NovaCana

Em ritmo de desalavancagem: Jalles Machado recebe perspectiva positiva da S&P

jalles-machado-020916O ritmo geral é de desalavancagem. Esse foi o diagnóstico principal dado pela agência de classificação de risco S&P Global Ratings para o grupo sucroenergético Jalles Machado

NovaCana 4 min de leitura

Os sinais de que o setor está entrando numa fase muito melhor estão por toda parte. O ritmo geral é de desalavancagem. Esse foi o diagnóstico principal dado pela agência de classificação de risco S&P Global Ratings para o grupo sucroenergético Jalles Machado, que controla duas usinas em Goiás.

A seguir os indicadores que chamaram a atenção da S&P, para o bem e para o mal.

Os sinais de que o setor está entrando numa fase muito melhor estão por toda parte. O ritmo geral é de desalavancagem. Esse foi o diagnóstico principal dado pela agência de classificação de risco S&P Global Ratings para o grupo sucroenergético Jalles Machado, que controla duas usinas em Goiás.

A companhia, conforme relatório, é mais uma das empresas que está se beneficiando dos preços favoráveis do açúcar no mercado internacional para melhorar sua geração de caixa. Com isso, a S&P decidiu manter a classificação global da Jalles Machado em BB e a nacional em brA, mas melhorou sua perspectiva, que foi de estável para positiva.

“A perspectiva positiva reflete a probabilidade de uma elevação nos próximos 12 a 18 meses se a Jalles continuar melhorando sua liquidez, em combinação com um histórico mais longo de índices de alavancagem baixos”, afirma o documento.

De acordo com a S&P, a possibilidade de elevação dos ratings da companhia é de “uma chance em três”.

Melhora nos indicadores financeiros

Segundo os números avaliados, a empresa deve apresentar um aumento da receita líquida na atual safra, atingindo R$ 770 milhões. Para 2017/18, a perspectiva é de uma receita de R$ 820 milhões.

jalles-machado-260816-receita

Além dos melhores preços, que devem trazer resultados para os próximos trimestres, a Jalles Machado também teria registrado uma eficiência operacional acima da média do setor, o que ajudou a empresa a ganhar a confiança da agência.

A rentabilidade da empresa tem estado consistentemente acima da média, com alta produtividade em suas plantações, o que lhe possibilita operar perto da capacidade total e diluir custos fixos

Outro aspecto destacado foram os níveis de investimentos administráveis para a safra de 2017/18. “[A Jalles Machado tem um] histórico provado de índices de alavancagem menores, mesmo durante ciclos de queda de preços do açúcar no mercado global, condições climáticas desfavoráveis e volatilidade do real”, elogia a S&P.

Durante a crise do setor energético, muitas empresas apresentaram índices de alavancagem desfavoráveis. Isso significa que os recursos de terceiros tiveram um custo maior do que os retornos, um aspecto evidenciado especialmente pelas mudanças no câmbio, que afetaram as companhias com dívidas fixadas em dólar.

Com a diminuição da alavancagem – como está acontecendo com a Jalles Machado – cai também o grau de risco da empresa para os investidores. Isso foi possível, segundo a S&P, porque a empresa conseguiu aumentar o fluxo de caixa e reduzir suas dívidas.

Ainda assim, a agência de classificação de risco alerta que a liquidez da empresa ainda é considerada como sendo “menos que adequada”, com as fontes de caixa excedendo os usos no ano fiscal de 2017 em uma relação de 10% a 15%.

“Nossa avaliação da liquidez reflete a melhora na geração de fluxo de caixa da empresa, acompanhando a alta nos preços do açúcar e do etanol e também o alongamento nos prazos de uma parte dos seus vencimentos de curto prazo, o que foi mitigado por capex e exigências de capital de giro sazonais mais altos do que os da safra de 2016”, complementa.

A expectativa é que, na safra 2016/17, o total de investimentos (capex) da Jalles Machado seja de R$ 350 milhões.

Venda da Codora Energia e aumento do Ebitda

Um dos principais indicadores de risco analisados pela S&P é a dívida sobre o Ebitda, medindo o comprometimento com empréstimos e financiamentos em relação ao quanto a empresa gera de recursos apenas em suas atividades operacionais (geração operacional de caixa). Em 2014/15, esse índice era de 3,1x, mas ele caiu para 1,9x no exercício fiscal de 2016. A projeção é que a Jalles Machado mantenha esse índice abaixo de 2x nas próximas safras.

Além do constante aumento do Ebitda, a venda da participação de 65% na Codora Energia também contribuiu para a melhora do índice. Com a negociação, a Jalles Machado acrescentou R$ 106 milhões ao caixa e transferiu dívidas que somavam R$ 44 milhões.

Para 2016/17, a S&P estima que o Ebitda da companhia deve ficar em R$ 560 milhões, sendo ampliado para R$ 600 milhões em 2017/18.

Renata Bossle – NovaCana

Compartilhar: