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Redução sustentável no endividamento da Zilor depende de precatórios, diz Fitch

Agência de classificação de risco aumenta nota da sucroenergética para A; perspectiva é estável

NovaCana 9 min de leitura

Em relatório concluído no final de outubro, a agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou a nota do grupo Zilor, de A- para A, no rating nacional de longo prazo. A avaliação das debêntures incentivadas da empresa e das emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócios (CRAs) também subiu, acompanhando a mesma nota.

Este é o primeiro aumento para o grupo Zilor depois de dois anos. A agência ainda manteve a perspectiva estável para a sucroenergética, ou seja, não são esperadas elevações nem rebaixamentos em breve.

O relatório aponta que a melhora na nota se deu pelo fortalecimento do caixa da empresa, que teve lucro de R$ 447,3 milhões na safra 2020/21, combinado ao recebimento de R$ 490 milhões em precatórios obtidos após ação movida pela Copersucar. Dessa forma, conforme explica a Fitch, deve acontecer uma “redução da alavancagem líquida para em torno de 1,5 vez no ano fiscal de 2022”.

Entretanto, de acordo com o documento, para que a empresa possa reduzir seu nível de endividamento de forma sustentável será necessário manter o fluxo atual de recebimento de precatórios, referentes à ação judicial movida pela Copersucar após o controle de preços realizado pelo extinto Instituto do Açúcar e Álcool (IAA).

Com o aumento da nota, a agência espera da Zilor uma manutenção do caixa pelos próximos três anos, o que deverá “apoiar sua estratégia de crescimento e fortalecerá o modelo de negócio da companhia”.

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Em relatório concluído no final de outubro, a agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou a nota do grupo Zilor, de A- para A, no rating nacional de longo prazo. A avaliação das debêntures incentivadas da empresa e das emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócios (CRAs) também subiu, acompanhando a mesma nota.

Este é o primeiro aumento para o grupo Zilor depois de dois anos. A agência ainda manteve a perspectiva estável para a sucroenergética, ou seja, não são esperadas elevações nem rebaixamentos em breve.

O relatório aponta que a melhora na nota se deu pelo fortalecimento do caixa da empresa, que teve lucro de R$ 447,3 milhões na safra 2020/21, combinado ao recebimento de R$ 490 milhões em precatórios obtidos após ação movida pela Copersucar. Dessa forma, conforme explica a Fitch, deve acontecer uma “redução da alavancagem líquida para em torno de 1,5 vez no ano fiscal de 2022”.

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Entretanto, de acordo com o documento, para que a empresa possa reduzir seu nível de endividamento de forma sustentável será necessário manter o fluxo atual de recebimento de precatórios, referentes à ação judicial movida pela Copersucar após o controle de preços realizado pelo extinto Instituto do Açúcar e Álcool (IAA).

Com o aumento da nota, a agência espera da Zilor uma manutenção do caixa pelos próximos três anos, o que deverá “apoiar sua estratégia de crescimento e fortalecerá o modelo de negócio da companhia”.

Previsões da Fitch para a Zilor

A Fitch ainda aponta que, apesar de atualmente estar com um desempenho 3% abaixo da média vista por usinas do Centro-Sul, a Zilor contará com uma moagem de 9,9 milhões de toneladas na safra 2021/22. O cenário seria estável em relação à temporada anterior, com perspectiva de um avanço para 11 milhões de toneladas nos próximos anos em função dos investimentos realizados.

Além disso, na safra atual, os preços elevados do etanol devem compensar a possível queda no volume de cana. Já em relação ao açúcar, as vendas com valores fixados seriam proporcionais a 80% da exposição líquida da Zilor nos próximos anos, o que beneficiaria a geração operacional de caixa no período. “A companhia possui posições de açúcar protegidas por hedge equivalentes a preços atuais no ano fiscal de 2023 e 2024”, relata o documento.

Assim, a expectativa da Fitch é que a Zilor gere um Ebitda (lucros antes de juros, impostos depreciação e amortização) de R$ 1 bilhão e fluxo de caixa de operações (CFFO na sigla em inglês) de R$ 669 milhões ainda em 2021/22, podendo alcançar R$ 691 milhões na safra seguinte.

Para 2022/23 e 2023/24, de acordo com as projeções da agência, a Zilor deve registrar uma receita líquida média de R$ 3,3 bilhões, com margem Ebitda de 34%.

Já em relação ao Fluxo de Caixa Livre (FCF na sigla em inglês), a Fitch projeta um valor negativo em R$ 100 milhões em 2021/22 devido aos investimentos de R$ 574 milhões a serem realizados neste período. O valor pode alcançar R$ 250 milhões negativos em 2022/23, considerando aplicações no valor de R$ 780 milhões que incluem investimentos em cogeração.

A Fitch afirma também que o FCF deve voltar a patamares positivos apenas em 2023/24, considerando que a empresa recebeu recentemente R$ 208 milhões em precatórios, que vão contribuir na diminuição da dívida líquida da Zilor.

O relatório informa que, em 2020/21, o caixa da empresa já havia se beneficiado do recebimento de cerca de R$ 274 milhões dos recursos indenizatórios da ação movida pela Copersucar contra o governo Federal. Além disso, a empresa ainda tem mais de R$ 800 milhões a receber até março de 2025, conforme cronograma.

