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S&P reavalia rentabilidade e crédito da São Martinho

Sao-Martinho Usina-Boa-Vista-Grupo 241114A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P)apresentou uma análise do grupo sucroenergético São Martinho e apresentou uma visão de como o mercado vai se comportar e como pode afetar os resultados financeiros

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A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P)apresentou uma análise do grupo sucroenergético São Martinho e apresentou uma visão de como o mercado vai se comportar e como pode afetar os resultados financeiros.

A análise avalia as perspectivas com a economia seguindo seu curso esperado, projeta a moagem para esta e a próxima safra e estressa os dados da São Martinho em caso de um hipotético default no governo soberano.

A S&P ainda destacou as principais fontes de liquidez da São Martinho.

O grupo São Martinho demonstra desempenho operacional sólido e estável aos olhos da agência de classificação de risco S&P, o que mantém a companhia acima do rating soberano do país e com uma perspectiva estável mesmo em cenário de agravamento do cenário macroeconômico nacional.

Ao exercitar o cenário hipotético de default do governo soberano brasileiro, a agência de classificação de riscos avalia que a companhia deve manter “sua posição de liquidez adequada e desempenho operacional forte, além de continuar honrando o serviço de sua dívida”.

As conclusões foram apresentadas em recente relatório sobre a análise financeira da companhia.

Cenário atual: doce mercado

A S&P destacou que, no atual cenário da economia, a São Martinho coloca-se em posição diferenciada tanto pelo desempenho operacional forte como pelo rendimento agrícola acima da média. Esse perfil combinado ao atual ciclo de preços mais altos do açúcar no mercado global e os do etanol estáveis deve beneficiar o fluxo operacional de caixa livre da companhia, resultando na melhora das métricas de crédito nos próximos anos.

A participação da São Martinho no mercado externo, com suas participações de açúcar, que representam 50% de suas receitas, reduz a correlação entre seus negócios e as condições macroeconômicas locais. Esse é um dos fatores que permitem à empresa ser avaliada acima do rating soberano brasileiro.

A agência de avaliação de riscos projeta um aumento entre 30% a 40% nos preços médios do açúcar para o exercício fiscal de 2017 versus os registrados no de 2016, em razão da expectativa de dois anos consecutivos de déficit na oferta global da commodity e do efeito da desvalorização cambial na alta recorde dos preços do açúcar em reais.

Além disso, em cenário de estresse, mais uma vez faz a diferença o fluxo de caixa mais forte proveniente das exportações. A depreciação do real compensaria o impacto da queda nos preços das commodities e o da inflação nos custos, bem como o efeito da depreciação cambial em sua posição de dívida de curto prazo em moeda estrangeira. A S&P estressou os dados da São Martinho em caso de um hipotético default no governo soberano e, segundo a agência, a companhia passou no teste.

Por outro lado, a S&P limita o rating da companhia “a dois degraus acima do rating do Brasil”. A razão é que a São Martinho ainda possui uma forte correlação com a economia brasileira, uma vez que seu negócio de etanol e cogeração de energia depende 100% do mercado doméstico e representa cerca de 60% do seu EBITDA.

Aumento de moagem

Outro fator que conta a favor dos resultado da São Martinho é o aumento gradual da sua capacidade de moagem, sobretudo na recém-integrada usina Santa Cruz. Anunciada em setembro desse ano, a capacidade de moagem da unidade passará de 5,2 milhões para 5,6 milhões de toneladas por safra. Os investimentos, estimados em R$ 44 milhões já estão em andamento.

A S&P acredita que “as localizações favoráveis das usinas da empresa, a continuidade de investimentos adequados nos canaviais e sua tecnologia agrícola avançada sustentarão suas margens EBITDA, dando suporte à sua posição competitiva e ao seu perfil de risco de negócios”.

Dessa maneira, a S&P projeta que a empresa moa um volume 20,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na atual safra (2016/2017) e de 21 milhões de toneladas na próxima (2017/2018). Acompanhando o volume de moagem, as margens EBITDA devem melhorar gradualmente, alcançando cerca de 52% no exercício fiscal de 2017, ante 50% no de 2016, após a integração total da usina Santa Cruz e dado o atual cenário de preços.

Liquidez

A “posição de liquidez resiliente” também é elemento de destaque da S&P sobre o desempenho da companhia. A agência avalia que a São Martinho possui certa concentração de dívida a vencer no curto prazo, principalmente relacionada a linhas de financiamento à exportação, as quais são normalmente renovadas automaticamente.

Por outro lado, a empresa já teria realizado alguns pré-pagamentos consideráveis no primeiro trimestre do exercício fiscal de 2017, os quais, após a emissão de CRAs no valor de R$ 350 milhões em julho e outros refinanciamentos de dívida, recompuseram sua posição de caixa.

“Esperamos que a empresa continue a gerar um forte FOCF [Fluxo Operacional de Caixa Livre] nos próximos anos, melhorando sua posição de liquidez. Entendemos que a empresa possua uma gestão de risco em geral prudente e um sólido relacionamento com os bancos, o que também sustenta nossa avaliação de sua liquidez. Observamos significativa folga em suas cláusulas contratuais restritivas (covenants)”, destaca.

A S&P ainda destacou como as principais fontes de liquidez da São Martinho são:

- A posição de caixa de R$ 616 milhões em 30 de junho de 2016;

- A Geração de FFO [Funds from operations] de R$ 1,3 bilhão nos próximos 12 meses;

- O financiamento de dívida contratado e emissão de CRAs de R$ 1 bilhão após junho de 2016.

Perspectivas crédito e avaliação

Com todo esse quadro financeiro, S&P optou por manter a classificação da São Martinho estável em BB+ na escala global e 'brAA+' na Escala Nacional Brasil. “Esperamos que a empresa registre métricas de crédito mais fortes nos próximos dois anos, apesar dos níveis de capex ainda altos, se beneficiando de uma sólida eficiência operacional, estratégia de hedge assertiva e dos preços do açúcar atualmente elevados”.

A S&P ainda destaca que um cenário de rebaixamento é considerado “improvável” já que se espera melhora contínua das métricas financeiras e a previsão que a avaliação fique inalterada nos próximos 12 a 18 meses.

No entanto, caso ocorresse, o rebaixamento seria derivado de condições climáticas adversas que afetem o rendimento agrícola, combinadas a uma reversão abrupta nos preços do açúcar e etanol.

Esses fatores, enfraqueceriam a geração de FOCF [Fluxo Operacional de Caixa Livre] da empresa e pressionando seu colchão de liquidez no cenário de estresse para ser avaliada acima do rating soberano do Brasil. Nesse cenário, seu índice de dívida sobre EBITDA ficaria próximo a 4x, FFO [Funds from operations] sobre dívida abaixo de 20% e FOCF próximo a zero ou negativo.

Em resumo as perspectivas da S&P para as métricas de crédito para os próximos dois anos são:

- EBITDA ajustado em torno de R$ 1,7 bilhão e R$ 1,9 bilhão nos exercícios fiscais de 2017 e 2018, respectivamente;

- FOCF [Fluxo Operacional de Caixa Livre] de cerca de R$ 360 milhões no ano fiscal de 2017 e R$ 660 milhões no de 2018;

- Dívida sobre EBITDA em torno de 2x2,5xno exercício de 2017 e cerca de 2x no de 2018;

- FFO [Funds from operations] sobre dívida entre 35% e 40% no exercício fiscal de 2017 e acima de 45% no de 2018;

- FOCF sobre dívida na faixa de 10%-15% no exercício fiscal de 2017 e em torno de 15%-20% no de 2018.

Marina Gallucci – NovaCana

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