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Recuperação à vista: Perspectivas de 21 consultorias sobre a safra de cana 2022/23

Com cerca de dois meses para o início oficial da temporada 2022/23, os olhos se voltam para a nova safra e para as projeções de restabelecimento dos canaviais

NovaCana 20 min de leitura

Em setembro de 2020, consultorias e empresas especializadas consultadas pelo NovaCana já opinavam sobre a temporada que iria se iniciar dali a um semestre. Naquele momento, as visões para a safra corrente eram tão negativas que os analistas temiam os impactos para o ciclo 2022/23, principalmente os resultantes da estiagem e das geadas. Mas, como sempre, as chuvas de final de ano e do período de entressafra ainda seriam determinantes para os resultados.

Agora, os indicativos dados pelo clima são de recuperação, afinal, as chuvas estão vindo. Mesmo que os especialistas ainda considerem que seja cedo para afirmar grandes retomadas, o prognóstico parece ser positivo.

A produção de cana-de-açúcar deve ficar longe das mais de 600 milhões de toneladas registradas em 2020/21, mas também deve ser um pouco superior às mais de 520 milhões de toneladas vistas em 2021/22.

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Esta primeira estimativa coletada pelo NovaCana para a safra 2022/23 contou com números de 21 empresas especializadas, sucroenergéticas e consultorias.

Na média do levantamento, a moagem de 2022/23 está prevista em 554,1 milhões de toneladas. O volume seria 6,2% superior às 521,67 milhões de toneladas registradas pelo ciclo anterior. Caso atinja este resultado, esta seria, excetuando 2021/22, a menor safra desde os 532,76 milhões de toneladas de 2012/13.

Das 20 empresas que disponibilizaram este dado ao NovaCana, a maior expectativa de moagem é da BP Bunge, com 570 milhões de toneladas. Já os menores volumes previstos vêm de Rabobank, Canaplan e Czarnikow, com 540 milhões de toneladas moídas em 2022/23 – ainda assim, o montante é superior ao fechamento do ciclo anterior.

Confira, na versão completa e restrita para assinantes, as estimativas e os argumentos de 21 empresas em relação à temporada 2022/23 do Centro-Sul. Os valores incluem moagem, produção de açúcar, fabricação de etanol – de milho e de cana –, além de perspectivas de mix de produção e de açúcar total recuperável (ATR).

Em setembro de 2020, consultorias e empresas especializadas consultadas pelo NovaCana já opinavam sobre a temporada que iria se iniciar dali a um semestre. Naquele momento, as visões para a safra corrente eram tão negativas que os analistas temiam os impactos para o ciclo 2022/23, principalmente os resultantes da estiagem e das geadas. Mas, como sempre, as chuvas de final de ano e do período de entressafra ainda seriam determinantes para os resultados.

Agora, os indicativos dados pelo clima são de recuperação, afinal, as chuvas estão vindo. Mesmo que os especialistas ainda considerem que seja cedo para afirmar grandes retomadas, o prognóstico parece ser positivo.

A produção de cana-de-açúcar deve ficar longe das mais de 600 milhões de toneladas registradas em 2020/21, mas também deve ser um pouco superior às mais de 520 milhões de toneladas vistas em 2021/22.

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Esta primeira estimativa coletada pelo NovaCana para a safra 2022/23 contou com números de 21 empresas especializadas, sucroenergéticas e consultorias.

Na média do levantamento, a moagem de 2022/23 está prevista em 554,1 milhões de toneladas. O volume seria 6,2% superior às 521,67 milhões de toneladas registradas pelo ciclo anterior. Caso atinja este resultado, esta seria, excetuando 2021/22, a menor safra desde os 532,76 milhões de toneladas de 2012/13.

Das 20 empresas que disponibilizaram este dado ao NovaCana, a maior expectativa de moagem é da BP Bunge, com 570 milhões de toneladas. Segundo o diretor comercial do grupo, Ricardo Busato Carvalho, a safra deve se recuperar depois de um 2021 “de uma quebra muito forte”.

Já a analista de inteligência de mercado da StoneX, Rafaela Souza, detalha que a projeção de produtividade da consultoria é de 73,5 toneladas de cana por hectare em 2022/23, superior ao ciclo anterior, o que levaria a uma moagem de 565,3 milhões de toneladas. Assim, esta é a segunda maior estimativa da análise.

Conforme relatório da entidade, embora a remuneração dos produtos sucroenergéticos tenha sido atrativa nos últimos dois anos, alguns produtores podem preferir plantar grãos por conta da maior rentabilidade em algumas regiões.

“Em paralelo, a maior receita obtida pelas usinas sucroenergéticas tem estimulado incrementos nos investimentos em reforma dos canaviais. Nesse sentido, esperamos que a área de cana a ser colhida em 2022/23 se mantenha similar no comparativo safra-a-safra, em cerca de 7,7 milhões de hectares”, observa o documento.

A FG/A, por sua vez, tem uma visão menor, de 555 milhões de toneladas para o ciclo. Por outro lado, a consultoria informa que há um viés de aumento em sua estimativa caso as condições de chuva na região Centro-Sul sigam até o final de março conforme os últimos dias de 2021 e os primeiros de 2022. “Com isso, acreditamos que o volume de cana poderá ser superior ao previsto em nosso cenário inicial”, completa.

Em comparação com 2021/22, o volume representa um aumento de 4,7% na moagem, além de um crescimento de 5,8% na produtividade, também considerando as condições climáticas dentro da normalidade. A consultoria ainda estima que haverá redução de 1,1% na área colhida e um índice de renovação dos canaviais de 17% – o valor supera a safra anterior porque incêndios, geadas e estiagem demandaram uma maior renovação.

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Com a mesma perspectiva de moagem da FG/A, 555 milhões de toneladas, a S&P Global Platts acredita que deve ocorrer um aumento de área e de produtividade em relação ao esperado anteriormente.

“Para 2022/23 vemos uma recuperação na safra de cana considerando chuvas próximas do normal durante os próximos meses. Outubro foi muito bom e novembro também foi melhor que o ano passado”, relata. A companhia ainda destaca a necessidade de acompanhar a evolução do La Niña, fenômeno que pode colocar em risco a recuperação do canavial.

Já a Agroconsult estima uma moagem de 552,9 milhões de toneladas. “Apesar de poder mudar muito, é um cenário de recuperação de praticamente 30 milhões de toneladas, mas muito aquém do observado nas últimas safras”, enxerga o analista de safra da consultoria, Pedro Montebello.

A consultoria hEDGE Point previu, em novembro, uma moagem de 550 milhões de toneladas, mesmo volume considerado pela TRS. Esta segunda considera que o clima está mais seco que o normal desde dezembro de 2021, algo desfavorável ao desenvolvimento da cana – a estimativa anterior da empresa era 10 milhões de toneladas acima do atual valor.

Por fim, os menores volumes de moagem previstos vêm de Rabobank, Canaplan e Czarnikow, com 540 milhões de toneladas. Ainda assim, os montantes são superiores ao fechamento de 2021/22.

Com isso, a distância entre a maior e a menor expectativa de moagem para 2022/23 foi de 30 milhões de toneladas, em linha com a estimativa realizada em período semelhante referente ao ciclo 2021/22, em que a diferença era de 35 milhões de toneladas; para 2020/21, era de 31,19 milhões de toneladas.

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Considerando o início da série histórica, em 2013/14, até as visões para 2022/23, a diferença média entre as maiores estimativas e as menores, em período semelhante ao atual, foi de 39,08 milhões de toneladas.

As chuvas estão de volta

Em contraste com uma safra em que as condições climáticas foram de seca, a próxima temporada tem expectativas mais positivas, aponta a StoneX. Em consonância com o apontado pela Platts, Souza relata que, desde outubro de 2021, as precipitações voltaram a contemplar as áreas canavieiras, superando a normalidade no último trimestre do ano.

De acordo com a analista, isso deve garantir certa recuperação na produtividade na próxima temporada. Conforme relatório da StoneX, as chuvas foram de 520,7 milímetros na ponderação das áreas canavieiras no último trimestre, alta de quase 30% em relação à normalidade.