Posição das dívidas

Desta forma, segundo a agência, a alavancagem da empresa cairá para 1,4 vez em 2021/22, abaixo dos 2 vezes registrados em 2020/21. A dívida líquida do grupo deve ser reduzida de forma gradativa, chegando a R$ 1,4 bilhão no mesmo período – queda de 22% em relação aos débitos de R$ 1,8 bilhão vistos em 2019/20.

A agência ainda prevê que a dívida da Zilor pode cair para R$ 1,2 bilhão em 2022/23, com uma alavancagem abaixo de 1,5 vez. Entretanto, isto depende da manutenção no fluxo de recebimento de precatórios.

Para completar, o relatório da Fitch classifica a liquidez do grupo Zilor como adequada e mantém a expectativa de que a empresa mantenha um risco de refinanciamento administrável pelos próximos três anos, com índice de cobertura da dívida de curto prazo próximo a 1 vez.

Conforme as projeções da agência, em 31 de março de 2022, o caixa da Zilor vai chegar a R$ 1,2 bilhão. Já os débitos a serem pagos durante a safra 2022/23 totalizarão R$ 974 milhões.

Em 31 de junho de 2021, a companhia relatou uma dívida total de R$ 2,6 bilhões, dividida da seguinte forma: 42% em linhas de capital de giro; 23% em CRAs; 18% em pré-pagamento de exportações; 8% em debêntures; 5% em garantias prestadas a favor dos fornecedores de cana-de-açúcar; 2% em de linhas com a Copersucar; e 2% em outros.

Além disso, de acordo com a agência, a Zilor possui expressão cambial gerenciável, com R$ 461 milhões em dívidas denominadas em moeda forte. “O fluxo de amortização é coberto pelo fluxo de exportações da unidade Biorigin”, observa a Fitch.

O documento segue afirmando que a Zilor tem acesso a linhas de crédito de médio e longo prazo sem garantias reais e a custos competitivos nos bancos. “A companhia possui 35 mil hectares de terras atualmente desonerados e avaliados em R$ 1 bilhão, o que fortalece a sua flexibilidade financeira”, relata.

Premissas da agência para o aumento da nota

O relatório destaca que o cenário que levou ao aumento da nota da Zilor envolve as seguintes perspectivas: moagem de 9,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2021/22; previsão para 10,9 milhões de toneladas em 2022/23; mix de produção direcionando 58% da cana-de-açúcar para o etanol e 42% para o açúcar; mix de originação da cultura, entre cana própria e de terceiros, em níveis históricos; investimentos de R$ 574 milhões na safra atual e de R$ 780 milhões na próxima; dividendos médios que equivalem a 25% do lucro do ano anterior; volume de vendas da Biorigin em 40 mil toneladas em 2021 e 37 mil toneladas em 2022; e recebimento de precatórios de acordo com cronograma inicial.

A agência também considerou o bom cenário do setor, com a alta dos preços internacionais do açúcar e do petróleo, que influenciam nos valores do etanol, e a desvalorização do real. A projeções da Fitch apontam que o biocombustível será negociado a R$ 3,36 por litro durante a safra atual, 69% acima dos valores vistos em 2020/21.

Segundo a Fitch, o preço internacional do açúcar será, na média, de 17,5 centavos de dólar por libra-peso na safra atual e de 16 centavos na próxima, sem incluir o prêmio de polarização para o açúcar brasileiro. Já o preço do etanol deve variar de acordo com a combinação do preço internacional do petróleo e da taxa de câmbio. Por sua vez, o barril do petróleo brent deve ficar, em média, a US$ 63 em 2021 e de US$ 55 em 2022, enquanto o câmbio teria uma taxa média de R$ 5,30/US$ em 2021 e R$ 5,20/US$ em 2022.

Neste cenário, a agência acredita que a Zilor pode reduzir “de forma significativa” os impactos negativos dos preços baixos das commodities em seu fluxo de caixa, levando em conta a afiliação da Zilor à Copersucar e a alta participação de cana de terceiros em suas unidades. Em relação à diversificação de negócio da empresa, também foram consideradas a unidade Biorigin, de produtos naturais e a capacidade de cogeração de suas usinas. Tais fatores adicionam “resiliência ao seu fluxo de caixa”, de acordo com a Fitch.

Entre os aspectos que podem levar a uma elevação de nota, conforme o relatório, estão a melhoria contínua no desempenho operacional da empresa, a manutenção de uma dívida líquida inferior a 2 vezes e um fluxo de caixa livre (FCF na sigla em inglês) entre neutro e positivo em bases recorrentes.

Por outro lado, como explica o relatório, a nota da Zilor pode cair caso aconteça uma queda recorrente da participação da Biorigin na receita – resultando em margens Ebitda mais baixas –, alterações no fluxo de recebimentos dos precatórios e/ou o registro de um índice de débitos acima de 3 vezes.

Emissão de CRAs reavaliada

Logo após a mudança na classificação da Zilor, a Fitch também subiu a nota para os CRAs emitidos pela unidade Quatá, que também passaram de A- para A, com perspectiva estável.

A emissão dos certificados é lastreada por uma Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F) e, de acordo com o relatório da agência, o rating reflete “a expectativa de pagamento integral do principal investido, acrescido de juros até o vencimento final legal da operação”.

Como explica o documento, os CRAs e a CPR-Financeira têm rentabilidade equivalente ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) acrescido de 2,5% ao ano e com os pagamentos de juros e principal ocorrendo a cada seis meses. Os certificados vencem em outubro de 2024.

De acordo com a Fitch, em setembro de 2021, o saldo devedor da emissão era de R$ 618,25 milhões.

Giully Regina – NovaCana

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