladas de cana bisada que serão carregadas desta para a próxima safra.

Safra atual

Para este ciclo canavieiro, a Platts Kingsman estima um aumento de 0,2 anos na idade média das lavouras, de 3,5 para 3,7 anos, patamar bem acima do que a consultoria considera como “ideal” – 2,8 a 3 anos.

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O valor é semelhante ao estimado pela concorrente Czarnikow, que projeta uma idade média de 3,5 anos para os canaviais do Centro-Sul.

Cana mais velha e produtividade

Segundo consultorias, a cana mais velha trará um impacto sobre a produtividade da matéria-prima já nesta safra.

Para o ciclo 2015/16, a Platts estima um ATR médio de 135,5 kg/ton, valor 0,8% abaixo dos 136.58 kg/ton registrados em 2014/15.

Canaplan, Banco Pine e FC Stone, por sua vez, preveem valores de ATR de 136, 134.5 e 135.2 kg/ton, respectivamente.

O consenso entre os agentes do setor é que o arroxo do crédito às usinas e a consequente redução nos investimentos em replantio trarão efeitos adversos à safra canavieira do Centro-Sul.

“Nós iniciamos o outono com um canavial desiquilibrado. Nós tivemos um plantio em nível muito aquém do necessário em 2014. Isso acontece num momento econômico do país muito complexo. Nós tivemos a seca de clima em 2014 e vamos ter a seca de crédito em 2015. Juntas, estas secas prometem problemas [para a safra de cana do Centro-Sul]”, comentou, recentemente, o sócio-diretor da Canaplan, Luiz Corrêa Carvalho.

“Algumas usinas e fornecedores em situação complicada deverão cortar [investimentos] em tratos culturais. Há o benefício da volta de um clima [positivo], com chuvas normais nesta safra, mas ainda há o impacto da seca e as consequências do aperto financeiro no setor”, disse o estrategista de açúcar e etanol do banco holandês Rabobank no Brasil, Andy Duff.

As estimativas de safra apresentadas pela Platts esta semana, além da análise completa de outras 12 consultorias para a safra 2015/16, estão disponíveis aqui.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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