Além disso, Souza considera que as previsões climáticas também são favoráveis, especialmente em São Paulo, com chuvas dentro da normalidade até março. Com isso, tanto o aumento da umidade quanto dos investimentos feitos nos canaviais devem levar a um ganho de rendimento.

A BP Bunge também afirma que a expectativa para a moagem está condicionada ao clima. “As chuvas de outubro a dezembro foram satisfatórias e melhores que as dos últimos dois anos, porém, o começo do ano, sobretudo janeiro e fevereiro, é o período mais crítico para a cana-de-açúcar”, completa Carvalho.

O Pecege, que estima uma moagem de 550,41 milhões de toneladas, destaca os mesmos pontos como relevantes para a manutenção de sua expectativa. O instituto acrescenta que, ainda que a temporada seja de recuperação em relação à anterior, ela será penalizada pelo aumento da idade média dos canaviais e pela redução da área total, devido à competição com os grãos.

Montebello, da Agroconsult, complementa que a mudança no clima deve corrigir praticamente dois ciclos com deficiência climática. “Tivemos três episódios de geada na safra 2021/22. Muitos deles se sobrepuseram e o estrago foi acumulado. Também tivemos focos de incêndio, mas podemos atribuir um peso menor para eles”, diz o analista.

Ele acrescenta que as influências do La Niña serão boas, pois trarão, pelo menos até meados do mês de março, chuvas com boa frequência para o estado de São Paulo, principal produtor de cana-de-açúcar do país. “Os modelos de longo prazo indicam um ano de neutralidade, com chuvas dentro da média”, complementa Montebello.

A TRS, por outro lado, não compartilha desta visão. A consultoria enxerga, conforme relatório lançado em janeiro, que a previsão do tempo para o açúcar no Centro-Sul brasileiro “continua piorando”. Conforme o detalhamento regional acompanhado pela empresa, existem condições mais secas do que a média em Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Menos seca, menos ATR

Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) referentes ao período até 16 de janeiro, o ciclo 2021/22 teve uma concentração de açúcar total recuperável (ATR) de 142,93 quilos por tonelada de cana. Por sua vez, a média das estimativas feitas pelo o NovaCana para a próxima temporada é de 140,6 kg/t, uma retração de 1,63%.

Entre as 15 empresas que disponibilizaram este dado, o Pecege é a que prevê o menor ATR, com 138,16 kg/t. Considerando também a projeção de moagem do instituto, o valor equivale a 76,04 milhões de toneladas de ATR no total.

Já a Safras & Mercado foi responsável pela visão mais elevada, com uma concentração de 145 kg/t, ou 81,20 milhões de toneladas de ATR.

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Apesar do retorno da umidade ser benéfica para a oferta de cana, o ATR tende a diminuir com o maior volume de chuvas, segundo Souza, da StoneX. Por isso, a consultoria prevê que o índice médio sofra queda de 1,2% no comparativo com 2021/22, encerrando 2022/23 em 140,7 kg/t e totalizando 79,6 milhões de toneladas de ATR. O relatório pondera que o acompanhamento climático é “fundamental” para traçar visões mais assertivas ao longo da safra.

Montebello, da Agroconsult, visualiza que o ATR deve voltar para a curva de crescimento anterior se o clima continuar semelhante, o que exclui as safras 2020/21 e 2021/22. Portanto, a consultoria espera por um resultado de 140,2 kg/t. “Vemos uma recuperação dos canaviais. Lembramos que temos uma retomada, mas ela é em cima de dois anos muito sofridos”, observa o analista.

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Açúcar em alta

Na média das estimativas, as empresas esperam que 45,5% da cana seja destinada à produção de açúcar no ciclo 2022/23. Esta também é a visão da StoneX, que acredita na manutenção de um mix de produção bastante açucareiro.

Souza destaca que, desde 2020, a commodity oferece um prêmio considerável sobre o etanol hidratado, levando como base o contrato contínuo do açúcar em Nova York e o contrato Posto Veículo Usina (PVU) do hidratado em Ribeirão Preto (SP).

“Mas o prêmio vem se encurtando nos últimos meses. Inclusive, em alguns momentos, o hidratado chegou a remunerar mais em relação ao açúcar”, pondera a analista.

Além disso, o ambiente macroeconômico pode pressionar os futuros do adoçante, segundo relatório da StoneX. Ainda assim, a depreciação do real segue como um agente de suporte dos preços, considerando a conversão em reais por tonelada. “A título de comparação, 71% da produção esperada para a próxima safra já se encontra fixada na ICE em Nova York, contra 66,3% no mesmo período do ano passado”, detalha o relatório.

Indo pelo mesmo caminho, Carvalho, da BP Bunge, afirma que os preços mundiais em alta durante boa parte do segundo semestre de 2021 devem incentivar as usinas do Brasil a maximizar o açúcar nos primeiros meses da safra 2022/23.

“Com a atual alta do petróleo internacional e a recente correção do açúcar em Nova York, os preços começam sinalizar que o mix não deverá ser tão puxado à maximização de açúcar, algo que devemos observar após o pico da moagem”, Ricardo Busato Carvalho (BP Bunge)

Já a Agroconsult espera que o direcionamento da cana para o açúcar seja de 45% em 2022/23, praticamente em linha com a temporada que se encerra. Montebello complementa que, especialmente no primeiro semestre do ano, haverá um apetite maior para aproveitar as entregas de março e maio.

“A partir do segundo semestre, caso não tenhamos alteração nos cenários de etanol, importação e exportação, o ATR deve ser levemente direcionado para a produção de anidro para cumprir com um crescimento do ciclo Otto, que deve continuar na casa de 3% a 5% em 2022”, completa o analista.

O Pecege, que estima um mix para o açúcar de 42,47% – o índice mais baixo para o adoçante dentre as consultorias pesquisadas –, também leva em conta as novas reduções dos preços do açúcar no mercado internacional. “Durante a primeira quinzena de janeiro, o produto acumula uma queda de quase 4% sobre a cotação registrada no final de 2021”, relata.

Já em relação ao mercado futuro, o Pecege expressa que as boas perspectivas para a produção em Tailândia, Índia e Brasil motivaram quedas nos preços, garantindo uma oferta elevada da commodity no primeiro semestre. Por outro lado, o instituto também crê que as reduções não seriam suficientes para retrair os valores no mercado interno, que devem seguir elevados, especialmente no segundo semestre do ano.

Além disso, o déficit global de açúcar – que foi estimado em 1,9 milhões de toneladas pela StoneX – deve fortalecer um mix brasileiro mais voltado para o adoçante.

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A Czarnikow é outra empresa que visualiza uma safra maximizada para o açúcar, com 46% do ATR sendo destinado à commodity. Conforme o analista Jack Haslan, em relatório lançado em janeiro, é a capacidade industrial do Brasil que limita um impulsionamento ainda maior para o açúcar.

“No entanto, as vendas de etanol são feitas à vista durante a safra e, se o preço do petróleo continuar em alta, haverá pressão para aumentar a alocação de etanol”, complementa.
Haslan destaca que boa parte do açúcar é protegido por hedge, o que gera um custo para recompra, ou seja, que o etanol precisaria pagar consideravelmente mais do que o adoçante para as usinas considerarem fazer tal troca.

A Platts, que espera um mix para o açúcar de 46,2%, também pondera que os resultados têm grande influência do preço do petróleo internacional e do câmbio, que pode ser “bastante volátil” em um ano de eleição.

Outro ponto que corrobora para um mix de produção fortemente açucareiro é a demanda por combustíveis. “Nós temos visto, nos últimos meses, um consumo dos combustíveis do ciclo Otto mais enfraquecido e isso se deve aos preços bastante elevados, diminuindo o poder de compra dos consumidores”, detalha Souza, da StoneX.

A Safras & Mercado é a empresa que estima o maior índice de matéria-prima alocada para o açúcar, com 49%.

Produção de açúcar

Para a StoneX, a fabricação de açúcar no Centro-Sul brasileiro deve ser de 34,5 milhões de toneladas. O volume seria 7,2% superior ao de 2021/22.

A SCA possui uma estimativa um pouco mais baixa, com a fabricação de 34,15 milhões de toneladas do adoçante. A trading considera que os preços do açúcar podem continuar interessantes se for confirmado o terceiro déficit global seguido para o produto, além do reaquecimento da demanda e das dificuldades de produção pela Índia, um dos principais produtores.

“Entendemos que a produção brasileira tem potencial para continuar em níveis similares ao ciclo atual, mas sem descartar eventual competição com o etanol caso os preços do petróleo e câmbio se mantenham fortalecidos”, completa a consultoria.

Por sua vez, a visão da TRS é que sejam fabricadas 33,2 milhões de toneladas, já considerando a recente queda dos preços da commodity no mercado internacional.

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Na média da visão das consultorias e empresas especializadas, devem ser fabricadas 33,69 milhões de toneladas de açúcar, volume 5,19% superior às 32,03 milhões de toneladas de 2021/22.

As expectativas produtivas mais baixas da amostra são do Pecege, com 30,77 milhões de toneladas, e da Datagro, com 32,65 milhões de toneladas.

Um pouco mais de etanol

Na média das consultorias, a produção de etanol de cana-de-açúcar deve ser de 25,77 bilhões de litros. Já a produção de etanol de milho deve atingir 4,05 bilhões de litros. O volume resultante – 29,82 bilhões de litros – é 11,6% superior aos 26,72 bilhões de litros referentes ao ciclo 2021/22.

Considerando a divisão entre hidratado e anidro, a cana deve ser responsável por 15,66 bilhões de litros do biocombustível que abastece diretamente os veículos e por 10,28 bilhões de litros do que é misturado à gasolina. Já no caso do milho, devem ser feitos 2,78 bilhões de litros de hidratado e 1,21 bilhão de litros de anidro, conforme a média das empresas consultadas.

Para a StoneX, a produção de etanol de cana deve atingir 25,5 bilhões de litros, incremento ano a ano de 5,4%. Especificamente, são esperados 16,5 bilhões de litros de hidratado (+17%) e 9 bilhões de litros de anidro (-10,9%). A redução para o anidro é justificada porque, em 2021/22, teria sido produzido muito do produto, a fim de atender a maior demanda por gasolina.

Milho deve se destacar na produção do renovável

O aumento da oferta de etanol também ocorre pelo crescimento do biocombustível vindo do milho. Souza, da StoneX, espera que a próxima safra se encerre com 29,7 bilhões de litros, sendo que 4,2 bilhões de litros serão provenientes do grão. “É interessante olhar como estão as margens para destilação nos principais estados produtores: no Mato Grosso e em Goiás”, detalha a analista.

Ela relata que, desde meados do ano passado, estas operações têm se tornado mais lucrativas e isso tem ocorrido tanto pelas cotações elevadas do etanol quanto pelos coprodutos, como os grãos de destilaria.

“No próximo ciclo, a oferta de milho ainda tende a se manter elevada. Tudo isso corrobora com um aumento da produção em 2022/23, que também é reforçada pela ampliação da capacidade produtiva,” complementa.

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A SCA também espera um “novo e substancial incremento da produção oriunda do milho”, por conta da expansão do setor. “Com produção total de etanol um pouco mais elevada, é provável que a competitividade do hidratado nas bombas precise ser melhor se comparada ao período atual”, destaca. Neste sentido, a consultoria estima que sejam fabricados 25,6 bilhões de litros de etanol de cana e 3,9 bilhões do de milho.

“[O etanol de milho] é uma indústria que veio para ficar. Forte e com presença marcante especialmente em Mato Grosso e Goiás, veio para absorver o milho que chegou a ter excesso em um passado não muito distante”, Pedro Montebello (Agroconsult)

Montebello, da Agroconsult, acredita que existe um grande potencial de investimento neste setor, ainda que isso possa ser um pouco freado na safra 2022/23. A consultoria estima que sejam produzidos 4 bilhões de litros do renovável a partir do grão, com 1,2 bilhões de anidro e 2,8 bilhões de hidratado.

A hEDGE Point destaca a ampliação na parcela de etanol de milho na produção do Centro-Sul, saindo de 2% em 2017/18 para 8,45% em 2020/21. Conforme dados da Unica, esta fatia chegou a 10,19% no período de abril de 2021 a 16 de janeiro de 2022.

“O combustível advindo do grão tem ganhado espaço. Por ser um setor jovem, sua alta taxa de investimentos possui retorno direto sobre a produtividade. Esta participação de mercado, portanto, tende a aumentar anualmente”, destaca a empresa. Mesmo assim, a consultoria completa que há a necessidade de considerar os mercados de etanol e de milho para chegar a um balanço que atenda a ambos simultaneamente.

Para 2022/23, mesmo com uma recuperação da safra brasileira de cana, a empresa também a considera mais açucareira, tanto pelo volume do produto já negociado no mercado internacional, quanto pela relação entre os preços de açúcar e etanol. “Assim, a participação do etanol de milho deve se manter razoavelmente estável (13%), uma vez que a parcela advinda da cana deve se recuperar, mas não crescer expressivamente”, destaca o relatório.

A hEDGE Point estima que sejam produzidos 3,77 bilhões de litros de etanol vindo do grão, considerando o período de fevereiro de 2022 a janeiro de 2023. “O valor contribui para o equilíbrio do balanço do combustível com níveis normalizados de estoque”, complementa.

Em relação ao milho, o volume corresponde à destinação de 8,8 milhões de toneladas do grão para a fabricação do renovável, representando um aumento de aproximadamente 900 mil toneladas frente à safra 2021/22. Este volume adicional, conforme a empresa, é compatível com o cenário para 2022/23, com estoques de passagem “mais confortáveis” e sem motivos para crescimento na exportação ou no maior uso do milho para ração, a ponto de impedir o crescimento na demanda para a produção de etanol.

Além de exportação e uso doméstico estarem próximos das médias dos últimos anos, a desaceleração econômica chinesa faz com que a hEDGE Point projete uma demanda estável para carnes no mercado chinês. “Do lado das exportações, a estabilização do crescimento global deve implicar em poucas mudanças e é difícil imaginar desvalorizações adicionais do real em patamares que tornem o milho brasileiro muito mais competitivo”, completa.

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Por sua vez, a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a partir de dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), espera uma produção de 4,2 bilhões de litros vinda do cereal. Conforme o Imea, o Brasil deverá atingir a produção de 9,6 bilhões de litros na safra 2030/31, um crescimento de 186% em comparação com a safra 2020/21.

De acordo com o presidente da Unem, Guilherme Nolasco, este crescimento se respalda nas perspectivas de novos investimentos e no melhor desempenho das indústrias instaladas. “Nas últimas cinco safras, o rendimento industrial em Mato Grosso passou de 357 litros por toneladas para 426 litros de etanol por tonelada de milho processada”, completa.

Segundo o Imea, a produção de milho no Brasil deverá sair de 102 milhões de toneladas na safra 2021/2022 para 143 milhões de toneladas em 2030/31.

Custos de produção elevados

Outro ponto relevante em relação à safra de cana são os custos de produção. Os gastos vêm se elevando nas últimas temporadas e parece que não será diferente em 2022/23. A StoneX destaca especialmente a alta dos fertilizantes.

“Apesar disso, a boa atratividade da produção deve estimular maiores investimentos nas lavouras por parte das usinas do cinturão canavieiro, com indicativos de que a taxa de reforma dos canaviais se mantenha dentro do planejado pelas usinas”, destaca a consultoria.

Montebello, da Agroconsult, também prevê custos de produção mais elevados – desde o campo até indústria –, mas eles também devem ser associados a uma rentabilidade crescente para o etanol e para o açúcar.

“Considerando um câmbio flutuando entre R$ 5,50 e R$ 5,70, que se traduz em um açúcar na casa dos R$ 2,4 mil por tonelada, o setor tem uma rentabilidade maior com os produtos que gera, compensando o aumento dos custos de produção”, complementa.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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